Ficha Corrida

08/07/2012

Especial Drummond

Filed under: Carlos Drummond de Andrade,Cultura — Gilmar Crestani @ 10:54 am

 

Ex-diretor do ‘JB’: para falar com Drummond tive que segurá-lo pelo braço

Jornalista Carlos Lemos conta que, apesar de tímido, o poeta era mulherengo

Jornal do BrasilMaria Luisa de Melo

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Ter dois dedos de prosa com um dos poetas mais lidos da Literatura Brasileira nunca foi fácil para nenhum dos seus contemporâneos na redação do Jornal do Brasil, localizada até então na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro. Isso porque Carlos Drummond de Andrade, com a timidez que lhe era de costume, chegava na porta do elevador e entregava, para o primeiro que passasse, a sua crônica do dia seguinte, conforme contou o jornalista Carlos Lemos.

Carlos Lemos relembra o momento em que conseguiu cumprimentar o poeta, depois de armar uma emboscada com a ajuda do porteiro do antigo prédio do JB.

"O Drummond entregava a folha com a crônica para qualquer um, o primeiro que avistasse ao deixar o elevador. Muitas vezes nem chegava a entrar na redação. Era muito na dele, recluso. Até que um dia eu combinei com o porteiro para me avisar quando o Drummond chegasse. Aguardei, ansioso, na porta do elevador. Fiquei entocado mesmo, confesso. Quando a porta se abriu, segurei Drummond pelo braço. Em pensamento, eu dizia: "Te peguei, hoje você não me escapa". Mas preferi ser mais sutil para não assustá-lo ainda mais: "O senhor é um homem muito famoso pelo que escreve. Seria de um prazer incomensurável poder ter ao menos cinco minutos de prosa contigo. Podemos tomar um café?", tentou o ex-chefe de redação do JB.

Apesar da investida, Lemos não teve muita sorte na empreitada: "Convidei Drummond para entrar na redação, ele se aproximou e disse, em seguida, que deveríamos deixar a conversa para um outro dia. Entregou a crônica e esvaiu-se, como sempre", relembrou.

Sua timidez, segundo o contemporâneo, não o impedia de tentar seduzir as moças de sua época.

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O Jornal do Brasil selecionou imagens do grande escritor Carlos Drummond de Andrade, que comemora 110 anos de nascimento este ano. Fotos: CPDoc JB

"Drummond era muito mulherengo. Ele cantava muitas mulheres com as quais tinha contato. Era um bom cantador, com respeito, mas era. Aliás, os dois sujeitos mais mulherengos que conheci foram ele e Oscar Niemeyer. Era comum, nas poucas entrevistas que concedeu, Drummond dar em cima da repórter", destacou.

Neste sábado (7), o Jornal do Brasil dá sequência à homenagem aos 110 anos de nascimento do poeta Carlos Drummond, completados este ano. Neste link, os leitores do JB podem reler a crônica "A mulher que veio de longe", publicada no dia 10 de dezembro de 1977, dia seguinte à morte da escritora Clarisse Lispector.

A ucraniana estreou nas páginas do JB em 19 de agosto de 1967, quando o Caderno B passou a ser publicado também aos sábados. E escreveu até 29 de dezembro de 1973. Suas crônicas semanais, que quase sempre habitavam a página 2, refletiam um método de trabalhar a que chamava de costurar para dentro, reunindo as frases que lhe vinham a cabeça durante todo o dia, fazendo suas crônicas nascerem aos pedaços. Com esta técnica, Drummond despediu-se da ucraniana.

>> Veja o que o JB preparou nestes 110 anos de nascimento do poeta

>> A 1ª crônica no JORNAL DO BRASIL:  "Leilão do ar", em outubro de 1969

>> "Entrevista imaginária”: o poeta descrito por ele mesmo através de seus textos

>> Crônica no "Jornal do Brasil", em abril de 1977: "Se eu fosse consultado"

>> Cartola e Vinícius de Moraes por Drummond: um tributo à música popular

>> A crônica "Cora Coralina, de Goiás" descortinou o talento da escritora

>> "Drummond – 80 anos", homenagem do ‘JB’ ao seu então cronista

>> Affonso Romano de Sant’Anna e Drummond: segredos de longa data

>> Última entrevista de Drummond revela um poeta simples e sem crenças

(Pesquisa CPDoc JB: Lucyanne Mano/ Arte: Rodrigo Quadros)

Jornal do Brasil – Especial Drummond – Ex-diretor do ‘JB’: para falar com Drummond tive que segurá-lo pelo braço

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