Ficha Corrida

19/01/2011

Nossa mídia é uma tragédia

Filed under: RBS — Gilmar Crestani @ 7:00 am
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rbsuO que impressiona na mídia corporativa é versatilidade. Na verdade,  esta é a única razão de sua existência. Os recursos disponíveis para enfocar o que interessa e esconder o que não interessa é infinito. É a parabólica do Ricúpero em ação. Lembro da época em que as chuvas que caiam em Porto Alegre e em Florianópolis eram muito diferentes. Na terra de Ângela Amim São Pedro arcava sozinho com o ônus dos estragos. Em Porto Alegre, governada pelo inimigo figadal da RBS, o PT, os alagamentos na Padre Cacique ou na Goethe nada deviam ao primeiro apóstolo. Era tudo culpa dos diabinhos vermelhos.

O mesmo fenômeno se repete com rainha mãe. Para a Rede Globo as enchentes em São Paulo são pluviométricas. As no Rio, são petistas. E da-lhe pau em Lula e na Dilma.

Será que essa mídia também culpou os generais pela tragédia da Serra da Arara, em 1967, que levou entorno de 1700 pessoas?!?

A recente tragédia que já conta com setecentas vítimas na serra fluminense são tributadas à incúria governamental … Federal. A boçalidade argumentativa é tão deprimente que os alagamentos da capital paulista passam batidos. Por que não culpam o Governo Federal  pelos alagamentos na região metropolitana de São Paulo. Lá, em São Paulo, são chuvas de verão. No Rio, é pau, é pedra, é fim da picada, é Dilma, é lama.

Sinceramente, toda lama que desceu pelas encostas diariamente jorra  pelo esgoto midiático. Nas três principais cidades serranas atingidas são sete centenas. Agora, quantas vítimas existem pela campanha midiática pelo Estado Mínimo. Quantas pessoas morreram por falta de atendimento na saúde. A luta pelo término da CPMF livrou corrupto de ser pego e diminuiu os recursos para a saúde. Mas quem se importa? Por acaso houve algum produto que tenha baixado de preço com o término da CPMF?

Sem qualquer margem de erro, se há falhas, e as há, no âmbito governamental, a Globo e todos os demais veículos que propugnam pela diminuição do estado, pelos ataques constantes contra o funcionalismo público, com campanhas contra a CPMF e demais impostos, também têm suas parcelas de culpa. As mãos desses grupos midiáticos que não querem ver o estado atuando, também estão manchadas de sangue.

Para os gaúchos que não mais lembram, recordo que a RBS fez um editorial, em 16/07/2010, criticando o governo Lula porque propunha uma lei proibindo, vejam só a ousadia, castigos físicos contra crianças. No editorial os açougueiros da RBS estamparam em letra de forma a epígrafe de um grupo midiático acorrentado ao atraso. Tire suas próprias conclusões: “O debate é oportuno, mas a proposta de nova lei é inadequada porque evidencia um viés autoritário e intervencionista do governo na vida das pessoas.

São esses magarefes que depois cobram do Estado, que legalmente detém o monopólio da violência, a responsabilidade pelos atos de violência praticado contra professores! Não duvidem que um dia ainda saia um editorial tentando segurar água morro abaixo e fogo morro acima.

Ademais, como diria aquele causídico do jornal do almoço, a lição está na ponta da língua. Data venia, Lasier Martins, mas cimos de morros ou coxilhas, margem de rios ou regatos, são áreas de risco. Pois bem, onde a RBS construiu suas sedes? A antiga Farroupilha, no bairro Ponta Grossa está numa área de mangue. A sede da Zero Hora está a menos de 20 metros do riacho Ipiranga. E as torres da TV RBS? La no topo do morro Santa Teresa… Todas áreas consideradas de risco. Aliás, o pessoal de Florianópolis ainda deve lembrar onde foi mesmo que foi instalado aquele Planeta Atlântida que quase deu cana. O Ministério Público saiu a campo. É, quem diz que o Poder Público não age. Age, sim, mas nesses casos somem dos noticiários. Exagero? Sim. Mas não fui quem inventou a história. O poder público, pelas regras que a velha mídia está impondo goela abaixo, lubrificada pela tragédia, deveria desalojar as sedes da RBS. Já que ela quer dar lição, poderia evitar que o Estado tenha de adotar um viés autoritário e intervencionista, e sair das áreas de risco por conta própria.

1 Comentário »

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