Ficha Corrida

09/11/2014

República do Carteiraço

Filed under: Carteiraço,República dos Doutores — Gilmar Crestani @ 9:07 am
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Quem já sofreu com carteiraço sabe o que significa isso. A lição que fica é que isto só acontece porque o exemplo vem de cima. Quando Joaquim Barbosa, perguntado por Barroso se não havia chicana na contagem do tempo para botar presos os réus, JB confessa: “Foi feito pra isso, sim!” Isso também é carteiraço. Afinal, só um Ministro do STF pode confessar chicana e continuar dando lição de moral. Quando Rosa Weber, confrontada com a falta de provas, se sai com a “literatura jurídica me permite”, também dá um carteiraço jurídico para substituir a necessidade de provas para condenar alguém.

Moral da história: Se Ministros do STF podem dar carteiraço por que um juiz não poderia?!

‘Carteirada tem acabar’, diz criadora de vaquinha para ajudar agente de trânsito

Entrega do dinheiro a Luciana, no Rio, acontecerá num ato público para lançar o movimento ‘Carteirada não’

Francisco Alves Filho

Rio – Indignada com a condenação da agente de trânsito Luciana Tamburini, que terá de pagar indenização de R$ 5 mil ao juiz João Carlos de Corrêa por dizer que ele não era Deus, a advogada paulista Flavia Penido resolveu agir. Criou uma vaquinha na internet, que até sexta-feira tinha arrecadado cerca de R$ 23 mil. A entrega do dinheiro a Luciana, no Rio, acontecerá num ato público para lançar o movimento ‘Carteirada não’.

ODIA: O que a levou a criar uma vaquinha para ajudar a pagar a indenização da agente de trânsito Luciana Tamburini?

FLAVIA:  Eu vi a notícia sobre o caso nas redes sociais e fiquei incomodada. Quando li a decisão do tribunal vi logo que era digna de críticas. Pensei em tomar alguma providência no âmbito jurídico, mas acabei decidindo fazer a vaquinha, até porque é algo mais simbólico, para mostrar a indignação de outras pessoas.

Advogada Flavia Penido criou vaquinha na internet para ajudar agente de trânsito

Foto:  Divulgação

A adesão de tanta gente foi uma surpresa?

Sim. Na madrugada daquele dia, perguntei aos amigos na internet o que eles achavam de fazer a vaquinha e eles aprovaram. Logo na manhã seguinte botei em prática. Em duas horas já dava pra ver que a adesão era grande, algo diferente.

Na sua opinião, por que tanta gente se dispôs a ajudar?

A sociedade ficou indignada com toda a situação. É como se as pessoas tivessem se colocado na pele de Luciana. Foi uma forma que as pessoas encontraram para se expressar contra o que aconteceu, para se posicionar. As pessoas estão cansadas de ouvir: “Sabe com quem está falando?”. Eu fui apenas a catalizadora.

A entrega do valor arrecadado na vaquinha vai se transformar em um ato público?

A ideia é essa. Como o montante que conseguimos é bem maior que o valor da indenização, vamos entregar o excedente a Luciana como uma espécie de reparação pelo que ela sofreu. Queremos que esse momento da entrega se transforme num ato público com o lema “Carteirada não”. Vou ao Rio para isso. Não temos data marcada ainda, mas deve acontecer nos próximos dias.

O que a revoltou mais, a reação do juiz à afirmação de que ele não é Deus ou a sentença do desembargador que condenou Luciana?

Não quero fazer comentários sobre qual dos dois errou mais. Não é isso. Acho apenas que o episódio mexeu com a sociedade e a decisão é digna de críticas.

Tecnicamente, como avalia a decisão que condenou Luciana?

Acho a decisão digna de muitas críticas. Alguém pode questionar se foi certo ou não Luciana dizer que ele era juiz, e não Deus, mas é só confrontarmos as duas atitudes para constatar que é óbvio que ele estava errado. Deu a entender que queria tratamento diferenciado.

Já esteve envolvida em uma situação em que alguém deu uma carteirada

Não pertenço à classe social dos que geralmente sofrem com esse tipo de coisa. Além disso, sou advogada, conheço as leis. Venho de uma família que sabe os direitos que tem.

Não teme alguma represália nos tribunais, por conta desse movimento que envolve dois juízes?

Agora já está feito… Mas, sinceramente, não acredito em nenhum tipo de represália. Não é nada direcionado a ninguém, a um ou a outro. É apenas manifestação contra um episódio.

Que tipo de mensagem pretende passar com esse ato público?

Acho que está claro que a sociedade quer mudança. Essa cultura da carteirada não pode continuar. As pessoas estão indignadas e eu, como cidadã, também. É um tapa com luva de pelica. Todos criticam o juiz, mas é preciso entender que a atitude dele não é causa, mas consequência da cultura que defende que aquele que tem mais dinheiro também pode ter mais direitos. Isso não pode continuar.

‘Carteirada tem acabar’, diz criadora de vaquinha para ajudar agente de trânsito – Rio – O Dia

1 Comentário »

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    Pingback por São Paulo tem Folha, Estadão e Veja, mas só El País vaza | EVS NOTÍCIAS. — 09/11/2014 @ 11:34 am | Responder


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