Ficha Corrida

21/04/2013

Roberto Freire, de coronel a capitão-de-mato

Filed under: Roberto Freire — Gilmar Crestani @ 9:45 am
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Roberto Freira era o coronel que acoitava o Partidão. Sua incompetência e improdutividade o levou a terceirizar seu exército, mas ficou com a honra do cargo de capitão-de-mato. À serviço do PSDB, Roberto Freire, que é de Pernambuco onde também fica seu domicilio eleitoral, sempre esteve mamando numa boquinha de Serra e FHC, em São Paulo. Seguindo o exemplo dos grupos mafiosos, vai mudando de casa para tentar limpar o passado. Seus serviços prestados de modo tão subserviente à Casa-Grande, são retribuídos com afagos e as luzes dos holofotes do grupos mafiomidiáticos. Ainda vai morrer queimado como uma mariposa…

Um novo partidão

Ex-comunista que se aliou ao DEM e aos tucanos contra Lula, Roberto Freire muda mais uma vez

DANIELA LIMADE SÃO PAULO

Na semana passada, quando assumiu a presidência da recém-criada Mobilização Democrática, o deputado federal Roberto Freire (SP) repetiu uma proeza que já realizara duas outras vezes nos últimos 23 anos: trocou de partido sem sair de onde estava.

A façanha levou o homem que comandou o antigo Partido Comunista Brasileiro e depois se aliou aos liberais do DEM em duas eleições presidenciais a promover agora uma fusão com o inexpressivo PMN. Tudo em nome da "esquerda democrática".

Freire entrou no velho Partidão, como o PCB era conhecido pelos militantes, em 1962, quando a organização agia na clandestinidade. Estudante de direito, dava sua contribuição à agenda política em Pernambuco advogando para trabalhadores rurais.

A situação ficou mais complicada após o golpe militar de 1964. Com o Ato Institucional número 5 e o endurecimento do regime em 1968, colegas foram presos e Freire mudou-se para o Chile.

Casou-se lá. Sua primeira mulher era filha de um funcionário da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), mesma organização na qual o ex-governador paulista José Serra trabalhou quando exilado na ditadura.

"Foi a festa dos exilados. O Serra esteve lá. Na época, só o conhecia de longe", lembra.

De volta ao Brasil, Freire entrou no MDB. Vários nomes do PCB fizeram o mesmo. Migraram com a esperança de operar de dentro da sigla a legalização do Partidão.

A legitimação só veio no governo de José Sarney, em 1985. "Nisso ele foi um democrata. Quando sondamos Tancredo, ele pediu para esperarmos a Constituinte. Sarney fez antes", afirma Freire.

Ele disputou a Presidência em 1989 e terminou em nono lugar. Começou a promover a primeira mudança no PCB um ano depois, quando derrotou o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2013) numa disputa pelo comando da sigla.

Na ocasião, Niemeyer sustentou a mesma posição que manteve até o fim da vida –morreu aos 104 anos defendendo o stalinismo. Freire achava que o partido deveria se modernizar. Ele saiu vitorioso e, dois anos depois, transformou o PCB no PPS.

Após o impeachment de Fernando Collor, tornou-se líder do governo Itamar Franco, uma administração de "centro-esquerda", avalia. "Na época, defendi que o PT integrasse o governo. Se tivessem aceitado, Lula teria sido candidato em 1994 com o apoio de Itamar e do PSDB. Era preciso que José Dirceu desistisse de disputar o governo de São Paulo para apoiar Mário Covas, mas o PT sempre foi isolacionista."

Após executar o Plano Real, o nome de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, emplacou. Freire ficou com o PT, pela "identidade de esquerda", e fez campanha para Lula em 1994. Em 1998 e 2002, lançou Ciro Gomes candidato, mas apoiou Lula no segundo turno.

Lula eleito, em 2004 o PPS rompeu com o PT. "Saímos antes do mensalão. Discordamos da política econômica. Bolsa Família não é de esquerda. Política compensatória é um mecanismo neoliberal." Tornou-se crítico implacável do "lulopetismo".

Contra Lula, em 2006, o PPS subiu no palanque ao lado do PFL, hoje DEM, para apoiar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao Planalto.

Em 2010, a cena se repetiu, mas em nome das pretensões de José Serra. Freire o trata como amigo, embora em 2002, quando o tucano se candidatou pela primeira vez, tenha ficado com Lula –"não faço política por amizade".

Hoje, os dois estão em contato constante por conta da terceira mutação que Freire promove em seu partido: a fusão com o PMN, cujo produto é a Mobilização Democrática.

O PMN tem três deputados federais, entre eles a filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, Jaqueline, flagrada recebendo R$ 50 mil quando o chamado mensalão do DEM foi descoberto.

"Não circunscreva um processo tão amplo a esse aspecto. Se for para falar, o que dizer do PT, que tem condenados? É impossível fazer o que estamos fazendo sem passar por esse tipo de situação", diz.

Freire trata a fusão como parte importante de um processo de "reorganização das oposições". A nova sigla deve servir ao governador Eduardo Campos (PSB-PE), que se descola do governo Dilma Rousseff (PT) para despontar como opção em 2014.

Freire não esconde a predileção por Campos, mas diz que a MD é para todos: convidou Serra e oferece a sigla como plano B para a ex-senadora Marina Silva, caso não consiga tirar a Rede do papel.

Mas o futuro da MD como "nova oposição" não está garantido. O governo opera para limitar seu tempo de TV e recursos partidários. Freire chama o movimento de "golpe" e diz que brigará na Justiça.

"Dilma não vai decidir contra quem deseja concorrer em 2014 com sua maioria no Congresso. Há uma nova oposição surgindo e não vai parar."

2 Comentários »

  1. […] Roberto Freire, de coronel a capitão-de-mato […]

    Pingback por OU DA INUTILIDADE DO PAPA | SCOMBROS — 21/04/2013 @ 10:35 am | Responder

  2. Reblogged this on O LADO ESCURO DA LUAe comentado:
    FREIRE NÃO VALE O FEIJÃO QUE COME… É UM VENDIDO!

    Comentário por anisioluiz2008 — 21/04/2013 @ 9:48 am | Responder


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