Ficha Corrida

21/07/2013

Bato por “ordem do comando”

E assim ficamos sabendo que a violência policial em São Paulo segue “ordem do comando”. Quais eram as intenções do comando da Segurança Pública em São Paulo? E de onde vinham a ordem que o comando dava para bater? São Paulo pode ser considerado exemplo de Segurança Pública? A violência por acaso melhorou os índices de criminalidade? Ou só fez aumentar? Perguntas que o jornalismo da Folha, da D.Judith Brito, atrelado ao PSDB e a Alckmin não permite se fazer?

Cara a cara

Após ser agredida por um PM em um dos protestos contra a alta da tarifa dos transportes, Gabriela Lacerda, 24, reencontrou o mesmo policial, no mesmo lugar

CÉSAR ROSATIDE SÃO PAULO

As costas e o braço da estudante Gabriela Lacerda, 24, ainda doíam quando ela resolveu voltar à avenida Paulista.

Ali, em frente a um bar, ao lado do parque Trianon, ela havia sido fotografada três dias antes. Era a quarta manifestação contra a alta da tarifa de transporte na cidade e a primeira vez que ela participava de um protesto.

No dia seguinte, sua imagem –recebendo um golpe de cassetete de um policial militar– estava na Primeira Página da Folha. A foto se transformou em um dos símbolos da reação violenta da PM naquela noite de 13 de junho.

A estudante de rádio e TV, nascida em Macapá (AP), garante que quando foi agredida estava no bar tomando uma cerveja com seu namorado, Raul Longhini, após ter acompanhado os protestos no centro da cidade.

Pouco mais de 72 horas após ser fotografada, na mesma esquina, a estudante perdeu a fala. "Eu o vi. Fiquei tremendo, queria perguntar seu nome, mas quando cheguei não tive coragem." Gabriela estava cara a cara com o homem que a fizera tremer.

Ele talvez não a tenha reconhecido. Para ela, porém, a imagem do policial estava viva em sua mente.

Forte e com semblante intimidador, o cabo da PM Henrique Expedito de Jesus, 46, continua a trabalhar normalmente desde o dia em que foi fotografado e, diz ele, até o momento não foi acionado pela corregedoria da corporação para esclarecer os fatos.

A Folha o encontrou, um dia após entrevistar a estudante, na praça do Ciclista, na avenida Paulista.

Monossilábico, o policial militar disse que não se sente culpado pelo ocorrido.

Segundo ele, apenas seguiu a ordem do comando que era a de dispersar qualquer grupo que se reunisse para promover atos de vandalismo naquele dia.

"Eles não estavam só bebendo, eles atacavam pedras contra os policiais."

CAMPO DE BATALHA

Gabriela diz que, enquanto estava no bar, tudo corria normalmente até que o grupo de policiais em que estava o cabo Henrique Expedito de Jesus tentou impedir a ação de manifestantes ao lado do Masp.

Devido à ação da PM, que, segundo ela, agiu com truculência, todos gritaram: "Vergonha, vergonha". O fato teria incitado a ação dos policiais.

"Eles começaram a derrubar tudo que estava pela mesa. O Raul começou a questionar e foi agredido pelo policial. Ele foi para trás e caiu, nisso ele me puxou. Eu já no chão recebi uns três golpes do policial", afirma Gabriela.

O cabo Henrique disse que o grupo que estava no bar fazia parte da manifestação e que não se lembra ao certo de tudo que aconteceu. "Só lembro de não ter batido em nenhuma mulher", completou.

Apesar da agressão, Gabriela diz que não vê o policial como vilão. "Quando estava no chão, no fundo do poço, me bateu um sentimento do tipo por que você está fazendo isso? O que foi que eu te fiz?’. Eles só pararam de bater pois perceberam que estavam rodeados de fotógrafos. Prefiro acreditar que ele realmente não tinha a intenção de me bater", diz.

Gabriela fez um boletim de ocorrência após a agressão no 72º DP (Jardins). Já esteve lá em outras oportunidades, além de ter realizado exame de corpo de delito e depor na Corregedoria da PM.

Ela diz aguardar o andamento do processo da corporação e que espera que sejam tomadas as medidas cabíveis.

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