Ficha Corrida

23/12/2014

Desinventando o jornalismo

aecio-sampaioOs mesmos interessados que desestabilizaram a Líbia, Egito, Síria, Ucrânia, que tentaram na Turquia, na Venezuela e no Brasil, são os mesmos que tentam manipular na Grécia. Por trás e na frente de todos, a CIA, os EUA, o capital financeiro internacional e as petroleiras. O que espanta é a desfaçatez, a idiotice da manipulação mais grosseira, como se fôssemos broncos, sem qualquer capacidade de discernimento.

Não é a Grécia que desinventa a democracia, mas a mídia de desinventa a informação. Informação só é válida se atende aos interesses de quem a finanCIA. A seleção do que se vai falar ou de que se vai calar é puramente ideológica e atende exclusivamente aos interesses dos donos dos meios de comunicação. O famoso Escândalo da Parabólica, envolvendo Rubens Ricúpero e Carlos Monforte, na Rede Globo, é emblemático do que estou dizendo.

Por que não traçar um paralelismo entre o que estão tentando fazer na Grécia com o que Carlos Sampaio & Aécio Neves estão tentando fazer no Brasil? Por que lá é desinvenção da democracia e o que estes dois palhaços estão tentando fazer no Brasil não é?!

CLÓVIS ROSSI

Grécia ‘desinventa’ a democracia

Risco de que a esquerda ganhe uma eventual eleição geral leva a manobras nada limpas ou democráticas

Atenas pode ter inventado a democracia, mas, agora, dirigentes gregos (e os mercados financeiros internacionais) estão em plena campanha terrorista para evitar que se pratique o mais simbólico ato democrático, que é o de votar.

Por partes:

1 – O Parlamento grego está votando para escolher um novo presidente. São necessários 200 votos, dos 300 congressistas, para que um candidato se eleja.

2 – O candidato da coalizão governista obteve, na primeira votação, apenas 160 votos. Nesta terça-feira, 23, faz-se a segunda votação, com idêntico quórum.

3 – Se de novo não forem alcançados os 200 votos, a porcentagem mínima cai para 180 na terceira e última votação, a se realizar dia 29.

4 – Se nem assim for eleito um presidente, é obrigatória a convocação de eleições gerais, estas sim destinadas a escolher quem governa, já que o presidente é uma figura apenas cerimonial.

Eleições, para meu gosto, são sempre a solução, não um problema.

Mas para a Grécia, presa no labirinto de sua formidável crise, convocar eleições gerais equivale a entregar o poder a uma certa Syriza (Coligação de Esquerdas), conforme demonstram todas as pesquisas.

E a Syriza é virulentamente contra o programa de austeridade implantado nos últimos anos e tido como responsável por um retrocesso econômico inédito em país que não enfrentou uma guerra.

A economia retrocedeu 25% nesses cinco anos de crise, o desemprego saltou de 8,3% para 27% e a dívida pública mantém-se em números assustadores (€ 322 bilhões, cerca de 170% do PIB).

A Syriza quer renegociar a dívida e implantar um programa de gastos sociais de cerca de € 11,6 bilhões –condições que são um anátema para os credores e para a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia), a verdadeira gestora da economia local.

Para evitar que a eleição seja antecipada (o normal seria realizá-la em junho de 2016), o governo do conservador Antonis Samaras (Nova Democracia) está fazendo o diabo. Literalmente.

Segundo denúncia de um deputado do grupo Gregos Independentes, um intermediário supostamente em nome do governo ofereceu suborno para que votasse a favor de Stavros Dimas, o candidato oficialista à Presidência. O governo nega, como é fácil de imaginar.

Mas Samaras também tentou adoçar a boca dos congressistas ao prometer que, se elegerem um presidente (mesmo que não seja Dimas), antecipa a eleição geral para o fim de 2015, em vez de fazê-la no início do ano, como seria de regra caso não se consiga eleger o presidente.

Espera, com esse intervalo, que se consolide a tímida e incipiente recuperação da economia grega, o que, em tese, tiraria votos da Syriza.

É uma aposta nada democrática, mas que se explica pelos números de outra pesquisa, do Pew Research Center (EUA): 95% dos gregos se dizem insatisfeitos com a maneira como andam as coisas em seu país.

Votar na coligação que promete mudá-las radicalmente seria muito natural –e democrático.

crossi@uol.com.br

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