Ficha Corrida

04/09/2014

Ai que saudades da aurora da minha vida, da minha ditadura querida!

ditabrandaInacreditável, a Folha desova um editorial para atacar o bolivarismo da democracia, que, com leis aprovados nos parlamentos, botam os golpistas nos seus devidos lugares. De nada adianta a Folha vir com este papo que a ditadura lhe foi ditabranda. E os que morreram, para eles a ditadura foi branda?

Logo a Folha que foi cúmplice da ditadura, emprestando suas peruas para que os torturadores pudessem desovar os presuntos depois de os ter prendido sem ordem judicial; depois de presos, torturados; depois de torturados, estuprados; depois de estuprados, mortos; depois de mortos, esquartejados; depois de esquartejados (para que não pudessem ser encontrados pelos familiares), desovados, com ajuda das peruas da Folha, em covas clandestinas.

O que é pior, uma imprensa sob leis aprovados por Congressos Bolivarianos ou uma imprensa sob o AI-5, parceira dos ditadores?! Por que a Folha não comenta de sua parceria com a ditadura, ou porque O Globo publicou editorial saudando a chegada da Ditadura?! A Folha, por ter sido parceira, pode não gostar de lembrar, mas nós sabemos. E não vamos esquecer, nem deixar que ela esqueça!

Por que a Folha não fala da sua parceria com a RBS, Globo e outros a$$oCIAdos do Instituto Millenium para criarem site para patrulhar o Poder Judiciário brasileiro?! Onde está a lei que diz que os associados do Instituto Millenium estão acima do Poder Judiciário? Quem lhes outorgou o direito de fiscalizar as decisões do Poder Judiciário?

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Imprensa à bolivariana

Sob as ditaduras que comandaram a América Latina no século 20, foram vários os casos de empastelamento de jornais críticos ao regime de plantão. A truculência física contra a imprensa ficou no passado, mas, no presente, governos da escola bolivariana abusam do poder econômico e político para alcançar objetivos parecidos.

O caso mais recente foi registrado no Equador de Rafael Correa. Depois de 32 anos de existência, o jornal "Hoy", um dos maiores do país, deixou de existir. A Superintendência de Companhias, órgão estatal, determinou o seu fechamento, ao lado de 700 empresas de diversos setores, por perdas superiores a 50% do capital social.

A controladora do "Hoy" admitiu problemas financeiros, mas culpou a perseguição de Correa à imprensa crítica. As iniciativas do presidente incluem uma rigorosa Lei de Comunicação, processos judiciais contra jornalistas, auditorias financeiras periódicas, manipulação da publicidade estatal e intimidação de anunciantes privados.

Na Bolívia, o governo de Evo Morales fomentou, por intermédio de empresários amigos ou fundos anônimos, a compra de cinco canais de TV –dois dos quais de alcance nacional– e o principal jornal diário do país, o "La Razón".

São os chamados meios paraestatais, na definição do jornalista boliviano Raúl Peñaranda, autor de um premiado livro sobre o assunto. Controlados de fato pelo governo, passaram a fazer uma cobertura oficialesca –distante, portanto, do que se espera da imprensa.

O mesmo recurso aos meios paraestatais tem sido utilizado pelo chavismo na Venezuela, presidida por Nicolás Maduro. Ao menos três veículos importantes (o canal de notícias Globovisión e os jornais "Últimas Noticias" e "El Universal") foram há pouco tempo vendidos a pessoas ligadas ao governo, com impactos na linha editorial.

A também truculenta gestão de Cristina Kirchner, na Argentina, aprovou a Lei de Mídia, em 2009, desenhada para intimidar órgãos críticos da Casa Rosada, entre os quais os do Grupo Clarín.

Todas essas ações demonstram com clareza a faceta autoritária de líderes latino-americanos que têm em comum o fato de não saberem conviver com o contraditório.

Agindo como donos da verdade, debilitam o poder fiscalizador da imprensa e fragilizam o ambiente democrático que, mesmo imperfeito, permitiu sua ascensão ao poder através do voto.

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