Ficha Corrida

30/05/2015

Ódio a José Dirceu é o véu de proteção à Marin

São antípodas. Um, tem a bênção da fina flor do fascio paulista, o outro, o ódio. Por coincidências do destino, para tirar a Copa da Rússia, a mesma polícia política dos EUA que perseguia Dirceu e apoiava Marin na ditadura, faz agora justiça por linhas tortas. E, como disse o melhor amigo do Eurico Miranda, Romário, pena que não tenha sido preso pela nossa polícia, mas pela polícia Suíça.

No Brasil todo corrupto igual à Marin tem mais chances de ser presidente do Tribunal de Contas de São Paulo, mesmo que condenado na Suíça, a exemplo de Robson Marinho, do que ser preso. Isto porque nosso Ministério Público é um Mistério Púbico, de modo que há mais chance de os corruptos receberem medalhas do que serem investigados. Quando José Maria Marin recebe medalha do Ministério Público ou Joaquim Barbosa recebe medalha do Aécio Neves entendemos porque nossos procuradores se  chamam Rodrigo de Grandis, ministro se chama Joaquim Barbosa mas nunca  Loretta Lynch.

Quando um assassino se torna inatacável é natural que grupos de mídia tratem ditadura de ditabranda, emprestem peruas aos ditadores e inventem fichas falsas. Os nossos bandidos são cultivadas nas altas rodas da fina flor do fascio. Só no Brasil os grupos mafiomidiáticos criam um Instituto para estimular a sonegação e a Receita vira mera espectadora.

Marin: aqui se faz, aqui se paga

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:
José Maria Marin (83) nasceu e cresceu no bairro paulistano de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Na juventude, foi jogador profissional de futebol e chegou a jogar no São Paulo Futebol Clube, como ponta-direita. Porém, foi um jogador medíocre.
Marin atuou em pequenos clubes paulistas como o São Bento de Marília e o Jabaquara. No São Paulo, sua carreira foi curta; disputou apenas dois jogos oficiais e marcou um gol. Vendo que não tinha futuro no esporte, estudou direito e, em 1963, entrou na política.
Naquele ano, elegeu-se vereador por um partido de extrema direita, fundado pelo integralista Plínio Salgado, político, escritor, jornalista e teólogo que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de extrema-direita inspirado nos princípios do movimento fascista italiano.
Quando se instalou a ditadura, tratou de se filiar ao partido oficial, a Arena. Seu ódio à esquerda o tornou um dos mais virulentos políticos do período autoritário. A ele é atribuída a execução do então diretor de telejornalismo da TV Cultura, Wladimir Herzog, nas masmorras do DOI-CODI, em São Paulo – Marin acusava a emissora de ser reduto de comunistas.
Em 1978, tornou-se vice-governador biônico de São Paulo na chapa de Paulo Maluf – à época, a ditadura podia indicar presidentes, governadores e prefeitos de capitais em “colégios eleitorais” instalados no Legislativo, onde a ditadura sempre tinha maioria porque podia indicar parlamentares sem precisar de voto popular.
Entre 1982 e 1983, estava terminando o “mandato” de Maluf como governador e ele se afastou do cargo para disputar mandato de deputado federal. Marin, seu vice, governou São Paulo no lugar dele durante dez meses.
À época, o breve governo de Marin chegou a ser acusado de ser ainda mais truculento do que o de Maluf – a Polícia Militar, então, agia com uma violência que faz a de hoje parecer um grupo de balé.
Terminada a ditadura, Marin mostrar-se-ia tão medíocre como político quanto fora como jogador de futebol. Pelo voto direto, não conseguiu nada. Tentou ser senador por São Paulo e prefeito da capital paulista, mas sempre teve votações pífias.
Marin foi se estabilizar como “cartola” do futebol, onde os conchavos sempre dispensaram competência e apoio popular. Começou presidindo a Federação Paulista de Futebol e após a queda de Ricardo Teixeira acabou comandando a CBF.
Um dos episódios mais escandalosos envolvendo o ex-governador paulista, porém, aconteceu não faz tanto tempo. Em 2012, durante a premiação após o jogo final da Copa São Paulo de Futebol Junior, Marin roubou medalha que caberia ao jogador corintiano Mateus.
Após a trajetória de vida que acabamos de ver, Marin foi preso por agentes da Kantonspolizei (a polícia suíça) em Zurique, junto com outros dirigentes da FIFA suspeitos de corrupção. Agora será extraditado para os EUA, onde responderá por seus crimes no futebol.
Ver alguém como ele sendo preso, após uma história tão pouco edificante, chega a parecer a realização de um sonho. No fim da ditadura militar, Marin, Maluf e Reynaldo de Barros foram a face desfigurada do regime agonizante.
Porém, a felicidade de ver um corrupto e fascista como esse ir parar atrás das grades só não é uma felicidade completa por uma razão que quem bem explicou foi o ex-jogador e senador pelo Rio de Janeiro, Romário de Souza Faria.
Confira, abaixo, a manifestação do ex-craque sobre a prisão de Marin, no Facebook.

Apesar de estar começando a pagar por uma vida tão questionável, Marin tratou de fazer mal de novo ao Brasil – espera-se que pela última vez. Como diz Romário, é uma vergonha para este país que alguém como Marin nunca tenha sido punido por aqui, apesar de tantas denúncias que pesam contra si.
Mas há lugar para esperança de que esse tenha sido o último dano que José Maria Marin causou ao Brasil.

Altamiro Borges: Marin: aqui se faz, aqui se paga

4 Comentários »

  1. […] Source: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Ódio a José Dirceu é o véu de proteção à Marin | O LADO ESCURO DA LUA — 30/05/2015 @ 5:53 pm | Responder

  2. Republicou isso em TEM CAROÇO NESSE ANGU….

    Comentário por anisioluiz2008 — 30/05/2015 @ 5:52 pm | Responder

  3. […] Source: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Ódio a José Dirceu é o véu de proteção à Marin | psiu... — 30/05/2015 @ 1:52 pm | Responder

  4. […] São antípodas. Um, tem a bênção da fina flor do fascio paulista, o outro, o ódio. Por coincidências do destino, para tirar a Copa da Rússia, a mesma polícia política dos EUA que perseguia Dirceu e …  […]

    Pingback por Ódio a José Dirceu é o v&e... — 30/05/2015 @ 1:52 pm | Responder


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