Ficha Corrida

10/08/2014

O boom do jornalismo desqualificado e fracassomaníaco

O inacreditável jornalismo da Folha desqualifica emprego de quem não teve o privilégio de se qualificar. Quanta maldade, ou seria despeito, dar publicidade ao fato de que obteve emprego  ate quem não teve condições de se qualificar!

Será que a Folha torce para que continuassem desempregados? A Folha,  mesmo escalando quatro jornalistas, não viu na desqualificação dos trabalhadores empregados de hoje origem na proibição de que investisse em ensino técnico?!

Tivesse FHC investido em educação, como fizeram Lula e Dilma, talvez os trabalhadores de hoje fossem melhores qualificados. Mas FHC, além de proibir a criação de escolas técnicas, não criou nenhum universidade e, pior, inventou o famigerado PDV, que pôs no olho da rua um monte de professores qualificados. Não bastasse isso, ao mexer com o tempo de aposentadoria dos professores universitários públicos, retirou do mercado de trabalho, numa tacada, os mais antigos, que resolveram se aposentar logo, no auge da produtividade, sob pena de perderem o direito de se aposentarem. Fui, como muitos outros estudantes, da brusca mudança do perfil de professores universitários. Lembrem-se, FHC também tentou privatizar todo o ensino público. Como um país pode crescer sem investimento pesado em educação de qualidade e gratuita.

Nesta questão da educação, a grande diferença entre FHC e Lula é que enquanto aquele via como gasto, Lula e Dilma veem como investimento.

Lula criou o PROUNI que colocou mais de dois milhões de estudantes carentes em cursos de nível superior. Ao contrário de FHC, que não só não criou como proibiu, Lula criou 214 escolas federais de nível técnico, além 14 novas universidades e 126 campi.

Se voltar contra a criação de trabalhadores de “chão de fábrica”, é também ser contra fábrica, porque sem aqueles está não existiria. A alegada diminuição de supervisores administrativos é facilmente explicável pelo efeito tecnológico. Hoje, com a automação, aspones estão em vias de extinção. Teria sido melhor explicar onde foram parar os supervisores, mais bem preparados que os operários de chão de fábrica. Pelo viés dado pela Folha, até parece que os mais qualificados perderam o emprego. Seria porque não haveria emprego para eles?

Pelo menos reconhece que houve mais formalização do mercado de trabalho e que “O aumento da renda da classe média alimentou a demanda por serviços e comércio.” Ué, então como fica aquela acusação de que Lula e Dilma haviam acabado com a renda da classe média?! Se aumentou a renda da classe média, e, com isso a demanda por serviços e comércio, não teria aumentado a demanda por produtos no comércio? E de onde vem o produto do comércio que atende às novas demandas? De Marte, de onde também caiu, por obra e graça do acaso, o “bom de empregos no país”.

Que tal uma comparaçãozinha com a situação das economias mais antigas como a espanhola, francesa, italiana ou norte-americana neste período?!

Que dificuldade em admitir que o Brasil cresceu, com inflação controlada, com aumento da renda da classe média e com emprego formal para quem antes frequentavam as estatísticas do desemprego?!

cp10082014O BRASIL QUE TRABALHA

Expansão na base reduz abismo social mas limita economia

Mudanças no mercado afetam produtividade e refletem falta de profissional preparado em setores que crescem

Nos últimos cinco anos, país contratou serventes, auxiliares, vigias e recepcionistas e eliminou postos médios

ÉRICA FRAGA, MARIANA CARNEIRO, INGRID FAGUNDEZ, DE SÃO PAULO

Dez profissões de pouca qualificação e salário baixo foram responsáveis por metade dos 9,4 milhões de empregos formais criados no país entre 2007 e 2013.

O cargo de servente de obras foi o campeão de vagas geradas: 921 mil, quase 10% do saldo total entre contratações e demissões no período.

Trabalhadores de chão de fábrica, faxineiros, vendedores, vigilantes e recepcionistas também tiveram os maiores saldos de postos criados.

Na outra ponta, entre as carreiras que demitiram muito mais do que contrataram, estão supervisores administrativos, trabalhadores do setor de cana-de-açúcar e operadores de máquinas fixas.

As informações são parte de um levantamento feito pela Folha nas bases de dados do Ministério do Trabalho e revelam um quadro de intensa mudança estrutural no mercado brasileiro.

O aumento da renda da classe média alimentou a demanda por serviços e comércio. A expansão salarial e os incentivos ao setor habitacional também explicam o aquecimento da construção civil.

Essas tendências levaram a uma maior formalização de quem antes trabalhava sem carteira assinada e a um forte aumento nas contratações por parte desses setores.

Mas a maioria das vagas criadas foi de baixa qualificação, já que os serviços demandados são pouco sofisticados, a oferta de mão de obra educada é limitada, e o setor de construção não se modernizou.

"O setor de construção civil no Brasil ainda é muito atrasado. Com pouca modernização, a demanda por serventes é alta", afirma o economista Anselmo Luís dos Santos, da Unicamp.

A intensa contratação de mão de obra pouco qualificada ajuda a explicar a queda do desemprego e da desigualdade. "Ganho muito mais do que muita gente que passou muito tempo estudando", diz o pedreiro Valdionor Santos Silva, 27, que completou apenas o ensino fundamental.

EFICIÊNCIA

O aumento do emprego tão concentrado em postos de baixa qualificação explica o lento avanço da eficiência da economia brasileira. E a baixa produtividade limita a capacidade de crescimento.

As empresas adotaram medidas para melhorar. Um sinal disso foi o forte crescimento nas contratações de profissionais com perfil técnico. O aumento de especialistas é acompanhado por um significativo corte dos cargos intermediários de gestão.

Também na busca por mais produtividade, máquinas têm substituído empregos no campo e nas empresas.

Mas a indústria, que poderia dar impulso à contratação de profissionais mais qualificados, está em crise –o que afeta a demanda por mão de obra no próprio setor e por serviços sofisticados que poderiam atendê-lo, como pesquisa e desenvolvimento.

Outro empecilho ao avanço da produtividade é a falta de mão de obra qualificada nos setores em expansão.

"Um monte de engenheiro júnior virou sênior. Um monte de encarregado virou mestre. Mestres passaram a ser pagos como nunca. Mas muitos não estavam preparados, e isso causou problemas", diz Antonio Setin, presidente da construtora Setin.

As tendências do mercado de trabalho são tema de uma série de reportagens da Folha a partir deste domingo.

Colaborou MARCELO SOARES

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