Ficha Corrida

11/08/2014

Eu já via isso em 1987

Filed under: Grupo RBS,Grupos Mafiomidiáticos,Manipulação,RBS — Gilmar Crestani @ 3:27 pm
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RBSnMeu divórcio com a RBS aconteceu em 1987. Até esta época era assinante. Uma greve dos bancários da qual fazia parte mudou radicalmente. Uma assembleia no Gigantinho, com Olívio Dutra na direção do Sindicato, me fez tomar a decisão de nunca mais deixar Zero Hora entrar na minha casa. E não foram poucas as vezes que me procuraram e ainda me mandam e-mails. Naquela greve, como sempre, Zero Hora posicionou-se ao lado dos anunciantes, a FEBRABAN. Diuturnamente batia na categoria e defendia os bancos. No dia da assembleia, quando os funcionários da RBS chegaram para fazer as imagens, a categoria viramos as costas.

No dia seguinte, Zero Hora publicou nossa foto com a legenda de que teríamos, por divergência nos rumos da greve, virado as costas aos dirigentes. Mentira afrontosa. Não havia internet. Cancelei minha assinatura, escrevi e registrei carta, mas nunca saiu na ZH. A partir daquele fato tomei por bandeira desmistificar e desmentir, por quaisquer meios, as fantasiosas manipulações. O que não conseguiu fazer publicar na seção de cartas de ZH conseguia no moribundo Pasquim, no RJ. Anos depois fui convidado e colaborei com o Observatório da Imprensa por quase dois anos. Um telefonema dos Sirotsky pedindo minha cabeça ao Alberto Dines encerrou minha gratuita participação. Mas aí eu já tinha blog e não dependia de nada nem de ninguém.

Hoje alguns colegas pensam que faço a defesa do PT. Meia verdade. Minha bandeira sempre foi a desmistificação, o ataque às manipulações dos velhos grupos de mídia. O Pedrinho Guareschi fez vários estudos e publicou alguns livros mostrando como se processava a manipulação da RBS. A dissidência, de forma desorganizada, continua aumentado na Internet. Agora a UERJ resolveu acompanhar e denunciar a campanha d’O Globo (Manchetômetro).

A decadência e a morte da velha mídia decorre da liberdade que a internet trouxe. As manipulações que saem no matutino, duas horas depois estão desmentidas pelas redes sociais. Mesmo o PSDB, gastando milhões na distribuição de assinaturas da Veja, Folha e Estadão nas escolas e repartições públicas, conseguirá manter vivos quem se encontra respirando por aparelhos.

O que eu não conseguiu dizer, porque não tinha espaço na Zero Hora nem na seção de cartas, hoje publico e distribuo nas redes sociais. Mesmo quem não comunga com as minhas ideias mas se dão ao respeito em relação à diversidade, acabam por se dar conta do viés ideológico que perdura desde a ditadura nos meios de comunicação. Não é mero acaso mas é coincidência que a Folha ainda chame a ditadura de ditabranda.

Quando uma pessoa despida de preconceitos e que tem algum pingo de boa vontade se depara com a diferença de tratamento com que a Veja e a Rede Globo tratam do helicóptero com 450 kg de cocaína em relação à mudança do perfil de funcionário na Wikipédia logo se dá conta do tamanho da desproporcionalidade.

Veja, um político que foi objeto de investigação não pode participar do Governo Federal, mas viciado em cocaína pode aparecer na tela da Rede Globo (e via de consequência, RBS) todos os domingos.

Demissões na RBS: a ponta do iceberg

O que apareceu até agora das mudanças na RBS é a face mais visível de um plano estratégico, que não é coisa da cabeça do Duda Melzer.

Ele mesmo diz, em sua desastrada nota, que foi trabalho de um ano.
Com certeza, envolveu toda a cúpula da empresa e teve a influência de altas e renomadas consultorias externas.

As demissões, que não devem se limitar às 130 já anunciadas, apenas revelam o aspecto mais agressivo, mais impactante do processo. Não o essencial, certamente.

“Otimizar custos” é o sentido claro do corte de pessoal. Centralizar a produção de certos conteúdos, comuns aos diversos jornais impressos, como foi anunciado, é o caminho óbvio nessas circunstâncias.

Nada disso, porém, toca no essencial. São paliativos ante a questão central para a qual eles não têm resposta: como manter a hegemonia num “mercado” que se altera rápida e inevitavelmente.

Em seu diagnóstico,  cita-se apenas a internet como o agente das mudanças, o responsável pelos “novos hábitos de consumir de mídia”, como diz Duda Melzer.

O buraco é mais em cima. Não é só a tecnologia que determina as mudanças.
Há uma sociedade cuja qualidade política se altera, há um processo de organização e participação que avança na contra-mão dessa dominação dos meios informativos.

As grandes corporações de mídia não estão perdendo terreno porque fazem mal o que fazem (embora isso também seja verdadeiro, quando se trata de jornalismo).

A questão é que essas gigantescas e esclerosadas estruturas não dão mais conta das novas demandas por informação e diversidade que a sociedade hoje apresenta.

Esse jornalismo faccioso, sustentado por grandes anunciantes, não engana mais ninguém. Não adianta mudar de plataforma.

A crise na RBS é a ponta de um iceberg rumo ao qual navega impávido o Titanic de toda a dita “mídia nativa”, cevada na ditadura.

Demissões na RBS: a ponta do iceberg | Jornal Já | Porto Alegre | Rio Grande do Sul

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2 Comentários »

  1. Não entendo porque os petistas insistem em dizer que a RBS quer tomar o estado. Fazem 4 anos que estão no poder e nada fizeram pelo RS. Se contar a gestão de Olívio, o tal presidente do Sindicato dos Bancários de 1987, foram 8 anos. O presidente do sindicato mandou a Ford para a Bahia e o Tarso está deixando R$ 4 bilhões em contas…curioso né…

    Comentário por Jeronimo Molina — 12/08/2014 @ 3:27 pm | Responder

    • Se não entende, não comente. Os fatos estão aí, mas para entender precisa de um pouco de discernimento. No caso da FORD, o Poder Judiciário já deu ganho de causa ao Estado do RS. O resto é chororô de vira-lata.

      Comentário por Gilmar Crestani — 13/08/2014 @ 8:55 am | Responder


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