Ficha Corrida

03/08/2011

Mais do que um prêmio, uma prova

Arquivado em: A$$oCIAdos,Direita,Instituto Millenium,PIG,RBS,SIP — Gilmar Crestani @ 7:27 pm
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Tanto se diz, e me incluo nessa, das relações pecaminosas dos grupos mafiomidiáticos sulamericanos. Tão generosos com os ditadores, voltam, em únissono, contra os governos e movimentos de esquerda. No Brasil, o filhote mais novo da SIP estão a$$oCIAdos ao Instituto Millenium.

Zero Hora ganha prêmio SIP

03 de agosto de 2011 0

Zero Hora é vencedora do prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), na categoria Opinião, por uma série de editoriais produzidos pelo jornalista Nilson Souza.

O trabalho foi escolhido por abordar questões sociais de grande interesse, com linguagem simples, sem evitar a complexidade dos problemas, sendo considerado uma contribuição à educação em civilidade e democracia. Além disso, os editoriais foram destacados por serem publicados com antecedência, em versão digital do jornal, para que os leitores concordem ou discordem dos argumentos apresentados, assegurando na versão impressa a publicação de opiniões. O editorial interativo de ZH foi considerado pela SIP um exercício de jornalismo moderno no diálogo de jornais e audiência, em contraste com o monólogo tradicional em que o colunista fala de sua “verdade”.

O júri também recomendou menção honrosa para o repórter especial de ZH Nilson Mariano pela série 52 Histórias que não acabaram, publicada todos os sábados de 2010. O trabalho foi destacado como “um projeto ousado e árduo”, que atualizou histórias e lembrou personagens que foram notícia. A série foi reconhecida pelo júri como “uma forma original de fazer jornalismo com histórias que revelam uma época”.

O Grande Prêmio SIP de Liberdade de Imprensa foi concedido a Robert Cox por sua longa carreira como jornalista e sua coragem em defender a liberdade de imprensa e de expressão.

O Prêmio SIP é um dos mais valiosos para um jornal brasileiro, que concorre com trabalhos de todo o continente (33 países), incluindo jornais dos EUA. A Comissão selecionou vencedores em 11 categorias e os prêmios serão concedidos em Lima, no Peru, na assembléia de 14 a18 de outubro.

Veja todos os vencedores do prêmio 2011 da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)

Zero Hora ganha prêmio SIP | Blog do Editor

17/04/2011

Praia de Xangri-Lá

Arquivado em: RBS — Gilmar Crestani @ 10:03 pm
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O que a Zero Hora não pergunta

Politica Sem comentários »

Em sua coluna de ontem, à página 10 de Zero Hora, Rosane de Oliveira comemora:

O ministro Paulo Bernardo deixou boa impressão no Rio Grande do Sul ao se definir como defensor intransigente das emissoras legais.

Será que o Ministério das Comunicações vai fechar a Gaúcha FM por retransmitir de forma ilegal a programação da AM? Ou as 16 emissoras de TV aberta da RBS no estado, que extrapolam as duas permitidas para o mesmo grupo?

Rosane não perguntou…

Fonte: http://somosandando.wordpress.com/

Praia de Xangri-Lá

06/02/2011

Velha novidade velha

Arquivado em: RBS — Gilmar Crestani @ 9:47 am
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Conheci o prof. Venício num debate na FABICO. Foi no debate em que a abelhinha da RBS, Rosane Oliveira, admitiu as dificuldades da RBS em virtude do cancelamento de assinaturas, em torno de 25 mil. “Foi um castigo injustificável”, admitiu preposta da empresa. Antes de Venício, outro jornalista, Nivaldo T. Manzano, andou percorrendo o RS em busca de pistas sobre o “modus operandi” do besouro. Muito já se disse, muito mais se dirá. O fato é que a RBS existe em função do papel que desempenha a favor dos seus financiadores ideológicos. Há uma teoria conspiratória, mas nem tanto, que os ataques contra o Governo Olívio teve patrocínio externo. A criação do Instituto Millenium teria sido uma forma de harmonizar o ace$$o a tais incentivos. Eu não duvido.  Pena que o WikiLeaks seja recente…

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Colunistas| 04/02/2011 | Copyleft

DEBATE ABERTO

Propriedade cruzada: interesses explicitados

O editorial “Mudança de Rumo”, do grupo RBS, poderia ser considerado cômico se não se tratasse de uma questão fundamental para as liberdades democráticas. E mais: se a RBS não controlasse praticamente todas as formas de comunicação de massa no RS e em SC, constituindo um exemplo emblemático dos malefícios da propriedade cruzada.

Venício Lima

Comentando manchete de primeira página e matéria sob o título "Convergência de mídias leva governo a desistir de veto à propriedade cruzada" no Estadão de 27 de janeiro pp., levantei recentemente duas questões: (1) quem estaria interessado em confundir "convergência de mídias" com propriedade cruzada? e (2) quem estaria interessado em colocar na agenda pública a precária hipótese aventada por um conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações, como se aquela opinião pudesse constituir uma decisão de governo em matéria que, de fato, é constitucional? [cf. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=627IPB001].
As respostas às questões começam a aparecer publicamente, mais rápido do que o esperado.
O Grupo RBS
Em editorial – “Mudança de rumo” – publicado no dia 31 de janeiro nos seus oito jornais, comentado em suas 24 emissoras de rádio AM e FM e nos seus 18 canais de TV aberta espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Grupo RBS – afiliado das Organizações Globo – afirma sem meias palavras:
“Felizmente, o governo Dilma começa a emitir sinais de que está mudando o rumo do debate sobre o novo marco regulatório do setor de comunicações. Ao que tudo indica, sairão de cena velhos ranços ideológicos, entre os quais a campanha pelo veto à propriedade cruzada de veículos de informação e a obsessão pelo controle social da mídia, e entrarão em discussão temas objetivos como a própria liberdade de imprensa, a qualidade dos conteúdos e o cumprimento rigoroso dos preceitos constitucionais. (…) É bom que assim seja, até mesmo para que o país não perca tempo e energia com impasses ultrapassados, como o do veto à propriedade cruzada. A própria tecnologia se encarregou de derrubar este conceito, pois a convergência das mídias fez com que informações, dados e imagens passassem a trafegar simultaneamente em todas as plataformas” [cf.
http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,41,3192512,16399].

Para o Grupo RBS, a “convergência das mídias” encarregou-se de derrubar o conceito de propriedade cruzada que, aliás, é “ranço ideológico”, “perda de tempo e energia” e “impasse ultrapassado”.
O editorial “Mudança de Rumo” poderia ser considerado cômico se não se tratasse de uma questão fundamental para as liberdades democráticas. E mais: se o Grupo RBS não controlasse praticamente todas as formas de comunicação de massa no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, constituindo um exemplo emblemático dos malefícios que a propriedade cruzada provoca para a pluralidade e a diversidade que deveriam circular no “mercado livre de idéias”.
E sabe quem pensa assim? O Ministério Público Federal (MPF) de Santa Catarina.
Ação Civil Pública
Em janeiro de 2009, uma ação civil pública foi proposta pelo MPF SC com o objetivo de anular a aquisição do jornal A Notícia, de Joinville e reduzir o número de emissoras de televisão do Grupo RBS aos limites permitidos pelo decreto-lei 236 de 1967 (cf. Ação nº. 2008.72.00.014043-5 disponível em http://www.direitoacomunicacao.org.br/index2.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=429&Itemid=99999999 ).
À época, um dos procuradores que elaborou a medida judicial, Celso Três, concedeu entrevista na qual afirmava que “a RBS governa o estado (de Santa Catarina)”.
Além disso, nota do MPF sobre a Ação afirmava:
"… o grupo (RBS) detém no estado o controle de seis emissoras de televisão; os jornais Diário Catarinense, Hora de Santa Catarina, Jornal de Santa Catarina e, recentemente, o jornal A Notícia; além de três emissoras de rádio. O pool de emissoras e jornais utiliza o nome fantasia Grupo RBS. Com o conhecimento expresso do Ministério das Comunicações, as empresas são registradas em nome de diferentes pessoas da mesma família com o objetivo de não ultrapassar o limite estabelecido em lei. Para o MPF, a situação de oligopólio é clara, em que um único grupo econômico possui quase a total hegemonia das comunicações no estado. Por isso, a ação discute questões como a necessidade de pluralidade dos meios de comunicação social para garantir o direito de informação e expressão; e a manutenção da livre concorrência e da liberdade econômica, ameaçadas por práticas oligopolistas" (ver aqui)
O processo da ação civil pública nº. 2008.72.00.014043-5 encontra-se concluso desde outubro de 2010 e aguarda a sentença a ser proferida pelo Juiz Diógenes Marcelino Teixeira da Terceira Vara Federal de Florianópolis.
Interesses explicitados
Enquanto a Justiça não se pronuncia, o Grupo RBS declara publicamente seus interesses como se fossem coincidentes com “os interesses do público e do país”. Ignora o § 5º do artigo 220 da Constituição e, mesmo assim, recomenda “o cumprimento rigoroso dos preceitos constitucionais”.
Defende e pratica a propriedade cruzada – que, na verdade, constitui uma forma disfarçada de censura – e tem a coragem de afirmar, em editorial, que “a liberdade de expressão não é uma prerrogativa dos meios e dos profissionais de comunicação – é um direito sagrado e constitucional dos cidadãos brasileiros”.
Pelo menos, a cidadania fica sabendo, diretamente, de quem e quais os interesses que de fato estão em jogo quando se defende a propriedade cruzada.

Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.

30/01/2011

Sirotsky: – O buraco é mais embaixo!

Arquivado em: RBS — Gilmar Crestani @ 10:29 am
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hals_sul21_rombo.jpg (imagem JPEG, 600×415 pixels)

28/01/2011

Os cornetas se voltam contra a Revolução Jasmim

Arquivado em: RBS — Gilmar Crestani @ 10:08 pm
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A revolução desencadeada na Tunísia, está se estendendo às demais ditaduras de tendência pró-americana no Oriente Médio. Ditador bom é aquele com os quais os interesses ocidentais estejam protegidos. Os que sempre estão a postos para condenar o Irã, esqueciam da Tunía, Egito, Jordânia, Síria e outros de menor cotação.

A mais recente medida do ditador egípcio, amigo dos ocidentais, Mubarak, foi cortar telefones e internet.

As manifestações que vem acontecendo naqueles países na esteira do que aconteceu na Tunísia tem sido de particular relevância para conhecer a índole democrática de alguns ferrenhos acusadores da “ditadura” Chávez.

É claro que, para escrever na Zero Hora, o cara tem de se sujeitar às regras do patrão. Só isso já é suficiente para se ter uma idéia de quem formará o panteão dos escolhidos. Democráticos como o pecuarista Paulo Brossard ou como o franco atirador Percival Puggina ou acéfalos como Lasier Martins, não surpreendem pelo simples fato de conhecermos onde batem ponto. Vez que outra, um leva um pontapé na bunda, como o bagaço Luis Carlos Prates.

Já o estoriador Voltaire Schilling, que pelo nome não se perca, esperava um pouco mais de sutileza. Santa ignorância. Como diria o Barão de Itararé, “de onde menos se espera, de lá mesmo é que não sai nada”. Embora houvesse elementos para duvidar do pensamento democrático do historiador da RBS,  por opiniões a serviço do patrão, a mais recente investida desnuda ainda mais.

Pinço duas frases que resumem as idéias do “historiador” da Zero Hora a respeito da Revolução do Jasmim, publicada na Zero Hora desta sexta, 28/01/2011:

Esta apatia e conformismo dos árabes com seus regimes é que explica o fato de que H. Mubarak governe o Egito há 30 anos, M. Kadafi é ditador da Líbia há 42 anos, o rei Mohammed VI do Marrocos herdou o trono do pai há 21 anos e o rei Abdullah II da Jordânia é herdeiro de  uma ‘dinastia” criada por Churchill em 1921, enquanto Saddam Hussein tiranizou o Iraque por 25 anos e seu parceiro na Síria, o general Hafez al-Assad, mandou em Damasco por 30 anos, legando ainda a cadeira o seu filho Bashar.”

O Verissimo escreveu certa feita que tem dias que única informação correta do jornal é data. Parodiando, pode-se afirmar que a única informação correta do historiador da RBS são os nomes próprios. Voltaire jamais escreveria que foi a apatia  e o conformismo que permitiu que a ditadura brasileira começasse e terminasse à moda militar. Sob o taco da bota.  Se o próprio professor não pode escrever diferente do que pensam seus patrões, porque os jovens sob ameaça de tortura e morte poderiam se manifestar?

A conclusão do seu Schilling é lapidar: “A rebelião das massas árabes, ainda que tenha intenções democráticas, é percebida com desconfiança e ceticismo. Pode lhes ser pior do que o autoritarismo”.

Para bom entendedor, meia palavra basta.  Para o brilhante hagiógrafo dos ditadores, há algo pior do que o autoritarismo, uma república teocrática… com exceção da israelense, claro. Voltaire pode entender de boimate, cruza de boi com tomate, mas não entende nada de massas.

Parodiando Churchill, Schilling é o pior dos celetistas da RBS, com exceção de todos os outros.

11/05/2010

De blog em blog

Arquivado em: RBS — Gilmar Crestani @ 2:23 am
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Parodiando a música do João de Almeida Neto, andam falando por aí, de Blog em Blog, o que pouca gente sabe… porque o Grupo RBS faz questão de esconder.
A relação carnal, da origem e crescimento, do Grupo RBS com a ditadura. É sempre assim, como no futebol, o jogador que levanta o braço para o juiz é sempre aquele que comete a falta ou, no gol do adversário, dá condições tirando-o do impedimento. Assim faz o Grupo RBS e seus funcionários. A principal infratora da liberdade de imprensa sempre que pega com a boca na butija parte para o ataque, defendendo o liberdade de imprensa que não pratica. Por isso, republico aqui o que saiu no Diário Gauche, do Cristóvão Feil, com o acréscimo do email do Keyser:

O jornal oficial da ditadura!

O jornal oficial da ditadura!

Penso que o jornal eletrônico Sul 21 – a ser lançado segunda-feira próxima, dia 10 – pode muito bem desempenhar o papel que o diário Última Hora cumpriu durante o governo Brizola no Rio Grande do Sul. Claro, guardadas as peculiaridades históricas que nos separam do final da década de 50 e início da década de 60. A própria administração pública estadual era distinta, o governo Brizola foi pródigo em reformas e também logrou reunir uma oposição reacionária que se fez muito forte, tanto que esta conseguiu eleger o governador Ildo Meneghetti, um dos mais repressivos da história sulina, e não por acaso, um dos mais medíocres.
Hoje, nem sabemos se a esquerda volta ao Piratini, tamanho é o embotamento cívico, cultural e econômico que pesa como chumbo sobre o estado e seu povo. Estamos no ponto mais rebaixado da nossa história como ente federado, até mesmo o tucano José Serra, ontem, não conseguiu disfarçar que pensa o mesmo sobre o RS.
O jornal Última Hora foi fundado pelo grande jornalista Samuel Wainer (foto), no início editado só no Rio, depois foi para São Paulo e mais adiante, Porto Alegre. Era um jornal vibrante, moderno e de grandes tiragens diárias. A redação era formada por jornalistas talentosos, muitos identificados com o trabalhismo radicalizado do governador Leonel Brizola, outros tantos com o Partido Comunista Brasileiro, o velho Partidão, entre os quais João Aveline.
Última Hora “morreu” – pode-se dizer assim – nos dias seguintes ao golpe de 1º de abril de 1964. Até o dia 5 de abril o jornal circulou com a mesma linha editorial combativa, de esquerda, mobilizador e informativo. Daí em diante, passou para uma linha de “neutralidade simpática” em relação ao golpe civil-militar, que veio para embrutecer o País por mais de duas décadas. UH havia circulado sem interrupção, praticamente, por quatro anos e dois meses em Porto Alegre, perfazendo exatas 1270 edições, conforme conta o jornalista, já falecido, Jefferson Barros, em seu livro “Golpe mata jornal” (1999), da Já Editora.
Amanhã, eu vou contar aqui como a Última Hora se transformou (se degradou) em Zero Hora, agora um jornal a serviço do regime ditatorial, e como um sócio minoritário de ZH, Maurício Sirotsky Sobrinho, junto com Ary de Carvalho, Ricardo Eichler, Otto Hoffmeister e o professor Dante de Laytano, conseguiu se constituir no dono singular do carro-chefe da RBS.
Quando do golpe de abril de 1964, o diretor de Última Hora, Ary de Carvalho, queria manter o jornal com a mesma equipe, estrutura e linha editorial. Samuel Wainer, que já estava refugiado numa embaixada e de lá ainda mandava no seu patrimônio, tomou a firme decisão de fechar o jornal. Uma nova empresa foi criada, com quatro sócios e igual número de cotas: Ary de Carvalho, Ricardo Eichler, Otto Hoffmeister e o professor Dante “Em Bagé as casas eram altas, porém brancas” de Laytano.

Logo adiante, Ary de Carvalho tornou-se único dono do jornal, uma vez que foi beneficiado com um empréstimo do Bradesco, de propriedade de seu amigo Amador Aguiar.

Ary relatou o caso ao repórter Jefferson Barros, assim: “O jornal cresceu. Comprei aquele terreno na avenida Ipiranga; estava construindo o prédio e me endividei junto ao BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul). Eu saia muito com o Maurício (Maurício Sirotsky Sobrinho), éramos muito boêmios. Numa madrugada, eu perguntei para ele: por que você não entra de sócio de Zero Hora? Ele respondeu: ‘Pô, a essa hora da manhã!’. Passaram-se alguns dias, eu lembrei o assunto e nós começamos. Eu disse: entra aí com 50%; esse talvez tenha sido o meu erro… Aí vendi 50% do jornal para o Maurício. Já estava com o prédio pela metade. Fui a Chicago e compramos a máquina de off set, mas estava sem fôlego financeiro, embora o jornal crescesse. Um dia o Maurício me propôs comprar mais 10%. Não aceitei. Disse que se vendesse só mais uma ação ele já seria o dono do jornal. Ele tentou, uma, duas, três vezes. Como não conseguiu me disse: ‘Não vou avalizar mais nada’. Se você não avalizar, respondi, você sabe o que vai acontecer: vamos subir a Ladeira (rua General Câmara, onde estão os cartórios de protesto de títulos). Aguentei seis meses, reformando títulos. Até que chegou um dia que eu atrasei um título na Crefisul. A Crefisul era o agente financeiro que tinha financiado a máquima. Com a valorização cambial a máquina já custava três vezes mais do que quando foi financiada. Quando fiz o empréstimo, o Aron Birmann (presidente da Crefisul) sugeriu que além da máquina, como garantia eu desse as ações da empresa. Aceitei, caucionei minhas ações. Quando houve o atraso da prestação fui intimado a pagar em 72 horas. Era uma combinação do Birmann com o Maurício, que era o avalista. Só me restou o acordo, e as ações foram parar nas mãos do Maurício, pelo preço nominal das cotas”.
“Ary não esquece a data: dia 21 de abril de 1970″ – anota Jefferson Barros no seu livro “Golpe mata jornal”.
Perguntado se não procurou outra solução, Ary de Carvalho disse que procurou o “doutor” Breno Caldas, dono do Correio do Povo, principal diário do RS, então. “Tentei vender a Zero Hora para a Caldas Júnior. Mas o ‘doutor’ Breno tinha aquela coisa monárquica, a pretensão de ser o Estadão gaúcho. Não pensou 24 horas e recusou a oferta”, disse Ary.
O resto da história vocês sabem: a família Sirotsky fez de Zero Hora um jornal a serviço da ditadura civil-militar. Como recompensa, foi beneficiada com concessões públicas de rádios e TVs em todo o Rio Grande do Sul. Modernizaram suas empresas no âmbito tecnológico e nos métodos de gestão, mas a linha editorial permaneceu a mesma desde que foi criada há 40 anos, protagonista de um jornalismo diversionista, conservador, de má qualidade, fomentador das piores práticas sociais e sustentador ideológico dos governos mais medíocres.

Email do Keyser:
Kayser disse…
Sobre o assunto, encaminho um e-mail que recebi há algum tempo:
“HISTÓRIA DA COMPRA DA TV GAÚCHA (RBS) SEGUNDO BRENO CALDAS, DIRETOR DO CORREIO DO POVO
Para comemorar os 50 anos da RBS nada melhor do que ouvirmos a voz de Breno Caldas, o falecido proprietário do Correio do Povo e rádio Guaíba na entrevista que concedeu a José A. Pinheiro Machado, publicada no livro “Breno Caldas- Meio Século de Correio do Povo”.editora L&PM, 1987. Breno falava da famosa encampação da rádio Guaíba pelo Brizola em 1961 para transmissào da Campanha da Legalidade.
Breno Caldas- Não, no início era só a Guaíba. Só a Guaíba foi requisitada, ou então “encampada”, como disse o Brizola. As outras estações ficaram no ora veja. Aquele fato político da Legalidade teve uma repercussão enorme, as pessoas acompanhavam cada passo, cada lance, a audiência era expressiva. Aí a Rádio Gaúcha resolveu aderir ao negócio, pediu para entrar …e entrou. Depois de tudo, aconteceu um fato curioso. Um dia apareceu lá na Guaíba um diretor do Banco do Rio Grande e queria me dar dinheiro: disse que estava lá por ordem do governador para fornecer recursos, os recursos que eu precisasse, a título de indenização pela ocupação da rádio. Eu disse que não precisava, que não queria ….ele ficou surpreso: “Mas o que é que eu vou dizer ao governador?” “Diga que eu não quero dinheiro. No fim da ocupação, eu vou mandar uma conta, uma conta detalhada, correspondente exatamente às horas que ele ocupou a rádio.” E, realmente, quando terminou o negócio,nós fizemos lá as contas de quantas horas a rádio ficou no ar a serviço da Legalidade e deu uma coisa ridícula…25 contos de réis … Mandei a conta e eles pagaram. O nosso Maurício Sobrinho também resolveu mandar a conta da Gaúcha, embora a Gaúcha não tivesse sido requisitada ou encampada, mas sim tivesse aderido à Legalidade. Naquela época, o Maurício tinha comprado a TV Gaúcha do Balvé.. e lhe estava devendo 250 contos pelo período da Legalidade.. Então, na prática, o governo do Estado pagou a aquisição da TV Gaúcha…
A direçào da RBS nunca desmentiu nem explicou as palavras de Breno Caldas. “

14/03/2010

Zero Hora tira a máscara

Arquivado em: Autobiografia,Cosa Nostra,PIG,RBS — Gilmar Crestani @ 8:15 pm
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Zero Hora veste a camisa de Falsa Democrata!

Zero Hora veste a camisa de Falsa Democrata!

Falsa democrata ou democrata de ocasião, você decide.


As vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”, Luis Fernando Veríssimo

O que disse Lula em seu discurso na Conferencia Nacional da Cultura, na quinta-feira (11) a respeito dos editoriais dos jornais:
Vocês prestem atenção, se vocês são como eu que não gostam de ler notícia ruim, vocês prestem atenção no noticiário, porque política e eleição também são cultura. Sobretudo o resultado. Prestem muita atenção daqui para frente. Leiam os editoriais dos jornais, que a gente pensa que só o dono lê. Às vezes, é bom ler para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles fosse a única voz pensante no mundo”.

Lula pediu, provavelmente tendo em vista a constante diminuição de leitores, que lêssemos os editorais. Veja bem, ele não disse para não ler. Pelo contrário, ele quer que saibamos como pensam os que escrevem editoriais para ver se possamos entender o novo conceito de democracia.

Ora, a Zero Hora não se fez de rogada, vestiu a carapuça e fez novo editorial atacando a postura de Lula. Não só vestiu. Deu atestado e assinou. Leia e surpreenda com os novos conceitos de democracia e liberdade de expressão da única voz pensante do RS. A manisfestação do Presidente foi considerada como “ataque”. Não é inacreditável? A RBS de modo geral, e Zero Hora em particular, especializaram-se em atacar Lula e defenderem Yeda, tacha uma simples constatação como sendo um ataque. Cadê meus sais, senão também terei um ataque. De fúria!

13 de março de 2010 | N° 16273

FALSOS DEMOCRATAS

Na mesma semana em que foi criticado por declarações sobre a morte de um dissidente cubano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou de forma enfática o noticiário dos jornais, especialmente os editoriais, argumentando que estes textos são escritos por “falsos democratas”, com a pretensão de ser a “única voz pensante do mundo”. Feitas quinta-feira à noite, em Brasília, durante a 2ª Conferência Nacional de Cultura, as manifestações ganharam destaque na mídia eletrônica e devem ser reproduzidas pelos mesmos veículos impressos operados por profissionais como os que foram transformados em alvo de ataque. Democracia, como o presidente deveria saber, pela sua singular trajetória como homem público, não tem como abrir mão de aspectos como o direito de criticar e de ser criticado.

Um dos pressupostos do jornalismo nos países livres é justamente o sintetizado pelo jornalista C. P. Scott, que por mais de meio século dirigiu o conceituado jornal britânico The Guardian: “Os comentários são livres, mas os fatos são sagrados”. Isso significa que, nos países democráticos, a informação precisa ser fiel aos fatos, particularmente no caso de órgãos de imprensa interessados em garantir a fidelidade de seu público. Se há desvios, e eles existem, esta é uma questão a ser devidamente levada em conta por quem busca informação de qualidade e, quando for o caso, a ser avaliada e punida por instituições às quais cabe zelar pela verdade. Os comentários – ou as opiniões –, porém, são livres, desde que circunscritos a regras mínimas de civilidade, sem recorrer a insultos.

Seja qual for o caso, uma democracia precisará assegurar sempre o direito à livre manifestação e o de defesa a quem for efetivamente prejudicado. O inadmissível – e é lamentável que o primeiro mandatário do país fomente esta possibilidade – é se partir para o ataque ao direito à livre manifestação de opiniões. O presidente da República pode ter esquecido, mas sabe, desde o tempo de sindicalista, que fatos são fatos – não há como contestá-los. Opi- niões, porém, como as dos editoriais, refletindo o pensamento de empresários de comunicação, dependem de quem as expressa. Raramente, portanto, são coincidentes, o que não constitui razão para serem rechaçadas. Uma democracia costuma funcionar justamente com base nos consensos possíveis a partir de diferentes visões sobre uma determinada questão.

Obviamente, há situações nas quais algumas opiniões têm mais chances de se sobreporem a outras. O próprio poder público se vale disso, criando eventos diários que se transformam em palanque para discursos ou mesmo recorrendo a redes nacionais para transmitir um determinado recado. Não é devido a excessos ou a deformações na manifestação de opiniões, porém, que se deva simplesmente suprimi-las ou intimidá-las, atribuindo-as a “falsos democratas”.

Seja qual for o caso, uma democracia precisará assegurar sempre o direito à livre manifestação e o de defesa a quem for efetivamente prejudicado.


O mundo mudou, Zero Hora não

Em 2002, quando publiquei alguns artigos no Observatório da Imprensa, até ser despejado em cumprimento de ordem direta de Nelson Sirotsky a Alberto Dines, por telefone, a Zero Hora partiu para o ataque. Devido às denúncias que fazia no Blog que tinha na época e no Observatório, a RBS chegou a solicitar investigação ao ex-Secretário de Segurança Pública, no tempo de um outro ex-funcionário dos Sirotsky. Fui fotografado na saída do trabalho e próximo de minha cada. Minha sorte foi ter amigos que trabalhavam no setor de inteligência da Polícia gaúcha.

Fiquem com uma amostra grátis do tipo de democracia que a RBS adora e pratica. O editorial da Zero Hora é de 28/04/2002. Como se vê, o mundo mudou, os Sirotsky não!

A construção de uma calúnia

Uma sucessão de mal-entendidos e de atos de má-fé levou na última semana o jornalista Ricardo Boechat, responsável pela coluna Informe JB, no Jornal do Brasil, a cometer um equívoco danoso à imagem da RBS. Na sua coluna do dia 19 último, Boechat divulgou uma nota sob o título “Grande furo”, com a informação de que a RBS TV havia sido condenada a indenizar o governo gaúcho em R$ 1 milhão por ter feito um acordo com assaltantes para libertarem reféns apenas quando a emissora pudesse cobrir o acontecimento ao vivo. Tudo é falso nessa notícia: a RBS não fez acordo com os seqüestradores, não foi julgada e muito menos condenada. O próprio colunista reconheceu o erro em nova nota publicada na edição do dia 24 passado, no mesmo JB, sob o título “Sem condenação”. (Veja a íntegra das duas notas nesta página.)

Porém, mesmo com o desmentido formal, algumas pessoas mal-intencionadas e outras desavisadas continuaram a repassar a primeira informação via internet ou a utilizá-la em pronunciamentos públicos. Até mesmo um antigo comunicador da praça, conhecido por seu temperamento rancoroso, passou a fazer proselitismo ético a partir da informação falsa. A RBS, evidentemente, está adotando as medidas judiciais cabíveis contra os detratores , mas, em respeito ao seu público e aos seus colaboradores, utiliza este espaço editorial para contar em detalhes a origem e a construção desta calúnia.

Tudo começou no dia 17 de dezembro de 2000, quando três assaltantes invadiram uma residência no bairro Cristal, em Porto Alegre. Dois dos criminosos foram surpreendidos pela polícia dentro da casa e mantiveram uma família refém por cerca de três horas. Durante a negociação para a rendição, os assaltantes exigiram a presença da imprensa e a transmissão ao vivo da televisão. No caso da RBS TV, seria impossível atender tal pedido por dois motivos: o manual de ética da empresa proíbe expressamente qualquer acordo ou submissão a chantagens impostas por delinqüentes e, naquele momento, estava no ar uma programação em rede nacional. Por isso, uma equipe de reportagem deslocou-se imediatamente para o local a fim de fazer a cobertura para o programa Teledomingo, produção local que entraria no ar um pouco mais tarde. Os assaltantes ficaram nervosos e a situação se prolongou até uma das reféns entrar no ar em entrevista por telefone. Não houve qualquer tipo de ingerência dos profissionais da RBS na continuação ou no desfecho do assalto.

O relato deste episódio nos autos do processo, pelo depoimento dos réus e das vítimas, levou o juiz relator a concluir equivocadamente que a RBS TV havia solicitado aos assaltantes o prolongamento do seqüestro até que fosse possível colocá-lo no ar. O absurdo acabou sendo potencializado pelo voto subjetivo e preconceituoso do magistrado contra a imprensa, mais especificamente contra a RBS.

Ao tomar conhecimento da peça processual, um já identificado servidor público que promove delirantes e obsessivos ataques à RBS encaminhou um artigo confuso a um site especializado em imprensa, originando-se daí as mensagens via internet que estão sendo distribuídas por algumas pessoas. O artigo chamou a atenção da produção do colunista Ricardo Boechat, que acabou sendo induzido ao erro pelo insidioso informante. Logo que constatou o equívoco, porém, o jornalista do JB tratou de se redimir, desculpou-se com a RBS e publicou a nota esclarecedora que, infelizmente, algumas pessoas insistem em desconhecer, ficando com a primeira versão absolutamente inverídica.

Como alguns leitores, ouvintes e telespectadores dos nossos veículos foram atingidos por esta corrente de maledicências, estamos repondo a verdade: a RBS não cometeu qualquer deslize neste episódio, não faz acordo com delinqüentes, não foi julgada e muito menos condenada. O esclarecimento se faz necessário porque uma mentira multiplicada pela internet, que dá poderes incontroláveis a anônimos e irresponsáveis, acaba confundindo a opinião pública. Além disso, o caso é exemplar no momento em que espertalhões procuram desacreditar os veículos de comunicação com o indisfarçável propósito de impor suas idéias e interesses sem a vigilância da sociedade.

Minha resposta ao editorial saiu no Observatório da Imprensa de primeiro de maio de 2002, com o título Parcas, mas não muito, onde concluo:

O equívoco do editorial está em atribuir ao juiz relator conclusão equivocada. Se equívoco houve, foi das vítimas, senão vejamos o depoimento da vítima Alexandre Paz Garcia, transcrito nos autos:

“… mas daí ficou acertado que demoraria um pouquinho para já aproveitar e aparecer do ‘Teledomingo’, que eles falaram: ‘Então ao invés da gente mandar uma equipe agora, a gente segura um pouquinho, manda que já aparece ao vivo no ‘Teledomingo’.

Complemente com o depoimento de outra vítima, Luciane Petrolli, que consta das peças processuais: “A demora se deu porque estava no ar o ‘Sai de baixo’ e eles queriam esperar até o ‘Teledomingo’ para botar no ar.”

No editorial, a RBS conta o milagre mas não entrega o santo. “Ao tomar conhecimento da peça processual, um já identificado servidor público que promove delirantes e obsessivos ataques à RBS encaminhou um artigo confuso a um site especializado em imprensa, originando-se daí as mensagens via internet que estão sendo distribuídas por algumas pessoas. O artigo chamou a atenção da produção do colunista Ricardo Boechat, que acabou sendo induzido ao erro pelo insidioso informante.”

Sobrou também para “um antigo comunicador da praça, conhecido por seu temperamento rancoroso” que “passou a fazer proselitismo ético a partir da informação falsa”. Suspeito de que o editorialista esteja falando de Flávio Alcaraz Gomes, e a informação “falsa” é a que consta da Apelação Criminal nº 70 002 658 870, julgada na 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça gaúcho.

A estratégia de desqualificar o autor das denúncias, para se defender, também foi usada por dois ex-presidentes do Senado, antes de renunciarem.

Para encerrar, sugiro que o Observatório da Imprensa passe a identificar melhor seus articulistas. Quem sabe acrescentando alguns dados pessoais, como endereço, telefone, atestado de bons antecedentes, laudo psicológico, e-mail, cor dos olhos, a fim de que a RBS possa “identificar” o “servidor público” delirante, obsessivo e insidioso. Afinal, trata-se de um ser nocivo aos bons costumes jornalísticos praticado pelo coronelismo eletrônico.

Camões ficaria espantado com a dificuldade da RBS em lidar com a mudança do mundo.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

28/02/2010

Misteriosa Zero Hora

Arquivado em: Cosa Nostra,PIG,RBS — Gilmar Crestani @ 10:53 pm
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Os mistérios de um grupo chamado RBS!

Misteriosa Zero Hora

Misteriosa Zero Hora

A volta o padrão Sirotski de jornalismo, que encerra no fato o agente do evento. Foi assim também naquilo que a RBS batizou de “Caso Detran”.  Lá como cá, não há agente. O Detran foi tratado pelos mais diversos serviçais da RBS como sendo o culpado pelos desvios. Havia todo um contorcionismo verbal para esconder dos gaúchos os agentes responsáveis pelo mar de lama. Agora chegou a vez da Rua Hoffmann pagar pelo assassinato de Eliseu Santos.
A maneira como a RBS força uma versão torna um fato da rotina da cidade, uma cidade sem lei nem segurança, como algo digno de Jack Estripador. Querem na Rua Hoffmann um “mistério” londrino para os Sherlock Holmes da RBS darem uma de Arthur Conan Doyle.

No Caso de DETRAN e agora na Rua Hoffmann, não há agentes, não há circunstâncias, não há contextualização. Como diz a matéria de capa de Zero Hora deste domingo, 28/02/2010, há “O Mistério da Rua Hoffamann”, “um crime que chocou o Estado”! Estado, esta outra entidade sem responsáveis, um Estado com déficit zero em qualquer serviço sob a responsabilidade da ex-funcionária da RBS.

Cadê os Sherlock Holmes da RBS, Nilson Mariano, Carlos Wagner para fazerem reporcagens investigativas?

Para acusarem o MST reviram até o lixo, mas para informarem a respeito do assassinato de um Secretário do Governo Fogaça, na frente de uma multidão, não mexem uma tecla? Muito estranho o comportamento da RBS. Diria que uma das linhas de investigação, para mim a principal, está na maneira como a RBS faz a cobertura!

Embora tenha “chocado” o RS, não há matérias complementares sobre a atuação política do falecido que possam ajudar a entender a personalidade da vítima, ou ajudar na elucidação de eventual conexão política. Zero Hora dominical não toca na questão que teria levado a empresa Reação a denunciar cobrança de propina por parte de correligionário e subordinado de Eliseu Santos. Tampouco lembra os leitores da existência da Operação Pathos da Polícia Federal, nem da denúncia envolvendo a empresa Sollus na Secretaria de que Eliseu era titular.

A editora de polícia de Zero Hora, a abelhinha encarregada de polinizar as flores da direita guasca, Rosane de Oliveira, conseguiu revelar detalhes imprescindíveis aos esclarecimentos dos fatos: “Poucas vezes José Fogaça ficou tão abalado“.

Até que enfim algo abala a lesma administrativa. Pelo menos um assassinato tira o prefeito de sua letargia.

Fiquei curioso em saber quais foram os outros fatos que abalaram o prefeito Fogaça. Rosane não revela, mas suspeito que tenha sido o terremoto do Chile. Ou teria sido a morte de Marcelo Cavalcanti? O ex-funcionário da RBS,  encastelado no paço municipal, também pode ter ficado abalado por motivos que a Rosane sabe mas não quer revelar.

Para algo que choca um Estado, Zero Hora dedica poucas páginas e menos perguntas ainda. Parece até que já tem resposta, mas que revelar chocaria ainda mais os gaúchos.  O tom da cobertura da RBS poderia ter rendido, se é que
ainda não vá render, uma manchete do tipo: Fogaça ganha seu mártir!

Não é de admirar que a RBS tenha sido “furada” pela FSP na cobertura da CPI da Corrupção. Essa displicência na cobertura de fatos desabonadores a seus ex-funcionários também está chocando o Estado. Por tudo isso faz-se urgente uma luta pela implantação da liberdade de expressão aqui no RS. Não é mais possível convivermos com esta falta de informação.

Alguém, talvez a misteriosa Rua Hoffamann, esteja cerceando a RBS de informar corretamente seus leitores.

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