Ficha Corrida

02/05/2015

Marcha dos zumbis em Lajeado

Filed under: Ditadura,Lajeado,Marcha dos Zumbis — Gilmar Crestani @ 12:13 pm
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Este povo que aí marcha também prestou homenagens ao recém falecido Alípio Hüfner. Lembro perfeitamente bem das eleições dele. Foi minha primeira. Na véspera das eleições lá pelos anos 70, na Linha Constantino, pertencente à Vila Fão, uma caravana passou pelas estradas esburacas despejando “santinhos”. Foram meus primeiros santinhos. Era o tempo da ditadura mas eu não sabia. Só se elegiam quem a ditadura quisesse. Os contrários ou fugiam ou eram simplesmente mortos. Com sorte, sem serem estuprados. Por que ditadura e estupro rimam em poesia de pé quebrado…

Meu pai era da ARENA, votou nele. Depois ficamos sabendo que a única obra dele foi melhorar as estradas que ligavam Lajeado à propriedade dele em Vila Sério, hoje emancipada se chama simplesmente Sério. No meu tempo de seminário tive vários colegas de Sério. Um, grande empresário e vereador em Lajeado (Sartori Pedras). Dois colegas da família Marchi, das pessoas mais inteligentes que já conheci. Todo se Sério, terra do seu Alípio. Lajeado sempre foi, como todo o interior, muito conservador. Como diz a Laura abaixo e endossado pelo editor do Praia de Xangri-lá, de onde chupei a informação abaixo, Jorge Loefler, o que aconteceu em Lajeado é paradigma de nossos interiores. Não é por acaso que o PP Gaúcho tenha sido pego por inteiro e completo na corrupção instalada na Petrobrás.

Eles estão lá desde a ditadura devido a tantos gorilas gaúchos que comandaram a ditadura.

Se o Brasil tivesse feito como na Argentina e Chile, punindo os torturadores, estupradores e assassinos da ditadura, as marchas dos zumbis como  esta de Lajeado seriam apenas parte do folclore, como Halloween em terra do Negrinho do Pastoreio…

POVO CONSCIENTE

“Diz o Editor – esse texto é uma descrição perfeita do que ocorre em todo o território nacional e que já ocorria no passado e por certo assim vai continuar. A única solução que vejo é impossível de realizar por que não há como trocar todo o povo.”

lajeado
photos by Renan Silva

Tanto tempo neste espaço cibernético, desconfio a mesma ladainha, embora de lupa parece maior o estofo da ladainha.
Onde moro, 71 mil habitantes. É grande comparada as outras da região, pequena se com as do estado. Politicamente, lajeiros da arena. Hegemonia quebrada pelo mdb, certa vez. Foi quando o prefeito- engenheiro agrônomo criou o Jardim Botânico e a primeira ciclovia da cidade. E quando esse partido valia alguma coisa, se é q valia. Agora, o governo é pt. Elegeram de lavada depois de 20 anos de “ação” ativa do pp. Claro, nunca comprovado. Mas estão aí os processos judiciais q não me deixam mentir. E os enriquecimentos ilícitos. Prefeitos, vices e secretários q negociaram terras dos colonos a preço de banana flambada pq sabiam – logo virariam loteamentos – com a cumplicidade dos vereadores de legenda q alteraram o plano diretor. Construíram prédios onde antes bairros residenciais. Assim tanto o Jardim Botânico como o Parque Histórico foram amputados para beneficiar ruas em novos loteamentos. Lajeado e as homenagens refletem os anseios da sua população: avenida pres. Castello Branco no bairro Moinhos, rua Artur Costa e Silva no bairro Campestre, Colégio Estadual Presidente Castelo Branco no centro. Explica o barulho de quem sempre mamou e agora perdeu o úbere.

lajeado 2

No domingo, os anti pt, anti dilma e os ingênuos subiram a rua para uma passeata. Se pelo menos a manada tivesse descido. Daí onde você menos espera, não espere mesmo. Lá estavam as garotas com hora semanal agendada nos salões de beleza empunhando seus cartazes. Lá estavam os corruptos do passado. Lá estavam os petistas do passado. Lá estavam os empresários q fraudam o imposto de renda. Lá estavam os receptadores de muamba do Paraguai e Maiami. Lá estavam os propineiros do governo pp vestindo a camiseta corrupta da CBF. Lá estavam… Um sujeito q roubou do amigo e mora numa cobertura. Um q fazia treta na empresa e foi demitido. Uma q pediu e não levou.Como dizia Orlando Todisco: “O ser como expressão do direito de ser.”
Vivo em uma cidade ainda pequena e de preconceitos mal disfarçados, q desejava erguer um presidio em um bairro pobre da cidade. No mesmo local construíram prédios do Minha Casa, Minha Vida. Que raiva, não é? Tem q protestar mesmo. Minha cidade sempre agrediu o Meio Ambiente expedindo licenças falcatruas para construir edifícios minando nosso bem espiritual, botando abaixo casas e quintais, comprando os moradores. Minha cidade espantada com tantos haitianos nas ruas, morrendo de medo deles e que do cúmulo e por cúmulo, se posiciona: “Já montaram um time de futebol, não demora estarão competindo nos nossos campeonatos.” Saudades do Imperador gritando, no horário nobre, na telinha:
– Maria Marta, me faz um favor, vá à merda!
No elevador, a trabalhadora brasileira na BR Foods diz q não foi protestar. Porq não? – me espantei. “Não adianta nada. Eles sempre fizeram o q queriam, tudo da cabeça deles.” .
Mas tem q protestar, reivindicar o q te pertence, insisti. Exigir mudança. Ela deu uma risada e desceu no oitavo andar, sem dar tchau. Fiquei olhando o reflexo das minhas rugas no metal lustroso do Thyssenkrupp.
Cara de ontem.

Copiado de: http://guardachuvadelaura.blogspot.com.br/

Praia de Xangri-Lá

1 Comentário »

  1. […] Source: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Marcha dos zumbis em Lajeado | psiu... — 03/05/2015 @ 7:39 am | Responder


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