Ficha Corrida

11/12/2012

Católico e/ou obtuso?

Filed under: Igreja Católica,Vladimir Safatle — Gilmar Crestani @ 8:11 am

VLADIMIR SAFATLE

Universidade católica?

A crise na PUC-SP devido à nomeação da terceira colocada em uma lista tríplice evidenciou uma questão mais grave, que não diz respeito apenas ao mecanismo viciado de escolha de reitor. Artigo publicado na Folha por dom Odilo Pedro Scherer demonstra profunda distorção no sentido do que é uma universidade.

Uma universidade não é apenas um espaço de formação profissional e de qualificação técnica. Desde o seu início, ela foi uma ideia vinculada à constituição de um espaço crítico de livre pensar. Ela era a expressão social do desejo de que o conhecimento se desenvolvesse em um ambiente livre de dogmas, sem a tutela de autoridades externas, sejam elas vindas do Estado, da igreja ou do mercado. A universidade dialoga com essas três autoridades, mas não se submete a nenhuma delas, mesmo quando é dirigida pelo poder público, por grupos confessionais ou empresários.

Por isso, há de se falar com clareza: no interior da República, não há espaço para universidades católicas, protestantes, judaicas ou islâmicas, mas universidades dirigidas por católicos, dirigidas por protestantes etc., o que é algo totalmente diferente.

Uma universidade não existe para divulgar, de maneira exclusiva, valores de qualquer religião que seja. Ela admite que tais valores estejam presentes em seu espaço, mas admite também que nesse mesmo espaço encontremos outros valores, pois só esse livre pensar é formador do conhecimento.

Se certos setores da igreja não querem isso, principalmente depois do realinhamento conservador de Bento 16, então é melhor que eles se dediquem à gestão de seminários.

A universidade, mesmo particular, é uma autorização do poder público que exige, para tanto, a garantia de que valores fundamentais para a formação livre serão respeitados.

Se a igreja percebe a PUC como um instrumento de defesa de seus valores, então não há razão alguma para ela fazer isso com dinheiro do Estado, já que seus cursos de pós-graduação recebem dinheiro público via agências de fomento.

Ao que parece, alguns acreditam que, em uma universidade dirigida por católicos, professores não devem se manifestar publicamente a favor do aborto e do casamento homossexual. E o que fará tal universidade com professoras que abortam e professores que se declaram abertamente homossexuais? Serão convidados a se retirar?

E o professor que ensina Nietzsche e a "morte de Deus", Voltaire e seu pensamento anticlerical? Terão o mesmo destino do professor de história que pesquisou as barbáries da Inquisição ou das relações entre o Vaticano e o fascismo ou da professora de psicologia que defende teorias "queers", já acusadas pelo papa de minar os valores da família cristã?

VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

2 Comentários »

  1. Ora, a PUC é Católica, é patrimônio da Igreja e administrada pela Igreja. Não é pública, entenda isso!

    A Igreja Católica, através do Reitor, segue os Estatutos que estiver de acordo com a Sé de Roma, não de acordo com o regime “democrático” do país! Entendam: a PUC não é pública! Quem estiver incomodado, que se retire, havendo contradição por parte do reitor, ou não! Não adianta espernear!

    Estão carecas de saber que a igreja é anti-marxista, desaprova o homossexualismo e abomina o aborto, e ainda querem peitar o Reitor católico, numa Universidade Católica, fincando a bandeira marxista? Vocês perderam a noção do ridículo!

    Vão pra USP! Lá, com certeza, encontrarão marxistas e vândalos com quem possam chafurdarem sua revolução antiburguesa!

    Comentário por Ebrael Shaddai — 11/12/2012 @ 11:20 pm | Responder

    • A PUC é Católica Obtusa Romana. E, pelo fato de se enquadrar como pilantrópica, tem dinheiro público. Se a PUC quer autonomia, se transfira para o Estado do Vaticano ou então abra mão dos benefícios de ser uma entidade pública sem fins lucrativos. E pare com estas idéias medievais senão ainda vai querer instalar a inquisição por aqui. Xô, satanás! Este ódio ao diferente dá a entender que foste currado, quando criança, por alguém da Opus Dei. Se não gostou, pare. Se gostou mas tem medo de repetir a dose, procure alguma batina para se consolar. Eu fui seminarista por seis anos, estudei na PUC de Porto Alegre e dei aula no Colégio Anchieta. Anecéfalos como você é difícil de encontrar mesmo nas congregações mais obtusas. Na Opus Dei, abundam! Saravá, e Shaná tová!

      Comentário por Gilmar Crestani — 12/12/2012 @ 8:57 pm | Responder


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