Ficha Corrida

05/09/2014

Bancos e velha mídia: os olhos não veem o que o nariz sente

O economista que tantos anos serviu ao tucanato mostra o óbvio, mas que os a$$oCIAdos do Instituto Millenium não podem aceitar pois o histerismo é sua razão de vida. O crescimento econômico, pós 2008, foi pequeno no mundo todo. Mesmo Alemanha, Japão e China tiveram recessão. Por que o Brasil teria crescimento reduzido? Ora, o PIB da Alemanha, neste ano, está em 0,2% como registrou o Estadão. O Japão continua patinando e até a China baixou sua previsão de crescimento. Sem contar um dado positivo em relação ao Brasil: pleno emprego e aumento real do salário mínimo.

Os ataques econômicos ao Governo Federal têm endereço certo. Partem dos Bancos. Primeiro foi o Santander, que precisa de mais dinheiro para sustentar a matriz, já que a Espanha está falida, com desemprego na ordem 27%. O Banco Itaú sempre foi um financiador ideológico da Rede Globo. E a Rede Globo sempre foi golpista. Escreveu editorial saudando a chegada da ditadura e com ela fez parceria, como faria com o diabo, para derrotar trabalhadores. O episódio da Proconsult foi apenas mais um da série de que faz parte o Escândalo da Parabólica, do Rubens Ricúpero.

O que querem os bancos? Juros mais altos para faturarem mais. É a tal de financeirização da economia, quando vale mais a pena aplicar o dinheiro do que investir. Os bandos são os maiores anunciantes da velha mídia. Uma coisa leva a outra, como o nariz do cachorro no próprio rabo. Ora, não é por outra razão que a RBS desova funcionários para ocupar postos políticos e o Banco Itaú captura, via Neca Setúbal,  Marina Silva para voltar a mandar no Banco Central.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

O Brasil não é a Venezuela

Recessão é ajuste natural após período de boom; basta uma política adequada para economia voltar aos trilhos

Existe hoje um clima de quase pânico em parte da elite brasileira. Sou testemunha deste fato, pois, por dever profissional, tenho contato com um grande número desses desesperados. A leitura deste pessoal é a de que estamos caminhando celeremente para o mesmo caminho trilhado pela Argentina e pela Venezuela.

O leitor sabe que não concordo com essa leitura catastrofista por várias razões. Uma delas é que a recessão que vivemos hoje nada mais representa do que o caminho natural de toda a economia de mercado depois de um período de boom econômico, como o que vivemos entre 2004 e 2011. Esse ajuste foi evitado no início do mandato da presidenta Dilma pela aplicação de doses maciças de anabolizantes com alto conteúdo de expansão do crédito dos bancos públicos e aumento dos gastos do governo.

Entre 2004 e 2007 o crédito cresceu a uma taxa de 25% ao ano nos bancos privados e de 20% no caso dos bancos públicos. Entre 2007 e 2008, esta taxa acelerou-se para mais de 35% ao ano no segmento privado, com os bancos oficiais ficando para trás, crescendo apenas 20% ao ano.

Mas, a partir do agravamento da crise americana, no segundo semestre de 2008, essas posições se inverteram, com os bancos privados pisando no freio e trazendo a taxa de expansão de seus empréstimos para menos de 10% ao ano e os bancos oficiais expandindo suas operações a uma taxa que chegou a 40% nas vésperas das eleições de 2010.

Era o governo reagindo à crise externa e defendendo a eleição de sua candidata a presidente da República. Passadas as eleições, a política econômica do governo voltou à normalidade, com os bancos públicos reduzindo a taxa de expansão de suas operações para algo próximo a 20% ao ano, a mesma verificada então nos bancos privados.

Pois foi nesse momento que a queda da atividade passou a tomar conta da economia brasileira dentro de um processo natural de ajustes, como escrevi acima. O governo, em vez de aceitá-lo –e administrar esse ajuste–, decidiu aumentar suas apostas no crescimento do consumo e, mais uma vez, os bancos públicos foram chamados a agir.

As taxas anuais de crescimento de suas operações voltaram a crescer, chegando a 30% ao ano em 2013. Neste cenário, as vendas ao consumo aumentaram, dando a impressão de que a economia –como no passado– voltaria a responder positivamente aos mesmos anabolizantes.

Ledo engano, pois as condições eram outras e a inflação apareceu com força, obrigando o Banco Central a mudar o sinal de sua política monetária. Pressionado pelos efeitos de uma inflação que, mesmo com juros mais altos, ameaçava sair do controle, o governo jogou a toalha e, nos últimos meses, ordenou que os bancos públicos normalizassem suas operações.

Hoje a taxa de expansão caiu para 18% ao ano e deve continuar a desacelerar, seguindo a direção dos bancos privados, que vem expandindo suas operações a uma taxa modestíssima para nossos padrões, de 8% ao ano.

Volto agora ao início de minha coluna e reafirmo minha posição de que esta recessão que estamos vivendo é "ainda" fruto de um ajuste natural e benéfico de nossa economia. Com uma política econômica adequada, será questão de pouco tempo voltarmos ao leito natural de crescimento, que deve ser hoje da ordem de 3% ao ano. O que nos afasta de forma clara do mesmo caminho trilhado pela Venezuela e Argentina.

E parece que essa é também a leitura do mercado internacional de capitais, pois o Brasil teve uma demanda de US$ 4,8 bilhões para a emissão de US$ 500 milhões de títulos de dez anos de prazo anunciada há poucos dias. Aproveitando-se da situação em que as ofertas de compra representaram mais de nove vezes o valor da emissão, o Tesouro vendeu um total de US$ 1 bilhão, pagando juros anuais de 3,88%, ou seja, 1,4 ponto percentual mais do que o título equivalente do Tesouro americano.

Como eu, todos os compradores destes papéis –e de outros emitidos pelo governo brasileiro no exterior e aqui no país– estão longe da histeria dos brasileiros preocupados com nosso futuro de Venezuela.

lcmb2@terra.com.br

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 71, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso). Escreve às sextas-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna.

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