Ficha Corrida

07/04/2013

Meu reino por um tomate

Filed under: Boimate,Energúmenos,Tomate — Gilmar Crestani @ 8:51 am
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E o novo cavalo de batalha dos grupos mafiomidiáticos é o … tomate. Muitos cavalos famosos ganharam a história. De Bucéfalo, de Alexandre Magno, a Incitatus, do Calígula, o Blanc, do Napoleão, passando pelo cavalo paraguaio e o cavalo do comissário. Agora surge um novo cavalo de batalha dos golpistas. Com exceção da Veja, que nunca mais se recuperou do Boimate e tem medo do tomate como o diabo na cruz, os demais montaram no tomate na batalha pelo aumento dos juros. Tudo vale a pena se a imprensa é pequena…

E de repente a arte culinária ficou mais pobre porque o tomate aumentou. E a culpa é do governo porque a criatividade dos gourmets desconhecem vida fora do tomate. É como se o tomate, de repente, tivesse se tornado item imprescindível do nosso cardápio, como se, na ausência do tomate, fôssemos passar fome!?

Fazer do tomate uma guerra para justificar a financeirização da economia não é só uma demonstração de imbecilidade pública, mas também menosprezo pela inteligência alheia, a tal de abstração que, por exemplo, distingue seres humanos das lebres.

Se o governo der importância à casca de banana jogada pelos bananas da imprensa, aí sim estará pisando no tomate.

VINICIUS TORRES FREIRE

Pisar no freio ou no tomate

Impaciência com inflação ganha um símbolo popular, o tomate, mau sinal para o governo

O POVO ainda parece feliz feito pinto no lixo e adora Dilma Rousseff, algo alienado que está dos efeitos de uma economia mal parada, ou que mal se move. Mas a inflação persistente tem seu primeiro símbolo mais ou menos popular, o tomate, que está caro para chuchu e se tornou motivo de conversa e chacota nas praças da internet, as ditas "redes sociais".

Não dá, claro, para explicar o preço do tomate pelos desarranjos macroeconômicos. Mas o fruto tornou-se o bode expiatório da alta geral dos preços da comida, com perdão pela dissonância biológica, e de certo cansaço com três anos de inflação rodando em torno de 6%.

Nos últimos 12 meses, o preço de comer em casa subiu quase 14%. Na média geral da economia, os preços subiram 6,3%. O preço dos alimentos não subia tanto assim em 12 meses desde 2008. A inflação da comida também tem sido maior que o aumento dos salários, o que também não ocorria fazia uns cinco anos.

Os aumentos de alguns produtos básicos talvez reforcem o mal-estar do tomate. O preço da comida pesa mais na memória e especialmente no bolso dos mais pobres.

Farinhas e massas ficaram 32% mais caras nos últimos 12 meses; batata e legumes, 69%; o grupo de arroz e feijão, 27%; o óleo, 18%. As carnes estão bem comportadas, abaixo da inflação média, mas aves e ovos subiram 21%.

Claro que nem todos os preços sobem assim. Bens duráveis estão mais baratos, carros e eletroeletrônicos, por exemplo. São importados ou enfrentam concorrência do mercado internacional (e tiveram uma mãozinha da redução de impostos).

O preço dos eletroeletrônicos caiu quase 1% em 12 meses. Serviços, como despesas pessoais, médicos e dentista, encarecem mais de 10%.

Os custos domésticos crescem, os salários vão atrás, a indústria nacional padece da carestia, fica menos competitiva, perde mercado, desanima e segura investimentos. E estamos assim algo encalacrados.

Outro sinal de consumo excessivo é o aumento do deficit externo (deficit em conta-corrente, a diferença do valor de bens e serviços que exportamos e importamos). Neste 2013, o deficit deve passar de 3% do PIB, depois de três anos flutuando em torno de 2,2% do PIB (2007 foi o último ano de uma série rara de anos de superavit).

Para piorar, estamos mais e mais financiando o deficit com dívida externa.

Os economistas do governo e adeptos acham que o preço da comida disparou devido a safras ruins pelo mundo e não tão boas no Brasil. O aumento grande do salário mínimo no ano passado teria colocado lenha na fogueira dos preços de comida e serviços (mais dinheiro, mais consumo, mais oportunidade de repasse de preços para o consumidor), coisa que não vai se repetir daqui por diante até 2014, pelo menos.

O problema é que há mais fogo sob a frigideira da inflação que em 2008. O nível de preços teria subido ainda mais agora não fossem controles artificiais como reduções de impostos, do preço da energia elétrica e do adiamento do reajuste da passagem de ônibus. Além do mais, tais medidas estimulam ainda mais o consumo.

Enfim, o mercado de trabalho está muito mais apertado agora do que em 2008.

vinit@uol.com.br

7 Comentários »

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  6. […] de anunciarem nos jornais locais, babaus. Não sobraria um, meu irmão. É por isso que o tomate leva a culpa, mas o supermercado, não. Alguém já se deu conta que nunca saiu uma única […]

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