Ficha Corrida

24/08/2010

Por que é que o gaúcho grita?

Filed under: Cosa Nostra,RBS — Gilmar Crestani @ 10:11 pm
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Em tempo de expointer é bom saber porque é que o gaúcho grita.

A expointer – exposição de animais, gaúchos, vacas e ovelhas em Esteio/RS –  é mais uma oportunidade para descobrirmos a verdadeira identidade do gaúcho.

O cantor regionalista Gildo de Freitas, conhecendo como ninguém a alma gauchesca, definiu com precisão os motivos pelos quais o gaúcho grita. O gaúcho patrão, que fique claro, o peão pasta bovinamente à cavalo e dorme no galpão junto com o esterco, ratos, baratas e de cabeça baixa, ouvindo os gritos vindos da Estância…

Faltou ao saudoso profeta alertar o gaúcho para não se apequenar, como gado, ao comando do grito. Ao se prostrar aos gritos os gaúchos estão dando, eleição após eleição,  com os burros n’água. Meteu-se num atoleiro e amassa barro como burro de olaria.

O gaúcho de índole bovina sente o minuano pela orelha, botas furadas, mas é grandioso. Agradece aos bois a bosta quentinha com que aquece os pés…

Nesta terra, parece que quem fala mais alto, for mais mal educado, encher os pulmões e bater no peito para gritar “somos melhores que o restante do Brasil”,  é mais gaúcho. O profeta Gildo foi preciso na “Definição do Grito”:  “São tradições do estado pra quem foi acostumado/ A gritar com a criação”

Se do nordestino se pode dizer, nas palavras de Euclides da Cunha, que é um forte. Do gaúcho se pode dizer, pelo menos na história recente, que é um povo abestalhado por um viver agritalhado…

Definição do mito

A descoberta precursora foi remasterizada, atualizando o gaúcho aos tempos atuais. Coube ao Luciano Pavarotti dos gaúchos,  João de Almeida Neto, renovar  a defesa do grito:

Uma vez num outro estado me pediram a informação

Porque é que no Rio Grande todo gaúcho é gritão

Respondendo ao pé da letra já lhe dei a explicação

São tradições do estado pra quem foi acostumado

A gritar com a criação

Eu me criei na campanha saltando de madrugada

Obedecendo o patrão e pondo a tropa na estrada

Quem quiser ver coisa feia é uma tropa estourada

É aí que eu acredito que a gente não dando uns gritos

Se perde toda a boiada

Assim mesmo não são todos no falar agritalhado

O gaúcho da cidade tem um falar moderado

Na campanha é que há razões de falar mais alterado

Isto são coisas da vida prá quem se criou na lida

Sempre gritando com gado

Dou definição do grito porque me criei tropeando

Hoje de vida mudada vivo no disco gravando

As vezes tenho a impressão que escuto o gado berrando

Por isto é que eu facilito e sem querer prendo-lhe um grito

E canto a letra gritando

A resposta da pergunta sempre eu achei mais bonita

E lá pras bandas do norte aonde eu não fiz visita

Responderei pelo disco sei que este povo acredita

E nesta minha canção fica dada a explicação

De porque que o gaúcho grita

Os gritos que ecoam pelo pampa acabou deixando a gauchada zonza. Ou sonsa… Este negócio agritalhado de gritar com o gaúcho como se fosse com gado vem dando certo.

A cada eleição a RBS solta alguém da tropilha para gritar com os gaúchos.  Já votaram em Sérgio Zambiasi, Antonio Britto, Yeda Crusius, todos crias daquela Estância, e agora estão propensos a emplacar a miss Lagoa Vermelha. Como se vê, engolem matambre queimado e ainda querem arrotar picanha.

Como rebanho desgarrado, numa  mansidão bovina, a gauchada pasta abestalhada no descampado da RBS. Uma Ameba, tirada das corcovas da RBS, é aceita como égua madrinha de quem está acostumado a ser tratado com gado. No grito!

2 Comentários »

  1. Égua madrinha, qua,qua,qua…

    Eugênio

    Comentário por Eugênio — 27/08/2010 @ 9:04 am | Responder

  2. Pois bem pertinente teu texto, cá estou eu em terras pernambucanas, e, ao mesmo tempo que sinto tanta falta de Porto Alegre, vejo como o gaucho está encilhado, e ainda “se achando”.

    Comentário por Monica Wendt — 26/08/2010 @ 9:39 am | Responder


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