Ficha Corrida

14/09/2014

Por que a RBS quer comprar o RS?

RBSn

A RBS quer fazer do RS uma grande fazenda para cuidar de sua manada. Só a passividade bovina de boa parcela dos gaúchos explica porque a RBS tenta emplacar pela terceira vez um seu funcionário no comando do Estado. Primeiro foi Antonio Britto, e com isso a RBS ganhou de bandeja uma CRT de vantagens. Depois Yeda Crusius, e, como não poderia deixar de ser, a RBS fez de conta que não era com ela, e toda corrupção só chegou ao conhecimento dos gaúchos por outros veículos. Agora é a vez da Ana Amélia Lemos e sua ética de ocasião. Se a ocasião é boa para ela, tudo bem. Se não é, foda-se!

Olívio Dutra já teve de enfrentar o cavalo do comissário e o derrotou. A RBS não perdoou e, dia após dia, direcionou todos os ataques possíveis e inimagináveis. Hoje não é mais o cavalo, mas Ana Amélia. Se Tarso vencer, como se comportará num eventual segundo mandato de Tarso?

A dúvida que me espanta: a RBS escolhe funcionários pela falta de ética ou a falta de ética eles adquirem na convivência do dia a dia da RBS?!

Para RBS, Código de Ética da empresa não se aplica ao caso Ana Amélia
O Grupo RBS manifestou-se oficialmente neste sábado, em matéria publicada no jornal Zero Hora (Ana Amélia foi CC no gabinete do marido no Senado em 1986), dizendo que não vai se pronunciar sobre o caso porque entende que “o assunto diz respeito à candidata”. O assunto em questão diz respeito ao fato de a jornalista Ana Amélia Lemos ter acumulado, em 1986, por um período de aproximadamente onze meses, as funções de diretora da sucursal da RBS em Brasília e a de um Cargo de Confiança (CC) no gabinete do marido, o senador biônico Octávio Cardoso (PDS, sucedâneo da Arena, o partido da ditadura implantada no Brasil a partir do golpe de 1964). A RBS entende entende que não tem nada a ver com o fato de uma de suas principais formadoras de opinião ter acumulado as funções citadas.

Não é o que afirma o Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística do Grupo RBS, que proíbe e condena expresamente esse tipo de prática e conduta. A manifestação da empresa dizendo que não tem nada a ver com o assunto contraria o que afirma o seu próprio código de ética, que afirma:

Os jornalistas da RBS devem ter em mente que, aos olhos do público, a sua atitude pessoal, no exercício da atividade ou não, está sob permanente observação. Portanto, jornalistas devem considerar que sua atividade profissional frequentemente se confunde com sua vida pessoal, exigindo de todos elevados padrões éticos e de conduta em diferentes momentos e circunstâncias, a fim de assegurar sua credibilidade e a do veículo para o qual trabalham.

Ao tratar de possíveis conflitos de interesse envolvendo profissionais da empresa, o guia diz:

É vedado exercer atividades paralelas à da RBS que configurem conflito de interesses, concorrência ou que comprometam as obrigações e responsabilidades para com a empresa.

Além disso, recomenda aos seus profissionais:

RBS Ana AL“…não participar, em serviço ou não, de almoços, jantares ou confraternizações de caráter político, entre os quais eventos relacionados a disputas em entidades de classe ou outros organismos”

Ao defender o princípio da isenção na atividade dos veículos da empresa, o Guia de Ética do grupo declara:

Ao elaborar uma notícia, o jornalista da RBS deve ter como única motivação divulgar, com precisão e equilíbrio, um fato de interesse do público. Quando o jornalista tiver algum tipo de envolvimento pessoal ou emocional com o fato ou com o entrevistado, deve declarar-se impedido de realizar a tarefa.

E ainda:

Comentaristas, colunistas, comunicadores ou colaboradores externos que tenham envolvimento pessoal com o caso ou situação em questão devem deixar clara esta condição para o público.

A elaboração do Guia de Ética da empresa é posterior ao ano de 1986, mas já naquela época a RBS condenava editorialmente a prática do nepotismo e da falta de transparência, como atesta uma nota editorial (“Moralidade”), publicada coincidentemente no mesmo dia em que era publicada a nomeação de Ana Amélia para desempenhar a função de Secretária Parlamentar no gabinete do próprio marido. Entre outras coisas, o editorial afirma:

“A obrigatoriedade do concurso para provimento efetivo de cargos públicos é constantemente ignorada pela política do nepotismo, do apadrinhamento e do favorecimento”.

Hoje, a RBS diz que não tem a ver com isso e que o assunto “diz respeito à candidata”.

rsurgente | Política, Economia & Cultura – Marco Aurélio Weissheimer

1 Comentário »

  1. […] Por que a RBS quer comprar o RS? […]

    Pingback por MANHAS & MANHÃS — 14/09/2014 @ 7:52 pm | Responder


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