Ficha Corrida

13/05/2015

A repetição como farsa

Aecio NepotistanO exército da direita não consegue descansar. Por qualquer dá cá uma palha, move mundos e fundos. Só há uma explicação: síndrome de abstinência de poder. Longe do Planalto e com poucas perspectivas de voltarem, a direita hidrófoba vive em estado hiênico, com os dentes sempre à mostra. Na verdade, a bocarra é o único argumento.

Como disse Carl Marx no Dezoito Brumário de Louis Bonaparte, “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Nunca foi tão atual como no caso da política brasileira. A primeira vez que a direita sem voto espalhou aos quatro ventos o aparelhamento do Estado foi ainda no Governo Lula. Lula pretendia fazer uma limpeza nos cavalos de Tróia deixados por FHC. Armados até os dentes e aliados ao Lumpenjornalismo, o PSDB/DEM vociferou contra Lula por querer nomear na Petrobrás pessoas de sua confiança. Tanto fizeram que lá ficou alguém ainda do tempo de FHC, Paulo Roberto da Costa. Hoje todos sabemos o resultado disso.

Quando o PSDB pôs um laranja no PSDB, Gilmar Mendes, ninguém vociferou contra o aparelhamento do Estado. Agora usam do mesmo estratagema com que conseguiram a reeleição de FHC. Para manter seus ventríloquos, a direita muda a constituição. Aparelhamento do Estado é alterar a constituição ao sabor das conveniências, e do jeito mais sujo possível. Como por exemplo pagar R$ 200 mil reais para comprar a reeleição. Se fosse séria a proposta de evitar o aparelhamento, as regras valeriam para candidatos seguintes, não para os que estavam no poder.

Aécio Neves é um caso típico de aparelhamento do estado. Desde quando era estudante no Rio de Janeiro já recebia por cargos públicos em Brasília. Bem, isso não é aparelhamento. É roubo mesmo!

Hoje o Estado está contaminado pela baixa qualidade do nosso jornalismo. Quando um governador, por exemplo, paga  R$ 70 mil reais para atacarem seus adversários. Fernando Gouveia é um exemplo moderno de aparelhamento. Mas disso não se fala. 

A falácia em torno do “aparelhamento” do STF. Por Paulo Nogueira

Postado em 12 mai 2015 – por : Paulo Nogueira

Dei um giro no Twitter, em torno do caso Fachin, e fui bater em Míriam Leitão.

Ela dizia o seguinte: que o que a preocupava não eram o voto e nem as ideias de Fachin, mas o “aparelhamento do STF”.

Estive na Globo, e sei quanto esta palavra é cara aos irmãos Marinhos: “aparelhamento”.

Claro que essa preocupação só vale para o lado de lá. Quando Aécio nomeia a irmã, o cunhado e os amigos, não é “aparelhamento”.

Quando FHC nomeia o genro, e depois demite quando este se divorcia de sua filha, não é “aparelhamento”.

Quando Serra emprega a família de Soninha na administração pública de São Paulo, não é “aparelhamento”.

Então Míriam estava apenas repetindo uma expressão que seus patrões adoram empregar contra aqueles de quem não gostam.

No caso específico do STF, alguém reclamou de “aparelhamento” quando FHC indicou Gilmar Mendes, que se tirar o paletó exporá as plumas de tucano?

Há uma falácia cínica, ou uma obtusidade desumana, nos debates sobre as nomeações para o STF.

Indica quem tem mais votos na eleição presidencial. É assim. Isso se chama democracia.

Os eleitores delegam ao presidente eleito a escolha dos ministros do STF. (Eduardo Cunha parece ter outras ideias, mas isso se chama golpe.)

Tirando extremos, você pode dividir a sociedade em dois grandes blocos: os progressistas e os conservadores.

Governos progressistas nomeiam juízes progressistas, afinados com suas ideias básicas.

Governos conservadores optam por juízes conservadores.

Quem está no comando de tudo é o povo, que elege um presidente conservador ou um presidente progressistas.

Nos Estados Unidos da Era Roosevelt, houve um debate em torno da Suprema Corte que mesmerizou o país.

Medidas de cunho social de Roosevelt, em seus primeiros tempos, no começo dos anos 1930, vinham sendo sistematicamente derrubadas pela Suprema Corte.

Eram, aliás são, nove juízes, a maioria composta de conservadores para os quais o New Deal de Roosevelt era coisa de comunista .

Roosevelt, irritado e temeroso de fracassar por conta da Suprema Corte, tentou um golpe.

Roosevelt, com quatro mandatos, montou uma Suprema Corte progressista

Roosevelt, com quatro mandatos, montou uma Suprema Corte progressista

Ele quis impor limite de idade para os juízes, então no cargo vitaliciamente. Argumentava que a capacidade de julgar se perdia em boa parte quando o juiz chegava à idade provecta.

Roosevelt acabou derrotado, mas seu carisma resolveu tudo. Com seus quatro mandatos, ele pôde, ao longo dos anos, nomear juízes afinados com seu perfil progressista.

O mesmo vale para o Brasil.

Os conservadores querem juízes conservadores no STF? Que ganhem as eleições.

Aí poderão aparelhar a corte. Poderão, caso tenham votos para tanto, montar um STF com doze Gilmares, juízes prontos a fazer coisas como engavetar indefinidamente projetos como o que proíbe financiamento privado de campanhas.

De resto, mesmo quem não entende de direito há de perceber, com clareza, a diferença de estatura intelectual entre Fachin e aquele a quem deve substituir, Joaquim Barbosa.

Antes de falar em “aparelhamento”, como fez Míriam Leitão, é preciso olhar para as urnas.

São elas que, afinal, determinam a composição do STF.

O resto, como escreveu Shakespeare, é silêncio.A

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » A falácia em torno do “aparelhamento” do STF. Por Paulo Nogueira

4 Comentários »

  1. […] Source: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por A repetição como farsa | psiu... — 13/05/2015 @ 12:51 pm | Responder

  2. […] O exército da direita não consegue descansar. Por qualquer dá cá uma palha, move mundos e fundos. Só há uma explicação: síndrome de abstinência de poder. Longe do Planalto e com poucas perspectivas…  […]

    Pingback por A repetição como farsa | EVS NOT&... — 13/05/2015 @ 12:51 pm | Responder

  3. […] Source: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por A repetição como farsa | O LADO ESCURO DA LUA — 13/05/2015 @ 12:50 pm | Responder

  4. Republicou isso em TEM CAROÇO NESSE ANGU….

    Comentário por anisioluiz2008 — 13/05/2015 @ 12:50 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: