Ficha Corrida

27/07/2014

Ligando os pontos

Filed under: Aécio Neves,Helicóptero,Narcotráfico,ProAero,Zezé Perrela — Gilmar Crestani @ 9:25 pm
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Tão impressionante como sair do noticiário a apreensão de um helicóptero com 450 kg de cocaína é sair na Folha denúncia contra Aécio Neves. Considerando as relações umbilicais da Folha de São Paulo com o tucanato, evidenciada pela sua executiva, Judith Brito, que avocou junto ao PSDB o papel de oposicionista, é por demais emblemático que tenha sido exatamente a Folha a trazer a tona os pecados que tão bem haviam sido enterrados pela irmã, Andréa Neves. Logo na primeira matéria fiz a pergunta: Minas não tem mídia? Não tem rádio, tv ou jornal que pudesse botar luz nestes acontecimentos? Está caindo nas redes sociais informações pingadas que relacionam José Serra à divulgação pela Folha.

Serra é figurinha carimbada neste tipo de armação. Quem não lembra do caso Lunus, que os arapongas do Serra preparam para Roseana Sarney? O caso dos aloprados, armados para cima do PT? Todos de inspiração serrista. Quando Mauro Chaves publicou no EstadãoPó pará, governador!” e o Estado de Minas respondeu com “Minas a reboque, não”, revelava outra faceta de José Serra que só aparecia em relação a opositores.

O precoce sumiço do noticiário do helicóptero e a repentina virada da Folha para cima do Aécio pode estar à reboque de interesses que ainda estão por ser revelados. Ou a Folha sabe mais a respeito do andamento das investigações da Polícia Federal e está se antecipando na derrubada da candidatura do Aécio ou está preparando o caminho para o queridinho de sempre, José Serra.

Por tudo isso, nenhum dos três é confiável. Nem Aécio Neves, nem José Serra e muito menos a Folha. O que chama a atenção é o que a ADPF tem divulgado, que Juiz de Fora virou centro de distribuição de droga para o Nordeste. E a Folha não sabia de nada…

O aeroporto de Cláudio, o helicóptero e a rota do tráfico de drogas

sab, 26/07/2014 – 12:11 – Atualizado em 27/07/2014 – 08:38

Cíntia Alves

No caso do helicóptero dos Perrellas, uma dúvida: aeroportos irregulares serviram de parada para abastecimento?

Jornal GGN – Quando a apreensão de quase meia tonelada de pasta de cocaína transportada num helicóptero dos Perrellas veio à tona, no final de 2013, autoridades estadunidenses pisaram em solo brasileiro para ajudar na apuração da origem e destino da droga. Investigações apontavam que a demanda teria sido negociada com mexicanos, mas saído oficialmente do Paraguai, com forte suspeita de que a Europa era o norte.

Fato é que consta nos depoimentos de Rogério Almeida, piloto preso em flagrante pela Polícia de Espírito Santo com mais comparsas, que a aeronave do então deputado Gustavo Perrella (Solidariedade) viajou de Avaré paulista até o Campo de Marte (A). De lá, para Divinópolis (B), e da cidade mineira para Afonso Cláudio, no Estado vizinho.

Na época, a imprensa levantou dúvidas técnicas sobre o helicóptero.

Modelo R-66, a aeronave só sai do chão suportando o peso máximo de 1.225 quilos. O helicóptero consome 581 quilos desse limite. Com o tanque cheio, iriam mais 224 quilos. Sobrariam 420 para a carga restante, contandos aí os passageiros. Só de cocaína, a polícia informou  ter apreendido 445 quilos.

Com os cálculos feitos levando-se em conta a distância percorrida pelo helicóptero (entre os três pontos, pelo menos 1,17 mil quilômetros, em linha reta) e a autonomia da nave, duas hipóteses foram levantadas: ou o piloto mentiu e a droga foi carregada num local mais próximo da fazenda em Afonso Cláudio, onde pousou o helicóptero, ou menos combustível foi colocado para equilibrar o peso da nave. Consequentemente, mais paradas para abastecimento seriam necessárias.

Nesse último caso, aeroportos não fiscalizados seriam perfeitos. O de Cláudio (C), construído durante a gestão de Aécio Neves (PSDB) enquanto governador de Minas Gerais (2003-2010), até hoje não foi homologado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O órgão federal garantiu que faltam documentos para concluir esse processo.

A obra é questionada pelo fato de beneficiar, teoricamente, um município de 25 mil habitantes e pouca expressividade econômica. Além disso, Divinópolis, por onde passou o helicóptero dos Perrellas, fica a poucos quilômetros dali, e possui aeroporto bem equipado.

Aécio não comenta se já usou a pista em Cláudio para facilitar o acesso à Fazenda da Mata, que pertence à sua família há décadas, a seis quilômetros do aeroporto denunciado. Há vídeos na internet comprovando que o espaço é utilizado para shows de aeromodelismo. Familiares de Aécio disseram à Folha que pelo menos um avião pousa por semana por ali. A Anac vai investigar.

Na versão de Aécio, o aeroporto de Cláudio integra o Proaero, um programa que em sua raiz visava intervenções em mais de 160 lugares. Seriam construídos aeroportos locais ou regionais, ou melhoradas as condições das pistas existentes.

Denúncias sobre aeroportos construídos ou pistas que receberam investimentos vultosos nos últimos anos pipocam na mídia todos os dias desde que a Folha de S. Paulo revelou, em 20 de julho, que o equipamento em Cláudio foi construído em um terreno que pertence ao tio-avô de Aécio, Múcio Guimarães Tolentino. É a família Tolentino que, segundo o jornal, cuida das chaves do aeroporto enquanto o imbróglio envolvendo a desapropriação do terreno não se resolve na Justiça.

Segundo a assessoria de Aécio, a família Tolentino exige R$ 9 milhões pelo terreno. O Estado depositou em juízo cerca de R$ 1 milhão. Nesta sexta-feira (25), o periódico informa que Múcio Tolentino, ex-prefeito de Cláudio, é alvo de uma ação por improbidade administrativa.

O tio-avô de Aécio construiu uma pista de avião nas proximidades de sua fazenda, na década de 1980, com ajuda do governo estadual. A Folha sugere que a desapropriação da área em Cláudio pode garantir a Múcio o dinheiro necessário para pagar a multa desse processo antigo.

Um Tolentino acusado de relações com o tráfico

Múcio não é o único membro da família de Aécio Neves que frequentou as páginas policiais nos últimos anos. O comerciante Tancredo Aladim Rocha Tolentino, primo do candidato a presidente pelo PSDB, foi denunciado em 2012 como membro de uma quadrilha que atuava justamente na cidade de Cláudio vendendo habeas corpus por até R$ 180 mil a traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino intermediava o negócio diretamente com Hélcio Valentim de Andrade Filho, então desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Em meados de 2012, quando o caso ganhou parte da mídia, o magistrado não assumiu os crimes. Tancredo Tolentino, por sua vez, reconheceu que “pediu vários favores ao desembargador e ao ter sucesso lhe dava certa quantia em dinheiro, como forma de agradecimento”.

Na época, os jornais passaram a informação de que Tancredo Tolentino era primo distante de Aécio.

Quando estourou o caso do helicóptero do filho de Zezé Perrella, blogueiros estreitamente ligados a José Serra (PSDB) tornaram-se, de repente, especialistas em helicópteros e passaram a divulgar a hipótese de que a carga de cocaína tivesse sido embarcada em Divinópolis, nas imediações de Cláudio. Na época, Serra ainda aspirava a indicação do PSDB para a presidência.

Mais fatos sem explicações

Aécio, enquanto candidato a presidente, deixou a postura ofensiva contra o governo Dilma Rousseff (PT) para se defender dos escândalos que surgem diariamente. Além do aeroporto de Cláudio, o tucano agora é incitado a dar explicações sobre outro aeroporto construído sem critério técnico inteligível, o de Montezuma.

A cidade tem menos habitantes que Cláudio – cerca de 8 mil – e nenhuma expressão econômica que possa justificar o investimento de mais de 200 mil numa pista batida de terra local. A não ser, como sugere reportagem de O Globo também desta sexta-feira, a proximidade com a fazenda do ex-deputado Aécio Cunha, pai de Aécio Neves.

Até  agora não há nada que ligue Aécio às estripulias de seu primo ou às aventuras do helicóptero dos Perrellas. Mas a soma de circunstâncias certamente o levará, nos próximos dias, a aprofundar as explicações sobre o aeroporto.

O aeroporto de Cláudio, o helicóptero e a rota do tráfico de drogas | GGN

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1 Comentário »

  1. A Folha não poderia estar contando com o esquecimento do eleitor nesse período dos 2 meses até as eleições?

    Comentário por Carlos Eduardo — 28/07/2014 @ 9:50 am | Responder


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