Ficha Corrida

18/02/2010

Cortina de Fumaça

Filed under: Cosa Nostra,Cultura — Gilmar Crestani @ 8:18 pm
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O ódio destilado a Hugo Chávez pelo PIG constitui-se numa cortina de fumaça para esconder o regime do terror instalado na Colômbia. Não é mera coincidência que sabemos no mesmo instante quando Chávez dá um pum, mas não somos informados quando Alvaro Uribe abre mais uma vala comum.

Na Colômbia, a descoberta de uma vala comum com centenas ou milhares de mortos acontece simultaneamente com a abertura de nova vala para enterrar novas vítimas dos paramilitares treinados pela CIA. O silêncio do PIG  (Folha, Estadão, Globo & RBS) apenas confirma o viés ideológico. São grupos que financiaram e sustentaram a ditadura brasileira, através da qual fizeram crescer o patrimônio. São os mesmos coronéis eletrônicos  que cobram democracia da Venezuela mas esquecem da vizinha Colômbia. Este estrabismo ideológico é um verdadeiro crime contra a humanidade. Mas como falar de humanidade quando se trata das famiglias Frias, Mesquita, Marinho & Sirotiski realmente é um contra-senso?

Métodos Nazistas na Colômbia conta com a cumplicidade dos nazistas brasileiros

Métodos nazistas na Colômbia conta com a cumplicidade dos neonazistas brasileiros

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A seguir  informações divulgadas pelo site Vermelho.Org, com as agências internacionais.

Paramilitares admitem 30 mil assassinatos na Colômbia

A Promotoria colombiana divulgou nesta terça (16) dados impressionantes sobre a atividade de paramilitares no país. De acordo com relatório publicado pela Unidade de Justiça e Paz da Promotoria, 4.112 ex-combatentes do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) confessaram ter cometido 30.470 assassinatos em um período de 20 anos – entre meados dos anos 80 até 2003, quando teria se iniciado seu processo de desmobilização.
O número de mortes coloca os grupos paramilitares da Colômbia – um país cuja democracia é uma das mais antigas da América Latina – no mesmo nível de ditaduras da região, como a da Argentina (1976-1983), que deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos.

Entre os dados obtidos pela Promotoria estão os registros de 1.085 massacres; 1.437 menores de idade recrutados; 2.520 desaparecimentos forçados; 2.326 deslocamentos forçados; 1.642 extorsões; e 1.033 sequestros. As autoridades colombianas estão verificando as informações, que foram obtidas por meio de confissões previstas em um plano que dá aos ex-combatentes benefícios judiciais.

A Lei de Justiça de Paz, promovida pelo governo do presidente Álvaro Uribe, fixa uma pena máxima de 8 anos para os paramilitares que se submeterem à Justiça confessando seus crimes. Pelo menos 32 mil paramilitares teriam deixado as armas neste processo.

“O país deve ficar horrorizado com a revelação de um número tão alto de assassinatos sistemáticos”, afirmou o analista Álvaro Villarraga, ex-membro da guerrilha Exército Popular de Libertação (EPL) e hoje diretor da Fundação Cultura Democrática. “Mas o triste é que esta estimativa pode estar bem abaixo da realidade.” Segundo Villarraga, os números são um exemplo da crise humanitária “generalizada” pela qual a Colômbia ainda passa.

Violações

30.470 assassinatos foram cometidos por membros da Autodefesas Unidas da Colômbia em um período de 20 anos – entre meados dos anos 80 até 2003

1.085 massacres foram cometidos por integrantes do grupo paramilitar

3 Comentários »

  1. Forrest Hylton: As relações ocultas entre EUA e Colômbia
    A sincronia entre os programas dos EUA e do governo colombiano é, com frequência, surpreendente, em especial quando se trata de contrainteligência.

    Por Forrest Hylton*, em Anncol
    O dia seguinte à pose do presidente colombiano Álvaro Uribe, que assumiu o cargo em 7 de agosto de 2002, junto com um Congresso em que o bloco narco-paramilitar de direita controlava cerca de um terço das cadeiras, estabeleceu amplas redes de denunciantes nas cidades e no campo – redes que levaram a um recorde nos níveis de deslocamentos forçados de supostos simpatizantes da guerrilha.

    Durante o mesmo verão, apesar de todos os esforços de Joe Lieberman, a Operação TIPS (Sistemas de informação e prevenção do terrorismo) – criado para fazer que os cidadãos norte-americanos informassem uns dos outros – fracassou no Senado dos EUA, uma vez que se soube que o programa proporcionaria ao FBI mais informantes per capita do que a Stasi (serviço secreto) da antiga Alemanha Oriental.

    Agora, quase oito anos depois, os governos de ambos os países estão aumentando as apostas. Em 27 de janeiro, Uribe, buscando um terceiro mandato apesar das objeções de Washington, anunciou sua meta de colocar mil espiões nas salas de aula das universidades: “Necessitamos que os cidadãos se comprometam a informar à Força Pública, e que jovens maiores de idade possam nos ajudar nesta tarefa de informação e de participação em redes de informação, pois isso nos ajuda tremendamente”. Uribe ofereceu pagar 50 dólares por mês aos universitários para informarem sobre quaisquer idéias ou comportamentos suspeitos para a polícia e as forças armadas colombianas.

    A polícia e as forças armadas são, certamente, instituições cujos crimes têm sido numerosos e variados durante o regime de Uribe, como se evidencia no escândalo dos “falsos positivos” em 2008, onde veio à tona que, desde 2002, o exército colombiano tem dado incentivos e recompensas a oficiais e soldados pelo desaparecimento e assassinato de até 1.700 jovens desempregados em todo o país para apresentá-los como se fossem guerrilheiros.

    Em janeiro, 46 oficiais e soldados acusados de tais crimes foram libertados graças a um tecnicismo e confinados em uma base ao sul de Bogotá, onde permanecerão à espera do processo. O Exército deu-lhes uma festa de boas-vindas que incluiu oficinas terapêuticas e aromaterapia, massagens e tratamentos de beleza para suas esposas, e palhaços para as crianças. É o mesmo Exército que recebeu a maior parte dos sete bilhões de dólares do governo dos EUA gastos por meio do Plano Colômbia e seus sucessores, nos governos dos presidentes Clinton, Bush e Obama.

    Como o antropólogo e historiador David Price relata em Counter Punch, o empenho de Uribe para recrutar informantes entre os estudantes universitários é semelhante ao que acontece nos EUA, onde Washington serviu como um projeto piloto. Com operações em 22 campus estabelecidas desde 2006, os chamados Centros Comunitários de Inteligência de Excelência Acadêmica representam o maior esforço de recrutamento em universidades dos EUA desde o início da Guerra Fria. O recrutamento atual, porém, é aberto e de conhecimento público, embora não seja motivo de manifestações públicas, já que o corpo docente tem, até agora, mantido silêncio sobre o assunto.

    Em Medellín, a reação pública de professores, do sindicato dos professores, estudantes e grupos de jovens foi imediata e concertada o suficiente para fazer que Uribe revertesse a medida em 24 horas.

    Quando seu secretário de imprensa mencionou o assunto no Quartel de Polícia, em 28 de janeiro, não mencionou os estudantes em particular, mas sim os cidadãos em geral: “A cooperação no combate ao crime é dever de todos os cidadãos. Nós não podemos ficar indiferentes diante do assassinato”.

    É a mesma retórica que Uribe tem usado desde a sua primeira campanha, em 2002, derivada da contrainsurgência da Guerra Fria: o público se vê como uma extensão das FARC, do crime organizado, ou as forças armadas colombianas.

    Destacados políticos, intelectuais e meios de informação rapidamente se manifestaram contra a medida, apontando o óbvio, ou seja, que os informantes universitários corriam o risco de sofrer represálias, assim como suas famílias. O destino dos informantes na Colômbia é, freqüentemente, atroz, e ao envolver os estudantes universitários na compilação de dados de inteligência, a política proposta por Uribe poderia ajudar a estourar e trazer a guerra, que atualmente está no alto das colinas próximas de Medellín, para o centro da cidade, onde se encontram as universidades.

    O colunista Alfredo Molano acha que Uribe vai tentar estender o programa-piloto a todo o país, especialmente se “ganhar” um terceiro mandato em maio, mas se o fizer, provavelmente enfrentará mais resistência de estudantes e professores, especialmente nas universidades públicas. No entanto, Uribe pode aproveitar a situação como uma oportunidade para introduzir mais medidas neoliberais, de contrainsurgência, no Ensino Superior. Certamente é muito cedo para dizer até onde levará o programa-piloto ou o que se fará se surgir mais resistência, mas o ministro da Defesa, Gabriel Silva, disse à BBC que a medida “não tem volta”.

    Nos EUA, como o relatório de Price deixa claro, a Trinity Washington University foi um alvo fácil porque a escola é pobre e depende das matriculas; estima-se que o novo clima de austeridade no Ensino Superior dos EUA deixará muitas universidades vulneráveis, particularmente as estatais.

    Em Medellín, a situação é muito pior do que nos EUA porque mais de 65% dos habitantes são pobres e muitos estudantes de universidades públicas provêm de classes menos privilegiadas, o que significa que a necessidade direta é muito mais intensa em Medellín do que nos EUA.

    A iniciativa de Uribe tem como objetivo ajudar a polícia e o exército a combater o crime organizado e as gangues juvenis na cidade natal do presidente, onde já aconteceram, somente em janeiro, mais de 180 homicídios, e que após vários anos de relativa paz, caminha rumo a recuperar seu lugar como a capital mundial do homicídio e do crime juvenil.

    Oficialmente, em 2009, houve mais de 1.800 homicídios (embora a BBC fale de 2.178), mais do dobro do que em 2008. Cerca de 60% dos mortos tinham menos de 30 anos. O prefeito Alonso Salazar estabeleceu escritórios móveis em alguns dos bairros mais perigosos nos morros, como Santo Domingo Nº1 e Manrique, mas sua equipe de segurança foi acusada de cometer abusos contra jovens do bairro, e aqueles que ousaram falar do crime são ameaçados, deslocados e, ou assassinados por bandidos locais.

    Entre janeiro e outubro de 2009, mais de 2.000 pessoas foram deslocadas à força em Medellín, e juntamente com o homicídio e deslocamento forçado, aumentaram todas as formas de crime organizado, depois da extradição aos EUA, em 2008, de Diego Fernando Murillo, vulgo Don Berna.

    Já que Uribe vê as universidades, pelo menos as públicas, como antros de criminalidade, anarquia, desordem e subversão terrorista, é lógico que tente recrutar informantes para fortalecer o Estado repressor e a presença paraestatal nelas. Como de costume, o ex-ministro da Defesa e atual candidato à presidência, Juan Manuel Santos, disse que: “A política dos informantes tem sido muito bem sucedida. O fato de envolver jovens universitários onde existe muita delinquência me parece que pode ajudar a acalmar e a melhorar a situação da ordem pública que vive uma cidade como Medellín”.

    Ironicamente, a prisão Bela Vista seria o lugar óbvio para recrutar informantes já que o crime organizado do lado de fora é em grande parte coordenado do seu interior. Mas as prisões continuarão a ser os centros nervosos para crimes juvenis, enquanto as universidades (públicas) podem ser criminalizadas, militarizadas e sofrer mais cortes de orçamento.

    Embora as semelhanças entre a Colômbia e os EUA sejam alarmantes, podem existir tanto conexões como paralelos. Segundo o relatório anual apresentado ao Congresso colombiano pelo ministro da Defesa daquela época, Santos, em 2008, Washington e Bogotá coordenaram estreitamente os seus esforços de inteligência.

    Santos disse que “entre 16 e 27 de abril de 2007 foi realizado, pela equipe de assessores da Embaixada dos Estados Unidos, um seminário sobre o manejo dos informantes, evento que foi assistido por 2 Oficiais, 6 Suboficiais e 2 civis, pessoal pertencente ao Chefatura da Inteligência Naval, permitindo com esse tipo de atividade o treinamento permanente do pessoal de inteligência, atualizando, fortalecendo e complementando as táticas empregadas contra a ameaça interna”.

    De fato, a Colômbia é apresentada como um modelo de como uma contrainsurgência bem sucedida que poderia ser aplicada no Afeganistão e no Iraque e, em março de 2009, o almirante Jim Stavridis, do Comando Sul dos EUA, participou de uma conferência de dois dias em Bogotá, para estudar as lições da Colômbia que poderiam ser aplicados em outros lugares.

    Junto com os expoentes da contrainsurgência como David Kilcullen – ex-chefe dos assessores dos generais David Petraeus e Stanley McChrystal – Santos foi um dos oradores oficiais na conferência.
    Refletindo sobre os progressos realizados desde a implementação do Plano Colômbia, Stavridis escreveu: “Neste ano, Bogotá está entre os destinos turísticos ‘que devem ser visitados’ do New York Times e navios de cruzeiro invadem o maravilhoso porto caribenho de Cartagena. A Colômbia chegou muito longe em matéria de controle de uma insurgência profundamente arraigada e que está a apenas duas horas de vôo de Miami – e podemos aprender muito com o seu sucesso”.

    Só podemos esperar que, no futuro, os estudantes universitários espiões não se transformem em parte da receita para o “êxito na contrainsurgência global”.

    * Forrest Hylton leciona história e política na Universidad de los Andes (Bogotá) e é autor de “Evil Hour in Colombia” (Verso, 2006).

    Comentário por fichacorrida — 25/02/2010 @ 10:20 pm | Responder

  2. Primo de Álvaro Uribe é preso pela segunda vez na Colômbia

    Claudia Jardim

    De Caracas para a BBC Brasil

    Mario Uribe

    Mario Uribe já foi preso antes, em abril de 2008

    O ex-senador colombiano Mário Uribe Escobar, primo e aliado político do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi preso nesta quarta-feira por suposto envolvimento com grupos paramilitares.

    O escândalo, que envolve dezenas de políticos colombianos, ficou conhecido como “parapolítica”.

    Mário Uribe foi preso em Medellin horas depois que a Suprema Corte ordenasse sua captura. O ex-congressista deve ser levado à capital Bogotá para responder à acusação de conspiração para cometer atos criminosos, conforme informou a imprensa local.

    Ainda não está claro em quais circunstâncias o ex-presidente do Congresso foi detido.

    Em uma tentativa de evitar o julgamento pela Suprema Corte, considerada a mais dura do país, Mário Uribe renunciou ao cargo de senador em 2007, para assim poder ser julgado pela Promotoria Geral da Nação.

    No entanto, há seis meses, a Suprema Corte recuperou o direito de julgar os parlamentares envolvidos com a parapolítica, mesmo que eles tenham renunciado a seus mandatos, como é o caso do primo do presidente.

    Prisão

    O ex-senador havia sido preso em abril de 2008, depois de ter seu pedido de asilo e refúgio negado na embaixada da Costa Rica em Bogotá.

    Em agosto do mesmo ano, o primo do presidente foi solto por um promotor que considerou não ter elementos suficientes para privá-lo da liberdade. O processo contra ele, no entanto, prosseguiu.

    As investigações contra Mário Uribe tiveram início em 2007. Em relato ao Ministério Público, ex-chefes paramilitares acusaram a Mario Uribe de fazer acordos políticos com paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) para conquistar sua cadeira no Senado nas eleições de 2002.

    De acordo com relato do chefe paramilitar Jairo Castillo Peralta, conhecido como “Pitirry”, Uribe teria se reunido duas vezes com grupos paramilitares para acordar a compra de terras nos departamentos de Córdoba e Antioquia com objetivos eleitorais.

    A defesa de Mário Uribe, por sua vez, argumenta que as reuniões que o ex-congressista teve com chefes paramilitares, entre eles, Salvatore Mancuso, tinham como objetivo mediar o processo de paz para a desmobilização das AUC.

    Criadas em 1980 com o financiamento de latifundiários e líderes de direita, sob o argumento de combater as guerrilhas, os grupos paramilitares (AUC) são responsabilizados por milhares de assassinatos e de outros crimes relacionados com o narcotráfico.

    Relação próxima

    A aliança entre Mário e Álvaro Uribe é antiga. Além de primos de primeiro grau, os dois foram aliados políticos durante mais de duas décadas no departamento (Estado) de Antioquia, no noroeste da Colômbia, onde o atual presidente foi governador e congressista.

    Os dois fundaram o partido Colômbia Democrática. Mario Uribe é líder do partido que tem seis de seus congressistas acusados por envolvimento com paramilitares.

    O presidente ainda não comentou a detenção do primo.

    A prisão de Mario Uribe ocorre dois dias antes da votação na Corte Constitucional do projeto de referendo que pode permitir a Uribe disputar um terceiro mandato presidencial nas eleições de maio.

    Mario Uribe foi um dos principais promotores da reforma constitucional que permitiu a primeira reeleição de Álvaro Uribe.

    Comentário por Anonimo — 25/02/2010 @ 7:50 pm | Responder

  3. Mídia sepulta 25 mil mortos da Colômbia

    A mídia brasileira adora escancarar as dificuldades, reais e fabricadas, que atingem a Venezuela, Bolívia, Equador e outros países latino-americanos dirigidos por governantes progressistas. Com muito estardalhaço, as redes “privadas” de televisão e os jornalões tradicionais apresentam estas nações como caóticas e miseráveis, comandadas por “populistas autoritários” – o pior dos mundos. Já no caso da Colômbia, cujo presidente narcoterrorista Álvaro Uribe é um capacho dos EUA, até parece que não existem problemas. A tragédia do seu povo quase não aparece nas TVs.

    Vários relatórios apontam o país como o pior no ranking mundial dos direitos humanos. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Colômbia é recordista em mortes de lideranças sindicais – 42 mortos somente em 2008. Há também denúncias de assassinatos e perseguições de jornalistas. Até a Promotoria Geral da Colômbia reconheceu recentemente a existência de mais de 25 mil “desaparecidos” – na maioria, líderes sindicais e camponeses. Muitos foram enterrados em valas comuns pelo Exército e pelos paramilitares do grupo de extrema-direita Autodefesas.

    “Enterrados sem identificação” em valas comuns

    Em recente reportagem reproduzida no sítio da revista Caros Amigos, o jurista Jairo Ramirez, secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia, descreveu a barbárie vivida pela sofrida nação vizinha. Ele acompanhou uma delegação de parlamentares ingleses ao pequeno povoado de Macarena, situado a 200 quilômetros da capital Bogotá. Na região foi encontrada a maior vala comum da história recente da América Latina, com mais de dois mil mortos “enterrados sem identificação (NN)”. Uma cena que lembra os campos nazistas.

    “O que nós vimos causa calafrios”, desabafou o promotor. “O comandante do Exército nos disse que eram guerrilheiros mortos em combate, mas a população nos diz que há inúmeras lideranças camponesas e comunitárias que desapareceram sem deixar rastro”. A localização dos cemitérios clandestinos contou com a “delação” de alguns paramilitares, presumidamente desmobilizados e acolhidos pela controvertida Lei de Justiça e Paz, que garante uma pena simbólica em troca da confissão de seus crimes – um presente de Álvaro Uribe para os mercenários que o apóiam!

    “Esquartejar pessoas vivas”

    Um dos assassinos, John Rentería, confessou ao promotor e aos familiares das vítimas que ele e seus mercenários enterraram “ao menos 800 pessoas” na propriedade Villa Sandra, na região de Putumayo. “Tinham de esquartejar as pessoas. Todos nas Autodefesas tinham que aprender isso e muitas vezes se fez isso com as pessoas vivas”, confessou. Vários ministros do governo Uribe, inclusive o irmão do presidente, já foram denunciados como participantes do grupo Autodefesas. A bancada governista é composta por vários parlamentares vinculados a este bando terrorista.

    O horror de Macarena tem gerado desconforto ao governo Uribe. Até o final do ano passado, os legistas já haviam contabilizado 2.500 cadáveres, dos quais conseguiram identificar apenas 600, que tiverem seus corpos entregues aos familiares. Diante das graves denúncias, a Promotoria decidiu investigar as valas comuns “a partir de março”, pouco antes das eleições presidenciais da Colômbia. Uma delegação espanhola também chegou ao local, no final de janeiro, com o intento de averiguar as chacinas e de produzir um informe especial para o Parlamento Europeu.

    Imprensa colonizada e venal

    Toda esta tragédia do povo colombiano é simplesmente “sepultada” pela mídia brasileira. Ela prefere não atacar os governantes servis ao imperialismo estadunidense. Colonizada e venal, ela critica apenas as nações que lutam pela soberania e pela integração regional. Nem as denúncias do sociólogo Alfredo Molano, um dos escritores mais influentes da Colômbia, repercutem nesta mídia “privada”. Na mesma edição da revista Caros Amigos, Molano mostrou o horror vivido na nação vizinha. Mas a mídia prefere o silencio do cemitério. Reproduzo abaixo a breve entrevista:

    Qual é a situação das valas comuns na Colômbia?

    A própria Promotoria Geral de Nação fala em 25 mil “desaparecidos”, que em algum lugar tem de estar. Há cemitérios clandestinos enormes na Colômbia. Também é possível que tenham feito desaparecer muitos restos mortais como nos crematórios do nazismo.

    Estas valas estão relacionadas com os chamados “falsos positivos”?

    Sim, tudo isto pode estar relacionado com os “falsos positivos” (colombianos civis assassinados que eram apresentados como “mortos em combate”). O exército os enterrava clandestinamente. Boa parte deles vai ser encontrada nestas valas comuns.

    Qual pode ser a magnitude das valas encontradas?

    Terrível. Nem nos anos 50 houve na Colômbia tanta brutalidade como a que se evidencia com estas ações dos paramilitares, mas o governo não tem vontade de investigar a fundo e só deixará que apareçam algumas valas. Além disso, os prazos são elásticos e as dificuldades técnicas para as identificações, como provas químicas e DNA são enormes.

    Comentário por Anonimo — 24/02/2010 @ 11:38 pm | Responder


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