Ficha Corrida

24/08/2014

Os abutres vem do norte

eua vergonhaLobby anti-Argentina ganha força nos EUA

O melhor resumo dos ataques à Argentina, vindo dos EUA, está num texto despretensioso, do uruguaio Eduardo Galeano, sobre outros assuntos:

Guerras mentirosas

Campanhas publicitárias, esquemas de marketing. O alvo é a opinião pública. Guerras são vendidas da mesma maneira que carros: através da mentira.

Em agosto de 1964, o presidente norte-americano Lyndon Johnson acusou os vietnamitas de atacar dois navios de guerra dos EUA no Golfo de Tonkin.

Então, o presidente invadiu o Vietnã, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão comunista.

Depois de a guerra ter massacrado vietnamitas em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças – o secretário de defesa, Robert McNamara, confessou que o ataque no Golfo de Tonkin nunca ocorreu.

Os mortos não voltaram à vida.

Em março de 2003, o presidente norte-americano George W. Bush acusou o Iraque de estar prestes a destruir o mundo com suas armas de destruição em massa, “as armas mais letais já construídas”.

Então, o presidente invadiu o Iraque, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão terrorista.

Depois de a guerra ter massacrado iraquianos em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças –, Bush confessou que as armas de destruição em massa nunca existiram. “As armas mais letais já inventadas” foram seus próprios discursos.

Na eleição seguinte, ele foi reeleito.

Em minha infância, minha mãe costumava me dizer que a mentira tem perna curta. Ela estava mal informada.

Outro aspecto pouco falado sobre esta questão diz respeito aos assim chamados “investimentos de risco”. O capital especulativo ganha dinheiro correndo riscos, certo? Errado. Como se pode ver, a especulação não pode correr riscos. Se perder, sempre haverá um juiz nos EUA para impedir prejuízo. E aí “democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra riscos da especulação”.

Em anúncios de jornal e TV, ‘fundos abutre’ que processaram governo em Buenos Aires tentam humanizar credores

Grupo atrai democratas, republicanos e doador eleitoral Paul Singer, cujo fundo lucrou com dívida de Congo e Peru

ISABEL FLECKDE NOVA YORK

"Conheça os abutres’ da Argentina", diz o anúncio de página inteira publicado na última semana no "New York Times" e no argentino "La Nación" pela ATFA (American Task Force Argentina), maior lobby dos credores que não aceitaram renegociar a dívida e ganharam, na Justiça americana, direito a receber US$ 1,3 bilhão do país.

Logo abaixo do texto, há a foto de argentinos que ainda não receberam: Norma Lovato, 85, Horácio Vazquez, 57, Maria Elena Corral, 77. Esta última, diz o anúncio, "investiu nos títulos argentinos como ato de patriotismo".

O anúncio faz parte de uma ofensiva do ATFA em jornais, sites e redes de TV americanos iniciada no fim de julho, quando ficou configurado o segundo calote do país sobre sua dívida em 13 anos.

Segundo o Center for Responsive Politics (CRP), que monitora a atividade de lobby nos EUA, a ATFA tinha gasto, até junho, US$ 740 mil, quase três quartos do US$ 1 milhão que foi investido em todo o ano de 2013.

"Eles estão mais agressivos, em parte porque os fundos abutres têm perdido a batalha pela opinião pública desde a decisão da Suprema Corte [em junho]", diz Mark Weisbrot, do progressista Centro de Pesquisa Econômica e Política (Washington).

No entanto, a diretora-executiva do CPR, Sheila Krumholz, afirma que as campanhas para humanizar os credores "abutres" (como o governo argentino os chama)têm tido efeito positivo em quem não acompanha o imbróglio da dívida argentina.

Em junho, a Suprema Corte respaldou a decisão do juiz Thomas Griesa de que a Argentina só poderia pagar os 92% de credores que aceitaram renegociar a dívida em 2005 e 2010 se pagasse os 8% que recusaram a operação.

A decisão colocou o país tecnicamente em calote.

Desde então, a presidente Cristina Kirchner mobilizou países em reuniões na ONU e na Organização dos Estados Americanos, publicou anúncios na mídia e culpou Griesa pelo ocorrido.

BIPARTIDÁRIA

A ATFA, que se apresenta como "aliança de organizações para um acordo justo" sobre a dívida argentina, reúne 30 membros, em sua maioria pequenas associações do setor agropecuário nos EUA.

Seu principal "apoiador" é o fundo Elliott, do multimilionário Paul Singer, do qual é subsidiário o NML –o maior entre os "fundos abutres" que levaram a Argentina à corte.

Para apoiar Singer, um dos maiores doadores do Partido Republicano, a ATFA tem na diretoria três influentes democratas: Robert Shapiro, ex-assessor de campanha e subsecretário de comércio do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001); a ex-embaixadora dos EUA na ONU sob Clinton Nancy Soderberg e Robert Raben, que ocupou altos postos no Departamento de Justiça.

Para Krumholz, esse "bipartidarismo" não é contraditório. "Singer sabe que, num governo democrata, precisará de pessoas de dentro do partido para fazer as coisas avançarem. Não são associações ideológicas", diz.

Singer –69 anos, nome na lista da Forbes das 400 pessoas mais ricas dos EUA e ativista pró-casamento gay desde que o filho se assumiu– é conhecido pelo "faro" para títulos de países à beira da quebra que podem dar lucro.

Em 1996, ele comprou por US$ 11,4 milhões títulos do Peru, pelos quais receberia na Justiça, em 2000, US$ 58 milhões. Da República do Congo, obteve US$ 90 milhões após pagar menos de US$ 20 milhões por papeis do país nos anos 90.

Eduardo Galeano, curto, fino e certeiro

 

Eduardo Galeano e um século de desastres

agosto 19, 2014 15:26

Eduardo Galeano e um século de desastres

Enigmas, mentiras, vidas e morte – de Fidel Castro a Muhammad Ali, de Albert Einstein a bonecas Barbie. Olhando para os desastres do século 20, seria possível irmos além?

Por Eduardo Galeano, em Tom Dispatch, de seu livro “Espelhos – uma história quase universal” | Tradução: Vinicius Gomes

Stalin

Ele aprendeu a escrever no idioma da Georgia, sua terra natal, mas no seminário, os monges o fizeram falar russo.

Anos mais tarde, em Moscou, seu sotaque do sul do Cáucaso ainda o entregava.

Então, ele decidiu se tornar mais russo do que os russos. Não foi o Napoleão, que saiu da ilha de Córsega, mais francês que os franceses? Não foi Catarina, a Grande, que era alemã, mais russa do que os russos?

Então, o georgiano Iosif Dzhugashvili escolheu um nome russo. Ele se autonomeou Stalin, que significa “aço”.

O homem de aço esperava que seu filho fosse feito de aço também: desde a infância, seu filho Yakov foi forjado a fogo e gelo e moldado por marteladas.

Não funcionou. Ele era o filho da mamãe. Aos 19 anos, Yakov não aguentava mais, não podia suportar mais.

Ele puxou o gatilho.

O tiro não o matou.

Ele acordou no hospital. No pé da cama, seu pai comentou: “Nem mesmo isso você faz direito”.

Fotografia: o olho mais triste do mundo

Princeton, New Jersey, Maio de 1947.

Fotógrafo Philippe Halsman pergunta a ele: “Você acha que haverá paz?”

E enquanto o obturador clica, Albert Einstein diz, ou melhor, murmura: “Não”.

As pessoas acreditam que Einstein ganhou o Prêmio Nobel por sua teoria da relatividade, que ele foi o criador da frase “tudo é relativo”, e que ele foi o inventor da bomba atômica.

A verdade é que não deram a ele o Nobel por sua teoria da relatividade, nem pronunciou tais palavras. Tampouco inventou a bomba, apesar de que Hiroshima e Nagasaki não teriam acontecido se ele não tivesse descoberto o que descobriu.

Ele sabia muito bem que suas descobertas, nascidas pela celebração da vida, foram usadas para aniquilá-la.

As idades de Josephine

Aos nove anos de idade, ela trabalha limpando casas em St. Louis, às margens do rio Mississippi.

Aos 10, ela começa a dançar na rua em troca de moedas. Aos 13, ela se casa.

Aos 15, se casa novamente. Do primeiro marido, ela não guarda nem mesmo uma lembrança ruim. Do segundo, ela guarda o sobrenome, pois gosta de como ele soa.

Aos 17, Josephine Baker dança o Charleston na Broadway. Aos 18, ela cruza o Atlântico e conquista Paris. A “Vênus de Bronze” faz sua performance nua, usando nada mais do que um cacho de bananas.

Aos 24, ela é a mulher mais fotografada no planeta. Pablo Picasso, de joelhos, a pinta. Para parecer com ela, as jovens donzelas pálidas de Paris esfregavam creme de nogueira, que escurece a pele.

Aos 30, ela tem problema em alguns hotéis, pois viaja com um chimpanzé, uma cobra, uma cabra, dois papagaios, vários peixes, três gatos, sete cães, uma chita chamada Chiquita, que usa um colar de diamantes, e um porquinho chamado Albert, que ela banha em um perfume Je Reviens.

Aos 40, ela recebe a medalha de Honra da Legião, por seus serviços à Resistência Francesa durante a ocupação nazista.

Aos 41 e em seu quarto marido, ela adota 12 crianças de diversas cores de pele e diversas origens, que ela chama de “minha tribo arco-íris”.

Aos 45, ela retorna aos EUA. Ele insiste que qualquer um, brancos ou negros, se sentem juntos em seus shows. Senão, ela não se apresentaria. Aos 57, ela divide o palco com Martin Luther King e fala contra a discriminação racial diante de um imenso público na Marcha a Washington.

Aos 68, ela se recupera de uma calamitosa falência e no Teatro Bobino, em Paris, ela celebra cinqüenta anos nos palcos.

E ela morre.

O pai do computador

Alan Turing era motivo de piadas por não ser um cara durão, um He-Man com pelos no peito.

Ele choramingava, grasnava, gaguejava. Ele usava uma velha gravata como cinto. Ele raramente dormia e passava dias sem se barbear. E ele corria de uma ponta da cidade para outra enquanto juntava complicadas fórmulas matemáticas em sua mente.

Trabalhando para a inteligência britânica, ele ajudou a encurtar a Segunda Guerra Mundial ao inventar uma máquina que decifrava os impenetráveis códigos militares usados pelo alto comando alemão.

Nesse ponto, ele já tinha sonhado com um protótipo para um computador eletrônico e já tinha estabelecido as fundações teóricas para os sistemas de informações atuais. Depois disso, ele liderou a equipe que construiu o primeiro computador a operar com programas integrados. Ele jogou intermináveis partidas de xadrez contra o computador e perguntava a ele questões que enlouqueceram a máquina. Ele insistia que o computador lhe escrevesse cartas de amor. A máquina respondeu emitindo mensagens que eram bem incompreensíveis.

Mas foi a polícia de carne e osso de Manchester que o prendeu em 1952 por indecência.

No julgamento, Turing alegou ser culpado por ser homossexual.

Para ficar fora da cadeia, ele aceitou passar por um tratamento médico que o curasse de sua aflição. O bombardeio de drogas o deixou impotente. Seios cresceram nele. Ele ficou recluso e deixou de ir à universidade. Ele ouvia sussurros, sentia olhares às suas costas.

Ele tinha o hábito de comer uma maçã antes de ir dormir.

Em uma noite, ele injetou a maçã com cianeto.

Imperador Vermelho

Eu estava na China três anos antes do fracasso do Grande Salto para Frente. Ninguém fala a respeito. Era um segredo de Estado.

Eu vi Mao prestar uma homenagem a Mao. Na Praça Tiananmen, o Portal da Paz Celestial, Mao presidiu diante de uma imensa parada, liderada por uma imensa estátua de Mao. O Mao de gesso mantinha sua mão no alto, e o Mao de carne e osso respondia ao gesto. Em um oceano de flores e balões coloridos, a multidão reverenciava os dois.

Mao era a China e a China era seu reino. Mao exortava a todos a seguirem o exemplo dado por Lei Feng e Lei Feng exortava a todos que seguissem o exemplo dado por Mao. Lei Feng, um jovem comunista de existência dúbia, passava seus dias consolando os doentes, ajudando as viúvas e dando sua comida aos órfãos. Em suas noites, ele lia os trabalhos completos de Mao. Quando dormia, ele sonhava com Mao, o seu guia para cada passo. Lei Feng não tinha namorada, nem namorado, pois ele não perdia tempo com frivolidades e nunca ocorreu a ele que a vida pode ser contraditória ou a realidade, diferente.

Fidel

Seus inimigos dizem que ele foi um rei não coroado que confundiu unidade com unanimidade.

E, nisso, os seus inimigos estão certos.

Seus inimigos dizem que se Napoleão tivesse um jornal como o Granma, os franceses nunca teriam ouvido falar do desastre de Waterloo.

E, nisso, os seus inimigos estão certos.

Seus inimigos dizem que ele exerceu o poder falando muito e ouvindo pouco, pois ele era mais acostumado a ouvir ecos do que vozes.

E, nisso, os seus inimigos estão certos.

Mas algumas coisas que seus inimigos não dizem: não foi para posar para os livros de História que ele estufou o peito contra a munição dos invasores; ele encarou furacões como um igual, de furacão para furacão; ele sobreviveu 637 atentados contra sua vida; sua energia contagiosa foi decisiva para tirar o país da condição de colônia; e não foi por conta de uma maldição do diabo ou por um milagre de deus, que o novo país conseguiu sobreviver a dez presidentes dos EUA, com seus guardanapos no colo, prontos para devorá-lo com garfo e faca.

E seus inimigos nunca mencionam que Cuba é um dos raros países que não competem na Copa do Mundo dos Capachos.

E eles não dizem que a Revolução, punida pelo crime de dignidade, é o que conseguiu ser e não o que desejava se tornar. Nem dizem que a muralha, separando desejo de realidade, cresceu ainda mais e mais graças ao bloqueio imperial, que sufocou a democracia “à cubana”, militarizou a sociedade e deu à burocracia – sempre pronta com um problema para cada solução – o álibi que precisava para justificar e se perpetuar.

E eles não dizem que, apesar de toda essa tristeza, apesar de toda agressão externa e o alto controle interno, essa aflita e obstinada ilha criou a sociedade menos desigual na América Latina.

E seus inimigos não dizem que sua proeza veio do sacrifício de seu povo e, também, da vontade teimosa e do velho senso de honra do cavaleiro que sempre lutou do lado dos perdedores, como seu famoso colega nos campos de Castile.

Ali

Ele foi uma borboleta e uma abelha. No ringue, ele flutuava e picava.

Em 1967, Muhammad Ali, nascido Cassius Clay, se recusou a vestir um uniforme.

“Não tenho nada contra nenhum vietcongue”, ele disse. “Nenhum vietnamita nunca me chamou de ‘preto’”.

Eles o chamaram de traidor. Eles o sentenciaram a cinco anos de prisão e o barraram de lutar boxe. Eles tiraram seu título de campeão do mundo.

A punição se tornou seu troféu. Ao lhe tirarem a coroa, eles o transformaram em rei.

Anos depois, alguns estudantes universitários lhe pediram para recitar alguma coisa. E, para eles, improvisou o poema mais curto na história da literatura:

“Eu, nós”.

Muros

O Muro de Berlim foi notícia todos os dias. Da manhã até a noite, nós líamos, víamos, ouvíamos: o Muro da Vergonha, o Muro da Infâmia, a Cortina de Ferro…

No final, um muro que merecia cair, caiu. Mas outros muros brotaram e continuaram brotando ao redor do mundo. E, apesar de serem muito maiores que aquele em Berlim, nós raramente ouvimos sobre eles.

Pouco é dito sobre o muro que os EUA estão construindo ao longo da fronteira com o México, e menos ainda é dito sobre as barreiras de arame farpado cercando os enclaves da Espanha em Ceuta e Melila, na costa africana.

Praticamente nada é dito sobre a Muralha na Cisjordânia, que perpetua a ocupação israelense em terras palestinas e será 15 vezes maior do que aquela em Berlim. E nada, absolutamente nada, é dito sobre o Muro de Marrocos, que perpetua o controle das terras natais dos nativos do Saara pelo reino de Marrocos, e é 60 vezes o comprimento do Muro de Berlim.

Por que alguns muros são gritantes e outros são mudos?

Barbie vai à guerra

Existem mais de um bilhão de Barbies. Apenas os chineses as superam.

A mais amada mulher do planeta nunca nos decepcionaria. Na guerra contra o mal, a Barbie se alistou, bateu continência e marchou para o Iraque.

Ela chegou ao fronte usando uniformes sob medida para operações em terra, água e ar – revisados e aprovados pelo Departamento de Defesa dos EUA.

A Barbie é acostumada a mudar de profissões, estilos de cabelo e roupas. Ela foi uma cantora, uma atleta, uma paleontóloga, uma ortodontista, uma astronauta, uma bombeira, uma bailarina, e quem sabe mais o quê. Todo novo trabalha exige um novo visual e um guarda-roupa novo para que toda garota no mundo seja obrigada a comprar.

Em fevereiro de 2004, a Barbie quis mudar de namorados também. Por quase meio século, ele se manteve de maneira estável com Ken, cujo nariz é a única protuberância em seu corpo, quando um surfista australiano a seduziu e a convidou a cometer o pecado do plástico.

Mattel, a fabricante, anunciou uma separação oficial.

Foi uma catástrofe. As vendas caíram. A Barbie podia mudar ocupações e vestuário, mas ela não tinha direito algum de dar o mau exemplo.

A Mattel anunciou a reconciliação oficial.

Guerras mentirosas

Campanhas publicitárias, esquemas de marketing. O alvo é a opinião pública. Guerras são vendidas da mesma maneira que carros: através da mentira.

Em agosto de 1964, o presidente norte-americano Lyndon Johnson acusou os vietnamitas de atacar dois navios de guerra dos EUA no Golfo de Tonkin.

Então, o presidente invadiu o Vietnã, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão comunista.

Depois de a guerra ter massacrado vietnamitas em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças – o secretário de defesa, Robert McNamara, confessou que o ataque no Golfo de Tonkin nunca ocorreu.

Os mortos não voltaram à vida.

Em março de 2003, o presidente norte-americano George W. Bush acusou o Iraque de estar prestes a destruir o mundo com suas armas de destruição em massa, “as armas mais letais já construídas”.

Então, o presidente invadiu o Iraque, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão terrorista.

Depois de a guerra ter massacrado iraquianos em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças –, Bush confessou que as armas de destruição em massa nunca existiram. “As armas mais letais já inventadas” foram seus próprios discursos.

Na eleição seguinte, ele foi reeleito.

Em minha infância, minha mãe costumava me dizer que a mentira tem perna curta. Ela estava mal informada.

Enigma

Eles são os membros mais importantes de nossa família.

Eles são glutões, devoradores de gás, petróleo, milho, cana-de-açúcar e qualquer outra coisa que surja em seu caminho.

Eles mandam em nosso tempo: os banhando, os alimentando, os abrigando, falando sobre eles e abrindo caminhos para eles.

Eles se reproduzem mais rápido que nós, e são 10 vezes mais numerosos do que eram meio século atrás.

Eles matam mais pessoas que guerras; não, ninguém condena os assassinos, muitos menos os jornais e canais de televisão que vivem de suas propagandas.

Eles roubam nossas ruas. Eles roubam nosso ar. Eles riem quando nos ouvem dizendo “Eu dirijo”.

Achados e perdidos

O século 20, que nasceu proclamando a paz e a justiça, morreu banhado em sangue. Ele nos passou um mundo muito mais injusto daquele que herdou.

O século 21, que também nasceu enaltecendo a paz e a justiça, está seguindo os passos de seu predecessor.

Na minha infância, eu tinha certeza que tudo que se perdia no mundo acabava indo parar lá em cima, na Lua.

Mas os astronautas não encontraram nenhum sinal de sonhos perigosos ou promessas quebradas ou esperanças traídas.

Senão na Lua, onde elas podem estar? Talvez ela nas nunca tenham se perdido. Talvez elas estejam escondidas aqui na Terra. Esperando.

Eduardo Galeano e um século de desastres | Portal Fórum

22/08/2014

Veja o que os vira-latas querem trazer dos EUA ao Brasil

Filed under: Isto é EUA!,Racismo,Terrorismo de Estado,Violência — Gilmar Crestani @ 9:08 am
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Degradada, Ferguson é ‘uma Detroit menos devastada’

Cidade onde jovem negro foi morto por policial branco reproduz êxodo e abandono da antiga capital da indústria automobilística

Tensão diminui após onda de protestos, e governo do Missouri anuncia saída gradual de Guarda Nacional

RAUL JUSTE LORESENVIADO ESPECIAL A FERGUSON

O McDonald’s da avenida West Florissant virou um epicentro da cobertura dos distúrbios raciais na pequena Ferguson, Estado do Missouri, onde jornalistas e moradores buscam internet, tomadas, algo de ar-condicionado e refúgio do gás lacrimogêneo da polícia.

Mas ele já era um ponto de encontro de aposentados, crianças e muitos jovens da região, a mais pobre da cidade de 21 mil habitantes. Encontrar frutas ou alimentação saudável nesse deserto alimentar é raridade –os poucos restaurantes bons (e caros) estão a vários quilômetros dali. Sobram restaurantes fast-food e guloseimas por todos os lados.

A obesidade é comum (Michael Brown, 18, morto com seis tiros por um policial no dia 9, tinha 140 kg em 1,93 m), e quase 40% dos jovens negros entre 18 e 29 anos não têm emprego.

O desemprego na grande St. Louis é de 26% entre os negros, 6% entre os brancos.

Todos os ônibus circulando pela cidade avistados pela Folha tinham 100% dos passageiros negros –mas entre um e outro, a espera pode superar 40 minutos.

Como o nível de tensão após a morte de Brown diminuiu, o governo do Missouri anunciou nesta quinta-feira (21) a retirada gradual da Guarda Nacional da cidade.

ÊXODO BRANCO

Com o êxodo dos moradores brancos, altos índices de violência (enquanto eles estão em declínio acentuado no resto do país) e vários "vazios" urbanos, Ferguson e boa parte da região metropolitana de St. Louis lembram uma versão menos devastada de Detroit, a cidade que já foi capital mundial da indústria automobilística e hoje parece em ruínas.

Em 1990, 75% da população de Ferguson era branca; hoje representa apenas 29%. Tudo leva a crer que o êxodo branco vai continuar.

Detroit viu sua população encolher de 2 milhões nos anos 50 para os 700 mil de hoje. Grandes empresas foram para os subúrbios, e áreas centrais ficaram pobres. Após os distúrbios raciais de 1967, com o mesmo trinômio saques-incêndios-repressão policial pesada, a fuga continuou. Hoje, 80% da população de Detroit é negra, e dois terços trabalham nos subúrbios.

St. Louis já foi a quarta maior cidade americana, na virada do século 19 para o 20, abrigou a Olimpíada (e a Feira Universal) de 1904 e foi sede de gigantes como a Anheuser Busch (da cerveja Budweiser). Mas viu sua população encolher de 850 mil em 1950 para os atuais 318 mil (e continua a cair).

Metade é negra e mora no norte da cidade. Brancos e imigrantes (especialmente bósnios, vietnamitas e mexicanos), ao sul. Colonizada por escravocratas do Sul quando os EUA compraram a Louisiana da França, St. Louis teve conjuntos habitacionais separados para negros e brancos até os anos 50.

Quarta cidade mais violenta do país em número de homicídios (Detroit é a segunda), St. Louis viu o êxodo de sua população partir em busca de segurança em seus subúrbios. Ferguson era um típico subúrbio branco até meados dos anos 90.

Politicamente, a maioria negra da cidade não se manifesta ainda. A eleição do prefeito James Knowles, republicano e branco, teve comparecimento de apenas 12% dos eleitores da cidade.

EUA: o Haiti é aí

Nem poderia ser diferente no berço da filosofia nazista. É público e notório que a ideologia da super raça, da superioridade ariana, nasceu nos EUA mas encontrou terreno fértil na loucura visionária de Adolf Hitler. Não é mero acaso também que os EUA seja o berço do fundamentalismo religioso destas igrejas do criacionismo. Por aí se entende a adesão da fundamentalista Marina ao ideário que cai como uma luva nos interesses dos EUA.

O vira-latismo, sempre pronto a prostrar diante dos interesses norte-americanos faz de conta que não vê a falta de democracia na política ianque. E eles estão sempre prontos para fazerem missões humanitárias nas terras onde há petróleo. Chegou a vez da ONU de propor uma missão humanitária para proteger os afrodescendentes norte-americanos.

Uma estranha e amarga fruta americana

Jota A. Botelho

sex, 22/08/2014 – 07:12

Por Jota A. Botelho


Foto: Reuters

Cartoon de Patrick Chappatte no The International New York Times
Os últimos acontecimentos nos Estados Unidos, na cidade de Ferguson/Missouri, com assassinatos de jovens negros pela polícia local reacende o racismo no país. Esses eventos nos remente quase que instantaneamente a Abel Meeropol, que escreveu o poema "Strange Fruit", sob o pseudônimo de Lewis Allan, para expressar seu horror com os linchamentos que ocorriam na América nos anos 30 e 40 e que depois virou canção, cuja primeira gravação se deu com a belíssima voz de Billie Holiday, em 20 de abril de 1939.

Reprodução do Single "Strange Fruit", com Billie Holiday, da Sonet Records/Suécia,
originalmente gravada pela Commodore Records/EUA, em 20 de abril de 1939.

A FOTOGRAFIA QUE POSSIVELMENTE INSPIROU ABEL MEEROPOL


Fotografia de Lawrence Beitler do linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith em Marion, Indiana, ocorrido em 7 de agosto de 1930.
REGISTROS DA GRAVAÇÃO


Sessão da Commodore Records de 20 de Abril de 1939, onde Billie Holiday gravou "Strange Fruit" aos 23 anos de idade. Photo: copyright © the Estate of Charles Peterson.

Frank Newton & Café Society Band (Commodore) – Os músicos que participaram da primeira gravação com Billie Holiday em 1939: Frank Newton (trompete), Tab Smith (saxofone alto), Kenneth Hollon e Stanley Payne (saxofone tenor), Sonny White (piano), Jimmy McLin (guitarra, foto acima), John Williams (baixo) e Eddie Dougherty (bateria).
SOBRE A CANÇÃO
“Strange Fruit”  fala dos negros que eram enforcados e dependurados nas árvores, numa época em que o racismo era um dos cancros a manchar a história do povo norte-americano. Logo se tornou uma poética canção de protesto contra a discriminação racial. Na voz de Billie Holiday, a canção adquiriu imensa força expressiva, afetando profundamente todos que a ouviam. Nos anos 30 e 40, os Estados Unidos estava extremamente dividido entre negros e brancos, progressistas e reacionários, no qual Holiday ousou levar o terror dos linchamentos para dentro dos cafés e boates.
A versão em português

Fruta estranha
Autor: Lewis Allan (Abel Meeropol)
Versão: Carlos Rennó

“Árvores do Sul dão uma fruta estranha
Folha ou raiz em sangue se banha
Corpo negro balançando lento
Fruta pendendo de um galho ao vento

Cena pastoril do Sul celebrado
A boca torta e o olho inchado
Cheiro de magnólia chega e passa
De repente o odor de carne em brasa

Eis uma fruta para que o vento sugue
Pra que um corvo puxe, pra que a chuva enrugue
Pra que o sol resseque, pra que o chão degluta
Eis uma estranha e amarga fruta.”

CAPA DO SINGLE GRAVADO POR LADY DAY

Billie Holiday – "Strange Fruit" – Commodore Records, 1939


Capa do The Jazz Museum in Harlem’s Savory Collection com a primeira gravação de "Strange Fruit" por Billie Holiday’. No lado A, a canção "Strange Fruit", e no lado B, a canção "Fine And Mellow", ambas da gravadora Commodore Records, registradas em 20 de abril de 1939.

TRÊS VERSÕES DE STRANGE FRUIT, por Billie Holiday
O Single da Commodore Records, 1939
1- Lado A: Strange Fruit


Lado B: Fine And Mellow

2- Strange Fruit, com a letra original
"Southern trees bear a strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swingin’ in the Southern breeze
Strange fruit hangin’ from the poplar trees

Pastoral scene of the gallant South
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolia, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh

Here is the fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the tree to drop
Here is a strange and bitter crop".



Billie Holiday: trabalhando no estúdio em NY, 1957.
3- Strange Fruit, 1957

****
SOBRE A CANÇÃO:
# Wikipédia
# Comentários sobre o livro Strange Fruit

Uma estranha e amarga fruta americana | GGN

21/08/2014

Cheiro de podre no ar… e não é dos aviões de carreira…

Os de carreira o Aécio fungou…. Quando mais investigam, mais sujeira aparece. Será por isso que a velha mídia sempre abraça uma ideia desde que ela nasça podre?!

Por enquanto, a melhor biografia já escrita a respeito de Marina Silva.

Marina Silva, George Soros… e mais um suspeito acidente de avião

As eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro estavam sendo dadas como resolvidas, com a reeleição da atual presidenta Dilma Rousseff. Isso, até a morte, num acidente de avião, de um candidato absolutamente sem brilho ou força eleitoral próprios, economista e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Dia 13/8, noticiou-se que o avião que levava Campos – candidato de centro, pró-business, que ocupava o 3º lugar nas pesquisas, atrás até do candidato do partido mais conservador (PSDB), Aécio Neves, também economista e defensor da ‘’austeridade’’ – espatifara-se numa área residencial de Santos, no estado de São Paulo, Brasil. Campos era candidato do Partido Socialista Brasileiro, antigamente da esquerda, mas hoje já completamente convertido em partido pró-business.
Como aconteceu nos partidos trabalhistas da Grã-Bretanha, da Austrália e Nova Zelândia, nos liberais e novos partidos democráticos canadenses, e no Partido Democrata dos EUA, interesses corporativos e sionistas infiltraram-se também no Partido Socialista Brasileiro e o converteram num partido da “Terceira Via”, pró-business e só muito fraudulentamente ainda denominado partido “socialista”.
Já é bem visível que os EUA tentam desestabilizar o Brasil, desde que a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou correspondência eletrônica e conversações telefônicas da presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT) e vários de seus ministros, o que levou ao cancelamento de uma visita de estado que Rousseff faria a Washington; e com o Brasil hospedando o presidente russo Vladimir Putin e outros líderes do bloco econômico dos BRICS em recente encontro de cúpula em Fortaleza.

O Departamento de Estado dos EUA e a CIA só fazem procurar pontos frágeis no tecido social do Brasil de Rousseff, para criar aqui as mesmas condições de instabilidade que fomentaram em outros países na América Latina (Venezuela, Equador, Argentina – na Argentina mediante bloqueio de créditos para o país, em operação arquitetada por Paul Singer, capitalista-abutre sionista) – e na Bolívia.
Mas Rousseff, que antagonizou Washington ao anunciar, com outros líderes BRICS em Fortaleza, o estabelecimento de um banco de desenvolvimento dos países BRICS, para concorrer contra o Banco Mundial (controlado por EUA e União Europeia) parecia imbatível nas eleições de reeleição. A atual presidenta era, sem dúvida, candidata ainda imbatível quando, dia 13 de agosto, Campos e quatro de seus conselheiros de campanha, além do piloto e copiloto, embarcaram no avião Cessna 560XL, que cairia em Santos, matando todos a bordo.
A queda do avião empurrou para a cabeça da chapa do PS a candidata que concorria como vice-presidente, Marina Silva. Em 2010, Silva recebeu inesperados 20% dos votos à presidência, como candidata de seu Partido Verde. Esse ano, em vez de concorrer sob a legenda de seu partido, Marina optou por agregar-se à chapa pró-business, mas ainda dita “socialista” de Campos. Hoje, Marina já está sendo apresentada – talvez com certo exagero muito precipitado! – como melhor aposta para derrotar Rousseff nas eleições presidenciais de outubro próximo.
Marina, que é pregadora cristã evangélica em país predominantemente cristão católico romano, também é conhecida por ser muito próxima da infraestrutura da “sociedade civil” global e dos grupos de “oposição controlada” financiados por George Soros, capitalista e operador de hedge fund globais. Conhecida por sua participação nos esforços para proteção da floresta amazônica brasileira, Marina tem sido muito elogiada por grupos do ambientalismo patrocinado pelo Instituto Open Society [Sociedade Aberta], de George Soros. A campanha de Marina, como já se vê, está repleta de palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.

Marina Silva – Olimpíadas de Londres/2010
Marina exibiu-se ao lado da equipe do Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. O ministro dos Esportes do Brasil, Aldo Rebelo, disse que a exibição de Marina naquela cerimônia havia sido aprovada pela Família Real Britânica, e que ela “sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”.

Marina Silva e Marco Feliciano… Parceiros?
Em 1996, Marina recebeu o Prêmio Ambiental Goldman, criado pelo fundador da Empresa Seguradora Goldman, Richard Goldman e sua esposa, Rhoda Goldman, uma das herdeiras da fortuna da empresa de roupas Levi-Strauss.
Em 2010, Marina foi listada, pela revista Foreign Policy, editada por David Rothkopf, do escritório de advogados Kissinger Associates, na lista de “principais pensadores globais”.
O mais provável é que jamais se conheçam todos os detalhes do acidente que matou Campos. Participam hoje das investigações sobre o acidente a National Transportation Safety Board (NTSB) e a Federal Aviation Administration, do governo dos EUA. Membros dessas duas organizações com certeza serão informados do andamento das investigações e passarão tudo que receberem para agentes da CIA estacionados em Brasília, os quais tudo farão para ter o título “Trágico Acidente” estampado no relatório final.
A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de avião na América Latina que eliminaram opositores do imperialismo norte-americano naquela parte do mundo. Dia 31/7/1981, o presidente Omar Torrijos, do Panamá, morreu quando o avião da Força Aérea panamenha no qual viajava caiu perto de Penonomé, Panamá. Sabe-se que, depois que George H. W. Bush invadiu o Panamá em 1989, os documentos da investigação sobre o acidente, que estavam em posse do governo do general Manuel Noriega foram confiscados por militares norte-americanos e desapareceram.

Super King Air- 200, Beechcraft
Dois meses antes da morte de Torrijos, o presidente Jaime Roldós do Equador, líder populista que se opunha aos EUA, havia também morrido num acidente de avião: seu avião Super King Air (SKA), operado como principal aeronave de transporte oficial pela Força Aérea do Equador, caiu na Montanha Huairapungo na província de Loja. No avião, também viajavam a Primeira-Dama do Equador, e o Ministro da Defesa e esposa. Todos morreram na queda do avião. O avião não tinha Gravador de Dados do Voo, equipamento também chamado de “caixa preta”. A polícia de Zurique, Suíça, que conduziu investigação independente, descobriu que a investigação feita pelo governo do Equador encobria falhas graves. Por exemplo, o relatório do governo do Equador sobre a queda do SKA, não mencionava que os motores do avião estavam desligados quando a aeronave colidiu contra a parede da montanha.

Cessna Citation 560XL
Como o avião de Roldós, o Cessna de Campos também não tinha gravador de dados de voo. Além disso, a Força Aérea Brasileira anunciou que duas horas de conversas gravadas pelo gravador de voz da cabine de voo do Cessna em que viajava Campos não incluem qualquer conversa entre o piloto, copiloto e torre de controle naquele dia 13 de agosto. O gravador de voz da cabine a bordo do fatídico Cessna 560XL foi fabricado por L-3 Communications, Inc.de New York City. Essa empresa L-3 é uma das principais fornecedoras de equipamento de inteligência e espionagem para a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a mesma empresa que fornece grande parte das capacidades de escuta de seu cabo submarino, mediante contrato entre a ASN (Agência de Segurança Nacional – NSA em inglês) e a Global Crossing, subsidiária da L-3.
Embora Campos não fosse inimigo dos EUA, sua morte em circunstâncias suspeitas, apenas poucos meses antes da eleição presidencial, substituído, como candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por George Soros, cria alguma dificuldade eleitoral para a presidenta Rousseff, que Washington, sem dúvida possível, vê como adversária.

A "pedra no sapato" de Soros, da CIA e dos EUA
Os EUA e Soros pesquisam já há muito tempo várias vias para invadir e desmontar, por dentro, o grupo das nações BRICS. A tentativa de Soros-CIA para pôr na presidência da China um homem como Bo Xilai foi neutralizada, porque os chineses conseguiram capturá-lo e condená-lo por corrupção, antes.
Com Rússia e África do Sul absolutamente inacessíveis para esse tipo de ardil, restam Índia e Brasil, como alvos dos esforços da CIA e de Soros para fazer rachar e desmontar o grupo BRICS. Embora o governo do direitista Narendra Modi na Índia esteja apenas começando, há sinais de que pode vir a ser a cunha de que os EUA precisam para desarticular os BRICS. Por exemplo, a nova Ministra de Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, é conhecida como empenhada e muito comprometida aliada de Israel.

Outubro de 2013 – cria-se o "Cavalo de Tróia"
No Brasil, hoje governado por Rousseff, a melhor oportunidade para infiltrar no governo um dos “seus” parece ser, aos olhos da CIA e Soros, a eleição de Marina Silva. Seria como um “Cavalo de Tróia” infiltrado no comando de um dos países do grupo BRICS, em posição para atacar por dentro aquele bloco econômico, mais importante a cada dia.
A queda do avião que matou Eduardo Campos ajudou a empurrar para muito mais perto do Palácio da Alvorada, em Brasília, uma agente-operadora dos grupos financiados por George Soros.

6960 visitas – Fonte: Rede Castor

Marina Silva, George Soros… e mais um suspeito acidente de avião – PlantaoBrasil.com.br

Todas as guerras no Oriente Médio tem a ver com a disputa por Petróleo

Pre-sal (2)Há uma história elucidativa do papel criminoso das cinco irmãs do Petróleo. E aconteceu na Itália. O Ministro da Energia italiano resolveu bater de frente com as companhias de petróleo. O que elas fizeram? Se aliaram à máfia e abateram o Ministro em pleno voo, literalmente: Enrico Mattei. Está lá na Wikipédia, para quem quiser ler. Se puderes ler em italiano, a versão é completa: http://it.wikipedia.org/wiki/Enrico_Mattei.

São as mesmas razões que levam os EUA a finanCIArem golpes na Venezuela, e a se a$$oCIArem ao PSDB para abocanharem o Pré-Sal. A disputa nestas eleições também tem a ver com o destino do Pré-Sal. Não é mero acaso o encontro de FHC e Serra com a Chevron, prometendo que em caso de o PSDB ganhar as eleições a Petrobrás será convertida em Petrobrax e vendida a preço de banana, como fizeram com a Vale do Rio Doce. Para se ter uma idéia, o leilão para exploração de alguns aeroportos, por 20 anos, rendeu mais que a venda da Vale. Depois de 20 anos, os aeroportos retornam. A Vale, não!

Não não enganemos. Onde há petróleo, lá haverá distúrbio e guerra. E sabemos quem finanCIA!

Não falemos do petróleo: um artigo de Robert Fisk

Postado em 19 ago 2014

por : Diario do Centro do Mundo

Publicado no Unisinos.

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Iraq_ISISNo Oriente Médio, os primeiros disparos de cada guerra definem a narrativa que todos seguimos obedientemente. Do mesmo modo, esta grande crise, desde a última grande crise no Iraque. Os cristãos fogem por suas vidas? É preciso salvá-los. Yazidis morrendo de fome nas montanhas? Demos-lhes comida. Islamistas que avançam sobre Erbil? Vamos bombardeá-los. Bombardear seus comboios, “artilharia” e seus combatentes, e bombardear uma, duas até que…

Bom, a primeira pista sobre o prazo de nossa última aventura no Oriente Médio chegou no fim de semana, quando Barack Obama disse ao mundo – na mais encoberta “ampliação da missão” da história recente – que “não acredito que iremos resolver este problema (sic) em semanas, isto levará tempo”. Então, quanto tempo? Pelo menos um mês, obviamente. E talvez seis meses. Ou talvez um ano? Ou mais? Após a Guerra do Golfo de 1991 – ocorreram, na realidade, três desses conflitos nas últimas três décadas e meia, com outro em processo –, os estadunidenses e britânicos impuseram uma zona de “não voo” sobre o sul do Iraque e o Curdistão. E bombardearam as “ameaças” militares que descobriram no Iraque de Saddam para os próximos 12 anos.

Obama assentou as bases – a ameaça de “genocídio”, o “mandato” estadunidense por parte do impotente governo em Bagdá para atacar os inimigos do Iraque – para outra guerra aérea prolongada no Iraque? E caso seja assim, o que o faz – ou nos faz – pensar que os islamistas, ocupados em criar seu califado no Iraque e Síria, irão brincar neste cenário alegre? O presidente dos Estados Unidos, oPentágono e o Comando Central – e, suponho, o infantilmente chamado comitê Cobra britânico – realmente acreditam que o ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), apesar de sua ideologia medieval, se sentará nas planícies de Nínive para esperar ser destruídos por nossas munições? Não.

Os rapazes do ISIS ou Estado Islâmico ou califado, seja lá como queiram ser chamados, simplesmente desviarão seus ataques para outras partes. Se o caminho para Erbil está fechado, irão tomar o caminho de Alepo ou Damasco, que os estadunidenses e os britânicos estarão menos dispostos a bombardear ou defender, porque isso significaria ajudar o regime de Bashar al Assad da Síria, a quem devemos odiar quase tanto como ao Estado Islâmico. No entanto, se os islamistas procurarem capturar Alepo, sitiar Damasco e empurrar para o outro lado da fronteira libanesa – a cidade mediterrânea de maioria sunita de Trípoli parece um objetivo chave –, seremos obrigados a ampliar nosso precioso “mandato” para incluir mais dois países, entre outras coisas porque bombardeariam a nação ainda mais merecedora de nosso amor e proteção que o Curdistão: Israel. Alguém pensou nisso?

E depois, é claro, está o inominável. Quando “nós” libertamos o Kuwait, em 1991, todos nós tínhamos que recitar – uma, duas vezes – que esta guerra não era pelo petróleo. E quando “nós” invadimos o Iraque, em 2003, novamente tivemos que repetir, até a saciedade, que este ato de agressão não era pelo petróleo – como se os marinheiros estadunidenses tivessem sido enviados à Mesopotâmia, cuja principal exportação eram os espargos.

E agora, enquanto protegemos a nossos queridos ocidentais em Erbil, socorremos aos yazidis nas montanhas do Curdistão e lamentamos as dezenas de milhares de cristãos que fogem das maldades do ISIS, não devemos – não fazemos isso e não faremos – mencionar o petróleo. Pergunto-me por que não. Não é, por acaso, importante – ou simplesmente um pouco relevante – que o Curdistão represente 43,7 bilhões de barris dos 143 bilhões de reservas do Iraque, assim como 25,5 bilhões de barris de reservas comprovadas e de três até seis trilhões de metros cúbicos de gás? Conglomerados de petróleo e gás globais surgiram em massa no Curdistão – daí, os milhões de ocidentais que vivem em Erbil, ainda que sua presença seja, em grande medida, inexplicável –, para investir mais de 10 bilhões de dólares.

Mobil, Chevron, Exxon e Total estão no local – e não permitiremos que o ISIS se meta com empresas como estas – em que os operadores de petróleo se caracterizam por concentrar 20% de todos os lucros.

De fato, relatórios recentes sugerem que a produção atual de petróleo curdo de 200.000 barris por dia chegará a 250.000, nos próximos anos – a disposição dos garotos do califado se mantém na linha, é claro –, o que significa, de acordo com a agência Reuters, que se o Curdistão iraquiano fosse um país real e não apenas um pedaço do Iraque, estaria entre os 10 países ricos em petróleo mais importantes do mundo. O que, sem dúvida, vale a pena defender. Porém, alguém mencionou isto? Algum repórter da Casa Branca incomodou Obama com apenas uma pergunta sobre este fato destacável?

Claro, nós sentimos pelos cristãos do Iraque – ainda que nos importassem bem pouco, quando sua perseguição começou após a nossa invasão de 2003 -. E devemos proteger as minorias dos yazidis, como prometemos – mas, falhamos –.  Proteger ao 1,5 milhão de cristãos armênios de seus assassinos muçulmanos, na mesma região há 99 anos. Porém, não esqueçamos que os mestres do novo califado do Oriente Médio não são tontos. Os limites de sua guerra se estendem muito além de nossos “mandatos” militares. E eles sabem – ainda que não o admitamos – que nosso verdadeiro mandato inclui essa palavra indizível: petróleo.

Diário do Centro do Mundo » Não falemos do petróleo: um artigo de Robert Fisk

20/08/2014

O apartheid não acabou, NY pulsa

Filed under: Apartheid,Democracia made in USA,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 9:37 am
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eua vergonhaA democracia made in USA é fruto da bem conduzida máquina de propaganda de Hollywood.

Todas as guerras, em qualquer parte do mundo, tem participação dos EUA. Todas as ditaduras da América Latina não teriam existido sem a participação dos EUA em todas as etapas: desestabilização, derrubada, implantação e abertura lenta e gradual dos EUA.

Todos os métodos de tortura implantados pelo Mundo, e que chegaram ao ápice em Guantánamo, foram desenvolvidos pela “maior democracia das américas”.

Quando ouço as maravilhas sobre a pátria das guerras, lembro-me da peça Liberdade, Liberdade, do Flávio Rangel e Millôr Fernandes. Pelas cenas tantas registra-se a sintomática informação de que a famosa Estátua da Liberdade nunca entrou nos EUA. Está instalada numa ilha, para obrigatória antes de entrar no continente.

Os livros de história mostra que a ideologia nazista nasce e cresceu nos EUA. Hitler se apropriou e a levou ao paroxismo. Maior prova não há do que o fato de que até 1968, negros e brancos ainda se serviam de bebedouros distinto, black/withe.

São por demais famosas as fotos que registram o apartheid nos EUA. Ignorar este fato só prova que o racismo é fruto, por ignorância, de ignorantes.

Ventanas rotas en Nueva York

La muerte de un hombre negro al ser detenido ha reabierto el debate sobre la brutalidad policial

Vicente Jiménez Nueva York 19 AGO 2014 – 19:31 CEST8

Homenaje a Eric Garner y Michael Brown en una calle de Brooklyn, Nueva York. / SPENCER PLATT (AFP)

El caso Garner es una estúpida y desgraciada historia con personajes dispares, una controvertida teoría social y un debate sembrado de minas. Los personajes son un afroamericano que murió asfixiado en plena calle cuando se resistía a ser detenido por vender cigarrillos, un agente que aplicó una llave de estrangulamiento prohibida, un jefe de policía y un fiscal partidarios del orden a cualquier precio, un reverendo negro experto en movilizar masas y un alcalde progresista que prometió mantener segura la ciudad sin vulnerar derechos civiles. La teoría es la de las ventanas rotas: si una ventana de un edificio se rompe y no se repara, al poco tiempo el resto de ventanas aparecerán rotas, es decir, que la intolerancia con los delitos menores es la base de una convivencia segura. El debate espinoso es si se puede reducir la criminalidad en Nueva York sin cometer excesos. O, dicho de otro modo, ¿lo sucedido con Garner fue un error o la manifestación de un problema más profundo?

Los sucesos de Ferguson han alimentado el debate estos días en Nueva York, y puesto en guardia a las autoridades, que, aunque se congratulan de que la ciudad haya respondido con civismo a un suceso que contenía nitroglicerina, temen el efecto contagio en los barrios más conflictivos. Hasta ahora, las protestas han sido pacíficas, pero el temor permanece. Para el sábado está prevista otra marcha en Staten Island que preocupa mucho a la policía.

Eric Garner murió el pasado 17 de julio mientras era detenido por varios agentes de policía en plena calle del barrio de Staten Island por vender cigarrillos. Garner, de 43 años, seis hijos, 150 kilos de peso y más de 1,80 metros de altura, se resistió a ser arrestado. Uno de los agentes, Daniel Pantaleo, le redujo con una llave de estrangulamiento prohibida por la policía desde 1994. Antes de fallecer, la víctima gritó “¡No puedo respirar¡” en once ocasiones. Todo ello fue grabado en vídeo por el teléfono móvil de un amigo de Garner. El forense determinó que, pese a los problemas de salud de la víctima (obesidad, diabetes, asma…), la causa de su muerte fue el estrangulamiento. La policía y Garner eran viejos conocidos. Anteriormente había sido detenido decenas de veces por la venta ilegal de pitillos. La víctima había denunciado a los agentes por lo que consideraba un acoso injustificado para un delito menor.

Hasta aquí, lo hechos. Las consecuencias no tardaron en llegar. La familia de la víctima, temiendo que el fiscal del distrito, Daniel M. Donovan, echara tierra sobre el suceso dadas sus buenas relaciones con los mandos policiales, acudió al reverendo, político y activista afroamericano Al Sharpton, de 59 años, 40 de ellos denunciando abusos policiales contra la población de color. Sharpton, uno de los líderes civiles más influyentes y polémicos de Estados Unidos, movilizó su organización, la National Action Network, en Harlem, para convocar protestas en demanda del procesamiento de los agentes implicados. La hoguera prendió cuando los sindicatos policiales salieron en defensa de sus colegas por el “vil, vergonzoso e injustificable” trato que estaban recibiendo. Y en medio, sentado sobre el barril de pólvora, el nuevo alcalde, el demócrata Bill de Blasio, que afronta su primera gran crisis desde que accedió al cargo.

“Volvemos a caminar como una ciudad unida, solidaria y justa”, dijo De Blasio el día que tomó posesión de su cargo. Ni unida, ni solidaria, ni justa. El alcalde intenta mantener un equilibrio imposible. Por un lado, calmar los ánimos de la población negra y de sus líderes, que denuncian el poco interés de las autoridades por procesar a los policías implicados y reclaman al alcalde que sea consecuente con sus promesas. Por otro lado, agradar a una policía que desconfía de él por su retórica socialdemócrata, alejada de la mano dura defendida por los exalcaldes republicanos Rudolph Giuliani y Michael Bloomberg.

De Blasio, padre de una familia interracial (su mujer y sus hijos son negros), se opone al stop-and-frisk (detener y registrar), tan practicado en la etapa de Bloomberg, y aplaude la decisión del fiscal de Brooklyn de no procesar a los poseedores de pequeñas cantidades de marihuana, algo que molesta a la policía. Su diferencias con los sindicatos del cuerpo sobre cuestiones laborales tampoco ayudan. El caso es que los 35.000 agentes de Nueva York tienen estos días un ojo en las calles y otro en De Blasio, muy atentos a todo lo que dice y hace.

“Voy a hacer todo lo que esté a mi alcance para que los responsables de esta muerte sean procesados. Después de tanto tiempo, seguimos luchando contra el uso excesivo de la fuera. Ya basta. Vamos a seguir celebrando mítines y marchas, y vamos a mantener la presión porque ningún hombre o mujer debe morir a manos de los que han jurado protegerle. El crimen no puede ser combatido si tenemos que temer tanto a la policía como a los delincuentes”, escribió en su blog, como si de un sermón se tratara, el reverendo Sharpton.

La gran cuestión que plantea la muerte de Garner es la excesiva intervención de la policía en los barrios de color"

Alex Vitale, profesor asociado del Departamento de Sociología del Brooklyn College

“No fue la llave de estrangulamiento lo que mató a Garner, fue la retórica antipolicial, que envía a los delincuentes el mensaje de que se pueden resistir a un arresto. Es una falta de respeto a la ley el trato injusto que los agentes están recibiendo por parte de agitadores raciales, políticos, expertos y funcionarios”, le respondió Patrick J. Lynch, presidente del sindicato Patrolmen’s Benevolent Association. “El oficial Pantaleo no fue a trabajar con la intención de matar a nadie. Simplemente trataba de hacer su trabajo. Los hombres y mujeres de la policía de Nueva York están siendo atacados. Esto debe terminar. La gente que trabaja duro en esta ciudad debe apoyar a la policía”, añadió su colega Edward D. Mullins, de la Sergeants Benevolent Association.

De momento, el alcalde no ha contentado a nadie. La protesta convocada para el próximo sábado por el reverendo Sharpton en Staten Island es una prueba de ello y el último capítulo de un asunto que ha despertado viejos fantasmas.

Pase lo que pase, sobre la mesa hay otra cuestión de tanto o mayor calado que los problemas de De Blasio para sostener de forma creíble su discurso sobre la igualdad, la justicia social y la atención a las minorías rezagadas. En el centro de la hoguera está el debate sobre uno de los grandes pilares de la política policial seguida durante dos décadas de Administraciones republicanas: la teoría de las ventanas rotas, presentada en sociedad en 1982, año récord de criminalidad en Nueva York, en un artículo de la revista The Atlantic firmado por los profesores George L. Kelling y James Q. Wilson. Kelling, de 78 años, ya retirado, colabora en un think tank conservador, el Manhattan Institute, y asesora a la policía de Nueva York. El segundo, que fue profesor en Harvard y en UCLA, falleció en 2012.

Kelling sigue convencido de que mantener el orden en las calles, la intolerancia hacia delitos menores, evita problemas mayores. “En una sociedad urbana, donde todos somos extraños, el civismo y el orden son un fin en sí mismos. Cuidando de las ventanas se reduce la criminalidad; cuidando de la seguridad, se reduce el número de ventanas rotas”, declaró recientemente a The New York Times.

Sin embargo, Kelling no es partidario de una aplicación maximalista de su doctrina. Considera que las autoridades deben decidir, barrio por barrio, qué comportamientos suponen un peligro para la comunidad y cuáles no. Es decir, si vender cigarrillos de forma ilegal, como hacía Eric Garner, es algo tan grave que merece la detención como respuesta porque atenta contra los negocios locales o los derechos de otros ciudadanos, o si es una actividad que no merece el empleo un castigo tan severo. Porque, ¿es un vagabundo una ventana rota? ¿Qué comportamientos deben culminar con un arresto y el consiguiente y costoso proceso judicial?

Para los críticos, la teoría de las ventanas rotas es un producto neocon, que ampara excesos policiales y encarcelaciones masivas por delitos de escasa relevancia, dirigido a negros, hispanos y pobres en general. Aseguran que no hay evidencia científica que pruebe su bondad y consideran que no tiene relación alguna con la caída de la delincuencia experimentada por la ciudad de Nueva York en los últimos años. Y ofrecen cifras: el 80% de los 400.000 arrestos al año en Nueva York son por delitos menores, como la venta ilegal. La mitad de esos arrestos se producen en barrios donde negros e hispanos son mayoría. La Civilian Complaint Review Board, una agencia independiente de Nueva York que investiga denuncias de abusos policiales, registró el año pasado unas 6.000 quejas, de las que un 4,4% se referían al uso de la llave de estrangulamiento prohibida.

El 80% de los 400.000 arrestos al año en Nueva York son por delitos menores, como la venta ilegal

Steven Zeidman, profesor de Derecho y director del programa de Defensa Criminal de la City University of New York School of Law, es muy crítico con las ventanas rotas. “La criminalidad ha descendido en las dos últimas décadas, pero hay que analizar otros factores, como los cambios demográficos o la caída del consumo de crack. Además, poner a miles de agentes a practicar detenciones, que luego acaban en un juzgado, es muy caro. Y está el daño social. Los detenidos suelen ser negros e hispanos. ¿Cómo les afectan esos arrestos por delitos menores a la hora de encontrar empleo y casa, a sus familias y sus comunidades? No se trata sólo de arreglar la ventana, sino de mejorar todo el edificio y hacerlo asequible”, declaró en un texto enviado a EL PAÍS por correo electrónico.

Alex Vitale, profesor asociado del Departamento de Sociología del Brooklyn College, es mucho más crítico. “No comparto la teoría de las ventanas rotas. Es sólo una hipótesis. Se usa para resolver problemas aislados de desorden público criminalizando a unos y contentando a otros, pero no hay una relación clara entre eso y reducir la delincuencia. Debemos dejar de confiar en la policía como la principal herramienta para reducir determinados delitos y comportamientos”, señala a EL PAÍS.

“La gran cuestión que plantea la muerte de Garner”, añade, “es la excesiva intervención de la policía en los barrios de color. Esta muerte tiene que ver con la teoría de las ventanas rotas en la medida en que los agentes se acercan a Garner en aplicación de esa política. Esta es la primera gran crisis de De Blasio, y la lección que debe extraer es que tiene que dejar de apoyar un enfoque exclusivamente policial sobre la delincuencia”. Según Vitale, “la clave para mejorar las relaciones entre la policía y la ciudadanía y para garantizar los derechos civiles es reducir nuestra dependencia de la policía. Ayudando a los jóvenes en lugar de criminalizarlos, por ejemplo”.

En un terreno más templado está Gary Orfield, profesor e investigador de la Universidad de California-Los Ángeles y codirector del Proyecto de Derechos Civiles de la citada universidad. “La muerte de Eric Garner no es atribuible a las prácticas policiales basadas en la teoría de las ventanas rotas. Una policía exigente y vigilante no tiene por qué ser brutal. Lo de Garner fue un trabajo mal hecho”, afirma a este periódico. “Tragedias como esta tienen un tremendo coste para la convivencia, ya que uno de los ingredientes necesarios para reducir la criminalidad es que la población no tema a la policía. Para eso hay que construir sólidas relaciones comunitarias. Creo que es posible encontrar un equilibrio entre derechos civiles y efectividad policial, pero siempre habrá tensiones”, advierte.

En la misma línea se manifiesta Pedro Noguera, profesor e investigador de la New York University (NYU) especializado en temas de igualdad, educación, cultura y desarrollo. “No tengo ninguna objeción a la teoría de las ventanas rotas. En este caso la policía se ha excedido. La reducción de la criminalidad en Nueva York es producto de una mayor presencia policial en áreas conflictivas. Esto es algo positivo. Pero es necesario que la policía sea capaz de manejar determinadas situaciones de forma pacífica para que su trabajo sea efectivo con las minorías”. Sobre la actitud de los sindicatos policías, Noguera lamenta que traten de “defender lo indefendible”. En su opinión, la obligación de De Blasio es encontrar un equilibrio entre seguridad y respeto por los derechos civiles: “Vistos los abusos que se cometieron con Bloomberg, va a ser necesario tiempo para que ese equilibrio se alcance”.

El ‘hijo’ de James Brown

V. JIMÉNEZ

El reverendo Al Sharpton es un tipo peculiar, repleto de aristas, admirado y odiado a partes iguales, del que nadie duda de su capacidad para movilizar la calle y del que muchos temen y critican sus métodos. Orlando Patterson, un sociólogo experto en segregación, le calificó en su momento de “pirómano racial”. Nada en la biografía de Alfred Charles Sharpton Jr., deja indiferente.

En ella se mezclan una precoz capacidad de atracción pública (con cuatro años dio su primer sermón y con diez fue ordenado ministro pentecostal) y una peculiar conciencia social salpicada de escándalos. Con 18 abrazó la causa de los derechos civiles, que alternó durante años con fracasados intentos de ser alcalde, senador e incluso candidato demócrata a la Casa Blanca. Su condición de topo del FBI, sus problemas con la Hacienda pública o el intento de asesinato que sufrió en 1991 no le han impedido ser una de las voces más oídas en cualquier caso de abusos policiales. Su activa presencia en los medios, como presentador de radio, bloguero o tertuliano en televisión agranda su figura. Aseguran quienes le conocen que Tom Wolfe se inspiró en Sharpton para su agitador reverendo Bacon de La hoguera de las vanidades.

Sea cierto o no, Sharpton no defrauda. Durante años fue productor de las giras del cantante James Brown. “Fue un padre para mí. Él me enseñó a ser un hombre”, proclama a menudo. “Recuerdo cuando el gran James Brown me contó cómo unos agentes tirotearon su coche sin motivo y casi le matan. Yo tenía 18 años. Años después, tenemos que seguir soportando abusos de la policía. Ya basta”, escribió hace días en su blog.

Ventanas rotas en Nueva York | Internacional | EL PAÍS

14/08/2014

Democracia racial made in USA: ah!ah!ah!ah!

Filed under: Apartheid,Democracia made in USA,EUA,Racismo,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:44 am
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Música alegre y mucha policía en otra noche de disturbios en Ferguson

Las fuerzas del orden vuelven a lanzar gases lacrimógenes contra los manifestantes

Joan Faus Ferguson 14 AGO 2014 – 06:35 CEST14

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Manifestación en Ferguson, Misuri. / Foto: AFP | Vídeo: Reuters

El reverendo negro Spencer Booker acudía a las convulsas calles de Ferguson, un humilde suburbio de San Luis (Misuri), con un objetivo muy claro: conseguir que las cientos de personas que protestaban por la muerte el sábado de un joven negro desarmado a manos de la policía no cortaran la avenida Florissant, como habían hecho los días anteriores en medio de la ola de indignación racial desatada en esta pequeña localidad.

Booker, reverendo de la iglesia metodista africana de Saint Paul, otra ciudad dormitorio de esta zona, encabezó la tarde de este miércoles una caminata de “paz, amor y plegarias” a lo largo de un kilómetro de la avenida, que concluyó en el epicentro de las protestas, la esquina de la calle en la que murió Michael Brown, de 18 años. El martes otros reverendos negros organizaron caminatas y vigilias en honor al joven, en lo que parece ser una suerte de competición entre iglesias y organizaciones de la comunidad negra.

A las 5 de la tarde los cinco carriles de Florissant -una amplia avenida un tanto desangelada con algunos establecimientos comerciales y humildes casas a los lados- estaban ya cortados por un grupo de unas 300 personas, la inmensa mayoría afroamericanos, que coreaban “¡No nos movemos!” y “¡Sin justicia no hay paz!”, y portaban pancartas e imágenes en homenaje a Brown.

Frente a los manifestantes se situaban horizontalmente doce agentes de policía protegidos con un casco, y llevando porras y escudos. Detrás de los agentes, decenas de coches de policía cortaban la avenida. Lo mismo sucedía medio kilómetro por detrás de los manifestantes. A simple vista, solo uno de los agentes era negro.Dos tercios de la población de Ferguson es afroamericana, pero esta proporción no se ha plasmado en los cargos políticos y policiales. Una cuarta parte vive por debajo del nivel de pobreza de EE UU.

Por cuarto día consecutivo centenares de personas protestan por la muerte de un joven negro desarmado a manos de un policía

El predicador Booker consideró que uno de los mejores métodos de calmar los ánimos y lograr su objetivo era tratando de construir un ambiente festivo. Así, que se trajo a un DJ, que empezó a reproducir conocidas canciones comerciales alegres bajo una carpa blanca en una acera, al lado de un restaurante que fue asaltado en los disturbios de la noche del domingo. Un centenar de personas bailaban animadamente a su alrededor.

A los pocos minutos Booker, vestido con un traje completamente negro, se decidió a cumplir su meta. Se desplazó un par de metros hasta el centro de la avenida y empezó a dirigirse a los manifestantes, muchos de ellos sentados en el suelo. “La gente en Ferguson está marginalizada y hostigada por la policía. La gente junta nunca es derrotada”, clamó. El público lo vitoreó al instante y alzó los brazos, la imagen más repetida en las protestas. Ese fue el gesto, aseguran su familia y un testigo, que habría hecho Brown antes de ser tiroteado el sábado al mediodía por un agente. La policía asegura que el joven atacó al agente en el interior de su vehículo.

Acto seguido, el reverendo les pidió que actuaran con “paz” y sin confrontación con la policía, y les argumentó que cortar la calle no era la vía adecuada para pedir justicia por la muerte del chico. Un grupo de manifestantes le hizo caso y se levantó, pero otro, mayoritariamente de jóvenes, lo ignoró por completo.

Cuando eran casi las 6 de la tarde, la policía quiso demostrar que se le había agotado la paciencia: cuatro imponentes vehículos blindados de las fuerzas especiales del condado se plantaron frente a los manifestantes. En ese momento Booker y su DJ ya habían desaparecido del lugar. De los vehículos descendieron una cincuentena de agentes -a simple vista ninguno era afroamericano- con indumentaria militar y con un rifle de largo alcance al hombro. Y encima de cada vehículo había un tirador posicionado apuntando a los manifestantes.

Si el objetivo era intimidar, los agentes lo consiguieron al instante, pero a su vez provocaron y electrizaron a un público que hasta el momento se había mostrado contenido. “¡Que jodan a la policía!” y “¡No nos movemos!” fueron las respuestas instantáneas de los concentrados. Uno de ellos empezó a acercarse y a increpar a un agente, pero fue frenado rápidamente por otros manifestantes. Se imponía una tensa y larga contención.

Uno de los policías tardó muy poco en explicar cuál era su objetivo. “Dispersense de un modo pacífico o serán sujetos a arrestos”, anunciaba a todo volumen con un megáfono. Ante el escaso éxito, endureció el tono y se mostró desafiante: “No nos vamos a ir a ningún sitio. No está abierto a discusión, vuelvan a sus vehículos y a sus casas”. Poco a poco, unas 200 personas fueron alejándose de la primera línea, aunque siguieron observando el panorama desde lejos. A ambos lados de la avenida también se concentraban algunos curiosos, entre ellos familias con hijos a las que no había impresionado la advertencia que les había hecho unos minutos antes un agente de la policía local: “Les aviso que si no abandonan la zona pueden ser gaseados”.

Frente a los agentes y vehículos de estética militar, permanecía impasible un pequeño grupo de manifestantes. Solo reculaban ligeramente cuando avanzaba la línea de seguridad, por mucho que cada vez estuvieran más aislados. Algunos de ellos estaban perfectamente preparados para un posible desenlace de las protestas: llevaban pañuelos para cubrirse la nariz y la boca ante un eventual lanzamiento de gases lacrimógenos, como los que ocurrieron las noches del lunes y el martes cuando las protestas pacíficas derivaron en disturbios.

Y tras más de dos horas de densa calma tensa, la violencia acabó desatándose cerca de las nueve de la noche. Tras recibir varios impactos de botellas, las fuerzas especiales lanzaron gases a los manifestantes, que se dispersaron por las calles aledañas ante la persecución policial, según informan medios locales. La policía aseguró que algunos manifestantes les lanzaron cócteles molotov, mientras estos acusaron a la policía de disparar balas de goma, como hicieron el lunes.

A medianoche no se había informado de personas heridas. La madrugada del martes al miércoles un joven recibió varios disparos de un policía al qual había amenazado con una pistola, según la policía.El joven se encuentra en estado crítico. Otra mujer recibió en esa zona un disparo desde un coche, pero su vida no corre peligro y se desconocen las causas del suceso. La policía ha detenido a una cincuentena de personas desde el domingo por su participación en los disturbios.

Dos periodistas son detenidos

Dos periodistas que cubrían las protestas en Ferguson fueron detenidos el miércoles por la tarde durante cerca de una hora. Wesley Lowery, del diario The Washington Post, y Ryan Reilly, del portal Huffington Post, fueron arrestados por la policía alrededor de las 8 en un establecimiento de McDonalds, a pocos metros del epicentro de las protestas en la avenida Florissant.

La policía entró en el establecimiento e instó a los clientes a marcharse, según explicaron los periodistas en Twitter. A continuación, según sus testimonios, la policía les pidió que se indentificaran y fueron detenidos mientras uno de ellos grababa a los agentes. “Me aplastaron contra una máquina de bebidas porque estaba confundido sobre la puerta por la que me decían que tenía que salir”, escribió Lowery en Twitter. Los periodistas fueron llevados primero a un vehículo policial y luego pasaron unos 15 minutos en una celda en una comisaría hasta que fueron liberados.

En un comunicado en la página web del diario, el director ejecutivo del Washington Post, Martin Baron, criticó duramente la detención, que consideró un “asalto a la libertad de prensa”.

12/08/2014

Ditadura: assassinato de pais, roubo dos bebês

Lembre-se, tudo isso foi possível, o roubo de bebês, graças ao apoio intelectual e logístico dos EUA. Essa é a “maior democracia” do Ocidente?!

Fue doloroso, pero la verdad me liberó

El rencuentro de Guido nos renueva la esperanza y nos llena de energía en esta lucha cotidiana que hace casi cuatro décadas iniciaron las Abuelas en soledad y que hoy está más fuerte que nunca

Carlos D’Elía Casco Argentina 11 AGO 2014 – 21:43 CEST3

Carlos D’Elía, en 1995, cuando fue hallado por su familia biológica.

Es increíble la emoción y alegría que en la Argentina y en muchos lugares del mundo ha generado la localización de Guido, el nieto de Estela de Carlotto. Con él, ya somos 114 los nietos recuperados por las Abuelas, pero aún se estima que cerca de 400 jóvenes no conocen su verdadera identidad. No hay dudas de que el de Guido —o Ignacio, como él prefiere que lo sigan llamando— no es un caso más. Es el nieto de Estela, la presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo, y por eso la repercusión mediática es enorme, lo que, al mismo tiempo que altera la intimidad familiar, afortunadamente ha provocado un notable crecimiento de llamados y consultas a Abuelas de personas con dudas sobre su identidad.

La templanza y felicidad que mostró Guido durante su presentación nos hace bien a todos pero, principalmente, creo que le hace muy bien a él. Cuando lo escuché no pude evitar sentirme identificado con mucho de lo que decía, y recordé lo que me tocó vivir hace casi 20 años, cuando fui el nieto 52º que recuperaba su identidad. Aunque tengamos un origen similar, el haber nacido durante el cautiverio de nuestras madres o, como ocurrió en otros casos, el haber sido separados de sus padres siendo niños, todas las historias de nietos recuperados son diferentes y todos reaccionamos distinto también.

Me resultó muy difícil asimilar a los 17 años que quienes yo creía mis padres no lo eran”

Fue muy difícil para mí asimilar a mis 17 años —hoy tengo 36— que quienes yo creía mis padres en realidad no lo eran. Nunca antes había tenido dudas sobre ello. Ese momento marcó un antes y un después en mi vida, me tocó madurar de golpe. Todo ese tiempo, sin saberlo, mi familia biológica me había estado buscando incansablemente. Aún no me conocían y ya me querían. Cuando los resultados de los análisis genéticos confirmaron que yo era el hijo de Yolanda Casco y Julio D’Elía, finalmente pudimos conocernos —debí llamarme Martín, pero cuando me dieron elegir, preferí conservar el nombre Carlos—. Como mis padres, mi familia es uruguaya y vive repartida entre Montevideo y Salto. Empezaron a venir a visitarme a Buenos Aires y teníamos algunos encuentros al mes. Yo les pedí ir de a poco, les dije que necesitaba poder procesar todo lo que me estaba pasando, y pese a todos los años que habían pasado, respetaron mis tiempos. Nos unía la misma sangre, pero el vínculo no lo íbamos a construir de un día para el otro. Teníamos que conocernos, aprender a querernos… En realidad, yo tenía que empezar a quererlos; ellos siempre lo habían hecho.

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Yo había tenido una infancia muy feliz y me habían criado con mucho amor. Ese amor que sentía, y aún siento, por la familia que me había criado era muy fuerte y yo no quería perderlos. Que me hayan mentido durante tantos años me estaba haciendo mucho daño, pero siempre me habían dado mucho amor y elegí perdonar. Elegí sumar afectos, el de mi familia biológica y el de mi familia de crianza. A su manera, todos lo entendieron, priorizaron lo que a mí me hacía bien, lo que yo quería, y por eso me considero un gran afortunado. Con el tiempo, fui conociendo a mis padres a través de mi familia y sus amigos, y así aprendí a quererlos, a amarlos, y también a buscarlos como ellos lo hicieron conmigo. Saber lo que pasó fue doloroso pero la verdad me liberó y permitió que cicatricen las heridas. La verdad siempre te hace bien. Hoy, junto a mi mujer Inés y mis hijas Sol, Juana y Clara, viajamos frecuentemente a Uruguay y compartimos lindos momentos en familia. Son muchos los que nos quieren de un lado y de otro del Río de la Plata.

Este nuevo rencuentro, el de Guido, nos renueva la esperanza y nos llena de energía en esta lucha cotidiana que hace casi cuatro décadas iniciaron las Abuelas en soledad y que hoy, junto a todos los nietos, sigue adelante más fuerte que nunca.

Carlos D’Elía Casco es el nieto número 52 de los hallados por las Abuelas de la Plaza de Mayo

Fue doloroso, pero la verdad me liberó | Internacional | EL PAÍS

10/08/2014

Todos os males da ditadura só se descobrem na democracia

tapan

Nem a brilhante imaginação do incomparável escritor Jorge Luis Borges poderia ter engendrado uma história tão impactante.

Depois de tudo o que vem sendo mostrado a respeito do que faziam e como faziam, só há dois tipos de pessoas que ainda acreditam em ditadura: os mal informados e os mal intencionados. De qualquer sorte, para sua saúde física e mental, mantenha boa distância de ambos.

O que aconteceu na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Brasil se deve ao patrocínio daquela que se auto declara a maior democracia do Ocidente, os EUA. Por isso, toda vez que os EUA se daclaram apoio a algum país, suspeite, há cheiro de mutreta no ar. Para não dizer, morte e atrocidades…

Aos doentes mentais que ainda negam a ditadura e seus efeitos maléficos lamento apenas que não exista inferno. Passei a não mais acreditar em Deus depois que seus fiéis na Terra cometem todo tipo de atrocidade em seu nome. E aos que, se dizendo religiosos, endossam comportamentos como estes das ditaduras, das guerras e da eliminação do diferente, desejo que encontrem, à sós, com o demônio de suas ideias.

Un espacio de memoria

Se cumplían diez años del asesinato de su hija Laura y fue una idea posible por la existencia de un diario que era un nuevo espacio para los derechos humanos. Desde entonces, los recordatorios se transformaron en una herramienta de memoria, un modo de exigir justicia y negar el silencio para los familiares y para todos los que luchan contra el olvido. La líder de Abuelas de Plaza de Mayo ya publicó 26 recordando a su hija, a la pareja de ella y al nieto que acaba de recuperar. Cada texto es único, personal, escrito especialmente para el momento. El conjunto forma una crónica de sentimientos y ayuda a entender los pasos de una lucha.

1988

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Página/12 :: El país :: Un espacio de memoria

“Guido nos unió a todos”

La aparición del nieto de Estela de Carlotto generó una respuesta inesperada de la sociedad. “Estoy asombrada”, admite la presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo. Y repasa los hitos de cuatro días que no olvidará jamás: del primer abrazo a la conferencia de prensa y la visita a CFK.

Por Victoria Ginzberg

Esta semana Tolosa se conmocionó. Pero no sólo por el enjambre de periodistas que invadieron el barrio donde vive la presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo para sacar alguna declaración o información sobre el nieto con el que Estela de Carlotto se pudo abrazar tras 36 años de búsqueda. Los vecinos y comerciantes se acercaron para felicitarla. Si no estaba, dejaban papelitos escritos a mano para compartir con ella su felicidad. Estaban conmovidos, como el país: “Por la respuesta que tuve, creo que Guido nos unió a los argentinos, pensemos lo que pensemos. No por mí, sino por una persona que recobra su libertad, sus derechos, la recomposición de su historia”, afirma esta mujer que desde hace cuatro días lleva la sonrisa pintada en el rostro y una mirada renovada, profunda y liviana. Dice que parece estar soñando. O mejor, que su sueño se hizo realidad.

Ella lo nombra Guido, como su hija Laura le puso al nacer, mientras estaba secuestrada. Tal vez porque el nombre es algo de lo poco que su mamá le dejó en las cinco horas que estuvieron juntos. Asegura, de todas formas, que respetará la decisión de su nieto si decide conservar el Ignacio que llevó en estos 36 años, aunque el apellido deberá cambiar por disposición de la Justicia. Lo importante para ella es que su nieto está, y que es “hermoso física y espiritualmente”. Como toda abuela que se precie, no ahorra adjetivos: “Es sano, es bueno, es idílico, soñador”.

Estela Carlotto cuenta su primer encuentro con Guido/Ignacio, el vínculo con la familia de Walmir Oscar Montoya, el padre de su nieto también asesinado durante el terrorismo de Estado, y la visita a la presidenta Cristina Fernández de Kirchner. Asegura que lo que más la sorprendió del hijo de su hija Laura es “su serenidad”.

–¿Cómo vivió esta semana? ¿Todavía está soñando? ¿Está agotada o con más energía?

–¿Cómo me ves?

–Espléndida.

–Sí. Estoy feliz, me parece un sueño pero cada vez piso más la realidad. Me costó un poquito cambiar la posición de presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo, una abuela restituyendo a otro nieto. A todos los quiero mucho y vi la alegría de sus abuelas. Pero me costó salir de lo institucional, porque ahora era mi nieto, era mío lo que estaba viviendo. Yo me estaba entregando y restituyendo a mi nieto. Esto lo estoy asimilando momento a momento. Lo que me parecía un sueño ya lo veo como una realidad. Va a cambiar mi vida. Mi vida de trabajo no, porque voy a seguir yendo a Abuelas todos los días, pero también voy a organizarme para que nos conozcamos, para que tengamos momentos gratos, acompañándolo en sus tiempos. A la alegría de la recuperación se suma la calidad de persona que tiene: es sano, es bueno, es idílico, soñador, es músico. Y tiene un carácter muy parecido a los Carlotto, medio jorobón, de hacer chistes. Todo muy lindo. Lógicamente hay mucho para hablar, hay tanto, que hay que ir despacio porque si no eso más que bien le puede hacer un daño. Primero, el llegar y conocernos. Segundo, conocer al resto de la familia. Tercero, ir a Buenos Aires a hacer esa conferencia de prensa y estar con los nietos recuperados, con las Abuelas, con los colaboradores de la institución. Eramos muchísimos. Y a la noche conocer a su abuela paterna, que es una mujer encantadora, muy dulce. Yo estuve un rato con ellos y después los dejé solos.

–Ahora tiene una familia política nueva también.

–Claro. Se suma la alegría de saber quién era el papá de él, el compañero de Laura, porque hasta el martes no lo supe. Era una sospecha. Pero estas cosas yo ya las he vivido en otros casos. Entonces, no era seguro y no hicimos nada. Pero ahora, saber qué clase de chico era… yo pensaba que tal vez era más que nada una unión por circunstancia, pero no, se han amado entrañablemente. Cuando a Laura le comunicaron que lo habían matado, porque los genocidas que la tenían cautiva le dieron la noticia: “Hoy matamos a tu compañero”, en diciembre (de 1977) a ella le dio un ataque de nervios y de angustia, se rebeló, les dijo de todo. Y a ella le hicieron un simulacro de fusilamiento el 28 de diciembre y después le dijeron “que la inocencia te valga”. Era todo así de cruel y de malo. Sin embargo, el bebé nació bien y es un chico que creo que lo que trae de sus padres es eso que está demostrando, que es una profundidad… las respuestas que dio a los periodistas.

–Me hizo acordar a usted en el manejo de los medios, por cómo explicaba lo que quería, pero muy tranquilo.

–Se manejó muy bien. Y hubo alguna pregunta un poco difícil de responder. Dijo que “no es momento de hablar de eso”, sobre las responsabilidades de los que lo secuestraron a él. Estoy asombrada y agradecida, algunos dicen que parezco más joven. (Se ríe) Estoy muy bien.

–¿La repercusión social que tuvo el encuentro, la esperaba?

–Para nada. Estoy asombrada. Escuchaba en una radio que comentaban que había que analizar la reacción por este encuentro. “Está bien, Estela es conocida, querida y 37 años es toda una vida, la perseverancia, la forma, pero acá hay algo más, algo que necesitamos profundizar y aprovechar socialmente”, decían. Esto nos ha unido. Comentaron una encuesta y la cantidad de gente que estaba contenta era enorme, un 80 y pico, había también otra que estaba bien, otra que no le importa y otra que no sabe nada, pero eran muy poquitos. En mi barrio, que es periférico, humilde, en el que vivo hace 35 años, nunca me di mucho con nadie, aunque los aprecio y me aprecian… Pero allí hubo una explosión de gente para mí desconocida que se arrimó junto con la prensa que invadió el barrio. Los vecinos me han dejado papelitos escritos muy humildemente con felicitaciones. Acá no se midió nada. Por la respuesta que tuve, creo que Guido nos unió a los argentinos, pensemos lo que pensemos. No por mí, sino por una persona que recobra su libertad, sus derechos, la recomposición de su historia. Menos los que decían “bueno, basta”. Había algunos que descreían y decían que yo no era abuela, que estaba mintiendo. Hasta dicen que nuestros hijos están vivos.

–¿El decidió hacer la conferencia de prensa?

–Al salir de Olivos, de la visita a la Presidenta, su compañera me preguntó mi opinión, porque él quería dar una conferencia de prensa porque así daba todas las respuestas y así ya no lo seguían, no iban a ver a las personas que lo criaron, que están asustados y se tuvieron que ir del campo. Porque fue muy bruto eso, algunos periodistas fueron a avasallar. Le dije que si él estaba dispuesto a mí me parecía bárbaro. Lo organizamos a la última hora del día anterior, con la gente de Abuelas que trabajó muy bien. Y se armó esa conferencia.

–Escuché que desde que se enteró de que su nieto había aparecido había podido dormir muy bien, en vez de no poder dormir por los nervios.

–Con una paz… y felicidad interna, el corazón henchido de alegría. Dormí muy bien.

–Sabemos que faltan muchos nietos por encontrar, pero en lo personal ¿tiene la sensación de un trabajo terminado?

–Nooo, terminado nada. Esto recién empieza, pero no es un trabajo. Es… ¡lo encontré! En eso encierra todo.

–Me refiero a cerrar un círculo, una deuda con Laura, con toda la familia.

–Pensé en Laura. Creo que en donde esté, estará sonriendo, feliz. “Mamá, misión cumplida.”

–¿Algo de Laura le ve? Parece que es muy parecido al padre, pero las abuelas siempre encuentran algo.

–Muy poco. Creo que es el retrato vivo del papá. Vino el hermano (Jorge Montoya, hermano de Walmir Oscar), que es el único hijo que le queda a la abuela Hortensia, y se parecen, en la estatura, en un montón de cosas, aunque no tanto como al padre. Los amigos que estaban ahí y lo conocen desde hace tantos años lo miraban y decían: “Mirá, se para igual, mirá es igual”. De Laura creo que tiene esas ideas que expresó, esa claridad para decir las cosas.

–Que él se haya acercado a Abuelas, que la haya buscado, ¿hace más especial este reencuentro?

–No me llama la atención porque hace muchos años ya, cuando nuestros nietos empezaban la adolescencia, la adultez, dijimos “ellos ya tienen pensamiento y decisiones propias, ya están en condiciones de saber que los estamos buscando y va a ser un camino de ida y vuelta”. Así empezamos la actividad hacia afuera, nace Teatro por la Identidad, Música por la Identidad, Tango por la Identidad, Deportes, hasta los Twitterrelatos y así seguimos hacia afuera, para que el que tenga una duda se anime. Y con esto de mi nieto ardieron los teléfonos de Abuelas y de la Conadi (Comisión Nacional por el Derecho a la Identidad) con jóvenes con dudas. Fue lo que expresó en la conferencia, que el deseo de él es que se animen los demás también.

–Se la ve siempre con mucha fortaleza, ¿tuvo todos momentos de alegría estos días o también pudo llorar?

–No lloré. Solamente cuando lo abracé de la emoción y le dije “Guido, mi querido nieto que te busqué tanto”. Y él me dijo “despacito, despacito”. Pero cuando se fue ese día a la noche me dijo: “Chau, abu”.

–Falta saber una parte de la historia, ¿cómo llegó él a Olavarría?

–A mí lo que me interesa ahora es él. El está, es hermoso física y espiritualmente. Lo demás tienen que hacerlo otras personas, la Justicia, por un lado, y nuestros equipos de investigación y abogados. Tienen que completar la historia de responsabilidades. Porque yo sé dónde estuvo Laura, lo más probable es que él haya nacido ahí. Quién se lo sacó, quién se lo dio al que lo llevó al campo y lo tiró en brazos de gente que no podía tener hijos para que el futuro de él sea ordeñar vacas. No es malo ordeñar vacas, lo digo en el sentido metafórico de que yo nunca lo iba a encontrar. El en el medio del campo ni un libro tenía, pero al morir los patrones llegaban a esa casa los libros de los patrones que él leyó como el autodidacta que es. Después se cultivó en la universidad de música, también es maestro mayor de obras.

–¿Pudo darle las camisetas y los prendedores que había guardado para él durante todos estos años?

–Muy poco. Algunas camisetas y remeras. No quise… son cajas. Espero los próximos encuentros, organizarme un poco. Tengo mucho lío en mi casa, que cada vez más se parece a un museo.

–¿Cómo fue el encuentro con la Presidenta?

–Fue el encuentro de una madre y una abuela a la vez, porque ella ya lo es, con alguien muy querido para ella como es la gente del sur. Conocía a todos y le contó un montón de cosas de su familia, de su padre, de su abuelo. Que Hortensia, su abuela, era maestra. Todavía le dije: “Cristina, no hablaste de Laura que es platense como vos, y es la madre”.

–Un poco de celos.

–Claro que sí. Su mamá lo llevó en la pancita.

–¿Qué fue lo que más le sorprendió de él en estos días?

–Su serenidad. Su don para llevarnos, para ponernos límites y a la vez brindarse. Y también tiene todo en positivo, nunca dijo no, dijo sí a todo, no cierra nada, sino que abre.

–¿Y con el asunto del nombre?

–Le dije lo siguiente: “Yo te voy a llamar Guido, te busqué como Guido y fue el nombre que te quiso poner tu mamá. Si vos te vas a quedar con Ignacio es tu decisión y te la respeto absolutamente. El apellido te lo vas a tener que cambiar porque la Justicia te lo va a decir”.

–O sea que hablaron de ese tema.

–Sí, de forma alegre. El es muy chistoso y yo también. Cuando conocí a mi consuegra y tenía casi lágrimas en los ojos, me señaló con el dedo y me dijo (hace tonada de burla) “estás llorando”. Me estaba cargando. Y yo también lo cargo. Es algo realmente maravilloso.

–¿Cómo fue el encuentro con los Montoya?

–Muy lindo. La señora es mayor, tiene 91 años. El hermano es un tesoro, sus hijas maravillosas. Es una familia pequeña, pero es gente muy querida en el sur. El tendrá que ir y conocer donde su papá nació, el entorno familiar, los monumentos que les han hecho a los desaparecidos de allá.

–¿Preguntó algo más de Laura?

–Nunca preguntó. Le fuimos diciendo al pasar, las cosas que podíamos irle diciendo. El se va a enterar.

EL PAIS › COMO ABUELAS DE PLAZA DE MAYO Y SU CAUSA INFLUYERON EN LA PROTECCION DE LOS DERECHOS HUMANOS

Abuelas del mundo

En dictadura, el reclamo de restitución de los nietos robados fue parte de la protesta internacional. El papel de Nchama. Carter y Vance. El derecho a la identidad en la Convención de Derechos del Niño, con Alfonsín. Kirchner y la Convención sobre desapariciones. Opinan Taiana, Filmus, D’Alotto, Despouy, Tex Harris, Palhares y Di Santo.

Por Martín Granovsky

epigrafe

Un luchador por los derechos humanos fue decisivo en la historia de las Abuelas de Plaza de Mayo. En 1982, Cruz Melchor Eya Nchama, de Guinea Ecuatorial, prestó su organización para que por primera vez el reclamo por los nietos robados pudiera ser oído en las Naciones Unidas.

Nchama era el líder del Movimiento Internacional para la Unión Fraternal entre las Razas y los Pueblos, reconocido por la ONU.

“Los representantes de la dictadura en Ginebra les prohibían a las Abuelas hablar como tales en la Comisión de Derechos Humanos y el Movimiento les dio un lugar”, recordó el embajador Alberto D’Alotto, actual representante argentino ante los organismos internacionales en Ginebra. D’Alo-tto estaba entonces exiliado en París. Con la democracia recuperada ingresó en la carrera diplomática y llegó a ser vicecanciller con el actual ministro Héctor Timerman.

El 6 de junio último, Nchama fue condecorado con la Orden de Mayo.

“Gracias a su activismo, Cruz Melchor logró llevar la voz de las Abuelas de Plaza de Mayo ante la Comisión de Derechos Humanos, antecesora del actual Consejo de Derechos Humanos”, dijo Timerman en la ceremonia de condecoración. “De esta manera sumó su nombre al de otros que participaron desde el interior mismo de las Naciones Unidas en sus esfuerzos de lucha contra las violaciones sistemáticas de los derechos humanos en nuestro país.”

Nacido en 1945, Nchama fue siempre tan activo en la denuncia histórica del esclavismo como en la lucha contra la ablación genital de mujeres en Africa.

La relación entre los movimientos antirracistas y otros movimientos es una tradición en la historia de la lucha por los derechos humanos.

En 1957 Martin Luther King formó la Conferencia de Líderes Negros del Sur sobre el Transporte e Integración No Violenta para pelear contra la segregación en el transporte público, y en 1960 la masonería de Atlanta le dio cobijo en el Templo Prince Hall. Desde allí lideró el movimiento hasta que lo asesinaron en 1968.

Antes del acto solidario de Nchama, “el primer precedente es la denuncia de Chicha Mariani a la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) en 1977 por la desaparición de su nieta, Clara Anahí Mariani”, relató a Página/12 el ex canciller y actual legislador Jorge Taiana. “Si bien esta denuncia tuvo gran importancia para el futuro de la búsqueda de los nietos y nietas apropiados, en esa época no alcanzó repercusión externa. Pero al año siguiente, la CIDH se pronunció sobre el caso de Clara Anahí Mariani (Resolución sobre el Caso 2553) y condenó al Estado argentino como responsable por la violación del derecho a la libertad, la seguridad y la integridad, le solicitó la devolución de la niña Clara Anahí a su familia. Este importante precedente dio a la desaparición de nietos una comprobación internacional y una relevancia que incrementó el interés y la difusión.”

Neologismo

Las Abuelas sensibilizaron también a muchas fuerzas políticas de Europa. Donato Di Santo conoció a Estela Carlotto cuando era un militante interesado en América latina dentro del entonces Partido Comunista Italiano, hoy Partido Democrático. “El tema de los chicos robados salió a la luz masivamente en Europa después de la caída de las dictaduras”, dijo desde Roma ante la consulta de Página/12. “Pero yo me enteré del tema antes, por boca de la propia Estela.”

Agregó Di Santo que “los de-saparecidos, en Italia, causaron en los partidos políticos una tremenda impresión, una tremenda angustia, un tremendo rechazo”. Y explicó: “Hasta se crea una suerte de neologismo. En italiano la palabra desaparecido no existe. La traducción literal sería scomparso. Pero, en realidad, todos utilizan el término ‘desaparecidos’. Entró en el idioma italiano”.

Daniel Filmus, ex ministro de Educación, ex senador y actual secretario sobre Malvinas en la Cancillería, recomendó no olvidar la fecha del 22 de octubre de 1977, cuando se creó la Asociación de Abuelas de Plaza de Mayo. “Después de iniciar su búsqueda en soledad, porque el miedo instalado en la sociedad condicionaba la actitud hacia las familias directamente afectadas en la etapa más dura de la represión ilegal ejercida por la última dictadura militar, una mujer se apartó de la ronda que realizaban las Madres de Plaza de Mayo y preguntó: ‘¿Quién está buscando a su nieto, o tiene a su hija o nuera embarazada?’. Una a una fueron saliendo. En ese momento, 12 madres comprendieron que debían organizarse para buscar a los hijos de sus hijos secuestrados por la dictadura. En principio se bautizaron como Abuelas Argentinas con Nietitos Desaparecidos y más tarde adoptaron el nombre con que el periodismo internacional las llamaba: Abuelas de Plaza de Mayo.”

La historia a la que alude Filmus incluye a las dos primeras presidentas de la organización: Licha Zubasnabar de la Cuadra y María Isabel Chorobik de Mariani, Chicha.

“Las Abuelas se pusieron a preparar un documento con los casos de niños desaparecidos y mujeres embarazadas para entregarle a Cyrus Vance, secretario de Estado de los Estados Unidos, cuya visita a la Argentina estaba prevista para noviembre de 1977”, historió Filmus.

El 20 de enero de ese año había asumido el demócrata James Carter. “La administración de Carter mostraba interés por esclarecer las violaciones a los derechos humanos perpetradas por la dictadura”, dijo Filmus. “Vance concurrió a un acto y las mujeres lograron atravesar la seguridad y entregarle el documento.”

Los casos de Tex

En Buenos Aires ya era clave el papel del entonces consejero político Tex Harris. Llegó a la Argentina en junio de 1977 a los 38 años para encargarse de tres temas, dos oficiales y uno extraoficial: el Beagle, las Malvinas y los proyectos nucleares secretos de la dictadura. Pero muy pronto se hizo cargo de las denuncias por violaciones a los derechos humanos. Abrió las puertas de la embajada de los Estados Unidos y construyó un fichero con los casos que todos los días le denunciaban los familiares de los secuestrados. Antes de la constitución de Abuelas, ya tenía indicios sobre el robo de chicos pero no pruebas porque la clandestinidad del Estado argentino dificultaba la obtención de datos. Sin embargo, muy pronto, por la información de abuelos y abuelas, supo que había niños robados.

Harris, que aún sigue muy activo y también fue condecorado por el gobierno argentino como Nchama, relaciona a Estela de Carlotto con un hecho importante ocurrido en plena democracia. En el 2000, con el apoyo del entonces canciller Adalberto Rodríguez Giavarini, la presidenta de Abuelas pidió desclasificar datos de los archivos norteamericanos. Elevó la petición a la entonces secretaria de Estado, la demócrata Madeleine Albright.

“Comparto la angustia por un tema que no puede darse así nomás por terminado”, fue la frase exacta que usó Albright durante una visita a la Argentina. El tema eran los desaparecidos.

“Queremos pedirle que su palabra sirva para que el gobierno argentino ponga esfuerzos para que se esclarezca el genocidio, aunque el jefe del Ejército lo desconozca y pretenda interrumpir los procesos judiciales y el poder político no le ponga freno”, dijo Estela. Fue entonces cuando la secretaria de Estado habló de los desaparecidos y prometió ocuparse de la desclasificación de nuevos documentos para que sean accesibles al público.

“Responderemos al pedido”, dijo mirando a Carlotto y a Carmen Lapacó, de Madres Línea Fundadora. “No sé qué información existe en el Departamento de Estado, pero al volver haré un esfuerzo por contestarles. Por razones humanitarias (recuerden que soy ambas cosas: madre y abuela) entiendo el planteo y quiero resolverlo. Y también se lo voy a contar a Hillary Clinton, de quien soy amiga.”

“Madeleine cumplió y el gobierno empezó una gigantesca desclasificación que ayudó muchísimo a las investigaciones en toda América latina”, dijo Harris.

Cerca del Nobel

En el 2000 las Abuelas ya llevaban más de veinte años viajando y haciendo contactos en todo el mundo. “En la ONU, en Amnistía Internacional, en la OEA”, dijo Filmus. “En todos lados. Nunca se cansaron.”

Para D’Alotto, “la cuestión de los desaparecidos es un triste privilegio argentino que irrumpió como un fenómeno gravísimo de violación a los derechos humanos en la Comisión de Derechos Humanos también en 1980, con la creación del Grupo de Trabajo sobre desapariciones forzadas de Naciones Unidas”. El grupo fue el encargado de investigar los secuestros.

“Ciertamente el delito se había cometido en otros lugares en América latina, pero por la masividad que tuvo en nuestro país tenía una impronta indudablemente argentina”, dijo D’Alotto.

Leandro Despouy, que también estuvo exiliado, luego fue encargado del área Derechos Humanos en tiempos de Alfonsín y hoy preside la Auditoría General de la Nación, dijo que “ya para la campaña contra la dictadura durante el Mundial del ’78 estaba instalada en el exterior la conciencia de que las tétricas desapariciones de personas incluían algo más siniestro todavía, como el robo y apropiación de las criaturas por parte de los propios represores”.

“También lograron repercusión en Brasil, donde el Comité de Defensa de los Derechos Humanos para los Países del Cono Sur (Clamor), dependiente del Arzobispado de San Pablo dirigido por el cardenal Paulo Evaristo Arns, instrumentó acciones concretas frente a la violación de derechos humanos en la región”, recordó Taiana.

El ex canciller 2005-2010 indicó que con ayuda de Amnistía Internacional las Abuelas impulsaron “un petitorio internacional firmado por miles de personas así como por personalidades como Simone de Beauvoir, Costa Gavras y Eugene Ionesco, y tras estas acciones, numerosas organizaciones comenzaron a difundir información sobre la situación de los niños desaparecidos”.

Precisó Taiana que el 31 de julio de 1979, Clamor, con la colaboración de las Abuelas de Plaza de Mayo, identificó a los primeros niños desaparecidos, Anatole y Victoria Julien Grisonas, “quienes habían sido abandonados en una plaza de Valparaíso y adoptados de buena fe por una familia chilena”. Las Abuelas se reunieron con la familia adoptiva “y aceptaron que los niños permanecieran con sus padres adoptivos en estrecho contacto con su familia biológica”.

En 1979 la Comisión Interamericana de Derechos Humanos realizó su visita de inspección a la Argentina, “durante la cual recibió más de cinco mil denuncias sobre violaciones a los derechos humanos perpetradas en el marco de la dictadura militar”. Taiana sostiene que “gracias a la visita de la Comisión y las denuncias, el tema de los nietos y nietas apropiados, adquiere particular relevancia, y luego, en su informe sobre la visita in loco, aprobado y publicado en 1980 la CIDH se pronunció nuevamente sobre el tema”.

Taiana subrayó que “durante el período de transición y retorno a la democracia, el informe de la Conadep y el Juicio a las Juntas marcaron hitos en la comprensión colectiva de la dimensión y el impacto del terrorismo de Estado y la comisión de los crímenes de desaparición forzada y apropiación de menores recién nacidos”. Y agregó: “El informe y el Juicio tuvieron un impacto decisivo, tanto en la Argentina como en América latina y el resto del mundo. La posterior sanción de las leyes y decretos de impunidad impidió la investigación judicial de los crímenes perpetrados, pero la labor de los organismos de derechos humanos continuó y se fortaleció gracias al apoyo social, al desarrollo de los juicios de la verdad y a la utilización de los mecanismos de protección internacional de los derechos humanos, en particular la CIDH y el Grupo de Trabajo sobre De- saparición Forzada de la ONU”.

Para Despouy, “el gran despliegue internacional de las Abuelas se redobló después de 1983, y el tema tuvo un impacto asombroso y creciente, al extremo de que Abuelas es hoy una de las organizaciones de derechos humanos más conocidas en el mundo y quizá con más posibilidades de alcanzar el Nobel de la Paz”.

D’Alotto recordó que “al restablecerse la democracia se inició un proceso de cooperación con los organismos internacionales y específicamente la temática de los niños apropiados impactó profundamente”.

“Por iniciativa de las Abuelas, el gobierno del presidente Raúl Alfonsín impulsó la inclusión del derecho a la identidad en la Convención sobre los Derechos del Niño”, dijo el actual embajador ante los organismos con sede en Ginebra.

El artículo 7 de la Convención indica que “el niño será inscripto inmediatamente después de su nacimiento y tendrá derecho desde que nace a un nombre, a adquirir una nacionalidad y, en la medida de lo posible, a conocer a sus padres y a ser cuidado por ellos”.

El artículo 8 expresa que “los Estados Partes se comprometen a respetar el derecho del niño a preservar su identidad, incluidos la nacionalidad, el nombre y las relaciones familiares”.

“El trabajo de Abuelas ayudó mucho a la democracia naciente”, contó Despouy. “Cuando se elaboraba la Convención de la ONU de Derechos del Niño y propusimos la inclusión del derecho de los niños privados fraudulentamente de su identidad de recuperarla e ir con su familia de sangre, al principio hubo un enorme rechazo. Pero fueron la presencia y el testimonio de las Abuelas los que permitieron la inclusión de ese derecho en el célebre artículo 8 de la Convención. Fue una contribución para el mundo.”

La resistencia

Como la Convención, los instrumentos internacionales fueron ratificándose paso a paso. En 2006 la ONU aprobó la Convención de Naciones Unidas contra las Desapariciones Forzadas de Personas. D’Alotto la definió como “un antiguo anhelo de los familiares de desaparecidos que pudo concretarse por la acción diplomática del gobierno del presidente Néstor Kirchner con el firme apoyo de Francia, Suiza, Japón y Marruecos entre otros, y que hoy forma parte del conjunto de instrumentos internacionales de derechos humanos de cumplimiento obligatorio”. El Gobierno también impulsó “la consagración internacional del derecho a la verdad para las víctimas de violaciones a los derechos humanos”.

En los últimos días Evo Morales fue uno de los primeros presidentes que saludaron a Estela de Carlotto por su nieto. También en América latina las Abuelas se convirtieron en una referencia. El brasileño Joaquim Palhares, editor de la influyente web Carta Maior, contó que tanto las Madres como las Abuelas “rápidamente hallaron eco en la región, pero no sólo de manera simbólica, sino también de modo práctico, estimulando articulaciones políticas y redes de apoyo y solidaridad”. En opinión de Palhares, el impacto que provocaron Madres y Abuelas “fue muy importante en el proceso de salida de la dictadura y la recuperación gradual de la democracia”.

De ese momento en adelante, Palhares opina que lo más importante fue “la ejemplaridad”. Así lo explicó a Página/12: “Hasta hoy, la movilización argentina en defensa del rescate de la identidad y la memoria es un ejemplo para los demás países de la región que también vivieron experiencias autoritarias. Cada dictadura tuvo sus particularidades, pero todas se destacaron por el rasgo común de violar la democracia y los derechos humanos. En la Argentina ese proceso llegó a límites increíbles y la reacción contra el pasado nos sigue inspirando. Tenemos mucho que aprender de la resistencia argentina. En lo que se refiere exclusivamente a Brasil, existe una enorme diferencia en la forma en que los dos países enfrentaron la cuestión militar. Brasil no hizo una transición y por eso seguimos sufriendo las consecuencias de ese equívoco terrible. La Comisión de la Verdad no tiene fuerza política. Los archivos de la dictadura siguen cerrados y no hay movilización del Partido de los Trabajadores, de la izquierda y de la sociedad brasileña para reclamar el debido respeto a los derechos humanos”.

Agenda global

En 1988, Sting hizo subir a las Madres y las Abuelas al escenario en un estadio de River colmado. En su última gira por la Argentina, en 2012, Joan Manuel Serrat y Joaquín Sabina les dedicaron un recital a Estela de Carlotto y a las Abuelas. En la Copa del Mundo de Sudáfrica, Estela viajó y la Selección apoyó la difusión de la causa de Abuelas poniendo el cuerpo, o sea la cara, en un objetivo que no sólo encuentra pocas resistencias sino, al contrario, mucho consenso.

¿Ese consenso sirve para que el tema se consolide como parte de la política exterior del Estado argentino? “Sin duda”, opinó D’Alotto. “La cooperación de las Abuelas y la difusión de su lucha ayuda al objetivo argentino de fortalecer las instituciones internacionales de protección de los derechos humanos.”

Palhares coincide en que el tema es parte de la política mundial. “Lo es desde que la represión tuvo un carácter internacional con la Operación Cóndor, que articuló a los órganos represores de varios países. Es una historia conocida, pero creo que aún queda mucho por investigar y por contar. Y en segundo lugar la lucha de Abuelas sirve de inspiración para construir políticas de derechos humanos en el ámbito del Mercosur y de la Unión de Naciones Suramericanas. Sería una integración para el bien (la Operación Cóndor fue una integración para el mal), dirigida a la protección y promoción de los derechos humanos a nivel regional.”

“El reconocimiento internacional del genocidio cometido en la Argentina, y especialmente en el continente, también aumentó notoriamente luego de que en 1981 las Abuelas participaron de la Asamblea General de la OEA en Washington y asistieron a los congresos de la Federación Latinoamericana de Asociaciones de Familiares de Detenidos-Desaparecidos, de la cual fueron fundadoras, en Costa Rica y en Venezuela en noviembre”, señaló Filmus.

Di Santo, que además de dirigente partidario fue vicencanciller de su país para América latina, no vaciló en nombrar el propio caso italiano al analizar la influencia global de Abuelas. “El hecho de que el gobierno de Italia se haya declarado parte querellante en el juicio por los desaparecidos de origen italiano fue también gracias a la influencia humana e intelectual de ellas. Es importante que tanto el ex ministro de Relaciones Exteriores Massimo D’Alema como la ministra actual, Federica Mogherini, sean amigos personales de Estela.”

Las Abuelas aún no ganaron el Nobel pero sí otros premios. En la Unesco, la Organización de las Naciones Unidas para la Ciencia y la Cultura, la Argentina las presentó como candidatas al Premio Fomento de la Paz Félix Houphouét-Boigny, que ganaron en 2011. Como miembro del Consejo Ejecutivo de la Unesco, Filmus presentó a las Abuelas para el premio junto con el embajador en el organismo, el pianista Miguel Angel Estrella. “El premio tiene por objeto rendir homenaje a las personas, instituciones u organismos que han contribuido significativamente a fomentar, buscar, salvaguardar o mantener la paz según los principios de la Carta de las Naciones Unidas y la Constitución de la Unesco”, dijo Filmus. “Entre los galardonados anteriormente figuran Nelson Mandela; Yitzhak Rabin, Shimon Peres y Yasser Arafat; el presidente de Senegal, Abdoulaye Wade; el ex presidente de Finlandia Martti Ahtisaari; y el ex presidente de Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.”

En abril de 2008, la presidenta Cristina Fernández de Kirchner inauguró el jardín Madres y Abuelas de Plaza de Mayo, a orillas del río Sena.

“La Argentina también impulsó la adopción de una serie de resoluciones sobre el derecho a la verdad en el marco del Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas y patrocinó la creación del mandato del Relator Especial de Naciones Unidas para la Promoción de la Verdad, la Justicia, la Reparación y las Garantías de No Repetición, quien comenzó con sus labores en mayo de 2012”, dijo Taiana. También recordó que el país “impulsó instrumentos específicamente relacionados con el derecho a la identidad y la labor de Abuelas de Plaza de Mayo. Concretamente, las Resoluciones adoptadas por el Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas sobre Genética y Derechos Humanos”. Aún queda pendiente aprobar “un proyecto de manual sobre el empleo de la genética en el esclarecimiento de graves violaciones a los derechos humanos con destino a la comunidad internacional, con base en la experiencia acumulada en el marco de los casos argentinos”. Uno de los ejemplos sería “la alta formación y vasta experiencia del Equipo Argentino de Antropología Forense –fundado hace 30 años para esclarecer la identidad de víctimas desaparición forzada y ejecuciones extrajudiciales–, que participa de numerosas misiones tanto de capacitación como de investigación en todo el mundo”.

“Ya antes de la restitución de la identidad de su nieto, Estela tenía previsto participar en Ginebra en un evento sobre el derecho a la verdad que organiza la Misión Argentina en Ginebra”, informó D’Alotto. “A la luz de lo ocurrido con la reaparición de su nieto adquiere una nueva dimensión y producirá obviamente un fuerte impacto internacional.”

“La lucha de Abuelas fue y es parte de nuestra política exterior porque hace a la credibilidad de nuestro país y de nuestra democracia”, dijo Despouy a Página/12. “Y la recuperación de cada nieto nos fortalece.”

En opinión de Taiana, “la promoción y protección de los derechos humanos a nivel internacional se convirtió en una política de Estado y parte de la identidad de la Argentina como miembro de la comunidad internacional, junto a la defensa de la democracia como forma de gobierno, y la paz y el multilateralismo en las relaciones entre Estados”.

martin.granovsky@gmail.com

 

Relato de un encuentro íntimo

Al llegar a Olivos, Guido (Ignacio) Montoya Carlotto se abrazó con la presidenta Cristina Fernández.

A través de Twitter, la Presidenta destacó la “frescura” y el “sentido del humor” de Guido y contó detalles de su visita a Olivos junto a Estela, familiares y amigos. Le regaló un cuadro inspirado en su abuela.

Emocionada por la restitución de la identidad de Guido (Ignacio) Montoya Carlotto, la presidenta Cristina Fernández relató ayer el encuentro que mantuvo junto al nieto de Estela de Carlotto en la residencia oficial: “A las 20.50 la flia. Carlo-tto-Montoya llega a Olivos. Estela, Ignacio, Celeste su compañera, Remo, Kibo y su compañera. Tres parejas de Olavarría que los acompañan. Se agregan Florencia (Kirchner), Máximo (Kirchner), (Carlos) Zannini, Wado (De Pedro) y (Andrés) el Cuervo Larroque. La verdad parecemos un batallón. Pero, ojo, no vamos a la guerra. Queremos ver de cerca el triunfo del amor y la cara que tiene la felicidad”, contó la Presidenta, que tras ver las noticias sobre el tema en Santa Cruz utilizó su cuenta de Twitter para difundir fotos y contar detalles de la velada.

Todo comenzó durante el almuerzo del jueves, cuando el secretario de Legal y Técnica, Carlos Zannini, le avisó a la presidenta que Claudia Carlotto, hija de Estela y hermana de Laura, le había contado que Guido la quería conocer.

–Hola, Guido, soy Cristina ¿cómo estás?

–Bien, muy bien. Acá hay como 50 personas que me están mirando constantemente. Me muevo y me siguen a todas partes con sus ojos…

–¿Te parece que nos veamos hoy en Olivos después del acto, tipo 20.30?

–Dale.

Así contó la Presidenta que fue el primer diálogo con Guido, quien “se ríe con ganas” y “además de frescura tiene sentido del humor”. “La cosa viene todavía mejor de lo que uno pensaba. Gracias a Dios. Es que uno nunca sabe”, escribió CFK y continuó su relato.

La presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo fue la primera en entrar a la residencia: “Camina con una agilidad nueva. La cara resplandece. Ha rejuvenecido de repente pero conserva el genio de siempre”, tuiteó CFK e inmediatamente transcribió el primer comentario de Estela: “Dijiste que el papá era santacruceño como Néstor, pero te olvidaste de decir que Laura era platense como vos”. El padre biológico de Ignacio, Oscar “Puño” Montoya, nació en la localidad patagónica de Cañadón Seco y fue a La Plata a estudiar, donde conoció a Laura Carlotto. Una historia similar a la del matrimonio presidencial, que también se conoció mientras ambos estudiaban derecho en la universidad de la capital bonaerense.

Después de Estela entró a Olivos Guido-Ignacio y se abrazó con la Presidenta. “No sé qué habrá sentido y pensado él. Algún día se lo preguntaré. Pido perdón, pero no voy a contar lo que sentí ni lo que pensé. Es algo absolutamente mío. Personal e intransferible”, se reservó la Presidenta.

Durante la charla, CFK contó que le “impactó” saber que el nieto recuperado 114 es hijo de un santacruceño y reveló lo que sabía sobre la historia de los Montoya en su pueblo natal. Hay en Cañadón Seco una plaza en homenaje a tres detenidos desaparecidos, entre ellos, Oscar, el papá de Guido. Uno de los responsables de ese homenaje es Jorge “el Negro” Soloaga, ex diputado provincial y ex trabajador “ypefiano”. “Su abuela Hortensia (la de Guido), fue maestra y directora de escuela y es toda una institución en el pueblo. Los Ardura son de las familias pioneras de Santa Cruz. Amigos míos conocieron a su padre del boliche o del colegio. Era muy bohemio, le gustaba la música”, señaló la Presidenta, que después de hacer esos comentarios se “llamó a silencio” para escuchar al resto de los participantes del encuentro.

Según la primera mandataria, se podía sentir en el ambiente, en Olivos, “la buena vibra, las miradas de amor y todavía de sorpresa”. Guido se llevó un regalo. Un cuadro inspirado en su abuela Estela, que la noche anterior a su aparición le dio el artista Guillermo Grinbaum a CFK. “Tuve que hacer un esfuerzo por no ponerme a llorar. Estoy segura de que lo va a poner en la casa nueva que se está haciendo…”, escribió la Presidenta. En Twitter reveló también que Guido (Ignacio) es maestro mayor de obras y su compañera Celeste es diseñadora egresada de la UBA y participa del trabajo de las Cooperativas de Desarrollo Social de Emprendedores y Diseño y Moda para la inclusión, dependientes de la ministra Alicia Kirchner. “¿Qué cosa, no? Qué cerca estábamos todos y nadie se había encontrado”, reflexionó CFK.

Durante la charla hubo también tiempo para hablar del tema de su nombre. Como señaló en la conferencia de prensa, Guido dijo que prefiere seguir llamándose Ignacio, a lo que su abuela le pidió que al menos le agregue el Guido. “En realidad es Ignacio + Guido + Laura + Puño + Estela + Hortensia… Lo importante de su vida es que tendrá muchas cosas para sumar y no para restar, porque tuvo la suerte de crecer con amor”, afirmó Cristina Fernández y completó: “Después de todo Estela tuvo suerte. Mirá si a su nieto lo hubieran criado con odio”.

La reunión duró hasta tarde. Hubo fotos, abrazos y sonrisas. Al día siguiente, el viernes, Guido iba a ver a su abuela Hortensia. “Cuando se fueron me quede pensando: es tan parecido a su padre que no sé si mañana cuando su abuela lo vea, en lugar de encontrarse con su nieto, se vuelva a encontrar con su hijo”, contó la Presidenta y aclaró que “es lo mismo pero no es igual”, en referencia una canción de Silvio Rodríguez.

“No hay vuelta: vivir sólo cuesta vida”, sintetizó CFK que apeló a otro músico, el Indio Solari. “Estoy media musical. Es que Ignacio-Guido está, por fin, entre nosotros”, concluyó.

http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-252672-2014-08-10.html

 

EL PAIS › LA ANTROPOLOGIA FORENSE LE PERMITIO A ESTELA DE CARLOTTO SABER QUE TENIA UN NIETO

El rastro de la ciencia

La llegada del norteamericano Clyde Snow y la creación del Equipo Argentino permitió identificar a cientos de NN. En este caso, en 1985 pudo establecer cómo fueron asesinados los padres de Guido Montoya Carlotto y que Laura había tenido un bebé.

Una de las excavaciones del Equipo Argentino de Antropología Forense para identificar a desaparecidos.

Con casi un cuarto de siglo de diferencia, el trabajo de los antropólogos forenses derivó en aportes sustanciales para la reconstrucción de la historia familiar de Ignacio Hurban, el joven músico que esta semana conoció su verdadera identidad y supo que es el nieto que Estela de Carlotto buscaba desde 1978. En el caso de su madre, Laura Carlotto, la exhumación del cuerpo y la pericia encabezada por Clyde Snow, fundador del Equipo Argentino de Antropología Forense, implicó para Estela en 1985 la confirmación del nacimiento de Guido, como lo llamó su hija. En el caso del padre, Oscar Walmir Montoya, el avance de la ciencia y su aplicación al servicio de la investigación del genocidio argentino permitió ni más ni menos que la identificación de los restos, un logro impensable sin la posibilidad del cruce masivo de muestras de ADN en el marco de la Iniciativa Latinoamericana para la Identificación de Personas.

El 27 de agosto de 1978, sin ningún documento que acreditara su identidad, Estela y su esposo Guido Montoya Carlotto enterraron a Laura en el cementerio de La Plata. Por el contacto con sobrevivientes de La Cacha y el testimonio de un ex conscripto conocieron detalles de su cautiverio y del nacimiento de su nieto. Pero fue recién tras el retorno de la democracia, en 1985, cuando esa certeza tuvo por primera vez un respaldo científico. “Estela, tú eres abuela”, fueron las palabras de Snow que la presidenta de Abuelas recordó una y otra vez.

Abuelas de Plaza de Mayo y la Conadep habían recurrido un año antes a la Asociación Americana para el Avance de la Ciencia, la ONG estadounidense que contactó a Snow. Poco después el antropólogo llegó al país, explicó que a partir del estudio de los huesos se podía reconstruir parte de la historia de las víctimas, dio con un grupo de estudiantes de antropología y medicina que aceptaron el desafío de asumir un trabajo “sucio, deprimente y peligroso”, como lo definió Snow, y creó el EAAF.

“Hice exhumar el cuerpo y el Equipo de Antropología Forense lo examinó a fondo para determinar con exactitud todo lo que los militares habían negado”, contó Estela en 1999 durante una entrevista con la periodista Gabriela Castori en la revista El Mensajero. “El deterioro de su dentadura probaba su largo secuestro; por la pelvis supimos que había tenido un bebé y por las balas que tenía alojadas en el cráneo, que había sido ejecutada con una Itaka disparada a 30 centímetros, por la espalda”, relató. “Así reuní elementos de prueba para la Justicia y para demostrar en el exterior, donde teníamos causas abiertas, qué era lo que había pasado. Esta vez sí quise verla. Vi sus huesitos, su pelo, la vi a ella, la vi. Y cerré el duelo y nunca más necesité ir al cementerio”, agregó.

En 2004, al declarar en el Juicio por la Verdad de La Plata, Carlotto recordó que familiares y amigos presenciaron la exhumación. “Vi sus huesitos, pero era ella, tenía el corpiño que le había regalado Alcira Ríos, tenía las medias que le habían visto ponerse, un zapato, porque el otro apareció en el cajón cuando exhumaron a Carlos Lahite”, con quien la habían ejecutado. “Ahí en el cementerio, después de cepillar y tocar casi religiosamente esos huesos, el doctor Clyde Snow me llamó aparte y me dijo ‘Estela, tú eres abuela’, porque los huesitos de la pelvis tenían las marquitas de cuando un bebé se apoya hasta el momento de nacer.”

“Ese informe meticuloso, científico, está agregado a todos los expedientes de la Justicia en el país y en el exterior, porque dice claramente que Laura fue asesinada, que para reducirla le quebraron un hueso del brazo, que se resistió, que en el suelo y de espaldas le dispararon con armas de grueso calibre a 30 centímetros de distancia en la cabeza, porque las cápsulas estaban dentro del cráneo, y además balearon su vientre para no poder probar la maternidad. Todo eso demuestra que tengo un nieto”, recordó ante los jueces de la Cámara Federal platense.

La incertidumbre de la familia Montoya duró varios años más. “Puño”, como lo apodaban, también estuvo secuestrado en La Cacha y fue asesinado el 27 de diciembre de 1977, mientras Laura sobrellevaba en cautiverio su tercer mes de embarazo. Sus restos habían sido enterrados como NN en el cementerio de Berazategui, de donde los antropólogos forenses lo exhumaron el 3 de abril de 2006 por orden de la Cámara Federal porteña. El único dato de la burocracia de la época era el acta de defunción, que señalaba que dos hombres habían muerto ese día en un enfrentamiento en calle 4, entre 30 y Carlos Pellegrini, de esa localidad. De la exhumación y el estudio de los huesos surgió que Montoya tenía no menos de 16 impactos de bala en “el cráneo, tórax, miembros superiores e inferiores”. La versión oficial del enfrentamiento sumada a las evidencias del fusilamiento, marcas registradas de la dictadura, no dejaban dudas sobre el rol del Estado terrorista. La cantidad de casos similares y la incertidumbre sobre el destino de miles de desaparecidos, sin embargo, impedían establecer una hipótesis específica sobre las identidades.

Mientras los restos de Montoya se mantenían a resguardo en el EAAF con la identificación BZ 9/69 (por el cementerio de Berazategui y el número de sepultura), su hermano Jorge y sus padres, José Montoya y Hortensia Ardura, dejaron muestras de sangre en el marco de la Iniciativa Latinoamericana para la Identificación de Personas. El cruce masivo de muestras de ADN hizo el resto. En octubre de 2009 la Cámara que preside el juez Horacio Cattani, impulsor de las identificaciones desde hace dos décadas, confirmó que los restos de uno de los ejecutados en Berazategui correspondían a Montoya. La familia los cremó y esparció sus cenizas en un campo de Cañadón Seco, a once kilómetros de Caleta Olivia, en Santa Cruz, donde vivió su infancia. Antes la Cámara Federal mandó una muestra de ADN al Banco Nacional de Datos Genéticos, paso que le permitió a Ignacio “saber quién soy y quién no era”, como resumió el viernes durante su presentación en sociedad junto a su familia.

Página/12 :: El país :: El rastro de la ciencia

Aparecidos

Clyde Snow, fundador del EAAF.

Por Marta Dillon

“Recuerdo que era uno de los brillantes atardeceres de La Plata, el sol estaba bajando y era muy crepuscular, fue un momento muy intenso porque pude decirle a Estela: sí, realmente éstos son los huesos de tu hija pero en algún lugar allá afuera tienes un nieto que debería estar vivo. Fue un momento amargamente dulce. Esos huesos encapsulaban una historia: los huesos de Laura nos estaban diciendo ‘busquen a mi hijo’”, así rememoraba Clyde Snow, el fundador del Equipo Argentino de Antropología Forense frente al periodista Walter Goobar, el momento en que aparecía la primera prueba material de la existencia de ese joven tal vez demasiado canoso para su edad, de nariz fuerte y palabra luminosa, que creció llamándose Ignacio aunque era deseado, esperado, buscado como Guido. Fueron los huesos los que hablaron entonces, el rastro de su paso por el cuerpo de la madre, una mujer que había parido por primera vez cuando ya había sido robada a su comunidad, cuando su existencia estaba en esa zona sin nombre del cautiverio clandestino, ni viva ni muerta, desaparecida. Estela, la madre de Laura, definitivamente abuela del hijo de ésta desde la exhumación de esos huesos testigos, dice que desde ese preciso momento dejó de ocuparse del cementerio, de pensar en placas y ornamentos funerarios: tenía una tarea, la vida la reclamaba, tenía que encontrar a su nieto. Y además su hija tenía un lugar en el mundo aunque fuera entre los muertos, el duelo iba a continuar, pero el luto ya no. En aquel atardecer luminoso de 1985 todavía no se soñaba con que una operación de reactivos, aparatos que despiden números, números que construyen algoritmos, algoritmos que dibujan perfiles, perfiles que coinciden con un nombre y un nombre que se instala en un árbol genealógico, en una comunidad, una familia, serían, 30 años después, un procedimiento corriente. Los estudiantes de antropología y medicina que en torno de Snow formaron el EAAF contaban con lo que veían, con lo que podían hacer sus manos rescatando con cuidado esqueletos que no estaban mudos pero que no podían decir su nombre, excavando de día y llorando de noche porque esos huesos delataban a personas jóvenes, fusilamientos, ensañamiento en la vida y también después de la muerte y porque lo que buscaban no terminaba de aparecer: la humanidad de esos testigos silenciosos no era completa sin nombre, sin identidad.

Se contaba entonces con los testimonios, con la palabra de los sobrevivientes que reconstruyeron el mapa de esa zona liminar de los centros clandestinos, con su descripción de los tormentos, con sus listas de nombres, la mayoría atrapados en la no muerte y la no vida de la desaparición. Palabra sospechada al principio por el solo hecho de estar vivos. Palabra que se escuchó en los primeros juicios y fue conculcada con las leyes de impunidad que no consiguieron el silencio pero la volvieron menos audible sobre todo para quienes de antemano no querían o no queríamos escuchar del todo. Porque también de eso se trata la situación del desaparecido: nadie duda de la muerte y a la vez la muerte no se instala, no ordena, no deja a la vida seguir su curso. La presencia del desaparecido –de la desaparecida– es constante: en torno de ellos no se organiza el duelo, las familias no lloran juntas en el mismo momento, no se despiden. Cada quien siente el aleteo intermitente de la presencia y de la ausencia, una locura que lleva a mirar cada tanto el pasaje de un colectivo con una esperanza vacua; a lo mejor, tal vez, la tortura le quitó el juicio, esa mujer sentada en el fondo por un instante, un mínimo parpadeo de locura capaz de alterar el tiempo, podría ser mi madre. ¿Y acaso es fácil abandonar esa ilusión? ¿Desprenderse de ese milímetro de esperanza aunque sea vana? No es fácil, aunque tampoco es fácil confesar que se la mantiene, que en algún lugar del corazón o de la mente se la alienta como se sopla una brasa tapada de cenizas.

En estos más de treinta años que pasaron desde aquel atardecer luminoso en que un hombre de sombrero texano que venía a decir que se podía hacer hablar a los huesos y que esos huesos, en el caso de la hija de Carlotto, decían que había desaparecidos vivos, la tecnología avanzó y la palabra se jerarquizó. Cayeron las leyes de impunidad, se sentaron algunos culpables en la silla de los condenados y hubo lugar para las apariciones.

El padre de ese niño que dejó un rastro en los huesos de su madre, el padre del joven que hoy conmueve al país entero, también fue un aparecido. Gracias a la perseverancia y a la tecnología sus restos fueron hallados en 2006, su nombre escrito en un epitafio, su perfil genético conservado y ambas cosas, como una cuña en el devenir, ocuparon su espacio entre generaciones, el espacio necesario para que su hijo pudiera aparecer y para que apenas aparecido se reivindicara como una herramienta de una posible cicatrización.

La historia que esta semana nos conmovió con una alegría contagiosa, impertinente, rebelde frente a cualquiera otra noticia, otra amargura, alegría incluso por sobre la evidencia de la pérdida o potenciada por eso mismo, es una historia de apariciones. De apariciones que vienen sucediéndose, de desaparecidos vivos como son los nietos y las nietas que completaron su identidad con las familias que los buscaban. Y también de los desaparecidos y desaparecidas asesinados, masacrados, ocultados de los ritos de pasaje que las familias y la sociedad entera necesitan para seguir adelante, para procesar el legado, para pelearse incluso con ese legado. Cientos de cuerpos –esqueletos, sí, pero también cuerpos– emergieron del anonimato donde habían sido enterrados en los últimos años con la fuerza de la prueba: cuerpos amados, llorados y enterrados y también cuerpos del delito que acusan por sí mismos a los perpetradores.

Aparecidos que ocupan su espacio entre nosotros, entre nosotras y que abren otros nuevos, que dejan que las generaciones se organicen, que permiten llorar la muerte y llorar de alegría. Que volvieron inteligible una historia que nos pertenece y que puede ser contada incluso a los más chicos. Porque está la prueba, porque está el lugar, porque están las voces. Y están también los oídos que escuchan.

Página/12 :: El país :: Aparecidos

24/07/2014

Tribunal Pau-Mandado condena carcereiro pau-mandado

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El tribunal de Estrasburgo condena a Polonia por las cárceles secretas de la CIA

Los jueces consideran que cooperó en la detención secreta y traslado de dos hombres ahora presos en Guantánamo. Deberá indeminzarles con 100.000 euros

El País Madrid 24 JUL 2014 – 11:49 CEST2

El Tribunal Europeo de Derechos Humanos ha condenado este jueves a Polonia por permitir en su territorio detenciones secretas por parte de la CIA. El tribunal, con sede en Estrasburgo, ha considerado además que Polonia colaboró en algunas de estas cárceles secretas, en vuelos secretos, y que facilitó a la Agencia Central de Inteligencia estadounidense apoyo logístico para estas actividades, que considera vulneraciones de los derechos humanos. Los jueces condenan a Polonia por su papel en las torturas e infracciones de los derechos fundamentales de un palestino y un saudí, que fueron detenidos como sospechosos de terrorismo en esas condiciones en su territorio entre 2002 y 2003. Los demandantes fueron trasladados después a Guantánamo donde permanecen encarcelados. Polonia deberá indemnizar a cada uno con 100.000 euros a cada uno de ellos.

El tribunal, en dos extensas sentencias (más de 220 páginas cada una), apunta que hay suficientes evidencias de que Hussayn Muhammad Al Nashiri, un saudí de origen yemení de 49 años, y Zayn Al-Abidin Husayn (conocido como Abu Zubaydah), palestino apátrida nacido en Arabia Saudí, de 43 años, estuvieron detenidos en una prisión secreta de la CIA en Polonia.

Los jueces apuntan que las distintas investigaciones internacionales sobre el tema, los testimonios de expertos, diversos documentos hacen “suficientemente convincentes” las alegaciones de los dos demandantes sobre su detención. Polonia, dice además el tribunal en un comunicado, “conocía la naturaleza y los objetivos de las actividades que la CIA llevaba a cabo en su territorio en ese momento” y cooperó en la preparación y en la puesta en marcha de algunas de estas operaciones secretas, como las detenciones o los vuelos de traslado que la agencia puso en marcha tras los atentados del 11-S.

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La corte ha concluido por unanimidad que Polonia ha violado cinco de los derechos fundamentales: el derecho a la libertad y la seguridad, el derecho al respeto a la vida privada y familiar, el derecho a tener un recurso efectivo y los derechos a un proceso justo; además de la convención de derechos humanos que prohíbe la tortura y el trato degradante.

Los jueces destacan también que el Gobierno polaco no ha cumplido con su obligación de facilitar el procedimiento judicial y que no ha enviado los elementos de prueba que el tribunal ha solicitado. En vista de esto, dicen, “solo pueden sacarse conclusiones negativas del comportamiento del Gobierno”.

Estos dos casos tienen implicaciones para otros estados miembros que albergaron supuestamente prisiones secretas de la CÍA. En 2006, un informe del Consejo de Europa (del que depende el Tribunal de Estrasburgo) ya consideró probado que se produjeron detenciones ilegales de la CÍA en Europa. El Tribunal de Estrasburgo tiene pendiente pronunciarse en casos sobre esto en Rumanía y Lituania. Diversas organizaciones de derechos humanos han denunciado reiteradamente la supuesta complicidad o el encubrimiento de países europeos de las operaciones de la CIA en Europa tras del 11-S.

El tribunal de Estrasburgo condena a Polonia por las cárceles secretas de la CIA | Internacional | EL PAÍS

21/07/2014

UNASUR x Unabomber

Filed under: BRICS,Equador,EUA,Rafael Correa,Terrorismo de Estado,Unabomber,UNASUR — Gilmar Crestani @ 8:47 am
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A América Latina tem a UNASUR. Os EUA têm o UNABOMBER!

tio samENTREVISTA DA 2ª RAFAEL CORREA

Restauração conservadora ameaça ciclo progressista

Presidente do Equador diz que esquerda da América latina pode ser derrotada por direitas que ‘superaram aturdimento’

MÔNICA BERGAMOCOLUNISTA DA FOLHA

O presidente do Equador, Rafael Correa, 51, diz que uma "restauração conservadora" está em marcha na América Latina e que ela pode "pôr fim a esse ciclo de governos progressistas" no continente caso eles não estejam "atentos".

"As direitas nacional e internacional já superaram o aturdimento. Estão claramente articuladas", diz ele.

Correa esteve no Brasil na semana passada para participar da reunião da Unasul, que reúne países da América do Sul, com os Brics, integrados por China, Rússia, Brasil, África do Sul e Índia.

Diz que as medidas anunciadas pelos Brics podem "marcar o início de uma ordem social menos injusta" e que, para os EUA, a iniciativa "deve ser preocupante".

Defendeu a lei do Equador que regula os meios de comunicação. E afirmou que pode voltar a se candidatar à reeleição em 2017 –ele está no poder desde 2007 e segue com alta popularidade.

Correa recebeu a Folha em Brasília na quinta, dia do acidente com o Boeing que matou 298 pessoas na Ucrânia.

Leia, a seguir, um resumo da conversa:

Folha – Há poucas horas um avião caiu na Ucrânia e ainda não está claro em que condições. Há a suspeita de que tenha sido derrubado. Como vê a situação na região?

Rafael Correa – É um fato gravíssimo [a queda do avião]. O que ocorre na Ucrânia é um jogo geopolítico de grandes potências. Há o interesse da Europa no país, por seus recursos naturais. Com a Rússia ocorre algo similar. Esperamos que se solucionem os problemas.

Foi pura coincidência os EUA anunciarem novas sanções à Rússia bem no dia em que o presidente do país, Vladimir Putin, se reunia no Brasil com outros líderes dos Brics e da América do Sul?

Não quero elucubrar e tampouco tenho informações a respeito. Mas o que, sim, se deve ressaltar, é a dupla moral. Sancionam a Rússia, entre aspas, como se a humanidade tivesse nomeado um árbitro mundial. E onde estão as sanções por mais de meio século de embargo dos EUA a Cuba? Isso, sim, rompe todo o direito internacional.

Os EUA ficaram incomodados com a reunião dos Brics?

Se queremos um mundo multipolar, temos que conformar e aproximar blocos. Foi o que ocorreu agora, entre os Brics e a Unasul. Para o país hegemônico de um mundo unipolar, deve ser preocupante. Não me cansei de felicitar a [presidente] Dilma [Rousseff]. A reunião foi uma ideia brilhante. E pode marcar o início de uma ordem mundial menos injusta.

Mas as medidas anunciadas conseguirão criar de fato um contraponto à hegemonia dos EUA e seus aliados?

A união faz a força. Os Brics são 40% da população e 25% da produção mundial. Criaram uma nova arquitetura financeira para não depender do FMI nem do Banco Mundial. A Unasul deve fazer o mesmo –criando até, no futuro, a moeda única regional, para sermos menos dependentes dos centros de poder. Por que um juiz nos EUA pode quebrar a Argentina? Porque por eles passam todos os pagamentos [do mundo], que podem bloquear. Com um sistema alternativo, o sistema hegemônico perderia poder.

O senhor fala de moeda única desde 2006. O Banco do Sul, da Unasul, foi criado em 2007 e não funciona. A integração energética mal sai do papel.

Há coisas teoricamente impecáveis. Outra coisa é na prática, quando o tema envolve várias nações. Os Brics atuam há dez anos, são só cinco países e recém estão executando as coisas. Mas de fato não temos tempo a perder [na América Latina]. Temos que fazer coisas rapidamente. E não vamos rápido.

O senhor diz que há presidentes de países no continente que não têm interesse na integração sul-americana.

Não nos enganemos: a integração da América Latina, com visão independente, soberana e digna, é uma preocupação para os EUA. E já há uma restauração conservadora, da direita, das elites de sempre do continente, para brecar estes processos integracionistas e progressistas no interior de nossos países. E aí surgem contrapropostas à Unasul, como a Aliança do Pacífico [integrada por Chile, Peru, México e Colômbia], que é neoliberalismo puro.

Na última década, a bonança econômica mundial coincidiu com a chegada ao poder de lideranças de esquerda carismáticas como Lula e Hugo Chávez. Agora tudo mudou. A economia piorou. As lideranças não são as mesmas. O modelo não pode estar esgotado?

Começou um novo ciclo na América Latina quando Chávez chegou ao poder, em 1999, em plena noite liberal. Logo vieram Lula, Evo Morales na Bolívia, Tabaré Vázquez no Uruguai, Michelle Bachelet no Chile, Néstor Kirchner na Argentina, a revolução cidadã no Equador. Quem poderia imaginar, nos anos 90, que esses progressistas chegariam ao poder, quando a América Latina era puro Fujimori, Collor de Mello, Menem? Foi uma mudança de época. Mas temos dito: há uma restauração conservadora. A direita nacional e a internacional já superaram o aturdimento com a debacle do liberalismo e com nossos governos. Estão claramente articuladas. A direita equatoriana tem contato com a venezuelana, com a americana, que financia supostas ONGs, não sei se com a brasileira, tudo para nos combater.

Mas há os problemas reais internos de cada país.

Somos vítimas de nossos próprios êxitos. Olhe os espetaculares avanços no Brasil, sociais, de redução da pobreza. E veja os protestos que ocorreram contra Dilma e contra o Partido dos Trabalhadores. Há uma nova classe média que nos exige cada vez mais. Os meios de comunicação, que são instrumentos da direita, se aproveitam para dizer que nada vale, que o passado era melhor. Claramente há uma restauração conservadora que pode pôr fim a esse ciclo de governos progressistas. Precisamos estar muito atentos.

O senhor já disse que é preciso evitar personalismos na política. Pode concorrer a uma nova reeleição?

É preciso evitar. Mas, precisamente por essa restauração conservadora, há uma imensa responsabilidade sobre nossos ombros. Mas creia-me: como último recurso de nosso projeto está a minha reeleição em 2017.

A questão da imprensa é um tema sensível em qualquer parte do mundo e também na América Latina. Vários países, inclusive o Equador, aprovaram leis de regulação da comunicação.

O poder midiático se converteu em um poder político. Nossos adversários no Equador não são a direita, mas sim seus meios de comunicação. Nos apresentam como governos autoritários que perseguem jornalistas patrióticos que só querem dizer a verdade. E isso não é certo. Enfrentamos dia a dia a manipulação de informação de certos meios de comunicação em mãos da oligarquia. Sem nenhuma legitimidade democrática, querem impor a agenda política, querem submeter os governos, caluniam, manipulam. A sociedade tem que se defender disso.

O PT, que no Brasil lidera essa discussão, diz que se trata de garantir pluralidade, regulando concessões audiovisuais, o negócio, mas jamais o seu conteúdo. No Equador a lei não interfere também no conteúdo quando diz, por exemplo, que uma pessoa não pode ser "desprestigiada" na imprensa ou sofrer "linchamento midiático"?

Talvez nosso erro tenha sido não utilizar a palavra acosso em vez de linchamento. Mas está claramente descrito na lei o que é linchamento. E isso tem que ser regulado. Você não imagina os excessos que havia na imprensa do Equador. Se o diretor de uma empresa municipal cobrasse taxa de água de uma rádio, sofria um linchamento até ser tirado do cargo.

O excesso de um lado não pode criar, do outro, um desequilíbrio? O poder midiático é forte, mas o poder do Estado também o é.

Por isso há escrutínio público, há instâncias, uma Superintendência de Comunicação [Supercom], todos [os meios de comunicação] têm direito a defesa. E o que criticam? "Nos obrigaram a retificar [informações] 82 vezes." Não dizem que não mentiram! Estavam acostumados a mentir, a não dar direito de resposta, a ter o controle, a que os presidentes tremessem diante deles. Um projeto político ganhava as eleições, mas eles é que governavam, legislavam e julgavam. Acabou a festa. Quando lhe convém, a imprensa se denomina o quarto poder. E todo poder deve ser regulado pela sociedade, por meio de lei. Imagine-se o poder financeiro sem regulação, o poder político sem fiscalização. E até o poder religioso: de repente surge uma religião que permite sacrifícios humanos. E o único poder em que não se pode tocar é o midiático? Temos que superar esses tabus.

19/07/2014

Meninos, eu vi! E não estava lá…

Filed under: Barack Obama,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado,Ucrânia — Gilmar Crestani @ 10:16 am
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ucrainainÉ inacreditável a capacidade dos EUA de moldarem o pensamento da mídia ocidental. Nem o Presidente da Ucrânia, nem a Chanceler Alemã, Ângela Merkel, que vizinha da Ucrânia, ousou ir além dos fatos. Barack Obama, como todo funcionário do império das armas, apontou logo seu dedo sujo. Que ele faça isso, é do jogo típico de um estado terrorista.

Que a mídia ocidental faça isso, também é do jogo de quem a finanCIA, que os povos entrem nesta briga por petróleo, aí já é de uma ignorância colossal. Obama diz que os separatistas ucranianos não teriam capacidade sem ajuda militar da Rússia, porque sabe que o golpe contra o ex-presidente da Ucrânia não teria sido possível sem o seu apoio. E aquela história que O Globo publicou no calor dos fatos (“Avião da Malaysia Airlines estava na mesma rota que jato presidencial de Vladimir Putin, segundo agência”) e, de repente, esfriou para se deixar pautar pelos interesses norte-americanos?!

A declaração sem qualquer lastro nos fatos, de alguém a milhares de quilômetros do acidente, é de um oportunismo de alguém que ficou cego de paixão pelo gás e petróleo, e que me fez lembrar a canção do Tom e Chico, inspirada num poema do Gonçalves dias, Meninos, eu vi!

Também vi a cidade incendiada, eu tive medo
Eu vi a escuridão
Eu vi o que não quis
Amei mais do que pude, eu fiquei cego de paixão.

Míssil partiu de área rebelde, diz Obama

Presidente dos EUA afirma ser impossível separatistas ucranianos derrubarem avião sem ajuda militar da Rússia

Conselho de Segurança da ONU pede apuração da queda do Boeing-777 da Malaysia Airlines que matou 298 pessoas

ISABEL FLECKDE NOVA YORK

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira (18) ter evidências de que o avião da Malaysia Airlines foi derrubado "por um míssil terra-ar lançado de uma área no leste da Ucrânia controlada por separatistas apoiados pela Rússia". Ele se baseou em relatórios da inteligência americana.

A queda do Boeing-777, que ia de Amsterdã para Kuala Lumpur (Malásia), deixou 298 mortos. Obama classificou o episódio como uma "tragédia global" e um "ultraje de proporções indescritíveis".

Apesar de evitar envolver diretamente Moscou na autoria do ataque, o presidente americano disse ser "impossível" que os rebeldes estejam agindo dessa forma sem o apoio "constante" da Rússia, com envio de armas pesadas e sistemas antiaéreos.

"Um grupo de separatistas não pode derrubar aviões de transporte militar ou, como eles alegam, derrubar caças sem equipamento e treinamento sofisticados. E isso tem vindo da Rússia", disse Obama, destacando três aeronaves militares da Ucrânia que teriam sido abatidas pelos rebeldes nas últimas semanas.

Segundo o "The New York Times", a inteligência dos EUA tem fortes indícios de que a aeronave militar abatida três dias antes do desastre foi atingida por um míssil que partiu do território russo, de uma bateria antiaérea idêntica à que teria sido usada contra o Boeing-777.

Pouco antes, a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, havia subido mais o tom contra Moscou, alegando que "não se pode descartar a assistência de pessoal russo para operar os sistemas" de mísseis envolvidos.

"Por causa da complexidade técnica do SA-11 [como é chamado pela Otan o míssil russo 9K37 Buk, que teria sido empregado no ataque], é improvável que os separatistas possam ter efetivamente operado o sistema sem a ajuda de pessoal especializado", disse Power em reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York.

O conselho aprovou um pedido de investigação internacional "completa e independente", além do acesso de investigadores ao local.

Nesta sexta (18), Obama anunciou ter enviado à Ucrânia agentes do FBI e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes.

MAIOR PRESSÃO

A queda do avião acirra ainda mais a tensão entre Washington e Moscou. Um dia antes da tragédia, os EUA haviam anunciado novas sanções à Rússia por "violar a soberania da Ucrânia e continuar a apoiar separatistas".

Nesta sexta, Obama ameaçou aumentar a pressão sobre Moscou. "Enquanto a Rússia seguir seus esforços de ajudar os separatistas, vamos deixar claro que temos a capacidade de endurecer contra eles. E vamos fazê-lo."

O presidente russo, Vladimir Putin –que não respondera às declarações de Obama até a conclusão desta edição–, disse que "todos os lados têm de interromper a luta e começar as negociações de paz". Na ONU, o embaixador russo, Vitaly Churkin, atribuiu à Ucrânia "toda a culpa" pela tragédia.

18/07/2014

Ucrânia: com as digitais de quem os EUA finanCIAm

Filed under: Isto é EUA!,Míssil,Terrorismo de Estado,Ucrânia — Gilmar Crestani @ 7:00 am
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terroristaQuem tem espiões em todas as partes do mundo? Quem vigia tudo? Quem financiou a rebelião Ucraniana? Quem está por traz dos neonazistas ucranianos? Quem mais fatura com um desgaste da Rússia? Quem não quer os BRICS, com ajuda da Russia, crie um banco que concorra com o FMI? Os EUA!

Ontem à tarde o site de O Globo informava: “Avião da Malaysia Airlines estava na mesma rota que jato presidencial de Vladimir Putin, segundo agênciaHoje, já com o filtro da CIA e de seu braço midiático brasileiro, o Instituto Millenium, ninguém mais toca nesta triste coincidência.

Mas a pergunta que não quer calar: o míssil foi lançado em território russo ou ucraniano? Se é possível que a Rússia pudesse ter feito isso a partir da Ucrânia, porque excluir os EUA dessa possibilidade? É só pensar: quem foi o país que inventou armas de destruição em massa para destruir um país?

Faz bem a Folha em recordar: “Até então, o pior havia sido em 3 de julho de 1988, quando um Airbus A300 da Iran Air foi atingido por dois mísseis minutos depois de decolar do aeroporto iraniano de Bandar rumo a Dubai. Com a cauda e uma das asas atingida, o avião ficou sem controle e caiu no mar; 290 pessoas morreram. Os mísseis foram disparados do navio de guerra americano USS Vincennes.”

DESASTRE NA UCRÂNIA

Míssil derrubou avião com 298 na Ucrânia, dizem EUA

Queda de avião na Ucrânia mata 298 e amplia crise com a Rússia

Míssil derrubou aeronave, dizem EUA * Ucrânia acusa separatistas Pró-Rússia, que negam responsabilidade * EUA oferecem ajuda para investigar * Destroços se estendem por 15 km

A morte de 298 pessoas na queda de um Boeing-777 da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia aumentou a tensão do país com a Rússia. Para autoridades americanas citadas pela imprensa dos EUA, um míssil abateu o avião –o que levou a uma troca de acusações.

Para a Ucrânia, a culpa é de separatistas pró-Rússia concentrados na região, que derrubaram dois aviões militares nos últimos dias. "Foi um ato terrorista", disse o presidente Petro Poroshenko. Os rebeldes negaram a acusação. Já o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a responsabilidade pela queda da aeronave é do governo ucraniano.

Os dois países vivem em tensão desde fevereiro, quando um governo pró-russo na Ucrânia foi derrubado. Desde então, Putin anexou a península ucraniana da Crimeia e passou a apoiar rebeldes.

O desastre do voo MH17, que ia de Amsterdã (Holanda) para Kuala Lumpur (Malásia), é o sétimo maior da história da aviação comercial. Em março, 239 pessoas morreram em outra queda com jato da mesma companhia (o avião nunca foi encontrado). A maioria dos passageiros era de holandeses, e até esta quinta (17) nenhuma vítima brasileira havia sido confirmada.

17/07/2014

Despeito por BRICS, EUA abrem caixa de Pandora contra a Rússia

Filed under: Arapongagem made in USA,BRICS,EUA,Rússia,Terrorismo de Estado,Ucrânia — Gilmar Crestani @ 7:55 am
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euanCom Putin no Brasil, Rússia é alvo de novas sanções norte-americanas

Empresas terão restrição de acesso a crédito; punição ocorre por apoio a separatistas ucranianos

Líder russo participava de encontro do grupo dos Brics; um dia antes, bloco criticou punições anteriores dos EUA

DE WASHINGTONDOS ENVIADOS A BRASÍLIADE BRASÍLIA

O governo americano anunciou nesta quarta-feira (16) novas sanções contra a Rússia por "violar a soberania da Ucrânia e continuar a apoiar separatistas".

Elas são dirigidas a bancos e empresas energéticas e de armamentos russas. São as mais duras já anunciadas desde o início da crise ucraniana, em fevereiro.

O anúncio se deu enquanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participava, em Brasília, do encontro do grupo Brics (reunindo também Brasil, Índia, China e África do Sul) com a Unasul (nações sul-americanas).

Ele ocorre um dia após os Brics terem divulgado comunicado condenando sanções econômicas sem aval da ONU, um recado claro aos EUA pelas rodadas anteriores de punição aos russos.

As sanções do governo Obama vão vetar especialmente o acesso ao mercado de créditos superiores a 90 dias. As empresas russas atingidas poderão fazer apenas negócios de curto prazo, dificultando empréstimos a médio e longo prazo.

Europeus também anunciaram suas punições, mas menos rigorosas, pedindo que bancos de investimento suspendam acordos financeiros com Moscou.

Até agora, as sanções eram pontuais, direcionadas a autoridades russas, com congelamento de ativos no exterior e recusa a pedidos de visto.

Americanos e europeus condenam a anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia. Também acusam Putin de apoiar separatistas no leste da Ucrânia.

"O governo russo precisa ver que suas ações têm consequências", disse o presidente Barack Obama em discurso na Casa Branca, afirmando que o fluxo de armas e tropas para a Ucrânia são "contínuas provocações contra a soberania" do país.

As sanções atingem grandes empresas russas, como Gazprombank, braço financeiro da estatal do gás Gazprom, Kalashnikov (armamentista, fabricante dos fuzis AK), a gigante do gás privada Novatek, e a petroleira estatal Rosneft, segundo o governo dos EUA.

NAMORO

Nem o Itamaraty nem os russos se pronunciaram. Apesar de não querer melindrar Putin, o governo brasileiro deve evitar declarações contundentes sobre a escalada de sanções contra a Rússia, porque está "retomando o namoro" com os EUA, segundo um integrante do governo.

"Fomos nós que moderamos o tom sobre as sanções no comunicado dos Brics, a declaração de Fortaleza", disse, em caráter reservado.

A intenção é ter cuidado nessa fase de reaproximação com os Estados Unidos, abalada desde o escândalo de espionagem revelado em 2013.

Em encontro com correspondentes estrangeiros na semana passada, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a relação com os EUA "está morna".

O anúncio das sanções aconteceu horas depois de uma conversa entre o presidente americano e a chanceler alemã, Angela Merkel.

O governo americano quis indicar que a ação foi coordenada com os europeus.

Merkel, por meio de seu porta-voz, afirmou que Putin não tinha cumprido o prometido em uma cúpula anterior e que os rebeldes pró-Rússia se negavam a negociar. (RAUL JUSTE LORES, TAI NALON, PATRÍCIA CAMPOS mello, FLÁVIA FOREQUE, SOFIA FERNANDES, MARIANA HAUBERT e MARCELO NINIO)

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