Ficha Corrida

31/03/2012

Cotas: Demóstenes afunda e Kamel perde um aliado

Fernando Brito, do Tijolaço, escreveu imperdível texto sobre Demóstenes e “os fundilhos da UDN”.
Lá pelas tantas, Brito remete o leitor a uma reportagem da sempre competente Laura Capriglione e Lucas Ferraz, na Folha (*), sobre o pensamento antropológico do Demóstenes que se afunda: a culpa da escravidão é dos negros.
Num histórico depoimento no Supremo Tribunal Federal sobre o tema cotas raciais nas universidades, Demóstenes se transformou num paladino contra as cotas.
E com uma certa razão: se os negros foram os responsáveis pela escravidão, para que protegê-los de mal que eles próprios se impuseram?
Irretocável !
Caro amigo navegante, o afundamento da cabeça do iceberg é uma punhalada nas costas do Ali Kamel, o maior inimigo das cotas raciais no Brasil.
Na Antologia das Trevas que este ansioso blog publica, com a produção intelectual de Kamel, o nosso Gilberto Freire (**), há um texto lapidar: “Não somos racistas nem brancos”; e um outro que entrará para a História da Matriz Energética do Brasil: “FHC fez o Apagão da Energia para salvar as criancinhas”.  
Mas, vamos à História, ao depoimento de Demóstenes sobre a origem da Escravidão:

DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

LAURA CAPRIGLIONE
LUCAS FERRAZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem (3) no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos.

Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (…) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.”

Sobre a miscigenação: “Nós temos uma história tão bonita de miscigenação… [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.”

As referências à história “tão bonita” da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas.

O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular.

Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas.

A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários.

No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Conta-se que, um dia, em Apipucos, D. Madalena se virou para o marido e disse: Gilberto, essa carta está em cima da sua mesa há um tempão e você não abre. Não posso abrir, Madalena, respondeu o Mestre. Não é para mim. É para um Gilberto Freire com “i”.

Cotas: Demóstenes afunda e Kamel perde um aliado | Conversa Afiada

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