Ficha Corrida

28/11/2012

O diabo faz a trampa mas esquece a tampa

Filed under: Igreja Católica,Religião — Gilmar Crestani @ 7:37 am

Perfeito o vitupério do advogado do diabo. E cumpre à risca sua missão, se não fosse um detalhe. Não mente, mas omite. Pode não ser um pecado, mas não é religioso com o tema. A candidata escolhida ficou em terceiro na lista e foi pedir ao bispo. Não há detalhes se ajoelhou e rezou. O certo é que havia assinado conjuntamente com os demais candidatos que só assumiriam caso fossem o primeiro da lista. A escolhida do bispo foi a terceira. Nesta hora valeu o escrito bíblico, às favas com os escrúpulos, os últimos serão os primeiros. E o catolicismo em São Paulo está virando isso: José Serra se une a Opus Dei para acusar Dilma de ser favorável ao aborto, escondendo que a mulher dele havia cometido aborto. Depois aquele Bispo de Guarulhos atrela a gráfica da igreja à blasfêmia.  Agora mais esta, o Bispo escolhe para representar o espírito católico e da instituição PUC alguém que assume por escrito que só aceitaria ser escolhida reitora se fosse a mais votada, mas ficou em terceiro. O único argumento que sobra ao Dom Odilo é também bem paulista, do Jânio Quadros, e bem que poderia dar título à lengalenga do canônico Edson: fi-lo porque qui-lo!!

EDSON LUIZ SAMPEL

TENDÊNCIAS/DEBATES

O ASSUNTO DE HOJE: DISCÓRDIA NA PUC-SP

Pontifícia Universidade Católica: pontifícia e católica

Querem banir o catolicismo da PUC, trocá-lo por cristianismo light ou nem isso. Lista tríplice é um mecanismo justo. Dom Odilo exerce seu nítido direito

É líquido e cristalino o direito do grão-chanceler da PUC-SP, arcebispo de São Paulo, de nomear reitor um entre os três professores eleitos pela comunidade universitária.

O procedimento da lista tríplice, igualmente adotado em várias instâncias do Estado -como na escolha de juízes de tribunais superiores ou do chefe do Ministério Público-, revela-se altamente democrático.

Ele produz um equilíbrio saudável entre o sufrágio dos eleitores e a participação crítica do moderador que, entre três pessoas, dará posse àquela que mais se aproxima do perfil ideal para ocupar o cargo.

No caso da PUC-SP, os corpos docente e discente, bem como os funcionários, em votação universal, endossam os três candidatos com potencial para assumir a reitoria.

O grão-chanceler, autoridade máxima da universidade, nomeia um deles. Fá-lo com cabal discricionariedade, tendo em vista o bem maior da instituição.

A PUC-SP é uma escola confessional, católica e pontifícia, conforme indica seu próprio nome, estando sob a égide tanto do direito estatal quanto do direito canônico.

Com efeito, reza a constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae, a lei canônica que disciplina as universidades católicas, que uma das características essenciais desse jaez de instituição de ensino consiste na "fidelidade à mensagem cristã tal como é apresentada pela Igreja" (13, 3).

Dom Odilo tem dado o melhor de si para recrudescer a confessionalidade da PUC-SP, resgatando-lhe a "alma católica". Infelizmente, essa postura do grão-chanceler, assaz benemérita e imprescindível do ponto de vista pastoral e jurídico-canônico, arrosta opositores vorazes.

Debaixo do inconsistente vexilo da independência acadêmica, alguns desejam mesmo que o catolicismo seja banido do campus e cambiado por um relativismo cristão ou cristianismo light ou, então, por outras ideologias.

É possível imaginar não protestantes assumindo a direção da Universidade Presbiteriana Mackenzie? É claro que não, haja vista a natureza confessional dessa escola. Quer-se preservar a integridade da doutrina de Calvino. Eles têm todo o direito de proceder desse modo. Vivemos num país livre.

E as escolas hebraicas de São Paulo? Acolheriam elas em seus quadros executivos católicos ou protestantes? É óbvio que não fazem isso. São judeus, quando não rabinos, que dirigem essas entidades.

Tal raciocínio é válido inclusive para empresas privadas. Quanto tempo duraria na fábrica da Volkswagen um diretor que fosse grande defensor e entusiasta dos automóveis montados pela Ford? Cuido que não teria sobrevida de uma semana.

No entanto, querem que a PUC-SP seja complacente com professores que defendem, por exemplo, o aborto na mídia -e que só tem acesso aos jornais em virtude de exibirem o título de professor ou professora da PUC-SP.

Quanto mais congruente com os valores autenticamente católicos, tanto mais a PUC-SP acenderá ao cume da excelência científica, pois a Igreja é perita em humanidades (Populorum Progressio, 13).

EDSON LUIZ SAMPEL, 47, doutor em direito canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano. É professor do Instituto Teológico Pio XI (Unisal) e da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

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