Ficha Corrida

21/11/2014

União bolivariana e comedora de criancinhas Europeia

 

UE desembarca em segredo em Cuba

Bruxelas negocia acordos com Havana para influenciar seu futuro

Juan Jesús Aznarez Madri 19 NOV 2014 – 11:27 BRST

Ex-ministro de Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, em Havana. / efe

Há quase 20 anos, quando a perda dos subsídios soviéticos estava a ponto de acabar com a Revolução Cubana, um condescendente Fidel Castro recebia frequentemente a visita de governantes europeus e latino-americanos, que recomendavam ao líder a democratização do regime. Escutava os visitantes com a bíblica paciência de Jó, segundo sua própria confissão. “Não é para você ir embora, Fidel”, disse um presidente com quem teve uma relação amistosa. “A história lembrará de você com honras caso lidere uma transição ao pluripartidarismo e se permanecer na chefia do Estado simbolicamente, como o rei da Espanha, que reina mas não governa.” Obviamente, a proposta não funcionou, porque como respondeu Castro na IX Cúpula Ibero-Americana de 1999, realizada em Havana, “é impossível que Cuba abandone os caminhos da revolução e do socialismo”.

Embora, desde então, não tenha havido alterações no isolamento do hegemônico Partido Comunista de Cuba (PCC), as mudanças socioeconômicas ocorridas nos últimos anos na ilha parecem ter convencido a União Europeia de que é melhor se aproximar dos cubanos do que lhes dar as costas. O ministro de Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, visitará a capital cubana na segunda-feira para promover a liberalização econômica e estreitar alianças onde seja possível, mas sem recomendar mudanças políticas pois sabe que, no curto prazo, não estão previstas.

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Outros visitantes do bloco que chegaram antes tampouco apressaram Raúl Castro. Ao contrário das peregrinações internacionais pela liberação de presos políticos dos anos oitenta e noventa, os ministros europeus, deputados e funcionários de Bruxelas que viajam agora à maior das Antilhas, o fazem com expectativas menos urgentes: o objetivo é participar de uma eventual transição de maior alcance, com uma possível autorização de associações.

Em outubro, o secretário de Estado de Relações Exteriores do Reino Unido, Hugo Swire, aterrissou em Cuba, a primeira visita de um representante do Governo britânico depois de mais de 10 anos. Levava uma agenda parecida à de Margallo: pouco belicosa, apoiada em assuntos comuns, em investimentos, alianças internacionais e questões bilaterais.

Swire conduziu sua visita sem sugerir reuniões com a oposição como condição sine qua non, porque o regime destacou que os dissidentes já podem sair de Cuba. Neste ano também visitaram a ilha o ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, e o então chefe da diplomacia holandesa, Frans Timmermans, atual vice-presidente da Comissão Europeia. “O diálogo é melhor do que o conflito”, afirmou Timmermans, o primeiro representante de um Governo holandês a visitar Havana desde 1959. Cuba é o único país da América Latina com o qual a UE não tem um acordo bilateral, já que adotou desde 1996 a chamada Posição Comum, criada por José María Aznar, que condicionava as relações com a ilha aos avanços democráticos e no campo de direitos humanos.

Margallo visitará a ilha depois da visita de diplomatas de três países europeus

Vencidas as resistências à flexibilização da Polônia e da República Checa, devido ao passado comunista de ambas, em abril Havana e a UE iniciaram o diálogo para fechar um novo acordo de cooperação econômica e política. O processo tem sido possível porque os Estados Unidos, cujo presidente Barack Obama é mais inclinado ao entendimento, não tentaram bloqueá-lo, ao contrário do que ocorreu durante a Administração do republicano George W. Bush (2001-2009), que abençoou a Posição Comum.

Pode acontecer, além disso, que a perda da maioria democrata no Congresso leve Obama a utilizar seus poderes executivos para aprovar medidas mais corajosas em relação à normalização diplomática com a estratégica ilha. Sem renunciar ao objetivo da democracia e das liberdades pretendido por Bruxelas, o propósito do bloco é concluir, no final de 2015, um conjunto de acordos que permita uma interlocução bilateral mais fluida.

“A Europa pode desempenhar um papel central no futuro de Cuba, aproveitando que a imagem dos EUA está muito deteriorada na ilha devido aos anos de política agressiva”, afirma William M. Leogrande, professor da American University, em Washington, e especialista em temas cubanos.

Os que defendem aposentar a iniciativa de Aznar usam os mesmos argumentos dos que se opõem ao embargo: as sanções não funcionaram. De fato, o comércio entre os diferentes países da UE e Cuba já alcançou 2,5 bilhões de euros (cerca de 8 bilhões de reais). “Como um país que se tornou independente tarde e que depois caiu na tutela dos EUA, Cuba não reage bem às pressões estrangeiras, as desafia e age às vezes contra seus próprios interesses”, acrescenta Leogrande, em um artigo publicado pela London School of Economics.

De bom grado ou à força, Cuba aprovou iniciativas que agradam a UE e parece ter deixado para trás a ortodoxia econômica soviética. A política permanece inalterável. Em 2010, a mediação da Espanha e da Igreja Católica levou à libertação de mais de 100 presos políticos. O Governo de José Luis Rodríguez Zapatero pressionou Bruxelas contra a Posição Comum, e o de Mariano Rajoy não barrou as negociações em andamento. As relações entre a UE e Cuba entraram em uma fase de maior entendimento.

UE desembarca em segredo em Cuba | Internacional | EL PAÍS Brasil

11/11/2014

Cuba não deu ao EUA o gosto de seu funeral

Filed under: CIA,Cuba,Embargo Econômico,EUA,Golpismo,Lei Helms-Burton,Sabotagem,The New York Times — Gilmar Crestani @ 10:29 pm
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A grandeza de Cuba está em aguentar um embargo, por tanto tempo, que nenhum país suportaria, incluindo o próprio EUA, por tempo infinitamente menor.

cuba-embargoDa vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Mario Quintana

A crítica do The New York Times ao golpismo dos EUA contra Cuba

Pela quinta vez em menos de um mês, o jornal estadunidense The New York Times publicou neste domingo (9) um editorial sobre Cuba, desta vez criticando as tentativas dos Estados Unidos planejadas para provocar a derrubada do governo cubano.
Sob o título “Em Cuba, desventuras ao tentar derrocar um regime”, o jornal faz uma retrospectiva, desde a aprovação da Lei Helms-Burton, em 1996, dos inúmeros planos forjados em Washington contra a Ilha revolucionária. Entre outras coisas, o jornal destaca que estes projetos só serviram como fundamento para que o governo estadunidense gastasse US$ 264 milhões durante os últimos 18 anos, no intento de estimular supostas reformas “democráticas” no país.
O editorial do influente jornal nova-iorquino é um inevitável sinal dos tempos. No dia 28 de outubro, 188 países manifestaram-se, pelo 23º ano consecutivo, a favor da resolução contra o bloqueio, apresentada por Cuba na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Apenas os imperialistas estadunidenses e os sionistas israelenses votaram contra e três outros países – Ilhas Marshall, Micronesia e Palau – se abstiveram. Repetidamente, o mundo se pronuncia com a maior clareza pelo fim da odiosa medida que prejudica o desenvolvimento do país e afronta as normas de convivência democrática entre as nações.
Os Estados Unidos estão cada vez mais isolados nesta questão, sustentando uma posição retrógrada e anacrônica, rechaçada não só no âmbito da Assembleia Geral da ONU, mas também nos grupos regionais da organização mundial, como o G-77+China, que reúne os países em desenvolvimento, o Caricom, que representa a comunidade caribenha, o Movimento dos Países não Alinhados, a União Africana e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), onde é amplo o consenso contra o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba.
O jornal aconselha o governo estadunidense a promover a “aproximação diplomática”, ao invés de lançar mão de “métodos artificiosos”, se quer exercer alguma influência em Cuba para que esta se torne uma “sociedade mais aberta”.
Aqui o importante a reter não são as concepções e os fins que o diário nova-iorquino, em nome de importantes setores da sociedade estadunidense, pretende quando se refere a influir em Cuba e nas mudanças que a Ilha está promovendo, mas o insofismável fato de que o bloqueio sofre contestações cada vez mais amplas no interior dos Estados Unidos. Não são poucos os segmentos empresariais que nutrem a expectativa de fazer rentáveis negócios em Cuba. Também sob esse ponto de vista, a posição do Departamento de Estado, de setores do Congresso e da Casa Branca é obsoleta.
Do ponto de vista dos direitos humanos e do direito internacional, para além do anacronismo, é uma política reveladora da crueldade do imperialismo. O chanceler Bruno Rodríguez, em sua alocução na ONU fundamentando a necessidade de pôr fim ao bloqueio, demonstrou que este afeta os setores mais vulneráveis da sociedade, a começar pelas mulheres, as crianças e os idosos. Internacionalmente, a posição estadunidense é insustentável, porquanto é uma manifestação de intolerância e agressividade em face de uma nação que tem o direito à autodeterminação e a viver em pé de igualdade com as demais.
Com o editorial crítico às aventuras golpistas dos Estados Unidos contra Cuba, o The New York Times demonstra que a política estadunidense de bloqueio e sanções está em flagrante contraste com a luta de muitos governos e povos pela cooperação internacional.
O cenário é hoje mais favorável para demandar o fim do bloqueio.

A crítica do The New York Times ao golpismo dos EUA contra Cuba – Portal Vermelho

23/10/2014

Enquanto os EUA enviam armas, Cuba envia médicos

Filed under: Cuba,Ebola,Mais Médicos — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Enquanto Cuba exporta médicos para todas as partes do mundo onde se fazem necessários, desde desastres naturais como Tsunamis, epidemias como Ebola, ou onde nas periferias onde os de jaleco branco não querem ir, os EUA preferem exportar armas.

Entrevista: “É incrível o que Cuba pode fazer”, diz OMS sobre ajuda contra ebola

Postado em 23 out 2014

por : Diario do Centro do Mundo

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Um grupo de 94 profissionais da saúde cubanos foi para a África Ocidental nesta quarta-feira (22/10), para combater a epidemia do ebola. Eles se juntam aos 165 que já estão em Serra Leoa prontos para começar a atuar. Os médicos e enfermeiros cumprem um acordo assinado entre Havana e a Organização Mundial da Saúde (OMS) válido para os próximos seis meses.

Para José Luis Di Fábio, chefe do escritório da OMS na ilha há três anos, é importante que o mundo reconheça a “incrível capacidade de resposta de Cuba” diante de situações de crise.

Di Fábio ajudou a intermediar as negociações depois da solicitação feita pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e pela diretora da OMS, Margaret Chan.

Atualmente, mais de 4 mil médicos cubanos atuam na África – dois mil só em Angola. “Os países africanos carecem de recursos humanos, muitos presidentes já solicitaram ajuda ao país. Na Guiné, antes da epidemia do ebola, já havia uma brigada cubana e sem Serra Leoa também”, afirma Di Fábi, em entrevista à DW.

DW: Na opinião do senhor, por que esse chamado das Nações Unidas foi feito para Cuba?

José Luis Di Fábio: Em fins de julho, a diretora da OMS, Margaret Chan, esteve em Cuba para acompanhar a inauguração do Centro Estatal Médico para Controle de Medicamentos. Durante a visita, ela se emocionou, digamos assim, ao entender mais sobre a cooperação médica cubana, incluindo a educação médica do país para o exterior.

Ela esteve na Unidade de Cooperação Médica, onde há o registro histórico das cooperações em saúde, viu a preparação de médicos que já foram para o Haiti e participaram de outras missões e, realmente, entendeu e reconheceu a capacidade que Cuba tem de apoiar os países numa cooperação Sul-Sul.

Durante uma conversa sobre continuidade de cooperações, surgiu a ideia de que Cuba pudesse trabalhar formando equipes de resposta rápida em caso de desastres e outros tipos de emergências. E, há duas semanas, ela pediu então apoio a Cuba para combater o ebola.

Quantos profissionais estão a caminho da África e para onde seguem?

Segundo o acordo, serão 300 profissionais. Primeiramente, foram 165 a Serra Leoa, dos quais 62 são médicos. Depois, a pedido dos governos locais, foi decidido enviar mais 53 para a Libéria e 38 para a Guiné.

Eles já estão prontos para trabalhar?

Eles fizeram a primeira parte da capacitação em Cuba. Recebemos profissionais de Washington e especialistas que já haviam trabalhado em Serra Leoa, diretamente com pacientes. Eles explicaram sobre a doença, as condições de vida no local, como vestir-se adequadamente, os tipos de proteção pessoal. Foi muito importante poder ouvir desses profissionais quais são as rotinas diárias, os problemas que enfrentam no terreno.

Quando a equipe cubana chega à África, faz outras capacitações até chegar ao centro de tratamento. Ela já chegou, mas ainda não está trabalhando. Ainda estão sendo preparadas as condições para que possam atuar. Primeiro: precisavam do processo de capacitação e, enquanto isso, as instalações, os centros de tratamento de ebola, estão sendo montados.

A ideia é trabalhar em forma conjunta, não dispersar a equipe. Caso contrário, a capacidade de organização se perde. É preciso identificar onde é mais apropriado trabalhar. No caso de Serra Leoa, deve ser em Freetown, a capital, e talvez em Port Loko.

Outros países da América Latina ofereceram ajuda? Cuba é um caso especial?

Cuba é um caso especial, digamos, pela capacidade rápida de resposta que teve, pela vontade política e pela própria experiência dos médicos. Trata-se de profissionais de saúde que já estão acostumados a trabalhar em missões, muitos deles já estiveram inclusive na África. Não conhecem o ebola, mas conhecem o território.

A Venezuela já havia doado 5 milhões de dólares para apoiar a luta contra o ebola. E a ministra da Saúde no Equador acenou que iria apoiar com recursos financeiros a campanha contra a epidemia.

O Brasil apoiou com alimentos. Existe a parte médica, mas é preciso pensar que é preciso todo um processo de assistência. O Brasil mandou medicamentos, ajuda humanitária em alimentos de cerca de 5 milhões de dólares, segundo entendi. Mas isso não foi via Organização Mundial da Saúde, mas via Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.

Com tantos médicos cubanos agora em ação na África, não há problema com falta de médicos em Cuba?

Não, não afeta os serviços e a população cubana. A população médica em Cuba é de mais de 80 mil.

Como funciona exatamente a parceria? Os médicos que seguem para a África recebem salário?

Eles estão contratados seguindo a forma de contrato comum da OMS, ou seja, como qualquer assessor que presta serviço. Normalmente, paga-se a passagem e uma diária. O valor depende do lugar onde o profissional vai atuar. A diária tem um componente de alojamento, alimentação e gastos pessoais.

De quanto é a diária?

Depende do local. É um valor estabelecido pelas Nações Unidas, que varia também em alguns meses, dependendo do câmbio da moeda. Por exemplo, em Havana, a diária é de 170 dólares. Em outros países, pode ser de 120. Creio que são 230 dólares por dia na África, mas 60% do valor é para cobrir estadia.

Qual é a importância da ajuda de Cuba?

É uma ajuda importante não só para a OMS, mas para todo o mundo. A ideia é apoiar os países da África Ocidental a conter a doença e exterminá-la na África. Mas, ao mesmo tempo, é uma barreira de defesa para o resto do mundo. Se não se controla o vírus na África, ele pode chegar a Estados Unidos, Alemanha, Brasil, Japão, etc.

Então, realmente, os cubanos estão protegendo as fronteiras. E são não houver mais países que ofereçam recursos humanos, seguirão sendo os únicos.

Mais países mostram interesse em apoiar a iniciativa da OMS na África Ocidental?

Eu represento a OMS em Cuba. Imagino que a solicitação tenha sido feita a todos os países. Na última segunda-feira (20/10), o médico David Nabarro, enviado especial do secretário-geral da ONU, disse que foi muito importante a ajuda de Havana. Ele disse que o total de 265 trabalhadores cubanos é maior que a soma de todos os outros países juntos. E que a partir dessa quarta-feira, dia em que chega o restante da equipe, o número passará a ser maior que o do Médicos Sem Fronteira ou da Cruz Vermelha, maior que o número de profissionais enviados por Estados Unidos, Reino Unido e China.

Como o mundo olha para Cuba depois dessa parceria com a OMS?

Acredito que poderia haver mais reconhecimento. É incrível o que Cuba pode fazer. A vontade política e a vontade humana da população. Quando houve um terremoto no Paquistão, em 2005, foram enviados 2 mil médicos em 48 horas. Foram os primeiros que chegaram ao Paquistão e os últimos a sair, estiveram lá quase seis meses. No Haiti também. Depois de 24 horas, profissionais cubanos já chegaram para ajudar, e continuam lá.

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Diário do Centro do Mundo » Entrevista: “É incrível o que Cuba pode fazer”, diz OMS sobre ajuda contra ebola

12/09/2014

Mais Médicos cubanos contra Ebola

Filed under: AMB,Cuba,Ebola,EUA,Médicos Cubanos — Gilmar Crestani @ 8:53 am
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mais medicos menos mulasA A$$oCIAção Médica Brasileira também deveria mandar seus jalecos brancos preconceituosos para combater o Ebola. Já os EUA certamente mandarão os marines e seus drones para matar o Ebola a tiro….

Cuba vai enviar médicos para combater surto de Ebola

JAMIL CHADE – CORRESPONDENTE DE O ESTADO DE S. PAULO

11 Setembro 2014 | 22h 17

País diz ser o primeiro a atender os apelos da ONU e vai mandar 165 profissionais de saúde a partir de outubro para Serra Leoa

Atualizado às 7h20 de 12/9

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GENEBRA – Cuba vai usar parte de seus 4 mil colaboradores e médicos espalhados por 32 países africanos para ajudar a Organização Mundial da Saúde (OMS) a responder ao surto do Ebola que, segundo a entidade, pode contaminar mais de 20 mil pessoas. Na manhã desta sexta-feira, 12, Cuba anunciou que vai enviar 165 profissionais de saúde a partir de outubro para Serra Leoa.

"Se vamos para guerra contra o Ebola, precisamos de recursos para lutar", declarou Margaret Chan, diretora da OMS. Cuba se declarou como o primeiro país a atender aos apelos de ajuda da ONU para enfrentar a doença.

A doença já matou mais de 2,2 mil pessoas e contaminou oficialmente 4 mil. Mas a própria OMS admite que os números reais são maiores, e os governos da região africana mais afetada alertam que é a existência dos Estados que hoje está em jogo.

Abbas Dulleh/APOficialmente, o surto de Ebola já matou mais de 2,2 mil pessoas

Diante do cenário, a ONU passou a apelar diretamente a governos de todo o mundo para que saiam ao socorro da região.

O ministro da Saúde de Havana, Roberto Morales, reuniu-se com a diretora da OMS, Margaret Chan, enquanto a imprensa oficial cubana se apressou em decretar que o regime de Raúl Castro era o primeiro no mundo a dar uma resposta aos apelos da ONU por ajuda na África.

No final da semana, o governo britânico anunciou o envio de médicos e de soldados para erguer um centro de atendimento em Serra Leoa, com capacidade para 62 leitos.

O governo dos Estados Unidos também anunciou ajuda, depois de um telefonema do diretor do secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, ao presidente Barack Obama.

Na Europa, Bruxelas anunciou 140 milhões de euros em ajuda e envio de equipes, enquanto a Fundação Bill e Melinda Gates prometeu nesta semana US$ 50 milhões para combater o vírus.

Para os órgãos oficiais cubanos, porém, "Chan manifestou seu agradecimento ao presidente cubano, Raúl Castro, por ser o primeiro país que dá um passo à diante depois do chamado da ONU e da OMS".

Morales, depois de visitar a OMS, indicou apenas que esperava que a entidade servisse como "coordenadora" das diversas colaborações internacionais que estão sendo anunciadas.

"Pela história de colaboração de nossos países, e em particular no campo da saúde, nos foi pedido que pudéssemos formar parte dos países que dão uma resposta de maneira inicial ao chamado urgente da África", explicou Morales.

24/05/2014

Os EUA, como Cuba, também querem um Castro, mas Fidel só tem um

Filed under: Barack Obama,Cuba,EUA — Gilmar Crestani @ 9:45 am
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El hispano Julián Castro asciende a la Casa Blanca de la mano de Obama

El presidente de EE UU nombra al alcalde de San Antonio secretario de Vivienda

Yolanda Monge Washington 23 MAY 2014 – 23:05 CET91

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Barack Obama y Julián Castro. / LARRY DOWNING (Reuters)

Todo apuntaba a que en la carrera de relevos que Julián Castro considera que es el sueño americano –a él le pasó el testigo su madre y a su madre su abuela mexicana-, el siguiente paso que daría en su carrera política sería dejar el consistorio de San Antonio (Texas) para ocupar la casa del Gobernador en Austin. Y desde ahí, como otros presidentes de Estados Unidos (el primer Roosevelt; Wilson; Carter; Reagan; Clinton; Bush), iniciar el asalto a la Casa Blanca.

A Castro se le facilita un atajo al poder federal de Washington. Barack Obama, hombre y político con bastantes similitudes con Castro –o al revés-, ha decidido confiar la secretaría de Vivienda de su Administración a la joven promesa hispana, a quien ya concedió el honor en 2012 de ser el primer miembro de esa etnia que abriera una convención demócrata. Desde entonces, la estrella emergente –como en su día lo fue Obama, quien también despuntó en una Convención, para dolor posterior de los Clinton-, en un firmamento escaso de astros, está en las quinielas como futuro candidato del Partido Demócrata en 2016 a la vicepresidencia del país. Y de ahí, quizá, al 1600 de Pensilvania Avenue.

En un español tan modesto como el del propio Castro, Obama ha dicho: "Julián ha vivido el sueño americano". "Nunca se ha olvidado de dónde viene", ha finalizado, ya en inglés, el presidente al relatar los orígenes humildes del alcalde texano. Castro ha aceptado como "una bendición" el testigo que le pasaba el mandatario y ha declarado que provenir de orígenes humildes no significa que haya que ser humilde en los sueños. "Se puede tener éxito y conseguir el sueño americano".

Obama dijo, en español, que Julián había vivido "el sueño americano"

Castro ha mantenido este viernes en la Casa Blanca la actitud prudente que le caracteriza, esa que te indica que todo lo que digas podrá ser utilizado en tu contra en este duro negociado que es la política norteamericana. El todavía alcalde ha dado las gracias en español a los habitantes de San Antonio, séptima ciudad de Estados Unidos, con más de 1,3 millones de habitantes, la mayoría de origen hispano.

La juventud del próximo secretario de Vivienda -si el Senado de EEUU le confirma en el cargo- ha sido una constante en su carrera política, que se inició con 26 años al convertirse en el concejal más joven de la historia de San Antonio. Con 34 fue el alcalde de menor edad del municipio y hoy día, con 39, no hay regidor más joven que él en las 50 mayores ciudades de Estados Unidos.

Pero la juventud no es precisamente una seña que favorezca a Castro, quizá al contrario, ya que se le critica que carezca de la experiencia necesaria para enfrentar la despiadada arena de Washington. Si sopla a su favor el viento que le susurra al oído que el primer presidente hispano de este país ya ha nacido. Que en este momento puede estar sentado en el pupitre de una escuela; en una facultad de derecho; o que podría ser él.

En Estados Unidos viven más de 50 millones de hispanos, uno de cada seis habitantes del país

La conjetura no es fruto de un pensamiento ilusorio, mágico. Lo respalda un censo que dice que en Estados Unidos viven 50 millones de hispanos, uno de cada seis habitantes del país. Eso sin sumar a los más de 10 millones de indocumentados que no cuentan en las urnas –de momento- pero que están perfectamente integrados en el tejido social y laboral de la nación. Si la reforma migratoria propuesta por Obama lográ algún día superar la cerrazón republicana en el Congreso –razones tienen para bloquearla-, el viejo partido del presidente Lincoln estará por mucho tiempo en peligro en las urnas.

Cuando hoy Obama presente a Castro ante la prensa en la Casa Blanca, en el podio habrá dos hombres con biografías similares y sueños parecidos, cada uno perteneciente a las dos minorías mayoritarias del país, pero ambos con la etiqueta de postétnicos, ya que han sido capaces de transcender las barreras de raza, grupo o clase social.

Como Obama, Castro fue criado por su madre -mínima la presencia paterna, que hoy sin embargo asistió al acto-, Rosie Castro, una activista del movimiento chicano que luchaba en los años sesenta y setenta por los derechos de los inmigrantes. La señora Castro nació en Estados Unidos, pero fue su madre la que le abrió las puertas del sueño americano que ahora parece concretarse en uno de sus dos hijos gemelos –o los dos-. Julián –que es casi lo único que el todavía alcalde pronuncia bien en español, con la ‘j’ bien fuerte y la tilde en la ‘a’, porque no maneja el idioma de sus ancestros- tiene un hermano gemelo, cuyo nombre también empieza por ‘j’ y que desde el año pasado está afincado en Washington como miembro de la Cámara de Reprentantes de EEUU.

“Mi abuela nunca poseyó una casa”, explicó Castro en la Convención Demócrata. “Mi abuela limpiaba las casas de otros para poder pagar el alquiler de la suya”, dijo. Victoria, la abuela del alcalde, logró ver cómo su hija se graduaba en la Universidad. No vio a Julián convertido en alcalde. Pero el sueño americano posibilitó a la familia de Victoria un ascenso social impensable en muchas otras partes del mundo. Ese que hace que, quizá, Julián Castro sea ese hispano que llegue a la Casa Blanca. La andadura en Washington acaba de comenzar.

El hispano Julián Castro asciende a la Casa Blanca de la mano de Obama | Internacional | EL PAÍS

14/05/2014

Yoani Sánchez, por seu tradutor italiano

Filed under: CIA,Cuba,Direita,Direita Miami,Mercenários,Veja,Yoani Sánchez — Gilmar Crestani @ 11:48 pm
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Gordiano Lupi. Yoani Sánchez, il suo periodico e la mia libertà

09 Maggio 2014

Yoani Sánchez ha disdetto il contratto con La Stampa e ha fatto di me un uomo libero, ché fino a ieri non potevo dire quel che pensavo, visto che la traducevo. Adesso che non ho più alcun legame e che gli interessi della blogger più ricca e premiata del mondo vengono gestiti dalla sua agente, Erica Berla, posso togliermi i sassolini dalle scarpe. Mi stavano facendo un male…

Ho avuto il torto di credere nella lotta di Yoani Sánchez ritenendola una lotta di David contro Golia, una lotta che partiva dal basso per colpire il potere, una lotta idealista per la libertà di Cuba. Mi sono dovuto rendere conto – a suon di cocenti delusioni – che l’opposizione di Yoani era lettera morta, per non dire di comodo, come per far credere al mondo che a Cuba esiste libertà di parola. Ho cominciato a dubitare che Yoani fosse non tanto un’agente della Cia – come dicevano i suoi detrattori – quanto della famiglia Castro, stipendiata per gettare fumo negli occhi. Ma anche se non fosse niente di tutto questo, basterebbe il fatto che mi sono reso conto di avere a che fare con una persona che mette al primo posto interessi per niente idealistici. Una blogger che conduce la sua vita tranquilla, che a Cuba nessuno conosce e che nessuno infastidisce, che non viene minacciata, imprigionata, zittita, che non ha problemi a entrare e uscire dal suo paese. Per la sua bella faccia mi sono preso offese e minacce di castristi e comunisti italiani, per aver condiviso una lotta inesistente, un sogno di libertà sperato da molti, ma non certo da lei, che pensava solo al denaro proveniente da premi e contratti. A questo punto non lo so se Yoani Sánchez è un’agente della Cia o della Rivoluzione Cubana. Non lo so e non m’interessa neppure di saperlo. So solo che non è la persona che credevo. Tanto mi basta.

Un episodio su tutti avrebbe dovuto farmi aprire gli occhi sulla realtà, oltre un anno fa, quando mandai mia suocera a casa di Yoani per chiederle chiarimenti sul viaggio italiano. Ebbene, la fecero attendere sulle scale. Non la fecero passare neppure in sala. Un comportamento molto strano per un cubano del popolo. Avrei dovuto credere a mia suocera quando mi diceva: “Quella gente non lotta per la libertà di Cuba. A loro interessa solo riempirsi le tasche”. Non l’ho fatto e ho sbagliato. Ho creduto in una lotta ideale che non esisteva. In realtà lo scopo di Yoani Sánchez è sempre stato quello di diventare ricca e famosa. Adesso l’ha raggiunto. Adesso stia lontano da me, che ho perduto persino il diritto di rientrare a Cuba, mentre la principessa delle blogger entra ed esce come se fosse un moscone che un po’ ronza all’Avana, un po’ a Miami. La parola farfalla non le si addice. Moscone è il termine più confacente. Adesso Yoani Sánchez aprirà un periodico yoani-capa-vejafarlocco, come li chiamiamo qui in Italia, qualcuno dei servizi glielo traduca in cubano, io non lo so fare. Un periodico farlocco come L’Avanti di Lavitola, con tutto il rispetto per Lavitola. Aprirà un giornale, insieme ai suoi amichetti, che a Cuba non leggerà nessuno, perché consultabile on line. Ma a Yoani cosa importa? A lei basta che qualcuno lo finanzi, che si legga a Miami, tanto tanto in Spagna, che la comunità cubana continui a illudersi per una paladina inesistente.

Fin qui abbiamo viaggiato insieme, cara Yoani. Adesso basta. Il mio viaggio prosegue da solo, lontano dalle tue mire. Tocca anche Cuba, certo, che fa parte della mia vita, anche se molti cubani mi hanno deluso. Proverò a non pensarci, per rispetto a mia moglie, che è una cubana del popolo e non ha niente a che vedere con la tua alterigia borghese. E poi, l’ha detto anche Fidel Castro che sarà la storia a decidere. Vediamo chi assolverà.

Gordiano Lupi

TELLUS folio

Tradutor oficial de Yoani Sanchez na Itália lança carta denunciando a blogueira cubana como mercenária

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Quem não se lembra da passagem meteórica pelo Brasil da “blogueira” cubana Yoani Sánchez que foi recebida no Brasil com tapete verde-amarelo pela direita tupiniquim, e em especial por órgãos da mídia corporativa. Agora, eis que o tradutor oficial de Yoani no jornal italiano “La Stampa” nos últimos seis anos, Gordiano Lupi, acaba de lançar uma espécie de carta-testemunho que detona a sua imagem de paladina da democracia em Cuba.

Uma questão interessante nessa carta é a questão levantada por Lupi: a quem serve Yoani, ao castrismo ou aos exilados de direita em Miami?

Abaixo minha tradução do original italiano que pode ser encontrado (Aqui! em italiano) ou (Aqui! em inglês)

Yoani Sánchez , seu jornal é a minha liberdade

Yoani Sanchez e Juliana AssangePor Gordiano Lupi

Yoani Sánchez encerrou o contrato com a La Stampa e fez-me um homem livre, porque até ontem eu não poderia dizer que ele estava pensando, mas apenas fazer a tradução de suas falas. Agora que eu já não tenho qualquer ligação e que os interesses dos mais ricos e blogueira mais premiada do mundo são administrados por seu agente, Erica Beba, eu posso tirar meus sapatos de pedra que me estavam fazendo mal.

Eu cometi o erro de acreditar na luta Yoani Sánchez, acreditar que era uma luta de David e Golias, uma luta que foi a partir de baixo para combater o poder, uma luta idealista pela liberdade de Cuba. Agora eu tenho que explicar – ao som de amargas decepções – que a oposição Yoani era letra morta, para não mencionar confortável, como se para fazer o mundo acreditar que em Cuba não há liberdade de expressão. Comecei a duvidar de que Yoani não era tanto uma agente da CIA- como diziam seus detratores – como a família Castro, mas uma assalariada para jogar areia nos nossos olhos. Mas mesmo se não fosse nada disso, bastaria dizer que eu percebi que você tem que lidar com uma pessoa que dá prioridade aos interesses de todo idealista. Um blogueira que leva a sua vida tranquila em Cuba, que ninguém sabe e ninguém incomoda, e que não é ameaçada, presa, silenciada, que não tem nenhum problema para entrar e sair da sua terra. Por seu belo rosto recebi ofensas e ameaças de seguidores de Fidel Castro e de comunistas italianos, para partilhar de uma luta que não existe, um sonho de liberdade esperado por muitos, mas certamente que não é dela, que só pensava no dinheiro proveniente de doações e contratos. Nesse ponto, eu não sei se Yoani Sánchez é uma agente da CIA ou da Revolução Cubana. Eu não sei e não me importo em saber. Eu só sei que não é a pessoa que eu pensava. E isto é suficiente para mim.

Um episódio que me abriu os olhos à realidade, correu há mais de um ano atrás, quando eu mandei a minha sogra à casa de Yoani para pedir esclarecimentos sobre uma viagem à Itália. Bem, eles a fizeram esperar nas escadas. Nem sequer a deixaram ir para um quarto. Um comportamento muito estranho para o povo cubano. Eu deveria ter acreditado na minha sogra, quando ela me disse: ” Essas pessoas não lutam pela liberdade de Cuba Elas estão interessadas ​​apenas encher os bolsos”. Eu não acreditei na minha sogra e estava errado. Eu acreditava em uma luta ideológica que não existia. Na verdade, o objetivo de Yoani Sánchez foi sempre a de se tornar rica e famosa. Agora, ela conseguiu. Agora poderá ficar longe de mim , pois eu mesmo perdi o direito de voltar a Cuba, enquanto a princesa de blogueiros pode entrar e sair, como se fosse uma mosca que fica  zumbindo em Havana e um pouco em Miami. A palavra borboleta não combina com ela, pois mosca-varejeira é o termo mais apropriado . Agora Yoani Sánchez vai abrir uma falsa revista , como as chamamos aqui na Itália , que poderá ser traduzida por outra pessoa, pois eu não irei. Um falso jornal como a “La Avanti” de Valter Lavitola , com todo o respeito para Lavitola. Yoani vai abrir um jornal , junto com seus amigos, que ninguém em Cuba não vai ler, porque só estará disponível online. Mas o que isso importa? Ela apenas quer alguém para financiá-la, e que será lido em Miami e na Espanha, onde a comunidade cubana continua a se iludir com uma paladina inexistente.

Até agora, viajamos bastante juntos, querida Yoani. Mas suficiente é suficiente. Continuarei minha jornada sozinho, longe de suas ambições. Ele também toca Cuba é claro, que faz parte da minha vida, embora muitos cubanos tenham me decepcionado . Vou tentar não pensar sobre isso, por respeito a minha esposa, que é cubana, e não tem nada a ver com a sua arrogância burguesa. E como Fidel Castro disse que a história vai decidir, vamos ver quem vai ser absolvido.

FONTE: http://www.tellusfolio.it/index.php?prec=%2Findex.php&cmd=v&id=17330

Outra opinião a respeito do tour dela pelo Brasil e as pessoas que dela se aproximaram, aqui: DEIXE YOANI FALAR, MAS OUÇA CUBA TAMBÉM

23/02/2014

Um d’Os últimos soldados da Guerra Fria

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EL MUNDO › ENTREVISTA A RENE GONZALEZ, EL CUBANO QUE SE INFILTRO EN LOS GRUPOS VIOLENTOS DE MIAMI

“Fue difícil dejar el país y quedar como un traidor”

Empezó a cumplir con la misión que le encargó el gobierno cubano al robar un avión en Cuba. Hasta el comienzo fue clandestino y ni su familia sabía que volaría a Miami para meterse en las organizaciones que buscaban montar acciones agresivas contra su país. Condenado a 15 años, es el único de Los Cinco que fue liberado. Aquí cuenta su historia.

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Por Martín Granovsky

Desde La Habana

De mañana en una casa de La Habana, una ciudad inundada por especialistas que participan del congreso Universidad 2014 y por editores y escritores invitados a la Feria del Libro. El tipo con altura de basquetbolista que antes de la entrevista conversa con uno de los especialistas, Pablo Gentili, el secretario ejecutivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, luce tranquilo. Es uno de los cinco cubanos que fueron procesados en Estados Unidos luego de infiltrarse en Miami para buscar información sobre los grupos violentos contrarios al gobierno de Fidel Castro. René González es el único de Los Cinco que está libre. Los otros siguen presos.

–Me gustaría una definición de Los Cinco a cargo de uno de ellos.

–Primero que todo, somos cubanos comunes. Somos hijos de un país que, como nosotros, ha tenido a muchos hijos. Crecimos bajo la amenaza del terrorismo, presenciando cómo se imponía sobre Cuba la muerte, desde Miami específicamente. Tuvimos que participar en entierros de compatriotas que habían sido asesinados por bandas terroristas establecidas en Miami con el apoyo del gobierno norteamericano. Y como cubanos se nos pidió que nos infiltráramos en esos grupos. Dijimos que sí y lo hicimos. Como resultado de esas acciones, el gobierno norteamericano nos detuvo en 1998 y nos sometió a un proceso fraudulento. La naturaleza de ese proceso es la que ha provocado que haya trascendido esta historia y que ya muchos nos conozcan alrededor del mundo. Hasta hoy yo soy el único que está en libertad y mis cuatro hermanos siguen en prisión. Pero, bueno, básicamente esos somos Los Cinco.

–¿Cómo fue el inicio de la misión de infiltrarse? ¿El gobierno cubano pidió, ofreció u ordenó que lo hicieran?

–Me piden. Esta no es una misión que se pueda ordenar. Y no sé qué hay que ofrecer. Es puro sacrificio. Al pedírmelo me insistieron en que lo pensara y me advirtieron que era una misión riesgosa. No lo pensé mucho y dije que sí.

–¿Era una misión riesgosa o suicida?

–Si todo salía bien, salías ileso. Nosotros no perdimos la vida, tuvimos que ir a la cárcel. Cuando yo hablo con los jóvenes en Cuba, se los digo: “Esto es una misión que si ustedes no quieren, no digan que sí”. Yo no creo que eso demerite a nadie. Sencillamente, tiene muchos riesgos y requiere de características que uno mismo ni siquiera se las imagina en el momento en que le proponen la misión. Las va descubriendo.

–¿Qué características?

–Soy un tipo bastante abierto y me cuesta trabajo fingir, por lo general. Y yo nunca pensé que pudiera hacerlo, realmente para mí fue lo más difícil. Incluso lo fue desde aquí. Yo a veces digo que fue más difícil aquí que allá. Porque aquí tuve que fingir antes de irme frente a mis hermanos, frente a mis compañeros, frente a la gente que me apreciaba, que me tenía en alta estima. Y, de pronto, me tuve que ir convirtiendo poco a poco en alguien distinto a lo que era. A lo mejor eso me fue ayudando, porque uno va dando pasos, pero los va dando con un poco, primero, de trabajo, un poco de dolor, porque a ti no te gusta defraudar a una persona cuya confianza tú estimas. Fue difícil tener que dejar el país y quedar para ellos como un traidor, como una persona que los había abandonado. Lo hice como lo haría cualquier otro, como cualquier policía que en cualquier país del mundo tiene que infiltrarse en una banda de delincuentes o de criminales sin ser él un criminal. Por eso cuando nos detuvieron sentí el alivio de poder volver a ser yo mismo.

–¿En qué consistió el fingimiento inicial en Cuba?

–De ser un militante te vas convirtiendo en una persona que empieza a decepcionarse, a desilusionarse. Pero no perdí el aprecio de mis compañeros. Las personas por lo general son generosas y se resisten a aceptar que tú cambies mucho. Eso es un instinto natural. Consideraron que yo seguía siendo buena gente. Mientras tanto renuncié a mi carrera. Era piloto. Como pasé a trabajar en deportes aéreos, había un espacio para volar.

–¿La misión incluía robar un avión en Cuba y cruzar a la Florida?

–Sí. Eran tiempos difíciles. En 1989 y 1990, la economía del país empezaba a sentir los efectos del derrumbe del campo socialista. Obviamente se resintió el deporte aéreo y volar se hacía más difícil. Un fin de semana logré ir a trabajar como controlador de vuelo. Por una de esas coincidencias del destino fue un argentino el que me llevó al sitio donde saltaban los paracaidistas. Se llama Santiago, un sobrino del Che que era paracaidista. Bueno, ese día me quedé en la torre. Se me dio cuando pararon los vuelos, porque el viento estaba un poco malo y no acompañaba la actividad del salto. Bajé, me monté en el avión y me lo llevé. Ya estaba en el punto de no retorno. Tenía que seguir. Una vez que sigues tienes que tener éxito, porque si no, caes preso o te matan. En realidad había pensado en que ese fin de semana me llevaría el avión en la madrugada del día siguiente. Pero cuando ellos me dicen que van a parar los vuelos, yo les insisto en que le echen gasolina al avión. Tenía 400 litros y no podían echarle más. Saqué mentalmente la cuenta. Me dije: “Bueno, con eso llego justo allá a los Cayos de la Florida”. Y, efectivamente, llegué bastante justo, pero llegué.

–¿Con qué margen, con esos 400 litros?

–Ninguno (risas). El vuelo duró una hora y veinte. Lo hice como un profesional, aunque el despegue fue un poco catastrófico porque me llevé el avión de la misma rampa de parqueo, sin alinearlo en la pista. El avión no estaba listo para el vuelo. Después de que lo despegué tuve que orientar todos los instrumentos en dos o tres minutos. Recuerdo bien cuando dejé la isla. El corazón se me apretó. Miré hacia atrás. Dejaba todo. Mi esposa, mi hija… Pero, bueno, el piloto se impuso. Me ocupó mucho tiempo el cálculo de la potencia, cómo hacía para irme más rápido de Cuba sin gastar demasiado combustible y después cómo reducir para ahorrar más combustible. Finalmente, subir y buscar un poco de visibilidad para encontrar los Cayos de la Florida. Y, bueno, ya al final del vuelo, la decisión de si lanzarme. En un momento pensé que tendría que tirarme en el agua porque no veía los cayos.

–¿Paracaídas o amerizaje?

–Amerizar cerca de algún barco.

–¿Edad en ese momento?

–Tenía 34 años.

–O sea, menos de tres años el día de la Revolución Cubana, el 1ª de enero de 1959.

–La generación mía fue una generación que absorbió mucho de la revolución. Yo nací en Chicago en 1956. Mi padre se integró en Chicago al Movimiento 26 de Julio de Fidel Castro, cuando Fidel ya estaba en Sierra Maestra. Cuando la invasión a Bahía de Cochinos, en 1961, salen a las calles a protestar y son agredidos en Chicago. Deciden que su suerte está echada con Cuba y, entonces, vienen para acá en uno de los últimos barcos que en aquella época estaban dando viajes entre Nueva York y La Habana. Yo tenía cinco años y sólo algún recuerdo. En una ocasión, mi madre fue a hacer una gestión para el viaje a Cuba y me dejó con alguna amistad o una familia. Y se le ocurrió a la persona ponerme una peluca y recuerdo a mi madre entrando y escandalizándose porque no me reconoció. Recuerdo el viaje que hicimos desde Chicago hasta Nueva York en el automóvil, algunos lugares en que paramos a comer, cómo dormíamos mi mamá y yo en la parte de atrás del auto. Y también recuerdo el viaje en el barco, imágenes así del barco, de la cocina, de la piscina del barco, Guadalupe. En Cuba, mi padre se incorporó a trabajar en la construcción de una fábrica. En ese tiempo, el Che Guevara era ministro de Industria, y se estaban construyendo muchos conglomerados industriales para unificar actividades que más bien estaban dispersas. Y, entonces, el viejo trabajó en la construcción de una fábrica de plásticos, y recuerdo que yo vi al Che ahí, casualmente, le di la mano y todo, yo tenía ocho años, ya cuando ellos terminan de construir la fábrica y el Che la inaugura en diciembre del ‘63. El Che era adorado por nosotros. Cuando él termina, pasa por entre la multitud y la gente lo empieza a saludar, y mi hermano y yo, que estábamos en la plataforma opuesta, les pedimos permiso a los viejos para ir a saludar al Che y bajamos y nos metimos entre la gente y llegamos adonde estaba él y empezamos a decirle: “Che, Che”. Me pasó la mano por la cabeza, me dio la mano. Y a mi hermano. Pero eso nunca se nos olvidó.

–Volvamos al vuelo hacia los cayos y el objetivo de aterrizar vivo.

Tenía que ir al Norte, pero el viento estaba fuerte por la izquierda, del noroeste. Salí, volé con potencia maximal por unos 5 o 6 minutos para alejarme rápido de las costas de Cuba, muy cerca del agua, a dos o tres metros de altura, y ya una vez que me alejé bastante reduje la potencia a potencia económica para poder volar más tiempo, más lejos. Así me mantuve un tiempo, para evadir los radares cubanos y evitar la intercepción cubana, hasta que calculé que ya debía estar cerca de los Cayos de la Florida. Entonces, decidí subir, ya despegarme del agua para buscar visibilidad. A ese régimen yo iba a unos 180 kilómetros más o menos. Empezaron los indicadores de emergencia de combustible a encenderse. Este avión tiene dos tanques, uno en cada ala, y cada uno de los tanques tiene un indicador, cuando le quedan 75 galones. Vi barcos. Decidí volar por arriba de ellos. Si después del último barco no veo tierra, a los cinco minutos regreso y me tiro en el agua al lado del barco para que me saquen. Sobrevolé el primer barco, el segundo, el tercero y empecé a contar y dije: “Bueno, aquí no hay otra, cinco minutos y, si no veo tierra, me regreso y me tiro al lado del barco”. Pasé por arriba del barco y empecé a ver el reloj. Un minuto, dos minutos, tres minutos, cuatro, cinco.. Y la tierra. Una cosa increíble. Pensaba ir a la base de Boca Chica, que es la base naval que tienen los norteamericanos en el Key West. En ese momento me sentí como Cristóbal Colón. Ya dije: “Bueno, por lo menos si me tiro en cualquier lado es pegado a la tierra y ahí llego a tierra”. Y cuando empezó a aclararse ya la visibilidad, o sea, a acercarme, lo primero que tenía delante de mí era la base de Boca Chica, o sea que todo me salió perfecto. Me tiré. Fue un aterrizaje bastante brusco. Estaba muy tenso. El avión dio varios brincos. Recuerdo que ya cuando frené el avión, me quedé en medio de la pista con el motor en bajo, y traía un termo de café, lo abrí, me serví un café, me lo tomé y tiré el termo hacia atrás. Salió dando tumbos por ahí. Y me eché hacia atrás y me empecé a relajar, hasta que llegaron las autoridades. Hay quien dice que todo aterrizaje del que tú puedas salir caminando es un buen aterrizaje. Y, bueno, ése fue el caso. El trámite fue rápido, porque yo había nacido en Estados Unidos y presenté mi inscripción de nacimiento. Ellos no sabían en realidad qué hacer conmigo porque normalmente al inmigrante lo llevan a un centro de detención de inmigración. Pero al final localizaron a mi abuela, se hizo un trámite más bien personal, con un señor de origen cubano que vivía ahí en Cayo Hueso, y él me acogió esa noche y al otro día mi abuela pagó los pasajes y me fui para Sarasota con ella.

–¿Sin ninguna sospecha encima?

–Mi padre no era una personalidad pública. Salí de la base y en mayo de 1990 terminé instalándome en Miami, en lo de una tía abuela. Mi familia de los Estados Unidos no era de revolucionarios pero tampoco de militantes contra la revolución. Gente buena, de buenos sentimientos, con una larga historia de relaciones entre Cuba y Estados Unidos. Gente sencillamente noble que se había ido para allá en los años ’40. Ni anticastristas ni fanáticos de la política. Su preocupación siempre ha sido familiar, tanto desde que llegué allá como incluso después del arresto y todo. Los aprecio mucho.

–¿Cómo fue el acercamiento a los grupos anticastristas?

–Repetía el credo. El credo de que en Cuba las personas se arrastran por las calles, de que no tienen qué comer, de que se mueren y se caen muertos, de que la policía golpea a todo mundo en todas las esquinas. Cuando tú me preguntabas ahorita sobre la capacidad para fingir, yo te decía que es más fácil fingir allá. Primero, porque no implica un desgarramiento. Pero, segundo, porque es curioso que a ellos tú lo único que tienes que hacer es decirles lo que necesitan escuchar: cosas malas de Cuba.

–Pero muchos decían esas cosas. ¿Cuál era el plus especial?

–La forma en que llegué. Con un avión robado. Durante unos días fui una celebridad en el Miami Herald.

–¿Había un objetivo especial de aproximación?

–Iba viendo las circunstancias y me iba acercando a algunos grupos. Empecé por la CUPA, la Cuban Pilots Association, que era un grupo básicamente de pilotos. Muchos habían estado en Bahía de Cochinos. Otros habían sido mercenarios en el Congo. Había algunos célebres como torturadores en América latina, como Félix Rodríguez El Gato, que fue el que asesinó al Che y también tuvo sus vínculos con los torturadores y la dictadura argentina. Hoy disfrutando de la hospitalidad y la benevolencia del gobierno que lo formó como torturador, el de los Estados Unidos. Muchos habían ido del Congo a Nicaragua. Algunos, oficiales del ejército de Fulgencio Batista. Después me vinculé a HAR, Hermanos al Rescate, más jóvenes que los otros, aunque creados por veteranos como el terrorista Luis Posada Carriles, uno de los mayores criminales del hemisferio. Mi objetivo era primariamente recolectar información y enviarla para Cuba. Después, el gobierno cubano se encargaba de procesarla, analizarla y hacer lo que pudiera para desarticular acciones terroristas de los grupos contra Cuba. De paso, conseguí que terminaran en la cárcel dos narcotraficantes vinculados a esos grupos. Y eso también ayuda a desarticularlo porque se les acaba el sostén económico. Estuve ocho años entre esos grupos, desde el ‘90 hasta el ‘98 en que fuimos arrestados. Uno era el PUND y otro el Comando de Liberación Unido, que también tenía otro narcotraficante que pudimos identificar y lo desarticulamos. Y después al final me incorporé a lo que se llamó Grupo Democracia, que se dedicó a organizar flotillas para venir a provocar a Cuba, entrar en aguas cubanas, crear problemas entre los dos gobiernos. Y ése fue el último grupo en el que entré hasta que, bueno, se produjo la detención.

–¿Cómo reaccionó y cómo fue evolucionando la familia con el tema?

–Yo me voy como desertor. A mis padres eso los golpeó fuerte. No se lo podía decir a nadie porque, nada, son gajes del oficio, por decirlo de alguna forma. Es fuerte, esa es una de las cosas más duras. Mi hija tenía seis años cuando salí de Cuba. Al principio mi mujer decía: “Aquí todo parece indicar que ése es un avión que es un desertor, bueno, pues tengo que asumirlo así”. Después ella me ha contado un poco la historia, ella empezó a atar cabos. Y empezó a molestar y hubo que decírselo. Pero eso tomó un tiempo.

–¿Por qué en opinión de ustedes el proceso judicial fue fraudulento?

–Yo me preguntaría: “¿Qué no tuvo de fraudulento?”. El sistema legal norteamericano, el sistema federal, es disfuncional. No solamente para nosotros. Normalmente ellos aplican un sistema que se apoya mucho en la capacidad de hacer una negociación de cargo. Entonces, su modus operandi es que ellos te sobrecargan, vamos a suponer que una persona traficó con diez kilogramos de cocaína, pero uno de sus asociados traficó con 30, entonces, acusan a éste también de los otros 30 y le dicen: “Bueno, te vamos a dar una sentencia de vida, pero si cooperas con nosotros te quitamos los 30, te dejamos con tus diez y te damos cinco años”. Si cooperas, los fiscales te utilizan para mentir y tienes que hacer todo lo que los fiscales pidan para que el juez dé cinco años. Y la primera mentira que esa persona tiene que aprender a decirle al jurado, que yo diría que es la mentira fundacional del sistema, es que los fiscales le prometieron eso, le propusieron eso, pero que el juez es el que decide. Estadísticamente el juez siempre decide por lo que los fiscales quieren. Y eso pasó con el caso nuestro. Y desgraciadamente eso es lo que ha llevado el caso hasta aquí. Porque efectivamente nosotros habíamos violado las leyes norteamericanas, nosotros éramos agentes no registrados, lo cual implica una sentencia de diez años como máximo, pero entonces ellos, para subir, acusaron a tres de mis compañeros de espionaje y a uno de conspiración para cometer asesinato en relación con el derribo de los aviones de Hermanos al Rescate en el año ‘96. Pero nosotros dijimos: “Vamos a juicio porque nosotros no vamos a aceptar cargos falsos”. Se complicó todo y así estamos. Yo no fui acusado de espionaje porque me ocupaba exclusivamente de grupos paramilitares. Nunca tuve nada que ver con información militar. Hubo compañeros míos que sí. Si tú no buscas información clasificada, no eres espía. No es un problema de espiar al Estado o no. Muchas personas confunden eso. Tú puedes buscar información del Estado, pero que no sea clasificada por ese Estado. Pero tú puedes buscar una información civil de una corporación que el Estado había clasificado porque le conviene mantenerla. Por ejemplo, un avance tecnológico X, y el Estado y esa corporación se ponen de acuerdo y la clasifican. Aunque esa información sea civil, si es clasificada, si tiene un cuño que dice “secreto”, tú estás cometiendo espionaje al buscar esa información. Ellos confundieron al jurado haciéndole creer que porque mis compañeros estaban buscando información de naturaleza militar, habían cometido o estaban tratando de cometer espionaje. Pero, en realidad, la información que mis compañeros estaban buscando era pública, era información visual, información de periódicos.

–¿Quién fue el abogado?

–Lo puso la corte. Philip Horowitz. Lo considero mi amigo. Hizo un buen trabajo. Lo que pasa es que si las instancias que tienen que impartir justicia no quieren, no importa que tú ganes. Yo comparo el caso nuestro con el caso de un corredor de 400 metros. Llega primero a la meta y el árbitro dice: “No, el que gana hoy es el segundo porque a mí me da la gana”. Esto es lo que hicieron los jueces. Todo árbitro imparcial que ha mirado el caso se ha dado cuenta de que es una barbaridad y estamos hablando…

–¿Incluso analistas jurídicos norteamericanos?

–Analistas jurídicos norteamericanos, asociaciones de abogados de los Estados Unidos. El comité de detenciones arbitrarias de la Comisión de Derechos Humanos de las Naciones Unidas, Amnistía Internacional, todos han emitido fallos en los que indican que el juicio fue injusto, que fue ilegal y que no se cumplieron con los estándares del debido proceso.

–¿Cuánto tardaron ustedes cinco en dejar de fingir?

–Hasta que no empieza el juicio, tú no puedes volver a ser quien tú eras. Mantuvimos discreción durante los dos años de preparación del juicio. Lo coordinamos. Primero no podíamos admitir que éramos agentes de Cuba. A nuestros abogados les costó trabajo también. Como no les dijimos, ellos fueron los que vinieron a Cuba. Al final el gobierno cubano confió en su profesionalismo. Y se hizo una muy buena defensa. Realmente, en el juicio de nosotros los papeles se invirtieron. Gerardo, que es caricaturista, hacía caricaturas de los fiscales, y aquellas caricaturas recorrían toda la sala incluyendo a los que nos cuidaban a nosotros y terminaban con el estenógrafo, porque la gente se empezó a dar cuenta de que el juicio era una farsa. Y se sintió en la sala. Y el día que a nosotros nos declararon culpables, esos alguaciles nos fueron pidiendo disculpas desde la sala hasta el piso. Una cosa impresionante. Tú te impresionas cuando una persona que se supone que te cuida cambia su actitud hasta decir: “Pero ¿y dónde está el espionaje? ¿Dónde está el asesinato?”. Empezaron a ver las pruebas de nosotros, las provocaciones de Hermanos al Rescate filmadas, propagandizadas en la televisión de Miami como si fuera una gracia. Y ellos mismos nos decían: “¿Pero cómo es posible que el gobierno cubano haya esperado tanto para tumbar esos aviones?”. Sin embargo, yo nunca fui enseñado a odiar a Estados Unidos. Yo creo que un país es mucho más que sus fiscales, que su gobierno, y es mucho más que el puñado de millonarios que controlan la vida de ese país.

–El abogado Horowitz, por ejemplo, parece haber seguido reglas basadas en la defensa de las garantías individuales.

–Desde que tomaron la decisión política de cometer esta venganza, porque al final todo esto es una venganza contra Cuba en cinco hombres, cogieron el camino errado y tuvieron que componer ese error con más errores. Y al final terminaron haciendo el ridículo en la corte, terminaron siendo el hazmerreír de todo el mundo porque ellos lo decidieron. Si ellos hubieran hecho un trabajo decente, el caso se habría resuelto de otra forma y ellos no hubieran tenido que rebajarse como se rebajaron. Y nadie cubrió realmente el juicio en la prensa norteamericana. Al principio sí, The New York Times, pero cuando el juicio empezó a mostrar su real naturaleza, se desapareció la muchacha de The New York Times y más nunca fue. Entonces, lo cubrió la prensa de Miami. La mayoría fue pagada. Y fue el juicio con cargos de espionaje más largo de la historia norteamericana. Siete meses de juicio con testimonios orales y pruebas. Testificaron tres generales norteamericanos por la defensa, voluntariamente, a defendernos a nosotros. Los fiscales tuvieron que traer a uno, a un general, que es ahora James Clapper, que es el asesor de seguridad nacional de Obama, que además tampoco pudo decir nada malo en cuanto al espionaje. Testificó un asesor del presidente norteamericano. Se trató el tema del terrorismo. El gobierno cubano contrató para presentar el recurso en la Corte Suprema a lo mejor que pudo encontrar en Washington, que es un especialista en Corte Suprema, que además es analista para la CNN: Tom Goldstein. Y Tom Goldstein estaba convencido de que él iba a poner el caso en la prensa. En Estados Unidos todos los días se discute un caso judicial. El que se comió a la mujer, el que mató al niño, el perro que se comió al vecino… Tom Goldstein presentó un brief en la Corte Suprema solidísimo, se consiguió un record en la historia norteamericana de amicus curiae, que son briefs de amigos de la corte que ponen partes desinteresadas, que incluía premios Nobel, incluía parlamentarios internacionales, incluía asociaciones internacionales de abogados, asociaciones nacionales de abogados de Estados Unidos, 12 amicus curiae, eso nunca se había visto en la Corte Suprema. Y cuando Goldstein llamó a la prensa, no fue nadie.

–¿Cuáles son las perspectivas de los cuatro que todavía siguen presos? ¿Cuáles son las deseables y cuáles son las posibles?

–Habría que empezar por las sentencias. Uno de mis otros compañeros que sale próximamente es Fernando González, al que lo sentenciaron a 17 años. Le sigue Antonio, hasta 2017. Ramón, hasta 2024, y Gerardo que está condenado a dos cadenas perpetuas. Este caso no se va a resolver en el ámbito legal. El ámbito legal ha sido una envoltura, para servir a una decisión política que se tomó. Se tomó la decisión política de vengarse de Cuba en cinco hombres. Hubo un panel de tres jueces que rompió con esa decisión política y después se revirtió.

–¿Ellos mismos lo revirtieron u otra instancia?

–Otra instancia del mismo tribunal. Pero todo ha sido una decisión política y yo creo que la solución va a ser igual: una decisión política. Puede ser usando la vía legal. De la misma forma en que le hicieron señas a los jueces para que violaran la ley, les pueden hacer señas para que la cumplan. Nosotros siempre hemos dicho es que lo único que nosotros demandamos es que se apliquen las leyes norteamericanas, que no las tergiversen, que vean los hechos, que los apliquen a sus leyes y que las apliquen.

–¿Cómo sería en términos procesales en el caso de las cadenas perpetuas? ¿Un indulto presidencial?

–Técnicamente el juicio concluyó. Pero hay un recurso que se le llama recurso extraordinario. El recurso sigue la misma ruta que sigue todo el caso legal. Se presenta ante la jueza. La jueza falla y se va a la Corte de Apelaciones de Atlanta. Y luego a la Corte Suprema. Ese recurso está pendiente. Y se basa en un error garrafal que cometió el abogado de Gerardo, en cuanto a la estrategia de defensa. El trató de defender bien a su cliente, pero cometió un error porque defendió a Cuba. Y los fiscales juzgaron a Cuba. Lo más fuerte que tiene este recurso es que el propio abogado reconoce su error. Pensó en un tema de un Estado contra otro y que el Estado cubano tenía derechos. Pero cometió un error: él pensó que era imposible que un jurado decente no se diera cuenta de que Cuba tenía derecho a defender su soberanía. Y en Miami no se puede encontrar un jurado decente. Ahora, los tiempos han cambiado. Hay muchas señales de que ya hay cansancio en esta política contra Cuba, señales inclusive dentro del propio Estados Unidos. Incluyendo a los cubanos que viven allí. Hace poco salió una encuesta en la que 56 por ciento de los norteamericanos decían que ya era hora de cambiar la política con Cuba. Obama ha perdido mucho tiempo tratando de congraciarse con una derecha que no lo quiere ni por negro, ni por liberal, ni por joven.

–René, ¿cómo fue el final de la sentencia?

–Han sido cuatro cruces. Respecto del tercero, yo cumplí mi sentencia el 7 de octubre de 2011. Desde un año antes, nosotros le pedimos a la jueza que me dejara hacer la libertad supervisada en Cuba, cosa perfectamente posible. La jueza tiene la potestad de modificar la libertad supervisada y permitir que una persona la cumpla fuera de Estados Unidos. Los fiscales siempre se propusieron que también la libertad supervisada fuera para mí y para mi familia otro castigo. Querían mantenerme separado de mi gente por tres años más. Además tenía que hacer la libertad supervisada en el mismo distrito en el que están los terroristas, los criminales que cuentan con complicidades en el FBI, en el gobierno norteamericano. Los fiscales se opusieron al pedido. Dijeron que era prematuro, que había que esperar a que cumpliera una parte de la libertad supervisada. Paralelamente los fiscales me habían propuesto que renunciara a la ciudadanía norteamericana a cambio de dejarme venir para acá. En un inicio yo me opuse.

–¿Por qué?

–Porque es un derecho de nacimiento. Uno no tiene por qué ceder los derechos de nacimiento. Pero después lo pensé bien y les dije a mis abogados que íbamos a aceptar la proposición de los fiscales. Me interesaba más que todo estar con mi esposa, con mis hijas, con mis padres, con mi hermano. Los fiscales simularon que estaban interesados en llegar a un acuerdo que implicara mi cesión de ciudadanía a cambio de que viniera para Cuba. Unos días antes de que yo cumpliera mi sentencia, llamaron a mi abogado y le dijeron que eso ya no estaba sobre la mesa. Días después, la jueza derogó la moción, y tuve que empezar a cumplir mi libertad supervisada en los Estados Unidos. Ahí, gracias a un amigo, pude conseguir, una casa en un lugar de la Florida, lo más lejos posible de la cárcel, viviendo en la clandestinidad, recluido prácticamente como en un monasterio, sin documentos, sin licencia de conducir, sin tarjeta de crédito.

–¿Cuánto tiempo?

–Fue un año y medio bastante difícil. Tenía la intención de renovar la moción, cuando hubieran pasado unos meses para que la jueza me dejara venir para acá. En febrero de 2012 estaba trabajando con mi abogado, para volver a renovar la moción, cuando mi hermano cayó gravemente enfermo. Tuvimos que posponer ese trabajo y pedirle a la jueza que me dejara venir por 15 días a ver a mi hermano. Los fiscales se opusieron también a que viniera a ver a mi hermano que estaba muriendo. Pero la jueza en este caso accedió. Por eso te digo que fue la tercera vez. Vine en abril de 2012.

–¿Tu familia ya había ido a Estados Unidos?

–Mis hijas, que podían, mi esposa no. A ella la deportaron y no la dejaron regresar más a verme. Yo regresé a Estados Unidos y volví en abril a incorporarme a mi libertad supervisada. Volví a empezar a trabajar con mis abogados para volver a poner la moción. Pusimos la moción en junio para que la jueza me permitiera renunciar a la ciudadanía.

–¿De quién fue la decisión de continuar y agotar el proceso judicial?

–Para nosotros ha sido muy importante la palabra en todo este caso. En todo este proceso nuestra ventaja nuestra ha sido moral y no vamos a regalarles esa ventaja moral. Ellos decidieron rebajarse y nosotros decidimos elevarnos.

–¿Nunca una duda?

–No, yo nunca dudé, yo iba a cumplir. No iba a regalarle a la jueza un argumento moral que nunca se ganó después de 15 años por una libertad supervisada. Se lo hubiera ganado antes, pero no ahora. Ni a ella ni a los fiscales. Y me río ahora porque cuando estábamos discutiendo eso con mi abogado y los funcionarios de las Bahamas, le decía a mi abogado: “Mejor que me dejen entrar, porque yo cojo un bote de Cuba y me voy para allá y me le planto a la jueza en la corte y le digo ‘ahora méteme preso’”, porque yo no iba a incumplir esa palabra que había dado. Pero, bueno, regresé, mi hermano falleció, volvimos a poner la moción, los fiscales se opusieron, y empezó un intercambio entre los fiscales y la jueza, hasta que mi padre falleció en abril de 2013. Y, entonces, ahí volvimos a poner otra vez una solicitud para venir de vacaciones a estar con la familia por el fallecimiento de mi padre. Y la renuncia a la ciudadanía norteamericana, con lo que caía el resto de la condena. Renuncié a la ciudadanía, la jueza recibió los documentos, los admitió. “Bueno, está bien, la libertad supervisada la puedes terminar en Cuba”, me dijo.

–¿Y la familia, René?

–Lo hemos enfrentado lo mejor que se puede. Al final, aunque ha sido tanto tiempo, para mí siempre el reencuentro con la familia ha sido como si no hubiera pasado el tiempo. Ha sido todo muy bonito, muy hermoso. Estamos juntos, estamos felices, tenemos un nieto ahora también que nos ha venido a alegrar más la vida a Olguita y a mí.

–¿En qué oficio piensa trabajar alguien que vivió esta experiencia?

–Como piloto me gustaría volar, pero reconozco que es muy difícil integrarme a la aviación como profesional. Creo que hay un campo ahora en la economía que se está abriendo, se están abriendo muchos experimentos, tenemos que aprender muchas cosas, y me gustaría trabajar en la economía en algo, en un proyecto de desarrollo local, pero la idea que tengo es esa, me gustaría participar en el proceso de cambio que se están produciendo: experiencias nuevas de autogestión, experiencias de relaciones más horizontales entre las empresas, entre empresas y gobiernos locales.

–¿Y el pasado permite adaptarse a la vida cotidiana de hoy?

–Toda experiencia te hace crecer. Si no te mata, te engorda. Y, obviamente, yo leí mucho en la cárcel. Historia, actualidad, Cuba… Me impuse un régimen de ejercicio fuerte por la mañana y por la tarde lectura, estudio. Empecé a estudiar la economía incluso en la cárcel. La Universidad de La Habana me asignaba profesores. Enviaban los materiales y estudié economía. Me propuse salir de la cárcel mejor de como entré. Dije “Bueno, si yo salgo mejor de como entré, esa va a ser mi medida de la victoria” y así fue. Yo creo que sí, que el régimen que me establecí en la cárcel me ha ayudado mucho. Yo creo que saqué lo mejor que pude.

–Ahora, a los 57 años, después de esta historia, imaginemos una vuelta a los 34 y al pedido de una misión en los Estados Unidos. ¿La respuesta volvería a ser la misma?

–Sí.

martin.granovsky@gmail.com

Página/12 :: El mundo :: “Fue difícil dejar el país y quedar como un traidor”

30/01/2014

Partido Só De Banqueiros

Filed under: Cuba,FHC,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 8:14 am
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A cada ano que passa, o PSDB baixa mais um nível.

É claro que se pode criticar. E se deve.

Se a coerência já não é forte dos políticos, para o PSDB a incoerência tornou-se parte do programa. Vivêssemos num país com um pouco mais de democracia midiática e já teriam voltado às empresas de onde saíram.

Para selar o compromisso republicano do PSDB bastaria o caso da compra da reeleição. Como é um partido cujo número de banqueiros se iguala ao de correligionários, sempre têm dinheiro para comprar suas verdades… que a mídia vende e os idiotas da manada compram. Mas só mal informados e mal intencionados continuam acreditando num sujeito em que a jornalista da Globo, Miriam Dutra, a pedido do patrão, diz que tem um filho dele, e ele acredita. Precisou os filhos da d. Ruth fazerem exame de DNA para provarem que o filho era só da mãe. Isso não sai na mídia, mas as olheiras da Dilma, sim.

Aos desmiolados de sempre, vai aí uma pílula contra o esquecimento:

07/12/2002 – 03h24

FHC leva Regina Duarte e mais 30 pessoas a NY

da Folha de S.Paulo, em Brasília

PSDB diz que é escândalo emprestar a Cuba. Esqueceram de perguntar por que FHC emprestou

29 de janeiro de 2014 | 18:09 Autor: Fernando Brito

fhcfidelchavez

O PSDB não dá para ser levado a sério.

Perdeu completamente qualquer compostura e racionalidade na hora de criticar o governo Dilma.

Só não é exposto ao ridículo porque a mídia brasileira também é ridícula e simplesmente repete o que as “notas oficiais” aecistas publicam no site do partido.

Depois do “mico aéreo” e do “mico da conta do restaurante”, agora o PSDB parte para o “mico cubano”, publicando – com farta reprodução nos jornais - um comunicado em que critica os empréstimos do BNDES às obras do porto de Mariel, em cuba e diz que  os “recursos que vão para a ilha da ditadura castrista – e também para a Venezuela chavista e para outros países, notadamente os ideologicamente alinhados – são os mesmos que faltam para obras estruturantes no Brasil, em especial as de mobilidade urbana nas nossas metrópoles.”

Ontem eu tratei a sério disso, aqui, mostrando que o dinheiro é emprestado – tem sido pago em dia – para aquisições de mercadorias e serviços no Brasil.

Mas tem limite a cara de pau.

Qualquer dia eu vou começar a imprimir e guardar as notícias das coisas que o governo tucano fazia e a posição “indignada” do PSDB sobre as mesmas coisas no governo petista.

E esta é uma delas.

Fernando Henrique diretamente e o BNDES, sob seu comando fizeram empréstimos a Cuba, aliás muito corretamente.

Aqui está o memorando de entendimento entre Brasil e Cuba para financiar a compra de alimentos com recursos orçamentários – reparem, orçamentários, diretamente da União – através do Proex (leia-se Banco do Brasil) em US$ 15 milhões,  firmado em 1998.

Mas foi comida, aí era humantário? E o que dizem do financiamento a ônibus de turismo para a ilha de Fidel, como está consignado no relatório de atividades do BNDES do ano de 2000?

“(…)o apoio do BNDES a exportações de ônibus de turismo e urbanos para Cuba somou cerca de US$ 28 milhões. Cabe destacar o financiamento concedido para a aquisição de 125 ônibus Busscar com mecânica Volvo, utilizados na dinamização da atividade turística desse país, no valor total de US$ 15 milhões”

Mas teve também para a “Venezuela chavista” de que fala a nota do PSDB:

“Projeto da Linha IV do Metrô de Caracas (Construtora Norberto Odebrecht S.A.) – Construção do primeiro trecho, com extensão de 5,5 km. O investimento total do projeto soma US$ 183 milhões, sendo o financiamento do BNDES de US$ 107,5 milhões, correspondentes a 100% das exportações brasileiras de bens e serviços e ao seguro de crédito às exportações.”

Uai, igualzinho ao Porto de Mariel? E com a mesma empreiteira, a Odebrecht?

É verdade que os tucanos fazem uma ressalva: “Fosse o Brasil um país que esbanjasse dinheiro e com questões de infraestrutura e logística resolvidas, poderia até ser compreensível.”

Fico imaginando a cara de Aécio Neves diante de algum repórter que lhe perguntasse se no governo FHC podia-se emprestar dinheiro à Cuba e à Venezuela porque não existiam problemas de logística e infra-estrutura no Brasil dos tucanos.

PS. Aos que, pateticamente, ficam contando os dedos de FHC para sugerir que a foto é montagem, outra, para ficarem cheios de dedos…

PSDB diz que é escândalo emprestar a Cuba. Esqueceram de perguntar por que FHC emprestou | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

06/01/2014

Nove dias em Havana

Filed under: Cuba,Cubanos — Gilmar Crestani @ 10:44 pm
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cuba

É longo mas vale a pena ser lido.

Nove dias em Havana, por zegomes

seg, 06/01/2014 – 14:46 – Atualizado em 06/01/2014 – 17:10

Nove dias em Havana

Por zegomes

Nove dias comendo lagosta quase de graça.

De como, em Cuba, lembrei-me de Pinheirinho.

Eu e meus amigos fomos a Cuba. Estivemos zanzando em Havana de 1º a 09 de novembro/2013. Era uma velha ideia, minha e de meu amigo Salém e sua esposa Alice, sempre adiada. Em fevereiro/2013 disse pra meu parceiro Cássio: Vamos a Cuba em novembro, depois que você terminar a obra? Cássio, que vive no mundo da construção civil e das coisas práticas, respondeu-me: Onde fica isso? Vamos.

PREPARATIVOS PARA A VIAGEM

Decididos a viajar em novembro, passei a pesquisar as passagens na internet. A Cubana de Aviación sai de São Paulo em voo direto para Havana. Copa Airlines sai de várias cidades centro-norte e sul-americanas, entre elas Brasília, em voo internacional com conexão na Cidade do Panamá (Humm… desovam multidões de viajantes no aeroporto do Panamá, que é um imenso shopping, será se fizeram isso de propósito, será? As cucarachas não são bem vindas, mas o dinheirinho delas sim, recolhido lá longe, será se é isso?). Escolhi a Copa pela comodidade de sair direto de casa sem ter de dar a volta por São Paulo. Mais do que na hora de se quebrar esse monopólio das partidas internacionais serem centralizadas no Rio e São Paulo.

Compradas as passagens, comuniquei meus amigos Salém e Alice em Goiânia: Eu e Cássio já compramos as passagens para 01º de novembro. Vamos ou vão adiar mais uma vez? Responderam: Então agora é assim, vem comunicar já com as passagens compradas… É assim, sim, respondi, o sistema agora, como alguns dizem, é estilo Coréia do Norte (Dizem, às vezes, também  sistema Cuba, mas nessa situação, é melhor dizer sistema Coréia do Norte, afinal estamos namorando Cuba). Estamos avisando com oito meses de antecedência, não podem reclamar.

Dia seguinte ligaram: podemos convidar também o Cario e a Hilda? Claro.

Salém, Cario e eu somos de uma mesma turma do curso de medicina da Universidade Federal de Goiás, nos formamos no início dos anos 80, há mais de trinta anos. Depois disso nunca mais tinha visto o Cario, que se especializou em anestesiologia e foi trabalhar no interior de Goiás. Com Salém a relação continuou próxima, mesmo quando ele passou uns anos na França, se especializando em psiquiatria com foco na recuperação de dependentes químicos. Não é só um grande especialista, mas um ser humano raro. Feliz de quem é seu paciente e feliz de quem (como eu), teve a sorte de cruzar com ele e adquirir sua amizade. É a pessoa mais rica em “alteridade” que conheço. Quê? Alguém não conhece essa palavra chiquérrima? Bem, melhor é perguntar se alguém conhece, pois certo mesmo é que só os filósofos a usam com desenvoltura. Fui apresentado a ela recentemente, num texto escrito por um amigo filósofo em um Blog. À medida que eu lia o texto ia me parecendo que a palavra era usada no sentido mais ou menos assim de “ver o lado do outro”, “compreender a situação do outro”. Mas não acreditei que palavra tão… tão… como se pode dizer, tão refinada, pudesse significar coisinha tão trivial. Mas era isso mesmo. Fui ao dicionário de filosofia e constatei. Um dos significados da palavra é esse: ver o lado do outro, se por na condição do outro. Então posso dizer: Salém é a alteridade em pessoa. É a melhor definição que se pode dar dele.

Estava formada a nossa equipe de viagem: Salém, Cario, suas esposas Alice e Hilda, Cássio e eu.   “Éramos Seis”  rumo a Cuba.

O QUE A INTERNET E OS GUIAS RECOMENDAM

Após a pesquisa das passagens, passamos a buscar outras informações. Alice é boa pesquisadora. A internet e os guias Lonely Planet Cuba e Guia Visual Publifolha Cuba foram nossas fontes.

Descobrimos:

Poderíamos nos hospedar em hotéis ou em casas de família, com diferenças grandes de preço. Escolhemos a Casa de Agustina no centro da cidade. Quem quiser fazer contato com ela é só jogar no Google: Casa de Agustina Centro Habana calle Neptuno con Industria e localizar seu e-mail. Ela também tem página no Facebook.   Salém e Alice optaram por ficar lá os nove dias. Eu e Cássio quisemos passar dois dias em um hotel cinco estrelas, o Hotel Nacional. Cario e Hilda, talvez por serem também empresários do agronegócio, cheios da alta grana, com fazenda e granjas no rico sudoeste de Goiás, optaram somente por hotel. Moradores do interior, não se comunicaram adequadamente conosco. Escolheram pela internet um hotel na Praça da Revolução e se hospedaram muito longe de nós e dos buchichos da cidade. Arrependeram-se. Tínhamos reservado para eles uma casa de família vizinha à de Dona Agustina, por indicação desta, já que ela dispõe apenas de dois quartos. Tivemos de desmarcar. Eles justificaram a preferência por hotel pelo fato de “fumarem muito e soltarem muito pum”. Ficariam constrangidos em casa de família.

Deveríamos providenciar a Tarjeta de Turista, uma espécie de visto para Cuba. Pode ser emitida no próprio check in pela Copa Airlines ou em Consulados de Cuba. Eu e Cássio fomos à Embaixada em Brasília. Cuba emite essa Tarjeta em uma folha à parte, sem carimbos no passaporte, justamente para evitar que o turista tenha problemas depois, sofra discriminação, em eventual viagem aos EUA.

Deveríamos ter um certificado internacional de vacina contra febre amarela. Cuba não exige, mas o Panamá sim, e como se passa duas horas, tanto na ida como na volta, no Shopping do Panamá (aquilo é um shopping, não um aeroporto), é necessário levar, pois pode ser exigido.

Deveríamos levar sempre algum papel higiênico. Verdade. Fora dos hotéis é um produto não disponível em locais públicos. Nem mesmo nos banheiros do Aeroporto José Marti, limpíssimos, modernos, encontra-se esse importante produto.

Aconselhável levar euros em vez de dólar. Verdade. Cuba impõe uma sobretaxa cambial sobre o dólar e com isso perde-se um pouco.

É necessário um seguro saúde para o período da viagem. O Cônsul cubano em Brasília nos disse que poderíamos fazer isso no aeroporto em Havana, mas a Copa Airlines asseverou-nos que sem ele não embarcaríamos em Brasília, pois era exigido no check in. Então o adquirimos aqui mesmo. Ao final, em nenhum momento da viagem alguém nos pediu comprovante de seguro saúde ou de vacina contra febre amarela. Nem no Shopping do Panamá, nem em Cuba.

CHEGADA A HAVANA

Após pegarmos nossa bagagem na esteira, nos dirigimos à saída do aeroporto. Conosco não houve revista de bagagens. No portão principal, tanto à direita como à esquerda há balcões onde você pode trocar o seu dinheiro por Cucs. Há filas. Aqui a primeira surpresa linguística: fila, em Cuba, se chama fila mesmo e não cola, como consta nos manuais de conversação em espanhol.

Ao trocar o dinheiro, deve-se fazer um cálculo aproximado de quanto se pretende gastar no país. No momento ainda há o sistema de dois câmbios, embora isso deva mudar logo, segundo os planos da área econômica do governo e as mudanças planejadas pela equipe de Raul Castro. Há os Pesos Conversíveis (Cucs) para estrangeiros (1 Cuc = 2,5 Reais) e os  Pesos Cubanos ou Moeda Nacional (1 Real = 60 Pesos Cubanos) que são a moeda de troca entre os cubanos.

Se o turista trocar dinheiro demais em Cucs e não gastá-los todos em Cuba, no retorno, no aeroporto, há um local, no segundo andar, onde pode trocar de volta por dólares ou euros. Não precisamos fazer isso porque administramos bem as trocas cambiais de modo que nossos últimos Cucs utilizamos para comprar algumas coisas no próprio aeroporto, na volta: Rum Santiago de Cuba Añejo, Rum Havana Club, camisetas, artesanato, etc.

Sempre importante lembrar-se de reservar 25 Cucs para pagar a taxa de embarque no retorno.  

Após o câmbio, a busca por transporte para o centro de Havana. Aqui a segunda surpresa linguística: ônibus, em Cuba, se chama ômnibus mesmo, com um “m” a mais, e não autobus, como está nos manuais de espanhol. Diz-se também popularmente guagua, com o mesmo sentido de ônibus.

Deve-se esquecer os ônibus, há abundância de táxis (automóveis, vans, etc.). Combina-se o preço antes, informando o endereço (dirección) aonde se vai. Pagamos 30 Cucs por uma van, mais 5 de gorjeta. Não esqueça que o nome de gorjeta em espanhol é propina. Portanto, se disser “una propina para usted” receberá em retorno um largo sorriso de agradecimento e não uma cara encabulada!  Com propina e tudo, saiu a R$ 12,50 por pessoa a viagem até o centro de Havana, esquina da rua Indústria com Neptuno, onde fica o apartamento de Dona Agustina. Muito barato, pela distância. Antes, tínhamos deixado Cario e Hilda em seu hotel na Praça da Revolução (longe, longe de tudo, longe do mar! Uma infeliz escolha dos dois).

Após nos acomodarmos, Dona Agustina começou a nos dar alguns conselhos sobre a vida na Cidade de Havana (Isso não teríamos em nenhum hotel, Salém tem razão). Disse: Aqui em Havana não precisam ter medo de serem assaltados com arma de fogo ou facas. Esse tipo de violência não temos aqui (percebia-se um pouco de orgulho em sua voz), mas devem tomar cuidado para não ostentar correntes de ouro ou abrir carteiras recheadas de dinheiro em público. Pode acontecer de um “negrito” (Até em Cuba os negros são os culpados!) aparecer e zás – Fazia um movimento com a mão de quem estava arrancando de supetão a corrente do pescoço.

Dona Agustina jura que em Cuba ninguém passa fome, todos têm acesso à saúde e educação e todos (essa é mais raro de ouvir falar) têm acesso à moradia. Quando o morador não é dono do imóvel, paga um aluguel baixíssimo ao governo. Ela nos dizia isso num contexto de recomendação a que não ficássemos dando nosso dinheiro a qualquer um que aparecesse (jinetero): Aqui em Cuba ninguém passa fome (portanto não fiquem caindo na lábia dos jineteros e dando dinheiro para eles).

Afirmou também que é calúnia dizer que Cuba é comunista e que é uma ditadura. Nada disso. E que são chamados de gusanos (vermes) esses cubanos que se dedicam, a partir dos Estados Unidos, a difamar a pátria. Eles não têm amor à pátria.  É um doce, a velhinha.

PASSEANDO EM HAVANA. CUIDADO: OS JINETEROS!!!

Andar nas ruas de Havana exige apenas um pequeno cuidado: se você não gosta de assédio, não peça informações. Consulte o seu guia, solitário, e vá em frente. Será incomodado apenas pelos taxistas dos bicitáxis e cocotáxis que a cada instante oferecem uma corrida a 3 Cucs ou 05 Cucs, dependendo se eles interpretam a sua figura como mais ou menos endinheirado.

Agora, se você abordar alguém para pedir uma informação pode correr o risco, ainda mais se estiver em área turística (pois nem tudo na cidade, lógico, é zona turística), de se dirigir justamente a um jinetero. Ele não só dará as informações como fará questão de te acompanhar e se torna um grude (para quem está solitário e quer companhia pode ser maravilhoso).

Os Guias nos passam a impressão de que “jinetero” são aqueles vendedores molestos, sempre presentes em locais turísticos, que oferecem de tudo e são insistentes. Em Cuba jinetero é isso mesmo (quer levá-lo “ao melhor” restaurante, quer buscar prá você “os melhores” charutos, etc.), mas… Como o jinetero oferece todo tipo de serviços, pode oferecer também os serviços sexuais, e parece que o sentido da palavra está cada vez mais resvalando para “prostituto”.  Se usado no feminino, “jinetera”, o sentido é 100% prostituta. Garoto de programa é chamado de “pinguero”, mas, cada vez mais, “jinetero” se aproxima do sentido de “pinguero”.  Por isso, é uma palavra a ser usada com cuidado.

Tudo bem. Em Salvador os vendedores assediam para vender fitinhas do Senhor do Bomfim. Em Havana os jineteros querem nos arrastar para pequenas armadilhas de consumo.

Saímos para almoçar. Nós seis. Pesquisamos no Guia e fomos a um restaurante na Rua Campanário. Estava fechado. Havia algumas pessoas sentadas nas calçadas, em frente a seus prédios (muito comum, em Centro Habana. Como aquelas pessoas de cidades pequenas, do interior, que se postam em suas cadeiras de balanço, à tardezinha, vendo a vida passar e fofocando). Disseram-nos: Está fechado porque não pagaram os impostos. De repente, do nada, apareceram em nossa frente dois rapazes. Ambos negros. Um, muito bonito e falante, Pablo. Outro, quase gordinho, meio estrábico, tímido, Michel.

O falante Pablo, com verve de malandro carioca das antigas, disse que ia nos levar a um restaurante especial e pedia que nós os seguíssemos, já andando. Vira esquina e vira esquina e nós atrás de Pablo, eu parei e disse para os meus companheiros: Se quiserem, vamos embora. Pode ser alguma armadilha e eu não quero ser o culpado. Então Salém (sempre Salém, compreensivo com as “classes populares”) disse: Que pode nos acontecer? São 13hs, a rua está cheia de gente, vamos lá ver em que isso vai dar. Continuamos.

Pablo, enfim, entrou em um Paladar, que é um restaurante particular. Eu dei cinco Cucs para cada um e disse adeus, na esperança de que fossem embora. Nos sentamos. Comida e bebida caras. Os dois sentaram juntos, porque Alice convidara. Falei baixinho pra Alice que eu já tinha dado a gorjeta deles e que devia ser uma coisa ou outra: ou a gorjeta ou a comida. Mas falei por falar, dando o caso por encerrado, porque ninguém seria grosseiro a ponto de escorraçá-los da mesa. Para minha surpresa, Alice tomou a gorjeta deles. E os dois almoçaram conosco.

Percebemos que os jineteros usam uma tática espertinha. Eles levam os turistas para bares ou restaurantes e recebem comissões desses locais. Cássio viu quando Pablo recebeu sua comissão do proprietário. Consequentemente as comidas e bebidas são mais caras.

Pablo e Michel são universitários. Estudam turismo na Universidade de Havana. Tão logo acabamos a refeição e estávamos ainda bebericando rum, Pablo se propôs a adquirir os melhores charutos para nós. Principiou uma negociação com Cario. Deleguei a função de negociador a Cássio.

Cássio se gaba de ser bom de catira. Não sei se essa palavra é nacional. Em Goiás e Minas ela é uma dança. Pelo menos de Goiás prá cima (Tocantins, Piauí, Maranhão) significa também negócio, rolo, gambira, troca-troca ou venda de coisas novas ou usadas entre particulares. Bem, Cássio Bom de Catira foi delegado por mim para negociar com o esperto Pablo algumas caixas de charutos Monte Cristo e Cohyba.   Só o fiz porque Cario estava junto, negociando os charutos dele, e entendia bem o espanhol. Acho que Cássio nunca tinha ouvido antes alguém falar espanhol, mas, pelo que ouvi de longe, os três se entenderam bem, negociando preços, descontos, etc. Quando chegamos em casa descobrimos, por Dona Agustina, que havíamos perdido 20 Cucs em cada caixa comprada. Ela tinha um sobrinho que fornecia a preços menores. Só Salém e Alice ainda não tinham comprado e se deram bem. Lamentações de nossa parte. Cássio, consternado em ter sido passado para trás e arranhado sua fama de catireiro que nunca sai perdendo, arrumou a desculpa de que não entendia bem o que Pablo falava. Pode ser, Cássio, mas seu desempenho me fez lembrar de Seu Percival, pai de Salém, que gosta de alertar sempre, em suas conversas: touro que sai de sua terra pode ter que virar vaca (em outras terras). Acho que ele diz isso para meter medo nos filhos e mantê-los em Goiás, sob suas asas. Velhinho esperto.

Pois é. Jinetero é isso. A maneira quase inocente da turma de Cuba se virar com esses turistas endinheirados, cheios de dólares, que aparecem por lá. Como Dona Agustina falou (e outros cubanos também nos confirmaram), sem navalhas, sem tiros. Meu amigo Salém, especialista em alteridade, como já sabemos, compreensivo com a situação do outro, pode falar: deixem o vendedor de fitinha em Salvador e o jinetero em Havana ganharem a vida deles. Já basta o que eles têm de suportar de turista mal-humorado e pão-duro!

AS SANTAS INOCENTES

Dois dias após o episódio Pablo, nós já havíamos descoberto que o lugar de comer e beber, para quem está em Centro Habana ou Habana Vieja, é o Restaurante Hanói.

Mas, as santas inocentes Alice e Hilda ainda não haviam aprendido a lição.

Cansados das andanças da manhã, Salém, Cássio e eu ficamos descansando em casa à tarde, após o almoço. Alice e Hilda saíram, arrastando Cario. Duas horas depois ligam para Dona Agustina: que nós devíamos ir urgente para onde estavam, que o músico Amaranthos, do grupo Buena Vista Social Club (sic) estava dando uma canja no bar, que à noite haveria show mas só pra quem já tinha ingresso, que era imperdível, etc. Fomos correndo. Quem há de perder uma canja do Buena Vista?

Chegando lá, foi fácil perceber o que estava acontecendo. Nossos colegas estavam numa mesa com um casal de universitários (Jineteros? Sim.). Estavam quase bêbados, todos. Os “universitários” pediam um mojito atrás do outro. Mojito a 6 Cucs  (15 reais). Os jovens cubanos eram especialmente adocicados, fazendo aquele estilo “você é endinheirado mas cheio de problemas, de solidão. Nós estamos aqui para contagiar você com nossa alegria”.

A conta aparentemente já ia longe. Pedi dois mojitos, para mim e Cássio. Horríveis. Faltava alguma coisa naquilo.

De repente apareceu uma terceira personagem na história. Uma moça de feições orientais estava recostada no balcão atrás de nossa mesa. Vi quando os “universitários” mandaram o garçom servir um mojito para “La China” (por nossa conta, lógico).

Para quem não sabe (como eu não sabia), no fim da escravidão em Cuba, no final do século XIX, a Casa Grande cubana, da mesma forma que a brasileira, teve a idéia de importar estrangeiros para o trabalho. Enquanto aqui os imigrantes foram europeus, em Cuba foram chineses. Por isso, a porcentagem da população de origem chinesa lá é relativamente grande. E comeram o pão que o diabo amassou.

La China vestia uma calça legging, justíssima. Recostava no balcão, empinava a bunda, requebrava um pouquinho e, por cima do ombro, olhava para trás, para Cássio.

Sabedor de como Cássio tem total obsessão por traseiros (não importa de quem) senti que a batalha, naquele momento, estava perdida. Olhei para ele: estava transfigurado.

THAT OLE DEVIL CALLED LOVE

Todos os amantes já passaram por isso (ah, confessem!), quando flagram o amor mirando uma pessoa bonita que passa, ou que está próxima, com o olhar cheio de desejo. As mulheres costumam arrancar os cabelos, ou aumentam suas visitas ao cabelereiro para se enfeitarem mais, algumas, mais dramáticas, falam em tomar veneno. Alguns homens pensam em pegar numa arma. Ninguém fica indiferente. Pode-se reagir educadamente, friamente, mas não com indiferença.

Tentei racionalizar. Tinha de sair imediatamente daquele local. Com ou sem Cássio. Primeiro, porque eu sabia que uma tragédia se aproximava: o valor daquela conta de bar. E sentia muita vontade de deixar as Santas Inocentes administrarem, sozinhas, a encrenca que elas criaram.  Segundo, mesmo deixando Cássio lá, em estado de transe, eu tinha certeza que nada ia se passar, a não ser um diminuto momento de ilusão. Raciocinei: La China certamente é puta, vai cobrar. Cássio não gosta de puta, nem porta dinheiro suficiente para bancá-la. Quando servia o exército, em Brasília, jovem e bonito, saiu com uma puta do Conic. Na prestação do serviço, a senhorita, apressada e mal-humorada, gritava: Anda rápido, desgraçado, rápido, tenho mais o que fazer. Cássio não conseguiu. Ficou traumatizado para sempre com essa classe.

Coloquei 20 Cucs na mão de Cássio (para pagar nossos mojitos) e falei baixinho: Vamos embora, isso aqui é uma armadilha…

Irritado por eu ter interrompido sua hipnose, Cássio foi grosso, falou alto, pra todos ouvirem: Prá você tudo é armadilha.

Era tudo que eu precisava. Fiz biquinho, fiz beicinho. Peguei o CD que acabara de comprar do Amaranthos (que nunca pertenceu ao Buena Vista, tenho certeza). Levantei-me e fui. Hilda ainda me alcançou na porta. Mostrei-me muito “magoado” por causa de La China.

As mulheres, nessas horas, são solidárias. As mulheres e os gays… São mestres na arte da chantagem emocional.  

Pena que não consegui forjar “una furtiva lacrima”, para dar mais realismo à tragicomédia romântica.

QUANDO AS MARGARIDAS FENECEM

Saí. Passei na Bodeguita del Medio, estava superlotada. Continuei até o calçadão da Baía de Havana e caminhei em direção ao Malecón –onde a Baía encontra o mar aberto do chamado Estreito da Flórida-.

No Malecón ficam os rapazes “de vida fácil”. Sabia disso. Cheguei até a pensar: se rolar, dou o troco em Cássio.

Caminhava lentamente, ainda no calçadão da Baía. Um homem passou por mim, cruzamos os olhares. Achei muito demorado o seu olhar sobre mim. Meu radar detector de situações perigosas, bem treinado num lugar chamado Brasil, disparou sinais.

Não olhei para trás.

De duas uma, pensei: Ou é um estudo prévio para um assalto, já que um turista desgarrado é uma presa perfeita. Ou é uma paquera –por dinheiro, claro-. Só um lunático, aos cinquenta e quatro anos, vai pensar que alguém baixa o seu olhar sobre ele pela sua simpatia ou sua beleza (perdida, ou pior, nunca possuída). Até as divas alcançam um ponto da vida em que veem, com tristeza, seu poder de sedução desmoronar. Jane Fonda falou, numa entrevista, que, após os cinquenta, se sentiu paulatinamente mais invisível. Betty Faria afirma que, a partir dos sessenta, aprendeu a valorizar quem sorri para ela. Formas poéticas para nos contarem que a idade e o tempo nos levam, de forma irremediável, para o vasto território da solidão.  

De repente alguém emparelhou comigo. Era o homem. Meu radar disparou sinais alucinadamente.  Estávamos no largo onde se encontram o calçadão da Baía com o Malecón. Muitas plantas. Ótimo lugar para um assalto atrás de um arbusto.

Ô meu deus, tenho certeza que vou ser assaltado. Como naquele domingo de 1996, quando, só eu sei o que passei, peguei um buzu em Copacabana, eu e um colega, para a rodoviária Novo Rio, pleno meio dia, para regressar a São Paulo, depois do feriado da semana santa. Só eu sei o que passei. Dona Agustina não falou a verdade, o homem vai me assaltar.

Porém não. Tudo paranoia. O cubano perguntou-me se, a partir de meu país –nem perguntou qual era-, eu não o ajudaria a importar medicamentos para sua filha doente. Compreendi, aliviado, que devia ser mais uma variante dos golpes ingênuos –sem revólver ou faca- praticados pelos cubanos chamados de jineteros. Havia lido alguma coisa sobre esse truque na internet.

Apressei o passo e disse, sem voltar-me: Cuba não necessita de que lhe mandem medicamentos ou médicos. Pelo contrário.

Ainda ouvi sua resposta, com um toque de raiva na voz: É claro que necessita, tu bem sabes do bloqueio.

Desisti de andar pelo Malecón, atravessei a rua e fui cair numa avenida, estilo boulevard, belíssima: o Passeio de Marti ou Passeio do Prado. Arcadas lindíssimas fazem um longo corredor.  Em ruínas, mas, mesmo assim, impressionantes.

Voltei pra casa. Contei a história da La China para Dona Agustina, que quase morre de tanto rir (da desgraça alheia). Tomei uns goles de rum Santiago de Cuba Añejo. Descansei um pouco das emoções. Dormi. Às oito e meia resolvi ir jantar no Restaurante Hanói.

Chegando lá fui recebido pelos gritos de meus companheiros. Estavam bêbados e cansados. Tinham se perdido no caminho para o Hanói. Não conseguiam encontrar o local. Alguns tiveram de mijar na rua. A conta chegara perto de 500 reais. La China pedira 50 Cucs (125 reais) para Cássio pelo programa. Pedi minha lagosta e meu daiquiri de goiaba. Todos me tratavam com alguma deferência. O que uma pequena chantagem emocional bem elaborada não provoca: As mulheres e os gays são mestres nessa arte.

MELHOR LOCALIZAÇÃO PARA SE HOSPEDAR

O melhor lugar para se hospedar em Havana é ao redor do Parque Central. Porque a partir daí dá para alcançar a pé a quase todos os objetivos turísticos (e não turísticos). O Parque Central não é um parque, mas uma praça. Fica ao lado do Capitólio, que é uma réplica (dizem que alguns metros maior) do de Washington.

De um lado do Parque sai a Calle Obispo que é a principal rua de Havana Velha, uma pequena artéria comercial. Ao final dela está a Plaza de Armas, onde há muitos bares e restaurantes, edifícios antigos da Havana colonial, uma feira permanente de livros usados e a Baía de Havana.

Do outro lado do Parque, na direção contrária, sai a Calle San Rafael que atravessa toda a região chamada de Centro Habana e vai terminar em Vedado, perto da Universidade de La Habana e do Hotel Nacional.

Ao redor do Parque Central ficam vários hotéis: O Hotel Inglaterra, o mais antigo de Havana; Hotel Telégrafo; Hotel NH Parque Central e Hotel Plaza. Uma quadra afastado fica o Hotel Sevilha.

Se a intenção é ficar em casa de família, pelo preço ou pela acolhida familiar, A Casa de Agustina, onde ficamos é localizada perto do Parque Central.

Grande roubada é ficar no bairro chique chamado Miramar porque é longe de tudo. Os hotéis de luxo que ficam em Vedado, como o Meliá, também ficam longe.

Carlo e Hilda reservaram, antes da viagem, um hotel na Praça da Revolução. Também é uma má escolha. É longe. Não existem atrações por perto.

Salém adorou ter ficado na casa de Dona Agustina, disse que foi a melhor coisa da viagem. Quando chegamos lá me decepcionei um pouco. Por e-mail ela me garantira que cada quarto tinha um banheiro. Não era verdade. Era um banheiro compartilhado para os dois quartos. Questionei. A velhinha se fez de desentendida. “Aca en Cuba las casas de baños son conpartidas…”. Salém só faltou me mandar calar a boca, com dó do aperto da velhinha, apavorada com a possibilidade de perder os hóspedes. Dizia: calma, calma, não se precipite. Ah, Salém, e sua alteridade!

Cássio e eu ficamos sete dias com Dona Agustina e dois dias no Hotel Nacional (cinco estrelas) como havíamos planejado.

Dona Agustina aluga dois quartos num pequeno apartamento. Camas boas, limpeza dez, com ar condicionado. Fica no quarto andar de um prédio com elevador (pré-revolução?) na esquina da Rua Indústria com Rua Neptuno. Essas ruas do centro de Havana são estreitas, dificilmente passaria por elas um ônibus, por exemplo. O transporte público é feito pelos chamados táxi-ruta, que são táxis lotação e funcionam como pequenos ônibus. De nossa janela ficávamos observando logo cedo esses automóveis passarem na Rua Neptuno, cada um mais lindo que os outros e antiqüíssimos (Quem sabe a idade daquelas coisas?) Fenomenal, como são lindos os automóveis antigos de Havana e de uma variedade enorme.  De vez em quando apareciam também uns Ladinhas (Lada soviético) feios, mas são minoria.

Outra cena constante e chamativa que tínhamos de nossa janela era a dos cachorros nos terraços dos prédios vizinhos. Parece que os donos saíam para trabalhar e eles ficavam nos terraços daqueles prédios quase em ruínas. Vimos, com o coração nas mãos, alguns pularem os parapeitos e, equilibrando-se perigosamente nas muretas, ficarem observando a rua lá embaixo.

A vastidão de prédios do Centro de Havana, todos em aparente ruína e caindo aos pedaços é impressionante. Cássio, com seu olhar de pedreiro e construtor comentou: Se não recuperarem esses prédios, em vinte anos estarão todos no chão. E essas cerâmicas e rebocos artesanais desgrudando das fachadas são um perigo para os passantes lá embaixo na rua.  Tive um calafrio de pavor. Um pedaço de barro desses, caindo de tão grande altura, se acerta alguém significa morte ou invalidez.

Esses prédios detonados estão apenas em uma região da cidade chamada de Centro Habana e Prado. Havana Velha, que é ligada a Centro Habana de um lado, é Patrimônio da Humanidade e é preservada. Vedado, que se liga a Centro Habana pelo outro lado, se parece com qualquer cidade brasileira, com ruas largas, arborização, alguns arranha-céus, casas bem conservadas. O espetáculo das ruínas é só em Centro Habana. 

Dona Agustina cobra a diária de 20 Cucs (cinqüenta reais) pelo quarto para duas pessoas. O café da manhã é à parte e custa 3 Cucs (7,5 reais): Uma xícara de café com leite (eu disse uma), um copo de suco de fruta natural, uma fruta, pão, manteiga, queijo e um pedaço de presunto frito ou ovo. O cardápio não muda, mas não é de todo ruim.

DE COMO PASSAR NOVE DIAS COMENDO LAGOSTA

Uma coisa intrigante nos restaurantes de Havana é a ausência de carne bovina nas opções das cartas de menu. Com exceção de um prato chamado “Ropa Vieja” que é uma espécie de carne de gado desfiada no arroz. Filet Mignon, picanha, etc. essas coisas são ausentes.   A possível resposta para o fato apareceu no Blog do Nassif, no post da estudante da Universidade Federal de Santa Catarina, que passou alguns meses em Cuba, em viagem oficial de estudo. Ela afirma que o gado bovino no país é reservado para a produção de leite (o leite das crianças?).

Em compensação, lagosta, camarão, pescados, porco e frango não faltam nos cardápios.

Após apanharmos um pouco com os jineteros, nos primeiros dias na cidade, aprendemos alguma coisa:

Lugar para tomar café, chá, leite, com bolos, pães, etc. é a Cafeteria Francesa. Fica no Parque Central, ao lado do Hotel Inglaterra.

O Restaurante Hanói oferece comida deliciosa, farta, barata. Um prato de lagosta –enorme- com arroz e outra guarnição custa 12 Cucs (30 reais). O mojito custa 1,5 Cucs (Na Bodeguita é 5 Cucs) e o daiquiri (maravilhoso) apenas 2 Cucs (No Floridita é 7 Cucs).  Fica na esquina da Rua Brasil com Bernaza, numa pracinha chamada Santo Cristo. A Rua Brasil é a que sai exatamente da frente do Capitólio.

Daiquiri é um drink internacional, conhecidíssimo. Eu, porém, nunca tinha nem visto nem provado. É uma espécie de vitamina de fruta na qual se mistura rum e gelo moído ou batido no liquidificador. Colocam tanto gelo que fica semelhante a um sorvete na taça. Vários sabores de frutas. O de goiaba do Restaurante Hanói ficou sendo o meu preferido. Simplesmente delicioso.

Para quem está em Vedado, o Restaurante La Roca, perto do Hotel Nacional, serve uma paella por 12 Cucs, com camarão, lagosta, frango e carne de porco. Dizem eles que é para duas pessoas, mas é para quatro, tal o tamanho da travessa de comida. Deliciosa. Cometi a bobagem de pedir um daiquiri de morango. Horrível. Parecia feito com ki suco. Não me animei a pedir um outro sabor para ver se os daiquiris do La Roca se salvavam. É sempre mais seguro pedir um sabor de fruta da época. Há muitas barracas e carrinhos de frutas nas ruas de Havana. Em nenhuma delas, nesse início de novembro de 2013, faltava banana, goiaba, limão, mamão ou abacaxi. E os melhores daiquiris do Hanói eram justamente os de goiaba, abacaxi e limão. Certamente feitos da polpa fresca. Onde os cubanos iriam encontrar morango fresco, fora de época, com essas dificuldades que eles sofrem para comerciar? Devem colocar algum xarope de morango na bebida. O resultado é triste. No Hanói, os garçons, mais sinceros, diziam que morango estava em falta. Zelam, com certeza, pela qualidade do seu daiquiri de dois Cucs, que eles afirmam, com orgulho, ser melhor que o do Floridita, de sete Cucs, e eu confirmo: é impossível haver uma coisa melhor que aquilo.

O La Roca é sempre cheio, no almoço e no jantar. Após as nove da noite geralmente há shows, então se alguém pretende apenas jantar sossegado, é melhor chegar mais cedo, antes das nove.

Pertinho do La Roca está o El conejito (O coelhinho), que serve carne de coelho de várias maneiras. Fomos almoçar lá no penúltimo dia de nossa viagem. No caminho perguntamos a uma moça que passava onde ficava o restaurante. Nos respondeu: olha, está fechado hoje para dedetização, mas eu vou levar vocês a um ótimo Paladar…  Logo nós, já escolados na escola de Pablo ela achava que ia enganar. Agradecemos e fomos adiante, nos orientando pelo mapa. Estava aberto normalmente. De verdade, os jineteros em Havana não dão moleza. Um prato individual com metade de um coelho mais guarnições (arroz moro, mariquitas) por seis Cucs (15 reais) achamos bem barato. E até que coelho não é ruim!

Baião de Dois (arroz com feijão dentro) é onipresente em Cuba. Lá se chama Arroz moro (Arroz moros y cristianos) ou Congris, esse é um nome de influência haitiana (o Haiti fica a 90 km de Cuba). Congris é a aglutinação de feijão Congo + Riz (arroz em criollo haitiano). Os garçons perguntam: arroz blanco o arroz moro/congris?

Mariquitas são chips de banana verde. Já vi isso em Rondônia. O povo pega banana verde, picota como se fosse batata e frita. Não tem muita graça.

Boniato é batata doce. Muito frequente nos restaurantes. Boniatillo é doce de batata doce.

UM POUCO DA HISTÓRIA DE CUBA

cuba-embargoEm minha primeira passagem pela feira de livros usados da Plaza de Armas comprei um livro sobre a História de Cuba. Faço aqui um resumo resumidíssimo. É interessante porque nós, leigos, costumamos pensar Cuba só a partir das brigas dos EUA com Fidel. Essas brigas, entretanto, vêm de muito mais longe. 

Cristóvão Colombo chegou a Cuba em 1492, mas só em 1510 a Espanha enviou Diego Velásquez para colonizar a ilha. Nesse ano estima-se que havia 112 000 indígenas em Cuba. Em 1555 restavam apenas 3 900. José Marti, em um artigo dedicado ao Padre Bartolomé de Las Casas (protetor dos índios), assim escreveu:

[...] En aquel país de pájaros y de frutas los hombres eran belos y amables; pero no eran fuertes. Tenían el pensamiento azul como el cielo y claro como el arroyo. Pero no sabían matar. Caían como las plumas y las hojas. Morían de pena, de fúria, de fatiga, de hambre, de mordidas de perros [...]

Acabados os índios, como no Brasil, os colonizadores foram buscar os negros da África.

Cuba não tinha ouro. A exploração colonial se deu por ciclos agropecuários: do gado, do tabaco, do açúcar, do café.

Espanha dominou Cuba até 1898, quando houve a “independência” (76 anos após a brasileira). Entre aspas porque existia outra criatura, além da Espanha, que não aceitava que Cuba se tornasse independente: Estados Unidos. Em 1767 Benjamin Franklin já expressava o interesse em Cuba. Em 1805 o Presidente Thomas Jefferson comunicou à Inglaterra, que em caso de uma guerra contra a Espanha, anexaria Cuba. Em 1823 o Presidente James Monroe proclamou a Doutrina Monroe, onde consta que os EUA não aceitariam nenhuma potência estrangeira se apropriar de terras no continente americano (fez uma reserva de mercado). Outros presidentes estadunidenses ofereceram dinheiro à Espanha para comprar Cuba (como fizeram para adquirir a Florida).

Entre 1868 e 1878 houve a chamada Guerra dos Dez Anos pela independência de Cuba. Os independentistas chegaram a tomar mais da metade da ilha. Mas perderam. Estados Unidos se posicionaram francamente a favor da Espanha, com o Presidente Ulisses Grant fornecendo informações sobre os rebelados, vendendo navios de guerra, proibindo expedições dos revoltosos a partir de seu território, etc.

Terminada essa guerra, José Marti foi para o exílio e continuou a preparar a luta pela independência, alertando sempre que, embora a luta fosse contra a Espanha, pairava outro grande perigo para a independência de seu país: as intenções anexadoras dos Estados Unidos.

Em 1895 estourou a segunda guerra de independência. José Marti foi assassinado tão logo voltou a Cuba. Os independentistas avançaram pelo país. Estados Unidos, nos primeiros meses, apoiou a Espanha, depois, sentindo a causa perdida, declarou guerra a uma Espanha já decrépita como potência colonial.   

Ganhou a guerra e se apoderou das colônias da Espanha: Filipinas, Porto Rico e Cuba. Enviou um governador militar para Cuba. Em meio a intensa agitação política, foi decidido que o país teria uma nova constituição. Nas discussões da Constituinte os EUA tiveram de aceitar que Cuba fosse considerada “independente”, mas impuseram a chamada Emenda Platt: Os EUA poderiam intervir militarmente a qualquer momento que julgassem a independência do país ameaçada (quer dizer, sempre que inventassem uma desculpa); Cuba cederia terras, arrendadas ou vendidas, para as companhias americanas, (United Fruit, Usinas de açúcar de capital estadunidense, etc.); Seriam permitidas bases militares estadunidenses (Guantânamo e Bahia Honda, esta última nunca foi implementada); As taxas para os produtos estadunidenses em Cuba seriam muito baixas, etc.

Conclusão: Cuba “independente” continuava uma colônia, agora dos EUA, assim como José Marti previra.

Desde 1898 até 1959 Cuba foi uma “colônia” estadunidense. Estados Unidos comandavam governos títeres, corruptos e cruéis. Suas empresas operavam 40% da produção de açúcar (36 usinas estadunidenses) e eram donas de vastos latifúndios. 90% do serviço de eletricidade e telefônico e 50% do transporte ferroviário.

Gestores em Cuba eram estadunidenses. Nas rebeliões e greves de trabalhadores do período uma das principais reivindicações eram que cubanos tivessem acesso a todos os postos de trabalho. A máfia comandava inúmeros negócios, legais e ilegais.

A Revolução de 1959 tomou o poder em janeiro. Em março foi promulgada a primeira lei de reforma agrária: pessoa física ou jurídica só podia possuir até 30 caballerias de terra (1 caballeria= 13,5 hectares). Os proprietários seriam indenizados com bônus de vinte anos.

Estados Unidos tomou isso como uma declaração de guerra e a partir daí começou a disputa que acompanhamos até hoje, com bloqueios, mais de 600 tentativas de assassinato de Fidel Castro, disseminação de pragas e epidemias, etc.

Esse resumo demonstra uma coisa: a briga dos EUA com Cuba não é só por causa do “comunismo”. Ela começa lá atrás no desejo de anexação e dominação. O ódio é porque a pequenina Cuba disse não. Cuba Libre só é aceitável para os EUA se for o drink com Coca-Cola.

Recentemente o Presidente Raul Castro disse que Cuba e os EUA podem ter uma relação civilizada.  O vizinho Brutus sabe o que é isso?

Fosse pelo menos o marinheiro Popeye.

PEGADAS DE HEMINGWAY

Ernest Hemingway morou em Cuba por vários anos. Primeiro num quarto do Hotel Ambos Mundos, na Rua Obispo, quase na Plaza de Armas. Depois, por insistência de sua esposa Martha Gellhorn, comprou uma chácara chamada Finca Vigia, a 15 km do centro de Havana, na pequena cidade de San Francisco de Paula. Vizinha a esta fica a Baía de Cojímar, uma pequena vila de pescadores onde o escritor ia beber no Bar e Restaurante La Terraza, local muito aconchegante, aberto até hoje. Cojímar foi a inspiração para o cenário de O Velho e o Mar. Em Havana Hemingway bebia Mojitos na Bodeguita Del Médio e Daikiris no Floridita.

Martha Gellhorn foi uma das esposas de Hemingway. Era uma jornalista e escritora estadunidense. Um de seus livros é chamado ‘A Face da Guerra’, relatos jornalísticos como correspondente das várias guerras que cobriu. Um pequeno trecho da introdução ao relato das guerras na América Central, na era Reagan (escreveu a introdução em 1986):

“A ex-embaixadora americana nas Nações Unidas, a principal teórica da atual administração americana, enunciou uma nova visão americana do mundo. Existem dois tipos de ditaduras, proclamou a senhora: totalitária, comunista e absolutamente abominável, e autoritária, de direita, talvez não tudo o que se poderia desejar, mas anticomunista e aceitável como um aliado. É uma nova doutrina. Os direitos humanos são violados em ditaduras totalitárias e o governo americano vai protestar energicamente. O horrível abuso dos direitos humanos nas ditaduras autoritárias é ignorado ou minimizado. Será que os outros governos do Mundo Livre aceitam a linha política do Líder? Eles não expressaram qualquer repúdio público a este sistema de subdividir a injustiça. Talvez devamos parar de nos chamar de Mundo Livre e, em vez disso, nos chamar de Mundo da Livre Iniciativa. É um nome mais preciso, já que engloba nossos clientes e companheiros “autoritários”.

“Muitos antes do medo da União Soviética se tornar a principal preocupação dos governos americanos, eles sustentaram ditaduras autoritárias por toda a tradicional esfera de influência dos Estados Unidos, o Caribe, as Américas Central e do Sul. Se um povo oprimido e faminto se rebelava, os fuzileiros eram enviados para restabelecer a ordem. Se o povo conseguia eleger um não-tirano, que cuidaria de seus interesses, esse governo era desestabilizado. As necessidades trágicas da população desses países não eram importantes. A palavra gringo não é uma piada; para os pobres, que são a maioria da população, é o nome que o inimigo recebe em toda a América Latina.

“Eu fui para El Salvador em total e completa ignorância….”

(A Face da Guerra – Martha Gellhorn – Tradução de Paulo Andrade Lemos e Anna Luisa Araujo – Editora Objetiva 2009)

Os relatos dessa senhora, que não é nenhuma radical, apenas uma pessoa honesta, acerca das guerras de El Salvador e do Vietnã, são muito emocionantes. Fatos reais. Feitos e artes do “mundo livre”, da “maior democracia” do ocidente, atos heróicos para nos “libertar” das cortinas de ferro.

Por isso, andando pela Baía de Cojímar, entrando no Restaurante-Bar La Terraza, eu pensei mais nela que em Hemingway e seus rifles. Morreu em 1998. Saudações, Martha Gellhorn.   

DE COMO, EM CUBA, LEMBREI-ME DE PINHEIRINHO

Nosso taxista anticomunista nos levou por um giro a Praias do Leste. Tentava, todo o tempo, advinhar o que nós estávamos falando. Quando escapava alguma palavra que ele entendia como “comunismo” ou “Fidel Castro”, fazia uma careta, entortava a cabeça para o lado e falava: “Comunismo no. No, comunismo no”.

Como era uma decisão pessoal não ficar discutindo política com os cubanos, ficava apenas ouvindo as manifestações dele.

Estávamos na Baía de Cojímar, a quinze quilômetros do centro de Havana, ele se aproximou de mim, apontou para os prédios de Alamar, que ficam vizinhos, e disse: Olha, pra você ver que horrível o que eles fazem: quando algum prédio lá do centro de Havana ameaça desabar eles pegam o povo que mora no prédio e alojam em apartamentos ali em Alamar e depois recuperam o prédio, mas não chamam o povo para voltar a morar lá. Usam o prédio recuperado para outra coisa. As pessoas acostumadas a morar no centro tem de ficar morando longe (a gente olha pro lado da Baía e vê o centro de Havana ali a 15 km), não é uma coisa horrível?

Respondo pra ele, com ar bem distante, fingindo enfado: lá onde moro já vi coisa pior. Ele fica decepcionado ao não perceber em mim um estarrecimento frente à grande injustiça por ele narrada. Balbucia algo assim: Coisa pior, é?

SEM VIOLÊNCIA, SEM POLÍCIA VIOLENTA

Cássio já foi vítima de violência policial, por isso o tema nos interessa muito. Por Cuba ter a fama de ser um regime fechado, uma ditadura, pensávamos que veríamos nas ruas uma polícia com cara de poucos amigos, truculenta. Muito pelo contrário, as pessoas não sabem o que é violência policial. Ousei perguntar para uns dois cubanos sobre casos de violência policial. Ambos negaram. Um respondeu: Como assim? Polícia é para proteger as pessoas, não para bater. Ah, tá. Ficamos algumas vezes observando policiais na rua. Não há muitos e andam isoladamente. Talvez tomem conta de um determinado setor e fiquem caminhando pelas quadras que devem vigiar, não sabemos. Portam um revólver. Vimos participarem de conversas na rua, com passantes, gargalharem, como se fossem compadres.

Para confirmar o que Dona Agustina nos disse na chegada, sobre cuidados com correntes de ouro e carteiras, Hilda teve sua corrente de ouro agarrada por um rapaz na Rua Aquila, em Centro Habana. Cássio ainda correu atrás do “meliante”, mas ele, dono do pedaço, sumiu rapidamente. Em pleno dia. Isso, porém, foi uma exceção. Andamos muito na cidade, inclusive à noite, nunca sentimos o clima pesado ou ameaça de atos violentos contra nós.   

Sem violência, sem assaltos a mão armada, sem assassinatos, sem milícias e traficantes exercendo poder de vida e morte sobre a população e sem polícia violenta, só se pode dizer que nesse quesito Cuba é invejável.

MENOS MÉDICOS

Depois dos episódios do Mais Médicos, da “maravilhosa” recepção aos médicos cubanos, dos gritos de “escravos”, pensei comigo: ao preencher qualquer documento não devemos colocar a profissão de médico como nossa profissão. Por segurança, vai que somos descobertos e levamos uma surra. Melhor disfarçar.

Apenas paranóia. Tudo transcorreu sem alterações. Dona Agustina até tentou que uma sobrinha médica ciceroneasse Salém, valente defensor do SUS, por parte das estruturas de saúde pública de Havana. Fui convidado a ir junto, mas pedi, implorei, que não me delatassem, em Cuba, como exercendo essa profissão. Seguro morreu de velho.  Acabou não dando certo a excursão de Salém, porque a médica já estava acompanhando uma equipe alemã.

Falando em SUS, um dia nos sentamos num local na Plaza de Armas que servia “Guarapo com Ron” e começamos a conversar. Surpreendeu-me que Salém acusou Lula de ter tentado prejudicar o SUS. Fiquei muito surpreso mesmo. Nunca ouvi falar disso. Seria “el Ron en La cabeza” de Salém? Não aprofundamos o assunto. Salém é muito militante. Sua vida é uma defesa contínua dos direitos dos pacientes psiquiátricos, toxicômanos, moradores de rua, etc. E é valente, se mete em muitas lutas. Por isso diz que não tem tempo de ler os Blogs alternativos. Mas… Compra a Folha de São Paulo aos domingos, costume de um tempo em que todos nós aprendíamos alguma coisa com esse jornal. Tempo que passou. Será se Salém ainda se deixa envenenar?

Numa coisa concordamos: a medicina explodiu com a era Lula. Nós médicos não conseguimos mais atender a demanda. E não aumentou só o trabalho. Grana também. Melhorou para toda a sociedade brasileira. Para a classe médica, isso e um pouco mais. Daí como entender que essa classe se insurja com tanto ardor contra as administrações petistas? Acabou o que restava de algum racionalismo? As pessoas já não fazem as escolhas que lhe favorecem? São as trevas do fascismo bafejando nossas cabeças?  Que venham mais médicos… Nós não estamos dando conta.

“Guarapo”, ao ver essa palavra, escrita na placa em frente ao restaurante, viajei longe. Fui até o ano de 1966. Nosso pai migrara do Piauí para o antigo norte de Goiás que hoje é Tocantins. Ou seja, atravessara o Rio Parnaíba para o Maranhão, alguns quilômetros e atravessara o Rio Tocantins para o Goiás. Não era uma migração para muito distante, como se pode pensar. Olhando no mapa do Brasil observa-se que o sul do Piauí toca no antigo norte de Goiás hoje Tocantins. Naquela época, entretanto, quando ainda não havia boas estradas, o deslocamento era muito difícil, e a viagem parecia ter sido para muito longe. Juntando-se a isso as incertezas econômicas de uma mudança, nosso pai preferiu deixar três dos cinco filhos (até então nascidos) na casa de nossos avós, no Piauí. Ficamos eu, com seis anos, e os dois menores, de um e dois anos. Nosso avô tinha um pequeno engenho. Vivia de produzir cachaça e rapadura. Garapa de cana, para nós, era um refresco e um alimento cotidiano. E se chamava garapa: g-a-r-a-p-a. Um ano depois nosso pai foi nos buscar e fomos para o Goiás: uma pequena vila na beira da rodovia Belém-Brasília, fundada por piauis, e onde só tinha piauís e um punhado de mineiros. Ônibus das viações Expresso Braga e Rápido Marajó, que faziam linhas interestaduais, paravam lá para lanchar. A lanchonete, de um piauí, servia “Caldo de Cana”. Se a gente pedia garapa, eles corrigiam, o “certo” é falar caldo de cana. Seguramente algum sulista comentara isso, de passagem por lá, e os piauís locais passaram a ter vergonha de falar garapa, tinham de falar “o certo”. Mas isso é outro assunto: Como pessoas usam palavras para diminuir semelhantes. Alegrei-me, de verdade, com a palavra guarapo. Ali, naquela pequena praça lotada de turistas de todas as partes do mundo, estávamos tomando g-u-a-r-a-p-o com rum e não caldo de cana.  Uma pequena vingança retroativa a 1966 que me proporcionou Cuba libre (de frescura, breguice e viralatice)! 

ME VOY A BAYAMO Y SANTIAGO NAMORAR OS NEGRÕES GUAPOS

Estávamos na Cafeteria Francesa à noite. Por coincidência Dona Agustina apareceu lá para comprar os pães do café da manhã do dia seguinte. Convidamo-la para nossa mesa. Sentou conosco. No balcão, comprando alguma coisa, tinha uma moça negra, segurando uma criança pela mão. Vestia um macacão rosa, curto, e era belíssima, deslumbrante. Homens, mulheres e gays se viraram para admirá-la. Não foi orgulhosa. Não olhou para ninguém, mas também não arrebitou o nariz. Saiu calmamente, puxando sua criança pela mão. Dona Agustina disse que há uma região de Cuba, Bayamo, onde os negros têm fama de serem especialmente belos.

Próximo destino: Bayamo. Se hay negras lindas, hay também negrões.

Descobrimos, nas ruas de Havana, a negritude cubana:

Nas ruas de Havana descobrimos                                                                                  

            Cuba é negra

De Oriente a Ocidente

            Cuba é negra

De Pinar a Santiago

            Cuba é negra

Nas ondulosas curvas dessas ancas

            Cuba é negra

Na exuberância desses falos

            Cuba é negra

No punhal dos cimarrones

            Cuba é negra

Nos sorrisos de marfim

            Cuba é negra

Fidel visitando o Harlém

            Cuba é negra

Na alegria e na festa

            Cuba é negra

No sofrimento e na dor.

RON SANTIAGO DE CUBA AÑEJO

Uma coisa deliciosa de Cuba é o Rum Santiago de Cuba Añejo (envelhecido). Tão bom que nem experimentamos outro mais conhecido: O Havana Club. Não dá ressaca. Encontrado em todos os pequenos supermercados e no aeroporto. O preço é o mesmo (uma característica do país que ficamos apreciando muito, não importa se é no aeroporto ou na rua, o preço é igual): 7,60 Cucs a garrafa grande e 3,80 a pequena. Andávamos sempre com uma garrafa para nosso deleite.

ZEZE DE CAMARGO E LUCIANO NO PARQUE CENTRAL

Passando pelo Parque Central sentamo-nos um pouco nos degraus da estátua de José Marti. Um jovem começou a conversar conosco em português perfeito. Era do interior e estava ali esperando parentes que vinham apanhá-lo. Fã de Zezé de Camargo e Luciano, sabia suas músicas de cor. Aprendera português em um curso da televisão cubana para entender melhor as letras. Estava visivelmente emocionado em conhecer falantes do português. Pedimos que cantasse uma música da dupla. Cantou “É o amor”. Bela voz. Cantou outras músicas até que seus parentes chegaram para buscá-lo. Cario deixou com ele seu endereço e o convite para, caso quisesse, vir ao Brasil.   

COMPRAS, O QUE CUBA TEM A OFERECER?

Em termos de compras, perfumes nacionais de Cuba (Alícia Alonso e outras marcas), cosméticos (as mulheres a quem presenteei com esmaltes e perfumes de Cuba elogiaram muito), livros (história, negritude, candomblé, etc.), rum e charutos. Mais não há. Mas quem vai a Cuba para fazer compras, se já vivemos no mundo do consumismo? Vamos lá justamente buscando observar o contrário: para vermos como se vive num mundo sem o intenso consumismo de hoje. Claro que a todo ser humano agrada ver enorme diversidade de coisas para o consumo (de quem tem dinheiro no bolso). Dizem que Sócrates andava no mercado de Atenas exclamando: quanta coisa de que não necessito… Talvez os cubanos, seres humanos que são, preferissem ver a exuberância de mercadorias que vemos em nossas cidades (mesmo que não possamos dispor de tudo). Os cubanos talvez andem por seus mercados e pensem justamente o contrário de Sócrates: não tem muitas das coisas que (acho que) preciso.  Mas seriam mais infelizes do que a imensidão de brasileiros excluídos?

ONDE MORA A FELICIDADE?

Vamos fazer um esquema:

Classe média brasileira: dispõe de comida, educação, saúde, moradia, moeda forte, liberdade para viajar (porque tem moeda forte), insegurança em relação à violência (a desigualdade extrema será sempre fonte de insegurança extrema);

População brasileira pobre: Não dispõe de comida, educação, saúde nem moradia garantidos, insegurança extrema, vítimas tanto dos bandidos como da polícia, tem liberdade para viajar, mas não viaja pois não tem moeda forte;

Povo cubano: eles mesmo afirmam que dispõem do satisfatório em termos de comida, educação, saúde e moradia. Há segurança (produto da reduzida desigualdade), a polícia é educada e respeitadora do cidadão (eu e Cássio presenciamos e testemunhamos), falta moeda forte, dizem que não têm liberdade para viajar, mas quando convidados por alguém que banca a viagem eles conseguem liberação, donde se deduz que não viajam porque não têm moeda forte, como acontece com o povo brasileiro pobre.

A blogueira oposicionista Yoánis não saiu de Cuba para morar na Europa, depois voltou, montou seu negócio de blog, altamente financiada, não se sabe por quem? Recentemente não viajou mundo afora falando mal do governo e do momento do seu país? Então há falta de liberdade de viajar? Não seria melhor dizer falta de dinheiro, moeda forte, para viajar?

Quem é mais feliz? Sei lá.   Entende?   Alguém arrisca?

NÓS, HABITANTES DESSE VALE DE LÁGRIMAS

Como no Brasil, e em outros países calientes, em Cuba não falta sexo. Sexo é a maior dádiva dada por Deus, a nós, habitantes desse vale de lágrimas. Sexo por prazer, sexo por dinheiro. E não se venha com carolice de dizer que “sexo por dinheiro é prostituição e isso é abominável.” Vamos mudar o disco.

As pessoas fazem sexo por beleza (a beleza que provoca tesão) ou por dinheiro. Um jovem e belo fazer sexo com um feio, velho, fedido, doente, gordo, etc.  tudo que ao senso comum provoca repulsa ou asco, mesmo que seja por dinheiro, é sim um ato nobre. Sexo é o ato de intimidade mais profundo que um ser humano pode oferecer a outro.

Portanto, a profissão de prostituta ou prostituto, é, no mínimo, respeitável. Eles aliviam a dor e a solidão dos desprezados, tocam seus corpos e se deixam ser tocados.

É também um ato de amor. Via de mão dupla. Ajuda mútua.

POLÍTICA I: CRIMEZINHOS LEVES DA DIREITA

cuba-usa-embargoDesculpem os que amam os EUA, não dá pra falar de política em Cuba, sem falar dos Estados Unidos. Eles são onipresentes. Os cubanos sabem que sobre suas cabeças se debruça uma sombra mortal que se chama EUA.

Quando pedimos maior acesso democrático à informação no Brasil, o fim do monopólio privado nas comunicações, uma reforma política que democratize a representação, as políticas de estado laico, etc. sempre aparece alguém da direita para dizer que isso é comunismo, que lutamos pelo aparelhamento do Estado visando uma ditadura comunista, e citam rosários de crimes do comunismo, Stálin, Coréia do Norte, etc. numa total deturpação do que é a luta por democracia num país desigual como o Brasil.

Quem ainda acredita em comunismo, cara direita? Só Vocês. O comunismo caiu de podre. Não há estímulo à produção. Há escassez. O seu contraponto, o capitalismo, estimula a produção, utiliza exército de milhões de trabalhadores (deixando outros tanto na reserva e no desespero) mas não distribui a riqueza produzida.

Os filósofos, economistas e políticos honestos em todo o mundo estão tentando sair dessa dicotomia: máquina de produzir riquezas[1] com concentração, do capitalismo X justa distribuição com baixa produtividade (escassez), do socialismo. E preservando o valor eterno da democracia. Cabeças pensando, vamos, ajudem, em vez de ficar enumerando, pela milésima vez, os crimes que Stálin praticou.

Agora, cara direita, se é pra utilizar o princípio retórico do Tu quoque[2] (Tu também), fazendo competição de crimes, vamos relembrar alguns crimes do capitalismo, especialmente aqueles praticados por seu expoente-mor no último século, os Estados Unidos:

Quando as bombas de Na Palm jogadas pelos EUA sobre o Vietnã caíam, elas não derrubavam só a floresta, elas destruíam vastas áreas de plantações de populações pobres, que viviam da agricultura. Se não morressem de bala ou de bomba nos próximos meses, elas morriam de fome, pois tudo o que tinham era sua lavoura. Isso e mais outras “coisinhas leves” levaram à morte de cinco milhões de pessoas do Vietnã, do Laos e do Camboja. E os que ficaram aleijados? E as inúmeras crianças vietnamitas que nasceram com defeitos devido à exposição química? E o desespero de gerações e gerações? Martha Gellhorn visitou Saigon nessa época. Havia espécie de campos de concentração para abrigar órfãos, infindáveis órfãos, todos em grande sofrimento, desnutrição e extrema carência.

Tudo isso porque os EUA e a cara direita odeiam os comunistas e querem salvar o mundo de seus crimes.

Em plena ditadura de El Salvador, Martha Gellhorn esteve nesse país:

“A umas poucas quadras da fortaleza de concreto cinzento da embaixada americana, no quintal sombreado do escritório da diocese, há um barraco de folha-de-flandres pintado de verde, o lar da Comissão de Direitos Humanos salvadorenha. É um bom lugar para se conseguir uma visão geral do que preservar a liberdade significa para os salvadorenhos comuns.

“Você pode ler aleatoriamente seleções de centenas de depoimentos juramentados de atrocidades. Você pode estudar álbuns de fotos dos assassinados. Você também pode ter conversas esclarecedoras com pequenas mulheres morenas e robustas, imediatamente simpáticas em vestidos de algodão limpos e desbotados, com seu cabelo preto enrolado no topo de suas cabeças. As mulheres são parentes das vítimas que vêm aqui, apesar do perigo, para testemunhar, pedir conselhos, receber uma doação semanal de farinha de trigo, para conversar. Na minha rápida visita a San Salvador, fiquei espantada com a confiança daqueles que têm mais a temer.

“Por exemplo, parei uma mulher magrela que estava carregando um saco plástico de farinha de trigo sobre a cabeça. Para sua família? Ela não tinha mais família exceto a mãe e três filhos de seu irmão. Ela tem 47 anos e, há dois anos, tinha três irmãos e uma filha. Um por um eles desapareceram. Ela me levou atrás do barraco para me mostrar o que havia sido feito com ela porque ela ousou perguntar à polícia sobre seu irmão mais velho, depois sua filha. Havia um corte em seu seio esquerdo que descia até o mamilo, ela tinha uma ferida de facada profunda no ombro e outra na cabeça.

“-Todos eles me estupraram. Depois, eles enfiaram uma lanterna dentro de mim. Estou partida por dentro. Caminho muito mal. – Isso foi por seu irmão mais velho. Ela levantou o vestido rapidamente para revelar um corte longo direto descendo por sua barriga, outras cicatrizes. – Eles acharam que eu estava morta. Eles me deixaram como morta. – Isso foi quando ela tentou descobrir sobre sua filha. Ela não deu qualquer sinal de autocomiseração, mas disse com lágrimas súbitas: Imagine, uma menina de 25 anos, grávida.

“Quando o segundo irmão desapareceu, sua mãe, incapaz de aceitar a perda em silêncio, voltou para sua aldeia com o filho mais novo. Dias depois, encontrou o corpo decapitado do último filho a 7 quilômetros da aldeia.

“ Foi um encontro acidental; ela não era diferente de qualquer outra mulher recebendo farinha.”

“O Presidente Reagan certa vez descreveu a catástrofe do Vietnã como “aquela causa nobre”. Recentemente, ele chamou os guardas de Somoza, novamente matando seus compatriotas na Nicarágua, sob os auspícios da CIA, de “defensores da liberdade”. Agora, ele fala eloquentemente em “preservar a liberdade em El Salvador, para o que mais centenas de milhões de dólares são exigidos.” [3]  

Tudo isso porque os EUA e a cara direita odeiam os comunistas e querem salvar o mundo de seus crimes.

Estados Unidos fundou uma escola no Panamá para treinar oficiais das forças armadas dos países das Américas, chamada Escuela de las Américas. Sediada primeiro nos Fortes Amador e Gulick, no Panamá. Depois se mudou para o Fort Benning, nos EUA. Em 17 de janeiro de 2001, mudou de nome para Instituto de Defensa para la Cooperación de Seguridad Hemisférica.

A Escola de las Américas é uma escola de torturas e de doutrinação para o “anti-comunismo”. Tão terrivelmente mal-afamada ficou que há até ONGs formadas para denunciar suas atividades, como SOAW – SOA Watch – Observador da Escola das Américas (School of Americas Watch em Inglês)[4].

O senador democrata Martin Meehan, de Massachusetts, disse uma vez: “Se a Escola das Américas decidisse celebrar uma reunião de ex-alunos, reuniria alguns dos mais infames e notórios malfeitores do hemisfério”.

“A Escuela de las Américas era um bastião dos Estados Unidos”, lembra José Miguel Guerra, um dos mais prestigiados jornalistas no Panamá, para o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung. “Aqui, os militares de toda a América Latina, com exceção de Cuba, eram doutrinados pelo Pentágono para ter o controle político sobre seus países.”[5]

Certamente foram os aprendizes dessa escola que destruiram a vida daquela pobre mulher salvadorenha (e de outros milhares ou milhões de “perigosos comunistas” América Latina afora) que Martha Gellhorn entrevistou na fila de doação de farinha de trigo da diocese de San Salvador.

Roberto d´Aubuisson, militar e político salvadorenho, chefe de esquadrões da morte e mandante do assassinato do arcebispo de San Salvador, Oscar Romero, se graduou na Escola de Las Américas. No tempo de formação por lá ficou conhecido como “Maçarico Bob”, “Blowtorch Bob”, por suas contribuições às técnicas de tortura com maçaricos. Matou milhares de salvadorenhos, nas condições mais cruéis possíveis. Dizia que para tornar El Salvador um país sem comunistas, era necessário matar ainda uns 200 a 300 mil.

É bem provável que a farinha de trigo distribuída fosse uma doação da grande democracia, os Estados Unidos, nosso grande defensor contra a ditadura comunista dos soviéticos, de Stálin.

Tudo isso porque os EUA e a cara direita odeiam os comunistas e querem salvar o mundo de seus crimes.

Quem quiser conhecer mais “crimezinhos leves” dos EUA pode buscar informações no livro Killing Hope de William Blum.

POLÍTICA II:  PARAÍSO  -  INFERNO

Portanto, cara direita, crime por crime, tu quoque.

Enquanto Stálin e seus seguidores se matam principalmente em guerras internas,  em disputas ideológicas e pelo poder de encaminhar “a revolução”, os EUA direcionam seus crimes para o “inimigo exterior” que ousar se rebelar contra sua vontade.

Tudo bem, a União Soviética invadiu a Hungria e a Tchecoslováquia para evitar mudanças no regime. Mas, e os EUA, invadiu quem, planejou e concretizou derrubadas de governos democráticos de onde? Assassinou quantos por vias diretas ou indiretas? A lista é grande, vamos omiti-la aqui.

O ditador da Coréia do Norte fuzila o tio e a notícia se espalha em todos os jornais. O ditador não é sutil. É escancarado. A grande democracia dos EUA é maravilhosa, tem julgamentos justos, cidades lindíssimas, todos queremos ir pra lá mas… lá no escondido, lá no subterrâneo, treina homens para usar o maçarico, para decapitar pobrezinhos em El Salvador, para matar padres que defendem os pobres, etc. Qual a diferença com a Coréia do Norte? A sutileza e a hipocrisia. Aí a cara direita faz a pergunta clássica: Já que critica os Estados Unidos por que não vai para a Coréia do Norte? Não, não vou. Se tiver de optar vou para os Estados Unidos. Porque lá é o paraíso. A pergunta que a cara direita nunca faz é: Para que meu país se torne um paraíso, eu preciso tornar a metade do mundo um inferno? Eu preciso fazer uso dos conceitos da Arte da Guerra, do Sun Tzu, e ficar detonando meio mundo, preventivamente, para construir meu paraíso?   Eu preciso treinar os militares de outros países na obsessão do anticomunismo a ponto deles agredirem cruelmente seu próprio povo, em extensivos genocídios, como fizeram as ditaduras latino-americanas, influenciadas pelos EUA?

A vontade dos EUA é manter-se, ele e seus aliados, como um paraíso, para onde todas as riquezas afluem. Vontade de mandar, regular a vida dos outros países, dispor de seus bens. Um dualismo tipo paraíso/inferno. Onde criamos um paraíso para nós e um inferno para os outros.

Nós construímos nosso paraíso às custas de eliminar a qualidade de vida dos outros, os meios de subsistência dos outros. Ao mesmo tempo que os depredamos, construímos nosso muro. O muro do México é típico como ilustração do dualismo paraíso/inferno. É como se dissessem: Fiquem do lado de lá, miseráveis. Nós só queremos de vocês os valores econômicos que raspamos de seu tacho. Não venham estragar o nosso paraíso com a sua presença esfomeada.

O muro de Berlim foi erguido porque os EUA e seus aliados se postaram na fronteira, com voz de sereia, chamando: venham para o paraíso, venham para o paraíso. Com o objetivo de detonar o outro lado pela fuga de mão de obra. O muro do México é muito mais cruel.

O muro do México desnuda o que os EUA representam: a exclusão. O muro de Berlim encobre: olhem, todos querem fugir para o nosso sistema de vida, nós somos o mundo livre, a democracia. Ocultando que o “mundo livre” e próspero só subsiste com a escravidão neocolonial da outra parte do mundo.

Por que ninguém se envergonha do muro do México, como diziam que se “envergonhavam” com o muro de Berlim?

POLÍTICA III: MÉXICO E CUBA, SUPORTAI

Estados Unidos foram comendo porções do México pelas beiradas, a ponto de um Presidente mexicano falar aquela famosa frase: pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos.

O Brasil também sofre a ação do Império. Todavia, pelo menos, está distante. México e Cuba estão ali, agarrados com ele.

Os EUA tentam, há 52 anos colocar Cuba novamente de joelhos. O embargo comercial é uma declaração de guerra, segundo o jurista Dr. Pedro Serrano, em artigo na Carta Capital de 24/02/2013.

A organização política e econômica do mundo está sempre em tentativas e experimentos.  Cuba também tem direito a fazer seus experimentos.

O grande feito de Cuba não é ter experimentado o comunismo. O grande feito é ter dito não ao Rei Leão, ao império, e estar resistindo até hoje. É isso que aprendemos a admirar nesse pequenino e tenaz país. Cuba não aceitou o esquema estadunidense de Paraíso-Inferno. E é isso a causa de todo o ódio dos Estados Unidos. Ódio de quem não sabe viver e deixar viver. Ódio de quem não sabe o que é alteridade, como sabe meu amigo Salém.

Cuba é a nossa fronteira.

Cuba é a Resistência.

QUE LINDA MÚSICA DE UM GUSANO

Dos músicos cubanos contemporâneos à Revolução de 1959, parte permaneceu em Cuba – Os músicos do Buena Vista Social Club são a maior expressão – e parte partiu para o “exílio dourado”, com muitos dólares. Célia Cruz e Guillermo Portabales pertencem ao último time. Guillermo Portabales tem uma música chamada Yo te canto Puerto Rico, onde canta os seguintes versos:

Mi Puerto Rico querido hoy lloro mi Cuba esclava

Mi Puerto Rico querido Como sufre tu isla hermana

El pájaro ha sido herido e hoy sangra de sus alas

E outra música, muito bonita, chamada Lamento Cubano, cuja letra é:

¡Oh! Cuba hermosa, primorosa,

¿Por qué sufres hoy

Tanto quebranto?

¡Oh! Patria mía,

¡Quién diría

Que tu cielo azul

Nublara el llanto!

¡Oh! En el susurro del palmar

Se oye el eco resonar

De una voz de dolor

Que al amor llama…

¡Oh! Al contemplar

Tu ardiente sol,

Tus campos llenos de verdor,

Pienso en el tiempo aquel

Que se fue Cuba…

¡Oh! Cuba hermosa, primorosa,

¿Por qué sufres hoy

Tanto quebranto?

¡Oh! Patria mía,

¡Quién diría

Que tu cielo azul

Nublara el llanto!

Pienso en el tiempo aquel, que se fue, Cuba…

Para muitos, tempos bons são aqueles em que a vida é uma festa para poucos!

Será por coisas assim que Platão fez aquelas criticazinhas a esses seres chamados poetas?

ÚLTIMOS DOIS DIAS EM HAVANA – HOTEL NACIONAL

Nos dois últimos dias em Havana, eu e Cássio nos mudamos para o Hotel Nacional. Despedimo-nos de Dona Agustina e sua ajudante Jaqueline.  Deixamos tudo que sobrara (sabonetes, papel higiênico, balinhas Arcor tipo caramelo) para elas, além de uma boa “propina”. Dona Agustina ainda chegou a dizer: No, hijo, no necessita… Mas em seguida agarrou os Cucs.  Salém e Alice permaneceram lá. Dona Agustina, a nosso pedido, indicou o restaurante La Roca como sendo um bom lugar para se comer, na região de Vedado. Por fim, chamou um taxista que cobrou 4 Cucs (10 reais) para nos levar.

Hotel Nacional. Antigo, da década de trinta, cheio de histórias. Em seu hall há fotos de hóspedes ilustres: Artistas de Hollywood, Nat King Cole, Frank Sinatra, Presidente Lula, Glória Pires, etc. Fica no início do bairro de Vedado, à beira mar, ao lado do Malecón.

Pagamos 360 euros por dois dias (mais de mil reais!). Por seis pernoites em Dona Agustina, já com café da manhã incluído, pagamos 390 reais.

Importante lembrar que o check in é feito a partir das 16:00 hs. A Justificativa é que os trabalhadores da limpeza necessitam de quatro horas para o trabalho – Entre o check out às  12:00 hs. e o check in às 16:00. Não adianta insistir, você só entra em seu quarto às 16:00 hs.

O café da manhã é soberbo. Um salão enorme repleto de comidas, de máquinas de fazer sanduíches, de máquinas de fazer omeletes e panquecas. Pela primeira vez constatamos que da proximidade geográfica (apenas 123 km) entre Havana e os EUA alguma influência ainda havia de restar: a variedade imensa de bacons e de ovos no café do Hotel Nacional, típico, dizem, do estilo norte-americano de quebrar o jejum pela manhã.

Uma vez instalados, fomos explorar o bairro.  Na esquina das Ruas Infanta (Calzada de Infanta) e San Lázaro, entramos numa livraria chamada “Alma Mater”, que é ligada à Universidade de Havana. Muita coisa boa. Escolhi dois livros, pensando que o preço na etiqueta fosse em Cucs. Ao passar no caixa, só recebiam em pesos cubanos (portanto os livros eram de graça). Que faço? Não tenho pesos cubanos aqui comigo. Vá na agência de correios ao lado e troque alguns Cucs por pesos cubanos. Fui. Troquei apenas 4 Cucs (10 reais) no correio e com isso levei sete bons livros. Absolutamente de graça.

Dali fomos conhecer a Copelia, a famosa sorveteria cenário do filme Morango e Chocolate. Decepção total. Um lugar de onde se deve fugir. No centro de uma praça há algumas construções. Quando você entra na praça, achando que está passeando, é abordado por um guarda dizendo que você está furando a fila. Pergunta também se vai pagar em Cucs ou pesos cubanos. Se tiver pesos cubanos é enviado para uma das filas,  vai pro meio da galera, do povão. Se você tem Cucs, é conduzido para a área de estrangeiros, uma sala no primeiro andar, sem janelas, com uma tevê ligada, onde é servido um sorvete caríssimo e péssimo, péssimo. Fuja.

Lugar de comer no Vedado é mesmo no La Roca, como aconselhou Dona Agustina. A enorme e deliciosa paella a 12 Cucs (30,00 reais) é magnífica

ADEUS A CUBA

Dissemos adeus a Cuba em 09 de novembro de 2013.

Adiós a Cuba é o nome de uma das danças cubanas do compositor Ignacio Cervantes (1847-1905). Viveu tempos no exílio na época das guerras de independência de Cuba. Essa composição foi tema do filme Morango e Chocolate. Soa muito triste. Tem-se a impressão, nos movimentos da música, que o compositor agarra-se a alguma coisa para não ter de ir-se, para não partir involuntariamente. Súbito, alguma força o arranca e o manda embora, sem comiseração (para o exílio).

Adiós a Cuba

A pequena peça musical Adiós a Cuba, de Ignacio  Cervantes,  tem melodia triste, nostálgica, plena de melancolia.    Após a súplica inicial, repetida, sentida, lacrimosa, no meio da obra há uma inflexão, de pesarosa desistência, como se uma grande lágrima fluida, de inexorável adeus, de inevitável adeus, irrompesse, e com ela levasse os pais, os amigos, os amores, todas as alegrias, a paisagem verde, as flores do jardim, os animais de casa.

[1] Como disse o jornalista estadunidense David Simon no texto EUA, um país dividido, publicado aqui no GGN/Blog do Nassif

[2] Citação inspirada na Resenha de Francisco Quartim de Moraes sobre o livro de Domenico Losurdo Stalin: história crítica de uma lenda negra

[3] A Face da Guerra – Martha Gellhorn – Tradução de Paulo Andrade Lemos e Anna Luisa Araujo – Editora Objetiva 2009

[4] Demarchi – colaborador do GGN/Nassif postou em 15/09/2012 um texto sobre o assunto.

[5] Dois parágrafos anteriores são citações de um texto de Marcelo Rubens Paiva no Estadão: Escola de tortura vira hotel 5 estrelas, de 10.07.2013

Nove dias em Havana, por zegomes | GGN

05/01/2014

Na terra dos médicos cubanos é assim

Filed under: Cuba,Mais Médicos,Mortalidade Infantil — Gilmar Crestani @ 12:33 pm
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Quem já foi a um consultório particular, como horário marcado, e ainda assim é preterido no atendimento por representantes de laboratório vai entender a necessidade de profissionais menos mercantilistas. Claro, este costume não vai mudar, até porque os médicos do programa Mais Médicos não vieram para substituir os médicos particulares. Foram convocados para atenderem pessoas onde brasileiros não querem ir. Até agora foram 6,6 mil médicos para  2 mil e duzentos municípios que podem contar com serviços que antes não existiam. A população que não via médico deveria rejeitar estes? A julgar pelos que nunca tiveram dificuldade de acesso ao acompanhamento médico, deveriam. Mas pergunte a quem não tinha acesso se prefere continuar como antes ou contar com este “privilégio”?!

Cuba encerra 2013 com menor taxa de mortalidade infantil da história

Ilha caribenha se mantém como um dos melhores países do mundo neste índice, à frente de Brasil e Estados Unidos, por exemplo

Cuba terminou 2013 com uma taxa de mortalidade infantil de 4,2 por cada mil nascidos vivos, o número mais baixo da história da ilha, informaram nesta quinta-feira (02/01) os veículos de imprensa oficial do país.
A primeira vez que os cubanos registraram taxa inferior a 5, foi 2008, com 4,7. Desde então, os índices foram 4,8 em 2008, 4,5 em 2010, 4,9 em 2011 e 4,6 em 2012.
De acordo com a ONU, a média mundial de mortalidade infantil no ano passado era de 48 para cada mil nascidos. No Brasil, em 2012, esse índice era de 12,9. A dos Estados Unidos, por sua vez, era de 7 mortes para cada mil nascimentos. Veja o último informe completo da ONU aqui.

Leia mais

O jornal Granma destacou hoje que o resultado coloca a ilha "entre as primeiras nações do mundo" neste quesito. Segundo números oficiais, oito das 15 províncias cubanas atingiram indicadores menores que a taxa nacional de 4,2, em 2013. Neste ano, foram registrados 125.830 nascimentos, 156 a mais que no ano anterior.
Wikicommons

Além do baixo índice de mortalidade infantil, Cuba também registra bons níveis educacionais
Segundo dados do ministério de Saúde Pública do país, as principais causas de morte de crianças no país estão relacionadas a anomalias congênitas, infecções e afecções perinatais.
Com relação às mães, em 2013 foram registrados 26 óbitos relacionados diretamente com gravidez, parto e pós-parto, uma taxa de 20,7 mulheres para cada 100 mil nascimentos, também a mais baixa da história de Cuba.
(*) com Agência Efe

Opera Mundi – Cuba encerra 2013 com menor taxa de mortalidade infantil da história

03/11/2013

Historia de dos islas

Filed under: Cuba,Liberdade de Expressão,Liberdade made in USA! — Gilmar Crestani @ 4:49 pm
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cuba-embargoOs jovens de todos os países, ou quase todos, pensam diferente de seus pais. No Brasil, México, EUA ou Alemanha. Não fosse assim e ainda viveríamos o nazismo na Alemanha. Bem, nos EUA os jovens continuam apoiando a invasão de outros países, mas há também dissidentes, que denunciam o comportamento opressivo dos EUA, como Bradley Manning ou Edward Snowden. A eles o Tio Sam não deu o mesmo direito que Cuba dá a Yoani Sánchez, de viver em paz na própria casa com direito à liberdade de expressão. Houve um tempo que havia espaço para a esquerda defender suas idéias nos grandes veículos de comunicação. Hoje, infelizmente, não há mais esta possibilidade. Uma pergunta singela que sempre deve ser feita quando se critica Cuba: quantos países resistiriam um embargo econômico de 50 anos?

Historia de dos islas

Los jóvenes cubanos piensan su país de manera diferente a sus padres y abuelos

Rafael Rojas 3 NOV 2013 – 00:01 CET

Nueva York es buen lugar para leer la nueva Cuba que nace con el siglo XXI. Un nuevo país en el viejo Caribe parece sentirse aquí, cuando recorremos los restaurantes cubanos de West New York o galerías como The 8th Floor, donde se ha visto algo de lo mejor del arte producido en la isla y la diáspora en los últimos años. Hay aquí, como en Miami, la Ciudad de México, Madrid, París o Berlín, una comunidad de cubanos jóvenes, de paso o asentados más firmemente, que piensan su país de manera distinta a como lo hicieron sus padres y abuelos.

Piensan un país diferente porque viven un país diferente, aunque residan fuera de la isla. Un país que no es “una revolución”, “un líder”, “un proyecto” o “un símbolo”, sino una comunidad heterogénea de ciudadanos, que comparten sonidos y lecturas, sabores y ritmos. Se hace más difícil aquí distinguir a los cubanos de otros caribeños, pero la distinción, con desgano o sin mayor énfasis, emerge al final. Para diferenciar a ese nuevo cubano de cualquier otro caribeño del siglo XXI, es preciso, como sugiere la profesora de la Universidad de Princeton, Alexandra Vázquez, estudiosa de la música, “escuchar en detalle”.

He tomado prestado el título que Jorge Volpi tomó prestado, a su vez, de Charles Dickens, para comentar la manera en que esa Cuba del siglo XXI se atisba desde Nueva York. Ha sido siempre esta ciudad atlántica un lugar privilegiado de la conversación caribeña. Aquí se planearon las independencias de Cuba y Puerto Rico, se criticaron las intervenciones norteamericanas de principios del siglo XX, se celebró la Revolución Cubana de 1933 y se conspiró contra dictadores como Fulgencio Batista o Rafael Leónidas Trujillo.

Aquí también se aplaudió la otra Revolución, la de 1959. Ningún otro periódico fuera de la isla dedicó tantas páginas a esa Revolución como The New York Times entre 1957 y 1962. La insurrección rural y urbana contra Batista, las primeras medidas y purgas del Gobierno revolucionario y, por supuesto, el “fiasco”, la “debacle” o el “desastre” —las tres palabras que más usaron sus editores— de Bahía de Cochinos, en abril de 1961, fueron exhaustivamente glosados en las páginas del Times. Fue durante la Crisis de los Misiles, en octubre de 1962, que los líderes cubanos aparecieron por primera vez como personas que amenazaban la seguridad y la vida de los neoyorkinos.

El “problema cubano” ha dejado de girar en la órbita de Fidel Castro

Los artículos que en aquellos años escribieron Ruby Hart Phillips, la célebre corresponsal del diario en La Habana desde los años 30, Herbert L. Matthews y Tad Szulc moldearon, en buena medida, la percepción de la Revolución Cubana y sus comandantes en esta ciudad. Los viajes de Fidel Castro y del Che Guevara a Nueva York, en 1959, 1960 y 1964, fueron apoteósicos, como ya han recapitulado algunos historiadores. El del Che, por ejemplo, sumó al espectáculo un intento fallido de atentado con bazuca contra la sede de Naciones Unidas y una cena con la alta burguesía de Manhattan en el town house de Bobo Rockefeller, cuya extrañeza fue admirablemente narrada por Stephanie Harrington en The Village Voice, luego de la muerte de Guevara en Bolivia, en octubre de 1967.

En una ciudad tan endemoniadamente plural como Nueva York nunca ha habido consenso sobre la realidad cubana. Aquí criticaron duramente la deriva comunista y prosoviética de la Revolución pensadores liberales como Waldo Frank y Carleton Beals, Theodore Draper o Michael Walzer, pero también comprendieron esa deriva, aunque sin dejar de cuestionarla, pensadores socialistas como C. Wright Mills o Paul M. Sweezy. Aquí se refutó teórica e ideológicamente el socialismo cubano, en publicaciones como Dissent, pero también se elogiaron sus medidas populares en revistas como Monthly Review.

Medio siglo después se sigue debatiendo a Cuba en Nueva York. Pero hoy lo que se debate ya no es la Revolución o el socialismo, la alianza con la URSS o el periodo especial. Hoy lo que se debate es la vuelta de la isla a la compleja realidad de sociedades capitalistas del Caribe, con problemas comunes de disparidad y violencia y retos afines como la migración y el racismo. Los reportajes de Victoria Burnett para The New York Times hablan justamente de ese avance de la lógica del mercado en la economía, la cultura y la vida cotidiana de los cubanos.

Una desventaja y una ventaja podrían detectarse en ese abandono del relato de la excepcionalidad en las percepciones sobre Cuba desde Nueva York. La desventaja es que al imaginar un país como cualquier otro latinoamericano o caribeño del siglo XXI se pierde de vista que en la isla persisten instituciones singulares, por decir lo menos, como el partido comunista único, el control estatal de los medios de comunicación y fuertes restricciones constitucionales y penales a la libertad de asociación y expresión, que merecen ser cuestionadas.

Lo que  hoy se debate son problemas  como la violencia o  la migración

La ventaja, en cambio, es que el debate sobre Cuba cada día se despega más y más de la figura polarizante de Fidel Castro. Con celeridad, el “problema cubano” pierde estatuto público o deja de girar en la órbita avasallante de Fidel Castro y las múltiples formas de resistencia que su hegemonía personal provocó dentro y fuera de la isla, especialmente en Estados Unidos. Esa saludable despersonalización debería rebasar la política e incidir en la manera cada vez más diversificada en que pensamos las artes, la música o la literatura.

La más reciente ‘Letter from Havana’ de Jon Lee Anderson para The New Yorker comparte ese atisbo de una nueva Cuba desde Nueva York. Pero Anderson personaliza el estado actual de la literatura cubana en Leonardo Padura. Dice que Padura se ha quedado sin pares en la isla y sólo menciona como antecedente suyo a Eliseo Alberto, un escritor con el que no contrae deudas estéticas, y como interlocutores a Pedro Juan Gutiérrez y Wendy Guerra, dos autores muy disímiles y sin mayor parentesco estilístico. Por suerte, como sabemos, la literatura cubana es desde los 90 mucho más inapresable.

No se puede pensar seriamente la literatura, aferrados al paradigma de la crónica o el testimonio de la vida insular que, desde distintas estrategias, esos autores preservan. La literatura cubana es un territorio diseminado por la experimentación y el exilio, el vanguardismo y la errancia. Una constelación transnacional de autores de todas las edades y estilos, memorias y duelos, de la isla o la diáspora, como José Kozer y Nivaria Tejera, Reina María Rodríguez y Legna Rodríguez Iglesias, Abilio Estévez y Antonio José Ponte, Ena Lucía Portela y Jorge Enrique Lage, José Manuel Prieto y Rolando Sánchez Mejías, Iván de la Nuez y Gerardo Fernández Fe. Para leer la nueva Cuba hay que leer a todos sus buenos escritores, vivan donde vivan.

Rafael Rojas es profesor del CIDE (México D.F.) y Global Scholar en la Universidad de Princeton. Su último libro es La vanguardia peregrina (México D.F., Fondo de Cultura Económica, 2013).

Historia de dos islas | Opinión | EL PAÍS

É “glande” a liberdade de expressão made in England

Inglaterra dá lição em Cuba de como devem ser tratados os que incitam “causa política”…

Brasileiro foi detido por incitar ‘causa política’

David Miranda, parceiro do jornalista Glenn Greenwald, foi preso por 9 horas em agosto

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Segundo o jornal britânico "Guardian", o motivo pelo qual o brasileiro David Miranda foi detido, em agosto deste ano no aeroporto de Heathrow, em Londres, teria sido o de promover "causas políticas ou ideológicas".

Miranda é namorado do jornalista Glenn Greenwald, responsável pela publicação no jornal britânico "Guardian" das denúncias sobre o programa de espionagem do governo dos EUA.

A agência Reuters, entretanto, cita informações da polícia e de documentos de inteligência que afirmam que o parceiro de Glenn Greenwald estaria envolvido com "terrorismo", tentando transportar documentos do ex-agente de inteligência norte-americano Edward Snowden.

Após a sua libertação e retorno ao Rio, Miranda entrou com uma ação judicial contra o governo britânico exigindo a devolução dos materiais apreendidos com ele por autoridades britânicas e uma revisão judicial da legalidade de sua detenção.

Um documento divulgado em uma audiência relacionada à ação de Miranda nesta semana afirma que "a inteligência [britânica] indica que Miranda provavelmente está envolvido em atividades de espionagem, com potencial para agir contra os interesses da segurança nacional do Reino Unido".

Segundo a Reuters, uma nova audiência sobre a ação de Miranda está marcada para a semana que vem.

ACORDO

Também consequência das informações vazadas pelo ex-técnico da NSA, Edward Snowden, o mal estar entre EUA e Alemanha pode ter um fim, de acordo com o jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung".

Segundo a publicação, os países estudam assinar acordo sobre espionagem.

    21/09/2013

    A Operação Peter Pan da CIA

    Filed under: CIA,Cuba,Operação Peter Pan — Gilmar Crestani @ 5:47 pm
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    Uma história inacreditável, como todas escritas pela CIA mundo afora. E por aí se entende porque os a$$oCIAdos do Instituto Millenium são tão afinados em manchetes produzidas pelos interesses norte-americanos.

    Operación Peter Pan

    Por Sandra Russo

    Así se llama el documental que Estela Bravo estrenó en 2010, y que en el homenaje a la realizadora norteamericano-cubana en el reciente Festival Unasur Cine se proyectó junto a otro que habla de los nietos recuperados argentinos, ¿Quién soy yo? La verdad, elegí asistir por el respeto que me merece Estela Bravo, pero mi interés estaba centrado en este último. Y sin embargo, una vez en mi butaca, cuando empezó a desplegarse en la pantalla la historia de los Pedro Panes, lo increíble, lo invisibilizado, lo sádico y al mismo tiempo lo profundamente amoroso que Bravo logró contar sobre esa operación de guerra psicológica de la CIA que tuvo lugar entre 1960 y 1962, tocó una fibra tan fina, y tan inesperada, que no puedo menos que rendirle el pequeño tributo de multiplicar aquí aquella historia, porque creo que Bravo trabaja para eso: para ahondar y multiplicar la conciencia de algunas cosas que pasan en el mundo.

    Como no tenía ni idea de lo que había sido en realidad la Operación Peter Pan, fui tomada por asalto por las imágenes de los campamentos para niños de Miami y otras ciudades norteamericanas creados para alojar en esos dos años a los más de 14 mil niños de entre 2 y 16 años que fueron enviados desde Cuba para salvarlos del cuco comunista. Primero mandaron a los varones mayores de 10 años de la clase alta, después a los menores de la pequeña burguesía, después a las nenas, después a los niños más chiquitos. Las escenas del aeropuerto son desgarradoras: los padres agitando las manos y quebrados en llanto detrás de un vidrio, los niños desolados subiendo a los aviones de American Airlines. Esos padres y madres que se desprendían de sus niños, a muchos de los cuales no volvieron a ver más, habían sido engañados.

    Ese fue el primer y atroz impacto. Yo había ido a ver un documental sobre cómo la dictadura argentina partió a miles de familias y se apropió de la identidad de centenares de niños, y tenía allí un antecedente sobre cómo –-antes de que existieran las redes sociales, antes de la concentración globalizada de los medios de comunicación– se había implementado una mentira monstruosa que partió al medio a otras miles de familias que, queriendo proteger a sus hijos, los entregaron para que crecieran en orfelinatos norteamericanos. Pero los protegían de algo que nunca iba a pasar.

    En complicidad con la Iglesia de Miami, la CIA falseó –imprimió, distribuyó, propagandizó– una presunta ley del nuevo gobierno cubano, según la cual el Estado les quitaría la patria potestad de los hijos a sus padres, para enviarlos a hacer trabajos forzados en la Unión Soviética. Cuando se habla de guerra psicológica, se habla de esto. De engaño cerril. A cincuenta años de distancia es obvio que la patraña tenía por objeto la creación del fantasma del comunismo que se come crudos a los niños y otros cuentos de terror pero, en 1960, los padres y las madres de más de 14 mil niños cubanos se lo creyeron. La Embajada de Estados Unidos expidió visas precarias para menores de 16 años, pero no para sus padres. Los mandaban en charters colmados, con sus valijitas, a un destino incierto que desbordó los campamentos para niños y terminó incluyendo a muchas familias que les ocultaron sus orígenes.

    Después los separaron, los mezclaron, los sumergieron en una historia de confusión donde todos ellos se sintieron niños abandonados. Recién treinta años después de la Operación Peter Pan, una de aquellas niñas, Elly Chovel, se propuso rastrear a otros Pedro Panes porque la urgía la necesidad de pasar en limpio la vida que habían vivido, marcada por la mentira que había pergeñado el país en el que vivían. Logró ponerse en contacto con unos 2 mil de aquellos pobrecitos, ya hombres y mujeres con vidas norteamericanas, y sin embargo todos con una herida abierta desde la temprana infancia. Muchos de ellos fueron abusados, tanto en los orfelinatos y reformatorios como en casas de familias adoptantes.

    Estela Bravo nombra mucho a Elly Chovel, cuyo relato y su voz dulce y energética es uno de los ejes del documental: porque el sueño de Elly era volver a Cuba a cerrar el círculo de su vida, pero no llegó a tiempo. Murió en 2007. El documental de Bravo recoge el viaje de regreso que hicieron cinco ex Pedro Panes, ahora hombres y mujeres de mediana edad, en 2009. “Yo me fui de Cuba, pero Cuba nunca se fue de mí”, dice Candi Sosa, cantante. El ensamble de imágenes de Candi cantando –de niña– en el campamento, dándose fuerza, con la Candi adulta que conserva la misma voz caudalosa y canta la misma canción, quizá sintetice el deseo vital, latente, poderoso que transmite el documental: atar los cabos, unir los hilos sueltos, desenredar la melancolía que ostentan todos ellos, y sanarse.

    Chovel era una mujer que no odiaba. Tenía catorce años cuando fue enviada a Miami, y guardaba más recuerdos que otros que habían sido llevados más pequeños. Recuerdos de Cuba. Amaba a Cuba. Los cinco Pedro Panes que volvieron en 2009 a la isla compartían ese espíritu: algo en su interior no había sido doblegado, y persistía el amor por sus sonidos, sus sabores, su lengua, por lo que cada uno, en su propio relato, llama “la patria”.

    Los cinco les cuentan sus historias a los pioneros de La Colmenita, en una reunión cristalina que mantienen en un aula. Los niños miran con piedad, con ojos humedecidos, con compasión a esos cinco adultos de aspecto gringo que les cuentan qué diferentes fueron sus infancias. En entrevistas, por separado o grupales, narran escenas de las que no han podido olvidarse nunca. El silencio nocturno de los campamentos. Las voces infantiles gritando “papi” o “mami”. Ya en Cuba, vencido ese monstruo imaginario que los acechó y los capturó, el documental empieza narrando la crueldad política en su faz más descarnada, pero a medida que avanza empieza a hablar de amor; y sigue hablando de amor mucho después de que uno se va del cine.

    01/09/2013

    Seria o Estadão comunista?!

    Filed under: Cuba,Mais Médicos — Gilmar Crestani @ 10:43 pm
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    Formados em Cuba lideram no Revalida

    Dos 77 aprovados em 2012, 15 vieram da Escola Latino-Americana, cujo currículo é criticado por especialistas; exame é obrigatório no Brasil

    31 de agosto de 2013 | 19h 45

    Bárbara Ferreira Santos – O Estado de S. Paulo

    Médicos formados em Cuba foram os mais aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) em 2011 e 2012. Dos 65 que conseguiram revalidar o diploma em 2011, 13 estudaram na Escola Latino-Americana de Cuba (Elam), assim como 15 dos 77 aprovados em 2012. Os dados são do Ministério da Educação (MEC) e foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

    A escola oferece curso de Medicina para estudantes de 113 países, incluindo brasileiros saídos de movimentos populares. A instituição, porém, recebe críticas de especialistas e conselhos de Medicina brasileiros, pois seus profissionais têm de fazer um complemento nos estudos para atuar no sistema de saúde cubano.

    Para o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Cid Célio Jayme Carvalhaes, os médicos aprovados no Revalida têm o conhecimento necessário para exercer a profissão no Brasil, apesar das críticas à escola. “Sabemos que, por determinação do governo cubano, os alunos da Elam não podem atuar em Cuba sem o complemento (residência). Mas, se foram aprovados no Revalida, têm o mínimo exigido para atuar no Brasil. Eles passaram, tiveram mérito”, disse.

    Quem estudou na Elam e teve seu título aprovado no Brasil diz que não há diferença na prática médica dos dois países. “Mas a gente vê que os formados em Cuba têm um enfoque mais humanitário. Na faculdade, por exemplo, tive uma disciplina específica de Medicina Familiar e Comunitária e atendi os pacientes onde eles precisavam”, afirma a médica paulistana Denise Assumpção do Nascimento, de 32 anos.

    Ela se formou na Elam em 2003, fez especialização em Medicina Comunitária na Venezuela e teve seu título revalidado no Brasil em 2011. Hoje, cursa Medicina do Trabalho no Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP).

    O corpo técnico e a vice-reitora da Elam, Yoandra Muro Valle, foram procurados pelo Estado, mas não responderam aos pedidos de entrevista.

    Nessas duas edições do exame, os médicos formados na Bolívia foram os que mais se inscreveram. Em 2011, dos 677 inscritos, 304 haviam se formado naquele país. Em 2012, eles foram 411 dos 884. Porém, o porcentual de aprovação foi um dos menores, de 4,61% e 3,65%, respectivamente.

    Para os estudantes que foram estudar na Bolívia, o principal fator para a baixa aprovação é a falta de controle do governo sobre a qualidade das escolas. “Os brasileiros são maioria na Bolívia e querem voltar para o País quando se graduam, como eu estou tentando. O problema é que tem aumentado o número de escolas de baixo preço, sem controle adequado do Estado”, diz o brasileiro Juan Domingo Alpire Ramos, formado em 2011 em Cirurgia Geral pela Universidad Mayor de San Simón, uma das mais tradicionais do país.

    Formados em Cuba lideram no Revalida – vida – saude – Estadão

    26/08/2013

    Melhor que importar médicos seria importar o tipo de formação

    Filed under: Cuba,Médicos Cubanos,Medicina — Gilmar Crestani @ 9:10 am
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    O espírito da medicina cubana

    Diario do Centro do Mundo 26 de agosto de 2013

    Num momento em que se debate tanto se vale a pena ou não importar médicos de Cuba, o Diário faz um mergulho no tema.

    Estudantes americanos formados pela aclamada Escola de Medicina América Latina

    Estudantes americanos formados pela
    aclamada Escola de Medicina América Latina

    O que a Grã-Bretanha pode aprender com o sistema médico de Cuba?

    Assim começou uma reportagem de um dos mais prestigiosos programas jornalísticos britânicos, o Newsnight, da BBC.

    Uma equipe do programa foi enviada a Cuba para entender por que é tão comum o “olhar de admiração” sobre a medicina cubana.

    O Diário selecionou trechos que jogam luzes sobre um tema que vem despertando discussões apaixonadas no site e fora dele: a questão da importação de 6 000 médicos cubanos para trabalharem em áreas remotas no Brasil.

    O relato do Newsnight foi acrescido de trechos do relatório de uma visita de integrantes do Comitê de Saúde do Parlamento britânico. Da mistura surgiu um retrato da saúde de Cuba.

    Bom proveito.

    “A lógica subjacente do sistema cubano é incrivelmente simples. Em razão principalmente do bloqueio econômico americano, a economia cubana continuamente sofre.

    Saúde, no entanto, é uma prioridade nacional, por razões em parte românticas : Che Guevara, ícone do Partido Comunista, era médico. Mas muito mais por pragmatismo: a saúde admirável da população é certamente uma dos principais razões pelas quais a família Castro ainda está no poder.

    A prioridade em Cuba é impedir que as pessoas fiquem doentes, em primeiro lugar.

    Em Cuba você recebe anualmente a visita de um médico. A idéia não é apenas verificar a sua saúde, mas ter um olhar mais amplo sobre seu estilo de vida e o ambiente familiar. Essa visita é feita de surpresa, para ser mais eficiente.

    Os médicos estão espalhados por toda a população, e o governo lhes fornece habitação, bem como às enfermeiras.

    A expectativa de vida em Cuba é maior do que a dos Estados Unidos. A relação médico-paciente ser comparada a qualquer país da Europa Ocidental.

    Há em Cuba um médico por cada 175 pessoas. No Reino Unido, é 1 por 600 pessoas.

    Cuba dá ênfase à formação generalista. O currículo foi alterado na década de 80 para garantir que mais de 90 por cento de todos os graduados completem três anos em clínica geral.

    Há um compromisso com o diagnóstico triplo (físico / psicológico / social). Os médicos são reavaliados frequentemente.

    Também chama a atenção a Policlínica – uma engenhosa invenção que visa proporcionar serviços como odontologia, pequenas cirurgias, vasectomias e raios-X sem a necessidade de uma visita a um hospital.

    Cada Policlínica  tem uma série de especialistas (pediatria, ginecologia, dermatologia, psiquiatria) que resolvem boa parte dos problemas de saúde das comunidades e assim reduzem a necessidade de busca de hospital. Com isso, a lista de espera nos hospitais é quase inexistente.

    Todos os lugares que visitamos eram geridos por profissionais da saúde (médicos e enfermeiros).

    Fizemos uma visita à Escola de Medicina América Latina, onde médicos estagiários  de todo o mundo -  muitos deles, para nossa surpresa, americanos –  recebem treinamento à moda cubana.

    E nos deparamos em nossa visita com  pequenos detalhes que podem fazer uma grande diferença: pelotões de aposentados se exercitando todas as manhãs nos parques de Havana.

    Apesar de os hospitais não serem equipados com o nível de TI encontrado no Reino Unido, por causa do bloqueio americano, os profissionais de saúde têm uma paixão por dados e estatísticas que eles usam com freqüência para fins de governança na saúde.

    O contexto da revolução cubana e as estruturas sociais desenvolvidos localmente levaram ao envolvimento contínuo do Estado no sistema de saúde. Isto é visto não como a cereja no topo do bolo, mas como uma parte muito importante do próprio bolo.

    O espírito da medicina cubana | Diário do Centro do Mundo

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