Ficha Corrida

10/09/2014

Entenda porque a USP está em decadência

Filed under: Decadência,Indigência Mental,Marina Silva,USP — Gilmar Crestani @ 9:08 am
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Marina a lendiaSe todos os professores da USP possuem o nível argumentativo do profexô José eis aí uma boa explicação para a decadência daquela instituição. Um professor universitário deveria se dar ao respeito de, pelo menos em público, se abster de defender o criacionismo. Depõe contra o processo civilizatório fazer de conta que sufragar Presidente uma pessoa que acredita que o mundo foi criado há por 4.500 anos é de uma pobreza, para não dizer indigência, mental sem precedentes. Até parece que os rumos do conhecimento, ciência, educação ou que outro nome se possa dar, não passam também pelos mãos da Presidenta.

Falar em ética quando tendo por parâmetro uma pessoa de surfou na onda de todos os partidos e que muda o programa de governo com apenas três twitadas do Silas Malafaia dá até vontade de chorar. Com professores como este educando a elite de São Paulo não me admire que os reis dos camarotes Vip do Banco Itaú, Multilaser tenham xingado a Presidenta do Brasil na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão.

Pena que a providência divina que retirou Marina do avião seja a mesma que deixou o Eduardo Campos no Avião e José Eli da Veiga na USP…

Eu não tenho medo de Virgínia Woolf, de Marina Silva, de José Eli, do criacionismo e do deus do ódio e do atraso que estas pessoas usam de escudo para voltarmos às trevas.

JOSÉ ELI DA VEIGA

TENDÊNCIAS/DEBATES

Quem tem medo de Marina Woolf?

Não tenho dúvida em optar pelos valores humanos que orientam Marina Silva, seja lá qual for a sua crença sobre a origem do Universo e da vida

Os intelectuais que votarão em Marina Silva com muita tranquilidade e entusiasmo entendem perfeitamente o atual desespero de seus colegas social-democratas, que preferem as candidaturas petista ou tucana. Nem por isso devem deixar passar calados as tentativas de desqualificação, venham de quem e de onde vierem.

Na minha condição de ateu –mas, principalmente, de radical adepto do darwinismo generalizado–, só posso entender as religiões como fruto da adaptação cultural. Por isso, não tenho dúvida em optar pelos valores humanos que orientam Marina, seja lá qual for a sua íntima crença sobre a origem do Universo e da vida. Além disso, ela nada tem de criacionista, como esclareceu no programa "Roda Viva" da TV Cultura (bit.ly/criacionismo darwin).

O que me interessa é escolher para presidente alguém que realmente respeite um razoável código de ética, ao contrário do que fizeram Dilma Rousseff e José Serra na campanha presidencial de 2010.

Quando surgiu aquela tremenda indignação ecumênica contra a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos, lançado em 2009 pelo governo Lula, parlamentares evangélicos e católicos mobilizaram-se principalmente contra a proposta de descriminalização do aborto. Os pentecostais também se posicionaram radicalmente contra o projeto de lei da Câmara nº 122/2006, que transformaria em crime a homofobia. Foi assim que esses temas acabaram sendo priorizados na campanha eleitoral.

Pois bem. Dilma Rousseff, que antes se declarara "agnóstica", empenhou-se em não perder sequer uma missa para fingir ser fervorosa católica. Atitude que foi muito bem aproveitada por lideranças e parlamentares evangélicos para cobrar-lhe repúdio a qualquer projeto "contra a vida e os valores da família". Exigiram seu compromisso de veto a projetos favoráveis ao aborto, à união civil e à adoção de crianças por homossexuais e à regulamentação da atividade de profissionais do sexo. Ela se comprometeu com tudo.

A reação da campanha petista também foi de se voltar às hostes evangélicas ressaltando que a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos já estava sendo revisto pelo governo, que sua candidata era "a favor da vida" e que, por isso, uma vez eleita, não tomaria qualquer iniciativa de mudança na legislação sobre o aborto, assim como sobre questões relativas à família e à liberdade religiosa.

Ironicamente, a única candidatura com algum peso a fazer campanha laica foi a da terceira colocada, a missionária acreana Marina Silva (então no PV, hoje no PSB/Rede Sustentabilidade), como enfatiza o pesquisador Antônio Ricardo de Souza, da Universidade Federal de São Carlos, no artigo "Meandros da força política evangélica no Brasil", publicado pela revista "Cultura y Religión" no final de 2013.

Não me enganei, portanto, quando em 2006 sugeri aos meus melhores amigos petistas que começassem a articular a candidatura de Marina Silva para a sucessão de Lula. Só vim a conhecê-la pessoalmente em 2008, e nesses seis anos só aumentou minha convicção de que ela teria sido infinitamente melhor para o Brasil do que Dilma Rousseff.

Os valores da missionária evangélica do Acre são infinitamente superiores àqueles preferidos por materialistas vulgares de todos os quadrantes. Basta notar como acatam e justificam a nojeira praticada pelo "peemedebismo" dos dois oligopólios partidários conduzidos por partidos social-democratas.

Em suma, por que deveria eu ter aversão a uma crente que nutre muito mais respeito pela diversidade cultural e pelas liberdades civis do que a esmagadora maioria dos intelectuais petistas e tucanos?

JOSÉ ELI DA VEIGA, 66, é professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP e autor do e-book "The Global Disgovernance of Sustainability" (ed. Anadarco, no prelo)

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