Ficha Corrida

02/01/2015

Os EUA e o nazismo latino

Filed under: CIA,Ditadura,EUA,Golpistas,Inimigo de meu inimigo,Nazismo — Gilmar Crestani @ 8:56 am
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bolsonaro-charge.gifAs ditaduras latinas contaram com o apoio de fugitivos nazistas. Estes deixaram inoculado na cultura americana, de norte a sul, o DNA racista e homofóbico. E o mais inacreditável nesta história de transferência de métodos é que tudo se deu com o conhecimento e a participação norte-americana. Há um documentário muito interessante que mostra muito bem como tudo se aconteceu: Inimigo do meu inimigo.

Enquanto a CIA se encarregava de recrutar os sobreviventes e espalha-los pela América Latina, Hollywood aperfeiçoava a máquina de propaganda para vender o heroísmo dos que entraram em campo somente quando o time adversário já estava cansado. A Alemanha nazista foi derrotada em Estalingrado. Perdeu homens, armas, dinheiro e o rumo. Foi somente após a derrota de Estalingrado que os EUA entraram na Guerra. Tanto que chegaram a Berlim muito depois dos russos. E isso que os russo haviam sofrido para defenderem a própria terra, coisa que não houve em relação aos EUA.

Um historiador inglês da atualidade, Antony Beevor, vem publicando uma série de livros sobre a Segunda Guerra. Estou lendo Dia D: a Batalha pela Normandia. Já li Stalingrado: o cerco fatal; Berlim 1945: a queda; Creta: Batalha e resistência na Segunda Guerra Mundial 1941 / 1945; A Batalha Pela Espanha.

Apesar de todo viés ocidental, fica por demais evidente que o ponto de descendência de Hitler foi Estalingrado. Ali foi o começo do fim. No entanto, a máquina de propaganda norte-americana vende a idéia de que foram eles que derrotaram os nazistas. Pelo contrário, há muitas evidências de que os nazistas buscavam entregarem-se ao norte-americanos com medo dos russos. Daí porque também a CIA tenha recrutado tantos nazistas. A continuidade do espírito nazista continuou, a partir da Segunda Guerra, com o exército norte-americano. Basta ver todas as guerras em que se envolveram, nas derrubadas de governos que eles patrocinaram, nas ditaduras que deram sustentação. O que foi Vietnã se não a mesma tentativa de genocídio de Hitler?! E junto com o espírito nazistas, e dele decorrência lógica, as ideias racistas (vide luta dos Panteras Negras, Martin Luther King). Ou alguém ainda tem dúvida de que os EUA não só apoiaram o Apartheid Sul-Africano, como prezavam o mesmo método em casa.

A ideologia homofóbica latina casou muito bem com as ideias nazistas impostas pelos EUA nas diversas ditaduras latinas (Chile, Argentina, Venezuela, Bolívia, Uruguai, Paraguai e Brasil) pós Segunda Guerra. Coincidentemente, todas com patrocínio ideológico, financeiros e armas dos EUA.

Nazista que tentou ‘curar’ gays vira tema de documentário

Dinamarquês Carl Vaernet fazia experimentos com testosterona e fugiu para a Argentina após derrota do Eixo

FELIPE GUTIERREZDE BUENOS AIRES

Um nazista que buscou uma "cura" para a homossexualidade por meio de experimentos feitos em homens gays no campo de concentração de Buchenwald (Alemanha) virou tema do documentário "Triângulo Rosa".

Carl Vaernet, o nazista, era um médico dinamarquês e foi um dos colaboradores que fugiram para o país sul-americano após a derrota do Eixo.

"[Heinrich] Himmler autorizou a pesquisa de Vaernet e demandou o extermínio de existência anormal’", relata o militante LGBT Peter Tatchell, que, na década de 1990, pressionou o governo dinamarquês a abrir os documentos sobre o médico.

Segundo Tatchell, os nazistas perseguiram homossexuais por entender que traíam o ideal ariano masculino e por temer que pudessem causar um "dano" demográfico.

"Os nazistas descreviam os gays como sabotadores sexuais’", explica. "Eles pensavam que a homossexualidade enfraquecia o Terceiro Reich, que precisava aumentar a população alemã para criar um exército e uma força de trabalho cada vez maior para conquistar a Europa", diz.

Em suas experiências, Vaernet dava testosterona aos pacientes. O nazista desenvolveu uma cápsula que liberava o hormônio aos poucos (uma espécie de glândula artificial) após ser inserida cirurgicamente. De tempos em tempos, ele abria novamente os "pacientes" para trocar o aparato. Segundo Tatchell, trata-se do único caso conhecido de experimentos feitos em gays detidos em campos de concentração.

O argentino Esteban Jasper, um dos diretores do documentário "Triângulo Rosa", afirma que cerca de 20 homens foram submetidos aos experimentos, e que três morreram no processo. "Ele não era um cientista com todas as letras", diz Jasper.

Inicialmente, Vaernet não fazia pesquisa. Ele tinha uma clínica em Copenhagen, mas sua ligação com o nazismo o tornou alvo da resistência dinamarquesa. Ele viajou para a Alemanha e, com seus contatos, conseguiu trabalho em hospitais locais e acesso aos presos que usou como cobaia.

Logo depois da derrota do Eixo, Vaernet voltou à Dinamarca. "Ele foi preso logo, mas pouco depois enganou as autoridades dizendo que tinha uma doença séria que tinha de ser tratada na Suécia. De lá foi para a Argentina", relata Jakob Rubin, autor de um livro sobre o nazista.

O médico chegou a Buenos Aires em 1947 e conseguiu um emprego no Ministério da Saúde da Argentina.

Segundo Rubin, Vaernet também teve uma clínica em Buenos Aires. Não se sabe, porém, se ele voltou a procurar a "cura" para a homossexualidade na Argentina.

Quando foi ao país, o médico deixou para trás os filhos do primeiro casamento. O empresário Jan Vaernet, de Copenhagen, é um dos descendentes que ficaram na Europa. Ele só soube do passado nazista de sua família quando era adolescente, pelos jornais dinamarqueses.

"Eu sabia que o meu avô paterno tinha ido para a Argentina. Mas meu pai era antinazista e tinha vergonha dos problemas e do nome do pai dele, que era reconhecidamente o de um colaboracionista. Eles se distanciaram antes de eu nascer."

Os netos argentinos de Vaernet também cresceram desconhecendo a filiação ao nazismo e as experiências no campo de concentração.

O veterinário Sérgio Vaernet, que mora na cidade de Resistencia, no Estado do Chaco, nasceu quando o avô já estava morto. "Na minha família simplesmente não se falava da Dinamarca ou do passado. Era um tema que trazia muita dor. Só fui descobrir a história depois de adulto", conta.

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