Ficha Corrida

03/02/2013

PIBinho e Pibão

Houve um tempo em que quando um “tigre asiático” torcia o pé, o Brasil estendia o pires ao FMI. Se o México contraía o “mal de Montezuma”, lá ia o pessoa do prof. Cardoso se ajoelhar ao FMI. Hoje, EUA caem, Europa liquidifica, e o Brasil continua crescendo. Pouco, mas crescendo. Sem se socorrer do FMI. Pelo contrário, emprestando. E ainda há quem, com pleno emprego, reclame. Mas só os vira-latas e vira-bostas!

EDITORIAIS

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Duas velocidades

Em 2013, emergentes puxarão de novo a economia mundial, com EUA em marcha lenta e Europa estagnada -porém não mais à beira do abismo

Impõe-se o padrão de dois ritmos de crescimento na economia global, o dos ricos e o dos emergentes.

Do lado dos desenvolvidos, o PIB americano teve retração de 0,1% no quarto trimestre de 2012, na taxa anualizada, enquanto na eurozona se estima redução de 1,5%.

Os países emergentes, por sua vez, ensaiam uma retomada. A projeção do FMI é que eles tenham crescido 6,6% (em termos anualizados) no último trimestre de 2012, resultado que, confirmado, terá sido o melhor desde o início de 2011.

Em que pese essa discrepância, o panorama da economia global até que não se afigura ruim. Mesmo que uma grande retomada econômica pareça distante, nesse contexto, o período de insegurança mais aguda parece ter ficado para trás.

Diminuíram os riscos de grandes acidentes, como a saída da Grécia da zona do euro, o que tem impacto favorável na Europa e nos EUA.

A redução do estresse financeiro na Europa é o avanço mais palpável obtido no ano passado. Ainda que aos trancos, as lideranças da eurozona parecem ter acordado um caminho para a ação.

Foram decisivos na restauração da confiança de investidores a decisão alemã de que não se admite a saída da Grécia do euro e o sinal verde do Banco Central Europeu, em setembro, de que fará "tudo o que for necessário" para socorrer os países em crise do bloco. A promessa é financiar a dívida desses governos sem restrições de volume ou de prazo.

O resultado é visível. Espanha e Itália, alvos da maior preocupação por suas dívidas crescentes, não têm mais de vender seus títulos a juros tão exorbitantes, como ocorreu até meados de 2012, cenário que era explicado pelo temor de que poderiam dar um calote.

Apesar da retração no fim de 2012, o panorama para os EUA melhorou. Por ora fica descartada a recessão por força do desacordo no Congresso quanto a corte de gastos no governo e aumento de impostos, o chamado "abismo fiscal".

Republicanos e democratas chegaram a um acordo parcial em janeiro, e espera-se que o impasse seja menor em março, quando terão de definir cortes nos gastos públicos e o teto da dívida do governo.

A expectativa é que o PIB dos EUA avance 2% no início deste ano e o que os preços no setor imobiliário, epicentro da crise, continuem a se recuperar. Isso traz um efeito positivo na saúde financeira de famílias endividadas e na disposição dos bancos para emprestar.

O Brasil, após o pífio resultado de 2012, quando o PIB deve ter avançado 1%, pode crescer 3% em 2013. Um desempenho mais fraco que o de seus pares, até na América Latina -e muito aquém do que é desejado e necessário.

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