Ficha Corrida

01/10/2014

Precisamos falar de Lasier Martins

Lasier Martins PressaPelo menos desde 2001 a RBS já sabia que Lasier Martins vinha cultivando uma imagem de candidato a Senador. Só estava faltando uma barriga de Aluguel. E não é que o “incompetente” consegue, sabe-se lá a que preço, o PDT.

A parceria franca, aberta e escancarada entre a RBS e o governo FO-FO produziu esta simbiose entre duas ervas daninhas: a especulação imobiliária com o acobertamento do descalabro administrativo. Se parecia estranho demais a contubérnio, o lançamento de Lasier Martins pelas hostes pedetistas é prova pronta e acaba das relações costurados pelo Vieira da Cunha desde os tempos da CPI da Segurança, quando Vieirinha entrava ao vivo da Assembleia Legislativa em todos os noticiários da RBS, inclusive o Jornal Nacional. E a montanha pariu um rato.

Aliás, uma ninhada, pegos que foram na gestão de uma ex-funcionária da RBS. Vejam só, Yeda Crusius, com pompa e circunstância pariu os ratos que a RBS e Vieirinha juravam se encontrar no governo Olívio Dutra.

A dobradinha Vieira da Cunha & Lasier Martins é o encontro da fome com a vontade de comer, da RBS com capachos da política. O silêncio sobre o descalabro administrativo do Fortunati ajuda a explicar a dobradinha RBS X Prefeitura; Lasier x Vieirinha.

Costurando as pontas, vê-se um projeto amalgamado nos corredores da RBS, para Lasier Martins como cavalo de Troia pelo interior do RS. O microfone da Rádio Gaúcha servia de álibi. O programa se chamava Debates pelo Rio Grande, e o custo da caravana contava com a “boa vontade” do poder público onde os eventos se realizavam. A ideia concebida pela RBS de popularizar ainda mais, com um contato de candidato diretamente com o povo antes mesmo de se-lo foi genial. Enquanto ninguém sabia do outro lado, Lasier nadava de braçadas. Aos poucos os segredos de polichinelo do candidato dublê de mediador de debates foram sendo levados ao público. Lasier, no seu papel de leitor de notícias, não enfrentava o contraditório. Fazia e acontecia ao seu jeito, sem que ninguém pudesse contestar. Useiro e vezeiro do monólogo, Lasier Martins deitou e rolou na falação de dono da verdade.

A candidatura ao Senado parecia ir às mil maravilhas. De repente, apareceu Olívio Dutra e o cavalo do comissário teve que aprender na marra que o capim do contraditório é muito diferente dos seus monólogos. Lasier imediatamente ressuscitou todo o receituário de seus patrões contra Olívio Dutra e até a FORD exumou do cemitério. De nada adianta dizer que a Justiça já deu ganho de causa ao Estado do RS, obrigando a ex-futura anunciante da RBS a devolver aos cofres públicos a prodigalidade de outro ex-funcionário da RBS, Antonio Britto, que anda mais escondido que supositório.

A jogada preparada pela RBS para tomar conta dos cofres públicos do Estado seria determinante para suspender as ações das mãos de tesoura que andam podando o emprego de centenas de funcionários da RBS; no Estado, uma das mais fiéis e identificadas com o ideário patrimonialista da RBS, Ana Amélia Lemos. No Senado, aquele que foi adestrado para deitar lição de moral na hora do almoço, atando as pontas no Congresso.

A eleição da Ana Amélia foi gestada para garantir mais anúncios do Governo do Estado nos mais variados veículos da RBS. Exatamente o motivo que levou a RBS a desencadear uma guerra sem quartel contra o então Governador Olívio Dutra. Como sabemos, o galo missioneiro tivera a ousadia de distribuir as verbas do marketing pelos veículos pequenos do interior, onde os projetos estavam sendo, coisa que ofendeu profundamente os sanguessugas.

Se o PDT, agora que o Brizola morreu, pode tapar o nariz e dar guarida ao valente dos microfones sem contraditório, os gaúchos temos o direito de saber mais sobre o caráter daquele que pretende ser Senador da República. Ainda mais que do outro lado temos um concorrente como Olívio Dutra.

Precisamos fala de Ética

Há um filme muito interessante, “Precisamos falar de Kevin”, que fala da importância de tomar determinada precauções a fim de se evitar um mal maior. Aquela pessoa aqui, do nosso lado, está tendo comportamento que pode causar problemas logo ali. O negócio é então evitar que o pior venha acontecer.

Primeiro foi Antonio Britto. Ele entregou a CRT de mão beijada a RBS. Ainda lembro as capas furiosas mas impotentes do Correio do Povo denunciando a tramoia. A Telefônica depois passou a perna da RBS, mas aí já é outra história. Como todos sabemos, Britto saiu pelos fundos do Piratini e hoje ninguém sabe por onde anda. A última que tive notícia foi a de que tinha, a serviço do Opportunity, do Daniel Dantas, derrubado o jornalista d’O Globo, Ricardo Boechat…

Não aprendemos nada com desmanche do Estado e o longínquo ostracismo do ventríloquo da RBS. Tanto não aprendemos que aceitamos que a RBS nos enfiasse goela abaixo sua também funcionária Yeda Crusius. O que foi seu governo não houve antes e, esperemos, muito dificilmente virá depois. Mas a RBS conseguiu trazer de Brasília Ana Amélia e, não fosse o horário eleitoral jamais teríamos ficado sabendo, apesar dos tantos veículos que tem a RBS, por outros meios do CC fantasma no Senado e dos bens sonegados na declaração. A RBS não sabia de nada… INOCENTE!

Britto se foi e Ana Amélia Lemos está caindo pela própria boca, mas Precisamos falar de Lasier!

Já sabemos que antes de ser funcionário da RBS, Lasier Martins foi da juventude da ARENA, o partido que dava sustentação à ditadura. Isso lhe granjeou a simpatia dos Sirotsky e a condição para ser serviçal da casa.

Há outro aspecto que precisamos levar em conta nesta escolha. Um Senador não é o representante de uma empresa, de um partido. É representante da Federação, do RS.

Vou explicar porque Lasier Martins não reúne as credencias para se-lo.

Lasier Martins foi funcionário da Caldas Junior (Guaíba e Correio do Povo), no tempo em que pertenciam ao Breno Caldas. Saiu quando passou para as mãos do Renato Ribeiro, que agora vendeu para Record.

Conta Lasier, numa entrevista à Revista PRESS nº 12  de 2001, uma episódio elucidativo de seu caráter.

Vou transcrever para que você, leitor, possa tirar as próprias conclusões:

Lasier Martins vingativo“Revista PRESS – O que gerou aquele editorial  na capa do Correio do Povo, assinado pelo Renato Ribeiro, contra ti?

LASIER – Ah, isso foi bem depois. Bem, quando saí da Guaíba, apresentei a um advogado um projeto de reclamatórias e fragmentei em três ações, com provas diferenciadas. Ele se irritou, porque tinha me pago as indenizações triviais, como décimo terceiro proporcional, férias proporcionais, mas eu tinha muita coisa para reclamar. Equiparação salarial, porque eu era diretor operacional e ganhava a metade do diretor financeiro, horas extras aos montes, e muito mais. Ganhei as três reclamatórias, integralmente. Sendo que a última, a equiparação salarial, ganhei há pouco, dois anos.

PRESS – Quantas sacas de soja deu isso?

LASIER – Ganhei um bom dinheiro da Caldas Junior. Tinha me esquecido de dizer que quando ele me demitiu, demitiu à tarde a Marla, e o Lupi, que estava no Estádio Olímpico, foi chamado e demitido.  Demitiram toda a família. Bem, quando entrei na Gaúcha, comecei a ser um coringa. Substituía o Mendes Ribeiro, o José Antônio Daudt, o Flávio Alcaraz Gomes, mas entrei como comentarista esportivo e substituto dos programas jornalísticos. Quando o Mendes Ribeiro foi eleito deputado federal, abriu-se uma espécie de concurso para âncora do Jornal do Almoço. Vários foram testados, mas a Vera Zílio (jornalista, ex-dirigente da RBSTV) e o Presidente Nelson Sirotsky optaram por mim, o que foi muito bom porque recebi um considerável aumento.  Bem, aí o deputado estadual João Augusto Nardes (PPB) (atual Presidente do TCU), que tinha conflitos com a Caldas Junior, me procurou um dia, na tv, dizendo que tinha obtido na Secretaria da Fazenda do Estado a relação dos 40 maiores devedores do Estado. E entre os primeiros cinco está a Imcobrasa (empresa de Renato Ribeiro, também presidente da Caldas Junior). Claro que eu queria divulgar aquela relação, porque era um furo, ninguém consegue. Peguei a lista dele e sem falar para ninguém, abri o Jornal do Almoço afirmando que dentro de instantes iria divulgar a lista dos 40 maiores devedores do Estado. Aí li 20 nomes e no final do programa li os 20 que mais deviam impostos, ICMS. E dei com ênfase a Imcobrasa. Fui para a Rádio, para apresentar a Gaúcha Repórter, dei a lista d enovo, e entrevistei o Nardes, que deu um pau tremendo na Imcobrasa. Aquilo ali valeu a raiva do Renato Ribeiro. Ele, aí, publicou um editorial  na capa do Correio, dizendo que eu havia sido demitido por incompetência. Eu não liguei para aquilo. Isso foi por 87, 88, não lembro bem. A raiva dele foi extravasada naquele artigo, de capa, mas eu não dei a mínima pelota. Uma coisa que não me ofende é me chamar de incompente.”

Acho que não preciso dizer mais nada, né. Numa frase ele diz tudo sobre seu caráter, o caráter do tipo de informação com o qual a RBS trabalha, ao mesmo tempo que também entrega o caráter do atual Presidente do TCU, a Augusto Nardes.

Precisamos falar de Lasier. E tem de ser antes das eleições.

Não queremos este tipo de Senador representando o RS. Até porque temos alternava com muita mais idoneidade e ética.

Mais sobre Lasier leia Almoço do Espanto, que publiquei no Observatório da Imprensa, em 2003.

3 Comentários »

  1. […] Martins é uma personagem atual mas saída das Memórias de um Sargento de Milícias… É o malandro que usa o um espaço de uma concessão pública, como a TV e Rádio, para se vingar do ex-patrão, tal qual rezava a famosa Lei de Gérson: […]

    Pingback por Para um futuro melhor, contra a terceirização do Brasil | O jornaleiro — 08/10/2014 @ 11:29 am | Responder

  2. […] Martins é uma personagem atual mas saída das Memórias de um Sargento de Milícias… É o malandro que usa o um espaço de uma concessão pública, como a TV e Rádio, para se vingar do ex-patrão, tal qual rezava a famosa Lei de Gérson: […]

    Pingback por Ou o povo derrota Aécio ou Aécio vai fazer pó do Brasil! | Ficha Corrida — 08/10/2014 @ 8:13 am | Responder

  3. […] Ninguém vai confiscar a sua carteirinha por isso. Quer deixar? Amiga, p 6h Ficha Corrida Precisamos falar de Lasier Martins Pelo menos desde 2001 a RBS já sabia que Lasier Martins vinha cultivando uma imagem de candidato a […]

    Pingback por Refugiado da bola | MANHAS & MANHÃS — 02/10/2014 @ 6:24 am | Responder


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