Ficha Corrida

24/08/2014

Ensaio sobre a cegueira ideológica

folhicesO dono do Grupo Folha da Manhã, que tem, entre outros produtos, o UOL e a Folha, escreveu um alentado resumo de um dos volumes romanceados de Getúlio Vargas escrito por um autor recrutado e muito bem patrocinado.  Sobre este assunto, Getúlio Vargas, fico com Juremir Machado da Silva.

Quando o próprio dono do jornal da terra que mais combateu Getúlio se volta para este assunto, não se pode retirar com fórceps o ideário paulista contra o trabalhista sulino. O resumão é mais uma Batalha de Itararé… que se repete como farsa, já que a verdadeira também não existiu mais foi melhor homenageada por Aparício Torelly, mais conhecido como Barão de Itararé….

Aí ele abre o texto com uma tirada conciliatória, dizendo que o ato extremo do suicídio discrepava dos “costumes conciliatórios vigentes desde pelo menos meados do século 19”. Costumes conciliatórios? O que mais tivemos foram revoluções! E o que veio depois, a ditadura, também foi bem conciliatória. Tão conciliatória que a Folha emprestava os peruas que distribuíam jornais para que os verdugos desovassem, clandestinamente, na manhã os presuntos fabricados à noite. Qual é conciliação de hoje, quando as cinco irmãs (Abril, Folha, Estadão, Globo & RBS) criam o Instituto Millenium para coordenar a distribuição homogênea de informações com o único viés de combater um único partido, o PT?!

A conciliação, para estes veículos, só existe se o eleito for um representante aprovado por eles. No mais, é pedra sobre pedra, todos os dias. Há exemplos ainda vivos que sobreviveram ao massacre da velha mídia. Quem não lembra o que e como fizeram com a Luiza Erundina, quando foi prefeita em São Paulo, Maria Luiza Fontenele, prefeita em Fortaleza, Leonel Brizola, governador do Rio de Janeiro e Olívio Dutra, no RS. Olívio apanhou da RBS mais do que Judas em Sábado de Aleluia. A conciliação, no dicionário dos Frias, Mesquita, Civita, Marinho e Sirotsky significa que, posto  no pelourinho, o governante aceite o açoite e ainda peça desculpas pelo corpo lanhado.

Fiquei intrigado também com a última frase, que tenta contextualizar com os tempos atuais aqueles vividos por Getúlio. E aí, minha surpresa. O dono da Folha diz que PT e PSDB estão separados “por divergências mais de grau e estilo do que de essência”.  Eis a essência do aforisma.

Puxa, se na essência são iguais, porque os a$$oCIAdos do Instituto Millenium tanto combatem o PT e se posicionam sempre ao lado do PSDB? Aliás, não faz muito, uma executiva da Folha na Presidência da ANJ, d. Judith Brito avocou para os jornais, aí incluídos os do seu patrão, Otávio Frias Filho, o papel de oposição aos governos de Lula e Dilma, como por exemplo este jornalismo tapioca, que insiste numa tapioca ou numa dentadura mas esquece os milhões da Alstom, Siemens e personagens como Robson Marinho

Não li algo semelhante a respeito, por exemplo, sobre oposição a Geraldo Alckmin, muito menos uma boa reportagem que explique como São Paulo, depois de quase 30 de choque de gestão, de meritismo do PSDB, consegue falir a USP e levar racionamento d’água para a periferia. E por uma razão muito simples. Ora, o PSDB no governo de São Paulo distribui assinaturas do Estadão, Folha e Veja por todas as escolas públicas de São Paulo. Esta é a essência da relação da Folha com o PSDB. E não é só a distribuição de assinaturas, mas os financiadores ideológicos. Por exemplo, o Banco Itaú, a Multilaser patrocinam qualquer coisa, literalmente, muito menos programas sociais, mas são parceiros ideológicos e financiadores de um modo de agir, pensar e governar com o qual os membros do Instituto Millenium lutam diuturnamente para imporem.

O editor da TV Folha, Fernando Canzian, chamou de “jogo sujo” Lula pedir votos a Dilma no programa eleitoral. O que ele teria dito quando Aécio Neves declarou que FHC seria seu garoto propaganda ninguém sabe? Seu silêncio falou mais alto.

Os ares pretensamente intelectuais do dono da Folha não escondem a velha parceria do seu grupo empresarial com as entranhas da ditadura que ele, coerentemente, chama de ditabranda

O que o ensaio do dono da Folha sugere é que os trabalhistas de hoje, para o bem de sua UDN, continuem se suicidando, abrindo o caminho para que ele e seus parceiros fardados voltem ao mar de bonança que os porões que hospedaram  Miriam Leitão

Encerro este caso citando Juremir: “O caso Lira Neto, com sua biografia de Getúlio Vargas, é sintomático: explicita a ignorância e a má-fé de jornalistas, a conivência da mídia, a indiferença da academia, o conluio entre uma grande editora e certos veículos de comunicação.”  É assim que certo tipo de historiografia é aceita pela velha mídia, para construir consensos que, na essência, em nada divergem em grau e estilo dos que se locupletaram com a ditadura e a continuam chamando de ditabranda. Profeta foi Juremir, que em 18/05/2012, escreveu: “Uma coisa é certa: quando Veja, Companhia das Letras e Folha de S. Paulo juntam-se a picaretagem é inevitável.

A pergunta que se impõe é porque todos os membros do Instituto Millenium compraram a versão de Lira Neto e a vendem como única e definitiva? A resposta é simples, siga o dinheiro!

O atentado, o suicídio e a carta

OTAVIO FRIAS FILHO

“O maniqueísmo ideológico dos anos 1950 se dissolveu numa espécie de centrismo tecnocrático, administrativista, no qual as alternativas, por mais encarniçada que continue sendo a luta de suas falanges pelo poder, não passam de versões um pouco mais à esquerda ou à direita –precisamente como PT e PSDB na atualidade, separados por divergências mais de grau e estilo do que de essência.”

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