Ficha Corrida

08/01/2012

Bolsonaro, o ignaro

Filed under: Bolsonaro,Ditadura — Gilmar Crestani @ 10:19 am

 

Escultura pornô com Bolsonaro vira acervo de fundação gay

Enviado por luisnassif, sab, 07/01/2012 – 18:06

Por Nilva de Souza

Do Blog A Capa

Escultura pornô com Bolsonaro vira patrimônio de fundação gay em NY

Mais um ponto a favor da arte e contra a imbecilidade de certos políticos. A escultura "Bolsonaros Sex Party", criada pelo artista plástico brasileiro Fernando Carpaneda, acaba de ser adquirida pela The Leslie Lohman Gay Art Foundation. A obra passa a integrar o acervo permanente da fundação. Carpaneda, além de artista plástico, é escritor e também autor do livro "Anjo de Butes".

"Acho que, da mesma forma que o Jair Bolsonaro tem direito garantido e imunidade parlamentar para ir à televisão brasileira falar mal de gays e negros, eu, como brasileiro, também tenho o direito de me expressar em público sobre o Jair Bolsonaro", disse Carpaneda recentemente.
"Quero que ele se sinta constrangido ao ser visto retratado praticando sexo oral e anal. Assim, sentirá na pele o que é ter sua intimidade transformada em alvo de piada".
A obra mostra exatamente uma orgia, com uma representação de Jair Bolsonaro em meio à suruba. A escultura também aproveita para criticar as campanhas homofóbicas que surgem no mundo, como a "God Hates Fags" (Deus Odeia as Bichas).
Agora, a "Bolsonaros Sex Party" ficará exposta ao lado de obras de mestres da arte moderna e gay, como Andy Warhol, Keith Haring e Robert Mapplethorpe. Com isso, Bolsonaro conseguiu justamente aquilo que ele não queria: ficará para sempre associado à questão gay, e nos EUA – fora do Brasil.
"Seja viado, seja herói!", brada Carpaneda, citando a famosa frase "Seja marginal, seja herói", criada pelo artista brasileiro Hélio Oiticica (1937-1980) nos anos 60.

http://acapa.virgula.uol.com.br/cultura/escultura-porno-com-bolsonaro-vi…

 

Da “Documenta de Kassel” à desejável documenta da Bienal

Jair Bolsonaro como uma instalação na Bienal de São Paulo? A idéia parece aproveitável. "Dês" que ele fale. No Brasil das Bienais, talvez a grande “Documenta” seja o tal deputado. Ninguém melhor que ele expressa o que foram os preconceitos, a discriminação, a boçalidade e o obscurantismo do golpe militar de 64.

Enio Squeff

Tempos atrás, numa entrevista a um jornalista, o antropólogo Paulo Duarte, já falecido, instado a falar sobre um historiador paulista, cumulou-o de elogios – seria um bom pai de família, um cidadão honesto e sobretudo um paulista exemplar: tinha se comportado muito bem durante a chamada “Revolução Constitucionalista”. Era, em suma, um bom homem – mas tinha um defeito fundamental. Contra todos os vereditos e ponderações de seus colegas, insistia em escrever. 
A idéia é proveitosa para muitas outras pessoas, incluindo-se aí os artistas ou não. Seria, quem sabe, o caso do deputado Jair Bolsonaro: impossível não levar em consideração que ele brande olimpicamente suas idéias, arrosta meio mundo para defendê-las, mas, para muitos de seus críticos, padece igualmente de um mal insanável: ele fala.
Beethoven, certa vez, disse quase o mesmo sobre Rossini; ele que continuasse a escrever óperas cômicas – mas que ficasse nisso. Em outros gêneros, ele bem que poderia dispensar o mundo de escutá-lo.
Há diferenças fundamentais entre os personagens históricos e a possível boa piada a que, muitas vezes, a nossa falta de talento se presta. Todas, contudo, têm de ser vistas nos devidos termos, de serem tomadas como exemplares, para, quem sabe, o quase impossível: de serem ao menos engraçadas.
Napoleão valeu-se muito do que hoje chamaríamos de “guerra psicológica”. Entre enfrentar um grande general e desmoralizá-lo antes de qualquer confronto, preferia, digamos, os louros quase secretos da contra-informação. Quando soube que existiam sérias divergências entre os generais austríacos e um possível comandante dos exércitos aliados, o russo Mikhail Kutuzov (1745-1813), açulou o quanto pode as diferenças entre os aliados. Conseguiu que Kutusov fosse afastado, com o que se livrou do mais competente comandante que ele reconhecia nas hostes inimigas. E venceu, assim, a batalha de Austerlitz.
Pablo Picasso, sem ser um general, mas apenas o grande artista que todos conhecemos, também valeu-se de bons argumentos para elidir bobagens. Pertencia ao Partido Comunista Francês (PCF) e pouco se lhe dava a linha oficial do Comitê Central do PCF, para as artes. Esquivou-se, em suma, o quanto pôde da imposição estalinista em favor de uma “arte realista”, como se dizia. Na época, o que o estalinismo exigia era que todos os artistas ligados aos Partidos Comunistas do mundo fossem fiéis ao que ficou conhecido como “realismo socialista”. Era o que Stálin tinha decretado desde a União Soviética e as possíveis deformações na arte – de que Picasso era um dos artistas mais proeminentes da época – se tivessem de acontecer, que se fizessem fora das fronteiras do Partido. 
Picasso não reclamou, mas também não alterou em nada o sentido de seus pincéis: eles continuariam a pôr, literalmente, os pés pelas mãos, como se distingue a uma primeira vista em suas pinturas da fase cubista. Certo dia, contudo, viu-se na contingência de comparecer à exposição de um artista, tido como “oficial” pelo PCF . Era um pintor, que ao contrário de Picasso, fazia “tudo direitinho” (não era um bom artista, mas se situava tão bem no figurino “realista” que o mundo praticamente o esqueceu). Vem daí, porém, que ao avistarem Picasso na exposição, todos os seus amigos e inimigos esperavam uma palavra do criador do cubismo: ou falava ou se calava para sempre. Picasso emudeceu o quanto pôde, mas mal saiu da mostra, não resistiu de comentar com um amigo que se o tal pintor “realista” lhe tivesse pedido, ele bem que poderia lhe ensinar como desenhar um pé. 
A história foi logo divulgada e Picasso nem precisou se valer da consideração de que o tal artista talvez fosse tão bom chefe de família quanto o historiador mencionado por Paulo Duarte. Ficou, de qualquer modo, a suposição de que seu único defeito era que “pintava”.
Ora, há equívocos que excelem nem tanto o bom senso, mas principalmente o ridículo. Um campo que desafia o humor, parece ser o da arte de vanguarda. Há, ao que parece, uma espécie de temor universal, por parte do mundo intelectual e artístico, de não ficar à frente do tempo por se negar aqui e ali de que, “ser de vanguarda”, talvez não seja propriamente botar um jegue numa sala de exposição; ou prender um urubu num espaço qualquer. Torna-se, de qualquer modo, algo prosaico, que as associações protetoras dos animais não atendam às mensagens para o futuro da história da arte e imponham as restrições que as leis lhes facultam, para impedir “obras” do tipo, com a retirada compulsória dos pobres animais dos salões de exposição, tal como aconteceu não muito recentemente em salões aqui no Brasil. Ou seja, como Beethoven dizia (só que injustamente) sobre Rossini, todos poderíamos ser dispensados de ver tantas bobagens. Mas, neste caso, certamente, não saberíamos delas, o que não deixa de ser paradoxalmente, lamentável.
Talvez a questão se cinja mesmo à falta de humor ou antes, ao senso nenhum do ridículo. É que não há como desconsiderar a capacidade e a ausência de talento ou de bom senso, substituída pela sempre bem quista “ordem ideológica”. 
Na cidade de Kassel da Alemanha, onde em certas épocas se realizam exposições mais à vanguarda que o mundo – mesmo o da vanguarda – jamais possa imaginar (é a chamada “Documenta de Kassel”) – deu-se que um artista resolveu botar uma pedra numa rua. Fosse no Brasil, alguém se lembraria do famoso poema de Drummond – aquele da pedra no caminho. E tudo estaria explicado, inclusive com os aplausos da crítica. Lá, porém, o prefeito da cidadezinha, os transeuntes e principalmente os motoristas, resolveram que a obra de arte atrapalhava o trânsito; houve protestos do mundo artístico, claro, mas o objeto artístico – ou a pedra, como se queira -foi, enfim, retirada. Que dizer disso?
Quem sabe se possam fazer muitas ilações a propósito. Uma delas é a artística – existem muitas que são equívocos como o homem, que deveria fazer tudo, menos escrever. Ou falar. Mas outras talvez digam respeito ao mundo político e ao já mencionado deputado Jair Bolsonaro. 
Independentemente do que diga – e ele o diz, – parece ser justamente o contrário ao bom senso que queira proibi-lo de que se manifeste. Afora o direito que o contempla, ninguém em momento algum pôs de forma tão manifesta, o que foi o golpe de 64. Na cidade de Kassel, a mostra que se chama “Documenta” pretende que se legue ao futuro as muitas obras que o mundo não entende. No Brasil das Bienais, talvez a grande “Documenta” seja o tal deputado. Ninguém melhor que ele expressa o que foram os preconceitos, a discriminação, a boçalidade e o obscurantismo do golpe militar de 64. Aventemos que manifestação alguma, de vanguarda ou, de contestação, conseguiriam ser tão convincentes quantas as sempre inesperadas manifestações do capitão Bolsonaro. Assim como o professor de história mencionado por Paulo Duarte, era uma insofismável forma de mostrar como não se deveria escrever, existem pessoas que são, no mal dizer, documento vivos do que foi a história. Quem sabe a melhor “instalação” que alguém poderia inventar para dizer o que foi um período histórico do Brasil, seja o deputado em questão – um depoimento indelével e vivo do que foram os idos começados e 64.
Em quaisquer dos casos, quaisquer interditos só parecem atrapalhar. Pode-se deplorar que certas pessoas façam justamente o que não devam ou para as quais não têm talento. Mas são restrições meramente estéticas: não dizem das verdades que muitas delas contêm tanto para o bem quanto para o mal. Mas sempre para o entendimento. E para o esclarecimento do futuro.
Alguém deplorou a existência de Jair Bolsonaro. É o contrário: devemos agradecê-lo por ser tão esclarecedor e tão transparentemente a radiografia da nossa história recente. A nossa terrível e inacreditável história recente. 
Jair Bolsonaro como uma instalação na Bienal de São Paulo? A idéia parece aproveitável. Dês que ele fale.

Enio Squeff é artista plástico e jornalista.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5390

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