Ficha Corrida

06/05/2014

Assassinato à moda Rachel Sheherazade

ali kamelO radicalismo, o ódio, o nonsense espalhado pela mídia, não é de hoje, tem ensejado este tipo de acontecimento. Inclusive as manifestações de racismo. O responsável pelo jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, escreveu um livro para provar que não somos racistas. Aí, a mesma manada que engole tudo com passividade bovina, veste, hipocritamente, a camisa de que somos todos iguais.

Será que somos todos racistas?! Até porque não somos todos macacos. Neste bando há sagui, mas também há bugios. São macacos mas não são iguais. Respeita-se o ser humano por ser humano, não por se igual. E aos animais, por serem diferentes. Somos todos diferentes. Até as árvores contam com seus defensores. No Brasil, na mídia só não há defensor para os quatro PPPP: pobre, puta, preto e petista.

Taí a Rachel Sheherazade para provar que, definitivamente, não somos todos iguais, embora todo os que pensam igual a ela, sejam também seres inferiores. Há séculos este modo de pensar já foi enterrado. Hoje, manter este espírito medieval, de caça às bruxas, resulta em crimes como este, de fazer corar os assassinos de Joana D’Arc…

Espancada após boatos sobre magia negra, mulher morre em Guarujá

Fabiane de Jesus, 33, foi confundida com falso retrato falado espalhado em redes sociais, diz família

Família diz que site divulgou a imagem; organizador da página afirma ter citado caso apenas como ‘rumor’

(DIÓGENES CAMPANHA)ENVIADO ESPECIAL A GUARUJÁ (SP)

Uma dona de casa de 33 anos, mãe de dois filhos, morreu ontem em Guarujá (SP), após ser espancada por moradores insuflados por notícias falsas divulgadas em redes sociais. Ela foi confundida a partir de um retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças, segundo a família.

Os moradores acusavam Fabiane Maria de Jesus de sequestrar os menores para rituais de magia negra.

Sherazade04Segundo a polícia, não há registro recente de desaparecimento de crianças na cidade e as histórias sobre sequestros na região são falsas.

O linchamento ocorreu na tarde de sábado, quando Fabiane voltava para casa, no bairro de Morrinhos, periferia de Guarujá. Sob o olhar de dezenas de pessoas, que se aglomeraram, inclusive crianças, a dona de casa foi agredida com pauladas, socos e chutes.

Com celulares, moradores da região gravaram a ação.

Airton Sinto, advogado da família de Fabiane, entregou ontem ao delegado dois vídeos que mostram trechos do ataque. A polícia usará as imagens para buscar os responsáveis pelo linchamento.

Em um dos vídeos, ela aparece estendida no chão, é jogada contra o solo, chutada, arrastada e tem os cabelos puxados. Em seguida, um homem passa com uma bicicleta sobre a cabeça de Fabiane.

As imagens mostram que ela teve uma mão amarrada com uma corda e seu corpo foi arrastado por alguns metros. "Já era", diz um homem presente. Outras pessoas dizem frases como "é ela mesmo" e "é a mesma cara". Outros, porém, repudiam a ação.

Fabiane foi levada em estado gravíssimo a um hospital da cidade e morreu ontem.

A Polícia Civil afirmou que a história sobre o suposto sequestro de crianças na região é falsa. "Essas reportagens sobre uma loira que sequestrava crianças foram veiculadas em São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados", disse o delegado Luiz Dias Jr.

A família da dona de casa diz que ela foi vítima de um engano e que o linchamento foi uma "crucificação em vida". "Essa história de magia negra é mentira. Ela era católica e quis dar nome bíblico, Esther, para a nossa filha", diz Jailson Alves das Neves, marido da vítima.

O advogado atribuiu a divulgação da informação falsa ao "Guarujá Alerta", um perfil noticioso no Facebook.

Em nota, a página na rede social afirmou ter citado o caso como rumor e com um aviso: "Se é boato ou não, vamos ficar alertas". O "Guarujá Alerta" ainda afirmou repudiar o linchamento.

O delegado diz não ter visto o retrato falado que teria motivado a agressão e disse ser "prematuro" responsabilizar o "Guarujá Alerta".

Segundo ele, o responsável pela página se apresentou e se comprometeu a ajudar nas investigações

‘JUSTIÇA POPULAR’

Casos de justiçamento sempre ocorreram, principalmente fora dos grande centros, diz Renato Sérgio de Lima, coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da FGV.

"A diferença é que a internet potencializou essa cultura de ódio. O que está em xeque é a figura do Estado", diz.

O antropólogo e professor da Unesp Claudio Bertolli Filho concorda. "Onde o Estado não está, a chamada justiça popular’ aparece", diz.

A empregada doméstica Nilda Mota, 43, se surpreendeu ao saber que a vítima dessa "justiça popular" era sua vizinha. Ela diz que tentou ir até o local da confusão, mas foi barrada por moradores.

Segundo ela, Fabiane teria tingido os cabelos de loiro no dia do linchamento para ir à igreja e visitar amigos. "Ela foi crucificada viva", diz Nilda.

4 Comentários »

  1. E a lei branda permite que esse tipo de “jornalista” expresse suas opiniões doentias e criminosas em rede nacional. Não tenho dúvidas de que nada acontecerá com os três “jornalistas” mais conhecidos por promover o ódio na TV.

    Comentário por Jose — 16/06/2014 @ 8:00 pm | Responder

  2. […] O radicalismo, o ódio, o nonsense espalhado pela mídia, não é de hoje, tem ensejado este tipo de acontecimento. Inclusive as manifestações de racismo.  […]

    Pingback por Assassinato à moda Rachel Sheherazade | ... — 06/05/2014 @ 7:10 pm | Responder

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    Pingback por Assassinato à moda Rachel Sheherazade | EVS NOTÍCIAS. — 06/05/2014 @ 1:39 pm | Responder

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