Ficha Corrida

24/11/2012

A festa da relatividade

Filed under: ENEM — Gilmar Crestani @ 6:56 am

Até a véspera do segundo turno das eleições em São Paulo, onde concorriam José Serra e Fernando Haddad, os grupos mafiomidiáticos, em perfeita sintonia com o PSDB, batiam forte no ENEM para tentar macular o candidato responsável por dar o salto de qualidade ao referido exame. Portanto, não é surpresa que alguém da famiglia Schwartsman, passadas as eleições, saia a público para reconhecer não só a importância do ENEM como também apontar sua importância para a especialidade das escolas particulares, o manipulação. Especialistas em maquiagem, só deixam participar do ENEM os melhores alunos para assim elevarem a própria nota, e vestem de nariz de palhaço os outros para serem fotografados pela RBS (Carnaval fora de época da RBS) na defesa dos interesses privados. Por isso o tal meretismo, em termos de ensino, a panela do embuste. Quem tem mais méritos, a escola que põe somente seu melhor aluno para prestar a prova do ENEM, ou aquela que resgatou inúmeros com dificuldades de aprendizagem e os trouxe para a emancipação educacional?

Só para refrescar a memória dos Schwartsman, reproduzo o que publiquei AQUI em 15/11/2010: “Para o sociólogo mineiro Simon Schwartzman, os problemas operacionais e logísticos do Enem escondem a questão que realmente importa. "É a própria ideia do Enem, desse tamanho e com essa escala, que precisa ser discutida", diz o pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), que foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 1994 e 1998 e diretor para o Brasil do American Institutes for Research de 1999 a 2002. "O correto seria voltar à ideia inicial do exame, menor e focado na avaliação de competências, não de conhecimentos", defende o especialista.” Taí, ó!

HÉLIO SCHWARTSMAN

A festa das avaliações

SÃO PAULO – Saíram as notas do Enem por escolas. Amanhã, universitários farão o Enade. A essas provas somam-se Saresp, Prova São Paulo, Pro­va Brasil etc. A profusão de exames para medir a qualidade do ensino em todos os âmbitos atesta que a avaliação veio para ficar.

E é ótimo que seja assim. Até meados dos anos 90, quando esses testes foram introduzidos, o nível do ensino das diversas re­des só podia ser adivinhado. A definição de políticas partia de exercí­cios de imaginação.

Implantar a avaliação não foi fácil. Autoridades tiveram de enfrentar a resis­tência dos alunos e a oposição dos sindicatos, mas as provas foram se multiplicando e ganhando sofisticação. Hoje, com o auxílio da Teoria da Res­posta ao Item (TRI), certos exames permitem comparar estudantes submetidos a pro­vas diferentes e avaliar a per­formance de uma instituição ao longo do tempo.

Não se deve, porém, perder de vista que os testes são uma ferramenta para pro­mover a qualidade do sistema, não um fim em si mesmo.

O modo como o público e a mídia recebem esse emaranha­do de exames tampouco é o mais sábio. É tolice, por exem­plo, imaginar que haverá mu­danças importantes nas notas ou nos rankings todos os anos. Se elas vierem, o mais provável é que tenha havido um proble­ma com o universo de examinandos ou a prova. Ganhos e perdas na educação tendem a seguir ritmo incremental.

A própria ideia de ranking merece cautela. Listas de melhores e piores são úteis, mas é necessário levar em conta as limitações da avaliação.

Um caso emblemático é o das escolas particulares de elite, que travam disputas milimétri­cas pelas primeiras posições no Enem. É fácil ganhar frações de ponto selecionando só os melhores alunos para fazer a prova, que não é obrigatória. Assim, um colégio que ofereça bolsas para alunos pobres ou que não ex­pulse os repetentes acaba, mais por suas virtudes que defeitos, perdendo posições.

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