Ficha Corrida

06/09/2014

Racismo animal: por que Macaco e não Aranha?!

Filed under: Grêmio,Racismo — Gilmar Crestani @ 7:47 am
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gremista escravoSe a torcedora gremista tivesse dito que acredita na teoria evolucionista de que tudo descende do macaco, inclusive Aranha, talvez a ciência biológica a absolvesse. O fato é que se ela quisesse xingar poderia também ter utilizado o termo Aranha, que é um animal peçonhento mais do que macaco. Ora, na teoria evoluncionista, o homem descende do macaco. Os racistas chamam de macaco quem eles acham que ainda está no estágio inicial da evolução,  não alcançou o seu estágio, de homem.

Fico com a declaração da moça, que acompanhei pelo rádio. “Peço perdão para o Aranha. Perdão, perdão! Eu não queria prejudicar o Grêmio.”  Não é sintomático que ela diga que não queria prejudicar o Grêmio, mas não diz que não pretendia prejudicar o Aranha, nem os filhos do Aranha.

Com o choro da menina, que deve sim estar arrependida, a velha mídia gaúcha comprou a defesa do Grêmio e passou a amenizar o racismo mediante o subterfúgio de que há outras coisas ruins no futebol, como a homofobia. Certo, mas ninguém se pergunta como ficou a família do Aranha, que declarou que seus filhos choraram quando viram as cenas do jogo pela Tv.

Alguém se pergunta como ficou, depois do episódio, a vida dos filhos do Aranha? Ao trazer à baila outros problemas sociais para justificar a impunidade sobre o racismo vê-se que a hipocrisia também é um problema sério dentro da velha mídia. Fosse assim, não se puniria assassinos pelo simples fato de que continuam acontecendo crimes, talvez neste momento, e inclusive sem que se consiga punir o assassino.

O comportamento desse pessoal da velha mídia, principalmente os que atuam no meio esportivo gaúcho, é de uma indigência mental que até da pena. Argumentar que a ofensa faz parte do contexto do futebol é coisa de torcedor que ofende, não de jornalista. São os mesmos que passam os dias criticando os passos dos outros, na primeira oportunidade que alguém tem de criticá-los, sobem nas tamancas.

O episódio do menino pregando uma pegadinha no Lasier Martins na Expointer é exemplo disso. O funcionário da RBS passou seus dias vociferando durante longos anos durante o almoço. No primeiro enfrentamento que exigia dele autocontrole ele chamou a polícia para prender um jovem

Diga-me, quem deu a este sujeito a autoridade de ocupar a telinha por tantos anos no horário de almoço dos gaúchos para nos ensinar moral e bons costumes? Quem tem este tipo de comportamento merece ser escolhido para representar os gaúchos? Como diz o cartaz do torcedor gremista, com trecho preconceituoso do Hino Rio-grandense, ao lado do velho Olímpico, “povo que tão tem virtude acaba por ser escravo”.  Reparem, que o escravo não tem virtude. Quem tem virtude é o dono do escravo… o filho da casa-grande RBS!

Gremista acusada de racismo pede perdão a Aranha e quer encontrá-lo

JUSTIÇA
Goleiro do Santos, no entanto, rejeita conversa com torcedora e pede punição

FERNANDA CANOFRECOLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PORTO ALEGREDE SÃO PAULO

Patricia Moreira falou por apenas um minuto com os jornalistas nesta sexta, dia 5, em um hotel de Porto Alegre.

Foi tempo suficiente para, chorando, enfatizar seu amor pelo time do Grêmio e pedir perdão a Aranha.

A auxiliar de odontologia de 23 anos, identificada como autora de xingamentos contra o goleiro santista, negou que seja racista.

"Quero muito pedir desculpas para o goleiro Aranha. Perdão de coração porque não sou racista. Aquela palavra macaco’ não foi racismo", disse ela.

Segundo o seu advogado, Alexandre Rossato, a palavra "macaco", usada no contexto de um jogo de futebol, não se configura em racismo. "É só mais um termo utilizado dentro do futebol."

Não foi esse o entendimento do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). As ofensas de Patricia e de outros torcedores gremistas culminaram na eliminação da equipe gaúcha da Copa do Brasil, em uma decisão inédita em casos de racismo.

"Foi no calor do jogo, o Grêmio estava perdendo, o Grêmio é minha paixão. Eu vivia para ir ao jogo do Grêmio", disse Patricia, que não quis responder às perguntas dos jornalistas.

"Peço desculpas para o Grêmio, para a nação tricolor. Não queria nunca prejudicar o Grêmio. Eu amo o Grêmio. [Peço] Desculpas para o Aranha. Perdão, perdão, perdão mesmo", afirmou ela.

Segundo o advogado, sua cliente gostaria de encontrar o jogador santista para pedir desculpas pessoalmente.

O goleiro, contudo, prefere não vê-la. Por meio da assessoria de imprensa do Santos e de amigos, disse que não existe razão para o encontro, que poderia minimizar a repercussão e a gravidade do episódio de racismo.

Aranha também afirmou que seu foco está no Santos, que joga hoje contra o Vitória, e que espera que os torcedores identificados pelos insultos sejam punidos.

‘JULGAMENTO SOCIAL’

Rossato contou ainda que a jovem abandonou as redes sociais e deixou a casa onde vivia, na zona norte de Porto Alegre. "Ela perdeu a vida", afirmou o advogado.

"A Patrícia já foi julgada socialmente, independentemente de inquérito policial ou não. O racismo, infelizmente, é um problema social e não podemos jogá-lo tão somente em cima dessa menina", completou Rossato.

Na quinta-feira (4), ela prestou depoimento na Polícia Civil em Porto Alegre, quando já havia negado a intenção de ofender Aranha.

De acordo com a polícia, trata-se de caso de injúria racial, crime afiançável que pode acarretar pena de um a três anos de reclusão mais multa.

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