Ficha Corrida

13/12/2013

Margaret Thatcher, a hiena do apartheid

Filed under: Apartheid,Margaret Thatcher,Rupert Murdoch — Gilmar Crestani @ 8:00 am
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Vi há duas semanas, no GNT, o documentário ”Os Escândalos de Rupert Murdoch”. E a pergunta que me fiz de imediato foi: como isso foi possível na Inglaterra, um país de primeiro mundo. Que a Veja tenha este padrão mafioso no Brasil, tudo bem. Aliás, a Globo das grandes é maior. Não é mero acaso que o PSDB distribua milhares de assinaturas da Veja em escolas em São Paulo. Veja e Folha de São Paulo não inventaram o compadrio entre grupos de mídia e políticos corruptos, são apenas seguidores da mesma seita que fez crescer Murdoch. A diferença é que lá a persistência de grupos independentes fez com que o povo deixasse de ter um comportamento bovino. Aqui, é o povo continua anestesiado com picada da serpente sul-africana.

O documentário mostra a ascensão de Murdoch na Inglaterra em virtude de suas parcerias com políticos conservadores. A parceria de Murdoch (Fox) com Margaret Thatcher rendeu a ela uma imagem pública asséptica e a ele muitas libras em dinheiro. Coincidentemente, ambos eram contra Mandela e a favor do apartheid. O comportamento da FOX em nada diferencia do Grupo Abril dos Civita. Não é mero acaso que por traz da abril há o grupo sul-africano, Naspers. Margareth Thatcher e Rupert Murdoch chocaram o ovo da serpente. A serpente que hoje produz o veneno que Veja destila toda semana.

 

Em carta, Thatcher prometeu não impor sanções ao apartheid

Em troca, "Dama de Ferro" sugeriu a libertação de Mandela

LEANDRO COLONDE LONDRES

A ex-premiê britânica Margaret Thatcher prometeu ao regime do apartheid que resistiria às pressões para aplicar sanções econômicas e comerciais à África do Sul.

Em troca, sugeriu a libertação de Nelson Mandela e outras medidas de impacto internacional que a ajudassem a manter sua posição de não romper com o regime.

É o que mostra uma carta escrita no dia 31 de outubro de 1985 por Thatcher ao presidente sul-africano da época, Pieter Willem Botha (morto em 2006).

A então premiê afirmou, por exemplo, que outros países a favor de sanções contra o apartheid tinham interesses financeiros na África do Sul e defendiam punições apenas como "retórica". "Os interesses de alguns países seriam severamente atingidos se sanções forem aplicadas", disse.

CROCODILO

Conhecido como "O velho Crocodilo", Pieter Botha marcou seu governo pela resistência em soltar Mandela e pela opressão sangrenta aos negros –estima-se que 2.000 pessoas morreram e outras 25 mil foram presas sem direito a julgamento.

A carta que ele recebeu de Londres foi enviada sob o timbre de "secreto e pessoal" e está no banco de dados da Fundação Margaret Thatcher.

A "Dama de Ferro", que morreu em abril deste ano, revela que estava decidida a manter sua posição pública de não punir o regime. "Eu devo resistir a sanções porque acredito que são erradas e que não é interesse britânico fazer isso", afirmou.

Na visão dela, sanção "não funciona" e prejudica quem quer ajudar. Além disso, ela diz que o governo de Botha estaria contribuindo para mudar a situação opressora.

"Continuo acreditando que a libertação de Nelson Mandela teria mais impacto que qualquer outra ação", afirmou ela.

A ex-premiê sempre sofreu críticas por não agir contra o regime de segregação na África do Sul. Em 1987, ela chamou o CNA, partido de Mandela, de "organização terrorista".

ERRO

O atual premiê David Cameron, do Partido Conservador (o mesmo de Thatcher), afirmou em 2006 que foi um "erro" aquela posição dos anos 80.

Na carta de 85, Thatcher relata a recente pressão que sofrera na reunião da Commonwealth, comunidade britânica que hoje reúne 54 países, a maioria deles ex-colônias –a África do Sul ficou afastada do grupo entre 1961 e 1994.

"Eu estou decidida a continuar resistindo a essa pressão e encontrei determinação parecida no presidente Reagan (EUA) quando nós discutimos esse tema em Nova York semana passada, mas preciso de sua ajuda", afirmou ela a Botha.

"Fui acusada de preferir empregos britânicos a vidas africanas, de não me preocupar com os direitos humanos, e muito mais", disse ao chefe do regime do apartheid.

A situação não mudou após a carta: Thatcher se manteve contra a sanção, Mandela continuou preso até 1989 (saiu após a queda de Botha), e o regime do apartheid só terminou em 1994, quando o líder negro foi eleito presidente de seu país.

2 Comentários »

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